Casa projetada por Le Corbusier na costa francesa está à venda por R$ 12 milhões

Projetada por Le Corbusier e construída em 1930 no alto de uma colina em Le Pradet, próximo a Toulon, na França, esta casa modernista está à venda por € 2,3 milhões (cerca de R$ 12,3 milhões na cotação atual).
Tombada como monumento histórico, a Villa de Mandrot, também conhecida como L’Artaude, é considerada marco da arquitetura moderna adaptada ao contexto mediterrâneo da Riviera Francesa.
A residência foi encomendada por Hélène de Mandrot, mecenas — investidora em arte — ligada aos círculos de vanguarda parisienses e organizadora do primeiro Congresso Internacional de Arquitetura Moderna (CIAM), realizado em 1928, na Suíça.
A área de estar com pilares aparentes e pé-direito generoso traduz os princípios da arquitetura moderna de Le Corbusier, combinando estrutura racional, luz abundante e conexão com o exterior
Marion Sacco/FLC – ADAGP 2026/Reprodução
No final da década de 1920, ela solicitou ao arquiteto uma residência de veraneio simples, com dois quartos, quatro camas extras e jardim. O projeto resultou em uma construção de 200 m² distribuídos em dois níveis, implantada em um terreno de 2.450 m² com pinheiros, lavandas, ciprestes e limoeiros.
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Com planta em L, o pavimento principal abriga a sala de estar com lareira e acesso ao jardim, a cozinha integrada à área de jantar, a suíte principal e um segundo dormitório que pode funcionar como escritório.
No pátio, a volumetria em L e o uso de materiais locais evidenciam a estratégia de integração entre arquitetura e jardim
Marion Sacco/FLC – ADAGP 2026/Reprodução
No andar inferior, com 80 m², no antigo espaço para o caseiro, foram instalados um ateliê, uma cozinha aberta e um banheiro com chuveiro, além de uma adega e uma garagem dupla. Do outro lado do terraço, uma pequena cabana funciona como suíte de hóspedes.
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Originalmente, o terraço era emoldurado por duas esculturas monumentais do artista modernista Jacques Lipchitz — Le Chant des Voyelles (1931) e Nu Couché à la Guitare (1928) — que já não integram a propriedade.
Nesta sala, a parede em pedra de Var e o piso cerâmico hexagonal reforçam o diálogo entre arquitetura moderna e tradição mediterrânea, conceito central do projeto de Le Corbusier
Marion Sacco/FLC – ADAGP 2026/Reprodução
Voltada ao sul, a construção recebe luz solar ao longo de todo o dia, enquanto a fachada norte, sombreada, mantém temperaturas mais amenas, evidenciando a atenção ao clima local.
A cozinha integrada evidencia o racionalismo do design modernista de Le Corbusier, com marcenaria planejada e amplas superfícies envidraçadas que favorecem iluminação natural e ventilação cruzada
Marion Sacco/FLC – ADAGP 2026/Reprodução
A Villa de Mandrot sintetiza a interseção de dois fluxos do modernismo. De um lado, incorpora os princípios puristas e a estética industrial defendidos por Le Corbusier. De outro, dialoga com a cultura provençal ao empregar pedra bruta e pedra de Var, além de elementos como terraço, muro corta-vento e escada monumental que reforçam a integração entre arquitetura e natureza. Em 1931, o arquiteto descreveu o projeto como “deslumbrante, novo, forte, sólido, esplendidamente incorporado à paisagem”.

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