Chalé suspenso é projetado para se camuflar na natureza da serra paulista

Em meio à Mata Atlântica de São Francisco Xavier, no interior paulista, este chalé foi concebido como um refúgio que se integra à paisagem, com arquitetura minimalista e voltada à contemplação da natureza. Com 291 m², é a primeira construção de um masterplan que busca ocupar o terreno de forma cuidadosa, silenciosa e harmônica com o entorno. O projeto é assinado pelo escritório Angá Arquitetura (@anga.arquitetura), das arquitetas Camila Caiuby, Carolina Gurgel e Gabriela Panico.
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“A ideia desde o início era criar um abrigo que não competisse com a paisagem, mas que se envolvesse nela”, explica Camila. Implantada em uma encosta de topografia íngreme, a residência foi concebida do zero e elevada do solo por pilares de concreto, minimizando o impacto no terreno e permitindo que a vegetação seguisse como protagonista. “Optamos por uma arquitetura que se apoia com leveza, respeitando as árvores existentes e a lógica natural do lugar”, complementa Carolina.
VISTA AÉREA | A casa não busca protagonismo; ao contrário, foi pensada para ocupar o terreno de forma cuidadosa, silenciosa e integrada ao entorno
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
Distribuído em dois pavimentos, o chalé tem organização funcional. No nível principal, um grande retângulo abriga três faixas bem definidas: duas suítes nas extremidades e, ao centro, um amplo living.
Totalmente envidraçado, esse volume central funciona como o coração da casa, onde acontecem encontros, refeições e momentos de contemplação com vista direta para a mata. “Esse espaço aberto e quase vazado cria uma relação direta entre dentro e fora, reforçando a experiência de estar imerso na natureza”, observa Gabriela.
AMBIENTES INTEGRADOS | No centro da casa, a área social, com sala de estar, de jantar e cozinha, é aberta à natureza. De fácil manutenção, o porcelanato Pietra di Savoie, da Portinari, recobre todo espaço, trazendo unidade visual que se abre para a natureza
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
As suítes, em contraste, foram desenhadas como volumes fechados e introspectivos. Embora se abram para o deque e para a serra paulista, oferecem atmosfera de recolhimento e descanso, com piso de madeira, cabeceiras em tons de verde e espaços pensados para trabalho remoto.
O deque suspenso amplia a área social e se projeta sobre a copa das árvores, abrigando uma sala de estar ao ar livre e um spa — um dos pontos marcantes do projeto.
SALA DE ESTAR | Poucas peças integram a decoração e celebram o design brasileiro, com o par de poltronas Cesar, da Labmobili; a poltrona Terra, do Estúdio Pedro Luna; e a mesa de centro Hiato, da Niedo Design. Tapete da by Kamy e quadros adquiridos na galeria Almavera arremetam a composição
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
No pavimento inferior, encontram-se a terceira suíte, a área de serviço, um depósito e uma área gourmet com sala de estar coberta, pensada para garantir uso confortável mesmo em dias de chuva.
Essa solução amplia as possibilidades de convivência e torna a habitação versátil tanto para os proprietários — um casal que reside na capital paulista e viaja para o chalé em fins de semana e períodos prolongados de descanso — quanto para a locação por temporada.
VARANDA | Sobre o deque de madeira cumaru foi construído um spa revestido de porcelanato Atlantis BL Hard, da Portinari. Repare na árvore existente que foi mantida e, hoje, faz parte da casa
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
“Quando estamos lá, a gente realmente desconecta. Não tem vizinho, não tem barulho. A gente cozinha, recebe amigos, faz fogueira, fica conversando. Até coisas que nunca fazemos em São Paulo, como assar um bolo, acabam acontecendo”, conta Rodrigo Studart, administrador do imóvel.
Segundo ele, a relação com a natureza é parte essencial da experiência. “Uma das coisas que mais surpreendeu foi a árvore que ficou ali, atravessando o deque. Evitamos derrubar qualquer árvore, e manter aquela mudou completamente o espaço. Ela virou parte da casa”, completa.
VARANDA | A fachada da casa, pintada de Cinza Misterioso, da Coral, ajuda a camuflar a construção entre as árvores. Pufe da Srta. Galante. Poltrona Ori, da Labmobili. Mesa lateral Tuga, da Niedo Design
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
O conceito arquitetônico combina rusticidade e contemporaneidade em uma linguagem minimalista e contemplativa. A volumetria escura das fachadas ajuda a camuflar a construção entre as árvores, enquanto os interiores apostam em tons naturais, texturas minerais e madeira para criar aconchego.
“O tom escuro externo faz com que a casa quase desapareça na paisagem, reforçando a vegetação como elemento principal”, ressalta Camila.
ÁREA GOURMET | No piso inferior, o espaço coberto foi pensado para ser usado mesmo nos dias de chuva. Piso de cacão de pedra traz um tom rústico ao décor e foi composto com tapete da by Kamy. Mesa e cadeiras Girafa, assinada por Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, na Marcenaria Baraúna. Banco Teco, do Estúdio Na Cavilha. Esculturas com vaso Terra, do Estúdio Pedro Luna
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
Entre os principais desafios estiveram o acesso difícil ao terreno e a execução totalmente off-grid, sem ligação com redes públicas de água e energia. A solução envolveu o uso de geradores, captação de água de mina e a priorização de fornecedores e equipes locais. “Foi um processo que exigiu planejamento cuidadoso, mas resultou em uma casa autossuficiente e plenamente funcional”, afirma Carolina.
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Nos materiais, a escolha privilegiou durabilidade e baixa manutenção. O porcelanato de textura natural cobre a área social, enquanto a madeira aquece os dormitórios.
SUÍTE | A cama com cabeceira verde tem enxoval em contraste no tom terracota, da Linea Home. Mesa de cabeceira Etta, do Studio Niz. Sobre a bancada, quadro adquirido na galeria Almavera. Ventilador de teto da Ventali. Tapete da by Kamy
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
Nos banheiros, os seixos naturais no piso dos boxes criam a sensação de banho ao ar livre, reforçando o caráter sensorial do projeto. Grandes panos de vidro costuram todos os ambientes à paisagem.
SUÍTE | Aqui, a roupa de cama escolhida no tom verde, da Linea Home, traz frescor. Na bancada de trabalho, cadeira Frei Egidio, assinada por Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, na Marcenaria Baraúna. Ventilador de teto da Ventali. Tapete da by Kamy
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
A decoração segue a mesma lógica. Poucas peças, escolhidas a dedo, valorizam o design brasileiro e garantem praticidade para o uso cotidiano e para a locação. Obras de arte pontuam os cômodos, enquanto móveis assinados por estúdios e marcenarias completam a atmosfera acolhedora.
BANHEIRO | A atmosfera rústica domina o ambiente, com porcelanato Pietra di Savoie, da Portinari, e mini-seixos telados, da Palimanan, na área do boxe, que tem fechamento executado pela Vidro & Cor, responsável também pelo espelho. Bancada de quartzo sintético Colorato Stone Intense Gray. Metais da Deca. Banco Caipirinha, produzido pela Marcenaria Baraúna
Pedro Ocanhas/Divulgação | Produção: Manuela Figueiredo/Divulgação
Embora o acesso entre os pavimentos seja feito principalmente por uma escada, a acessibilidade foi considerada para o dia a dia. Para facilitar o descarregamento de compras, botijões de gás ou o transporte de passageiros, foi construída uma rampa para carros, permitindo ainda o acesso ao pavimento inferior pelo lado externo da casa.

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