Casa de praia de 1,7 mil m² integra família, mar e paisagismo em Alagoas

Pensada para acolher uma família grande, celebrar o tempo desacelerado e emoldurar o oceano como parte da rotina, esta casa no litoral sul de Alagoas nasceu do desejo de convivência, conforto e integração total com a paisagem. O casal de moradores sonhava com um refúgio capaz de receber filhos e enteados durante as férias — chegando a reunir até 16 pessoas — sem renunciar a privacidade, fluidez e uma atmosfera leve, típica das moradas à beira-mar.
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Implantada em um condomínio em Coruripe, a residência de 1,7 mil m² foi desenhada com a praia como protagonista absoluta, explorando iluminação natural abundante, ventilação cruzada e relação direta com o exterior.
LIVING | Através das grandes esquadrias de vidro com estrutura metálica revestida de folha de carvalho é possível avistar o mar. A madeira também foi aplicada no forro de cumaru e na viga de concreto. O lambri em MDF Off-white, da linha Sense, da Duratex, encontra a pedra moledo nas paredes. Piso impermeabilizado de granito Siena levigado
Rogério Maranhão/Divulgação
“O maior desafio era criar uma casa ampla, funcional e acolhedora, que usufruísse da vista para o mar em todos os ambientes e, ao mesmo tempo, mantivesse privacidade e harmonia”, explica a arquiteta Isabela Barreto Bicalho (@isabelabicalhoarquitetura), responsável pelo projeto.
LIVING INTEGRADO | A escada de concreto e o guarda-corpo foram revestidos com lâmina natural de cumaru. Na sala de estar, móveis confeccionados sob medida com tecido da Quaker em tom de areia. Tapete KZ Jasper, da loja Vitrine. Sobre a mesa lateral, Abajur Moringa, abajur com design de Mauricio Arruda. Ao fundo, arranjos de Eva Amaral
Rogério Maranhão/Divulgação
A distribuição dos cômodos reforça a conexão com a paisagem. A construção foi organizada em três núcleos — social, íntimo e de serviço — interligados por passarelas revestidas de pedra, protegidas pela laje do pavimento superior.
Essa solução fragmenta o volume da habitação e suaviza sua presença no terreno. “A fragmentação dos volumes permitiu diluir a imponência da casa, o que trouxe leveza e integração mais natural com o entorno”, detalha Isabela.
SALA DE JANTAR | Mesa de jantar Gana Giardini e cadeiras Parma, ambos da Franccino. Luminárias Jacarta, de rattan, da loja IndoBali. Arranjos de Eva Amaral
Rogério Maranhão/Divulgação
No bloco central, totalmente envidraçado, estão os ambientes sociais. Salas de estar, de jantar e de jogos compartilham um espaço generoso, com pé-direito duplo, onde pedra e madeira aparecem como materiais predominantes.
A escolha reforça a sensação de aconchego sem abdicar da sofisticação. “Queríamos que a casa refletisse o clima descontraído da praia, elegante e simples ao mesmo tempo”, comenta a arquiteta.
SALA DE JOGOS | O canto do living destinado aos jogos recebeu mesa desenhada pela arquiteta e executada pela Nô Arte Móveis, assim como o aparador que abriga a obra do artista José Roberto Aguilar e o arranjo floral de Eva Amaral. Cadeiras Dijon, da Franccino. Luminária de rattan Jacarta, da IndoBali
Rogério Maranhão/Divulgação
Durante a obra, a proximidade com o mar exigiu adaptações importantes. A estrutura metálica inicialmente prevista precisou ser substituída devido à maresia. A solução encontrada foi o uso de lajes de concreto revestidas de madeira, que garantem resistência, durabilidade e mantêm a estética desejada, além de permitir grandes vãos e ambientes amplos.
COZINHA | O granito Siena levigado brilha no ambiente revestindo ilha, bancadas da pia, frontão e piso. Já as paredes receberam reboco rústico, no tom areia queimado. A marcenaria foi executada com MDF Off-white Suave, da linha Sense, da Duratex, com eletrodomésticos embutidos, enquanto a porta recebeu MDF Itapuã, da mesma marca
Rogério Maranhão/Divulgação
A decoração segue a linha do minimalismo contemporâneo, aquecida por elementos artesanais e peças com forte identidade regional. Objetos produzidos na Ilha do Ferro e no sul de Alagoas convivem com obras de arte, como os trabalhos de José Roberto Aguilar. “A casa é sobre pertencimento: ao lugar, à família e à beleza simples de estar juntos”, resume Isabela.
PÁTIO INTERNO | A arquitetura apostou na permeabilidade do interior com o exterior, para aproveitar a vista do mar em todos os ambientes, além do paisagismo, assinado por Thereza Collor, que abraça a construção. Neste jardim, foram plantados grupos de arecas, além de costelas-de-adão nas áreas de sombra. A materialidade mistura madeira cumaru no forro, reboco rústico nas paredes e pedra moledo nas passagens
Rogério Maranhão/Divulgação
O diálogo com a natureza se estende para além da arquitetura. O paisagismo foi pensado como parte essencial do projeto e nasceu de um pedido específico dos moradores: plantas grandes, floridas e exuberantes.
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À frente do desenho do jardim, a paisagista Thereza Collor enfrentou o desafio de criar um cenário verde resistente à maresia. “Escolhi espécies que crescem bem nesse clima e exigem pouca manutenção”, explica. Entre elas, estão palmeiras, bananeiras, pitangueiras, hibiscos, arecas, costelas-de-adão e alamandas.
SUÍTE PRINCIPAL | O ambiente se abre para o exterior graças às esquadrias pivotantes de alumínio, o qual foi revestido de folha de carvalho. No paisagismo, assinado por Thereza Collor, destacam-se alamandas no pergolado e grupos de arecas no jardim
Rogério Maranhão/Divulgação
Muitas espécies vieram do próprio viveiro da paisagista, e o resultado se fEz notar pouco tempo após a implantação. Com apenas dois meses, o jardim apresentou crescimento vigoroso — as bananeiras, inclusive, já deram frutos. “Gosto de criar jardins que abracem a arquitetura”, ela diz.
SUÍTE PRINCIPAL | No quarto, a parede com reboco rústico, no tom areia queimado, recebeu cabeceira produzida com lâmina cumaru. Mesa de trabalho desenhada pela arquiteta e executada pela Nô Arte Móveis, com poltrona de madeira e palha, da loja IndoBali. Moringas da Ilha do Ferro, AL. Piso impermeabilizado de granito Siena levigado
Rogério Maranhão/Divulgação
A ideia é, segundo Thereza, que, com o tempo, a casa quase desapareça para quem passa na rua. “O objetivo é que o jardim seja bonito, prático e permita que as pessoas simplesmente aproveitem”, finaliza a paisagista.

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