Mais do que uma escolha funcional, o mobiliário escolar evoluiu de item estático para recurso pedagógico estratégico. Afinal, um design inteligente elimina barreiras ao aprendizado e transforma a sala de aula em um ambiente dinâmico, que favorece tanto a absorção de conhecimento quanto o estímulo à criatividade e às novas ideias.
No Brasil, a produção de móveis escolares deve ser guiada pela norma ABNT NBR 14006, a qual visa garantir a ergonomia total do usuário. Materiais sustentáveis, integração digital, acessibilidade universal também são tópicos relevantes para oferecer bem-estar completo no cenário educacional.
Soluções que redefinem o espaço escolar
Entre as empresas brasileiras do setor estão a Novidário e a Mono Design. A primeira inspira-se na abordagem pedagógica Reggio Emilia para criar suas linhas e já realizou parceria com escolas renomadas.
Sala de aula da escola Carandá Educação, em São Paulo, SP, conta com móveis da linha Origem, da Novidário
Guilherme Pucci/Divulgação
A segunda atua como uma plataforma de design aberto e produção descentralizada, conectando designers a uma rede global de makers (produtores locais).
Este ambiente da Camino School, na capital paulista, tem móveis da Novidário, os quais podem evoluir conforme as necessidades físicas e intelectuais de cada aluno ou grupo
Manuel Sá/Divulgação
Internacionalmente, o sistema Eduba, do designer israelense Roie Avni, responde à natureza estática do ensino tradicional, substituindo fileiras fixas de carteiras para peças modulares. O conjunto inclui mesas que oferecem três níveis de altura ao serem rotacionadas e cadeiras que se ajustam conforme a necessidade. Essa flexibilidade permite personalizar a sala de aula instantaneamente.
Eduba é um sistema de mobiliário modular e reconfigurável que permite criar rapidamente microespaços para colaboração, foco ou estudo individual
Instagram/@roei.avni/Reprodução
A sinergia entre design e práticas pedagógicas
O mobiliário escolar impacta diretamente a concentração e a autonomia dos alunos, facilitando a organização espacial. Além disso, permite a aplicação de diversas metodologias — da colaboração ao foco individual — transformando a sala de aula em um recinto inclusivo.
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“Entendemos o mobiliário como uma ferramenta didática silenciosa, organizando comportamentos, estimulando interações e dando suporte às metodologias ativas. Quando o espaço muda, a forma de aprender muda junto. Na prática, espaço e pedagogia hoje precisam ser pensados juntos, desde o início”, opina Denis Fuji, fundador da Mono Design.
Neste ambiente da escola Espaço Ekoa, em São Paulo, SP, a paleta de tons frios visa promover calma e foco. Mobiliário da Novidário
Marino Photo/Divulgação
“Desenvolvemos um design flexível, no qual o mobiliário permite composições rápidas para trabalhos em grupo, momentos individuais e dinâmicas com mesas compartilhadas, por meio de peças que se combinam, empilham e se transformam conforme a proposta pedagógica”, diz Luciana Sobral, sócia-fundadora da Novidário.
Influência da ergonomia e dos elementos sensoriais no mobiliário escolar
A ergonomia e os estímulos sensoriais no mobiliário escolar são pilares fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e o bem-estar dos estudantes. A primeira assegura a integridade física e previne lesões posturais por meio de cadeiras e mesas ajustáveis, enquanto os elementos sensoriais favorecem o conforto neurológico e estimulam a autorregulação emocional.
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“O uso consciente de cores, materiais naturais, como a madeira, texturas agradáveis e ergonomia adequada reduz estímulos agressivos e cria a sensação de acolhimento. O aluno sente que aquele espaço foi pensado para ele. Isso fortalece o pertencimento e, consequentemente, a autonomia”, fala Denis.
Na escola Red House Ipiranga, na capital paulista, uma sala de aula foi pensada para o uso de todos, sem demandar adaptações. Móveis da Mono Design
Hugo Chinaglia/Divulgação
“Alterar a postura ao longo do dia ajuda a regular o estresse e a manter a concentração. Quando o mobiliário respeita a escala e a rotina do estudante, ele gera senso de pertencimento e cuidado, primeiro passo para o desenvolvimento da cidadania”, complementa Luciana.
Design universal aplicado ao mobiliário escolar
O Design Universal aplicado ao mobiliário escolar vai além da funcionalidade ao considerar a diversidade neurológica. Em vez de depender de adaptações posteriores, as soluções permitem ajustes rápidos no layout para acolher perfis neurodivergentes, como autistas e pessoas com TDAH. Assim, o mobiliário promove inclusão sem gerar estresse sensorial.
Exemplo de mesa Mono Design com design aberto, o qual permite layouts fluidos em ambientes escolares
Hugo Chinaglia/Divulgação
“Não acreditamos em um ‘mobiliário especial’ que segrega. A inovação está em desenhar peças que atendam a todos. Um mobiliário acessível oferece conforto sensorial e ajustes para quem precisa de foco, integrando o aluno ao grupo sem marcas estigmatizantes”, diz Luciana.
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Outro tópico importante no design de mobiliários escolares é a integração com a tecnologia. “Móveis que escondem cabos, organizam dispositivos e permitem alternância rápida entre o digital e o analógico ajudam a manter o foco no essencial: as pessoas. O desafio do design hoje é acolher a tecnologia sem transformar a sala em um ambiente frio ou muito técnico”, reforça Denis.
Breve história dos móveis escolares no Brasil
No Brasil Colonial e Imperial, o mobiliário escolar era precário. Na segunda metade do século 19, a Fábrica Röhe & Irmãos, criada por imigrantes alemães no Rio de Janeiro, ascendeu na protoindústria (produção manual) a partir do lançamento dos bancos-carteiras, que se popularizaram no país.
Antigamente, as carteiras escolares eram robustas, de madeira, muitas vezes conjugadas para dois alunos, pesadas e com espaços inferiores para livros
RaphaelHolanda19/Wikimedia Commons
Entre 1889 e 1945, sob influência higienista, consolidaram-se as carteiras robustas de ferro e madeira fixas ao chão. Nesse período, instituições como o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo foram essenciais para adaptar os móveis à anatomia infantil, superando o conceito de “adulto em miniatura”.
Imagem antiga mostra sala de aula do Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, equipada com móveis da Móveis Cimo
Acervo do Colégio Estadual do Paraná/Universidade do Estado de Santa Catarina/Reprodução
Entre as décadas de 1950 e 1970, a Móveis Cimo, reconhecida como a maior empresa de móveis da América Latina ao longo do século 20 e precursora do design industrial brasileiro, chegou a produzir diferentes itens escolares, entre poltronas, mesas e cadeiras. O Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, foi uma das instituições de ensino equipadas com peças da marca.
No Brasil, a produção de móveis escolares deve ser guiada pela norma ABNT NBR 14006, a qual visa garantir a ergonomia total do usuário. Materiais sustentáveis, integração digital, acessibilidade universal também são tópicos relevantes para oferecer bem-estar completo no cenário educacional.
Soluções que redefinem o espaço escolar
Entre as empresas brasileiras do setor estão a Novidário e a Mono Design. A primeira inspira-se na abordagem pedagógica Reggio Emilia para criar suas linhas e já realizou parceria com escolas renomadas.
Sala de aula da escola Carandá Educação, em São Paulo, SP, conta com móveis da linha Origem, da Novidário
Guilherme Pucci/Divulgação
A segunda atua como uma plataforma de design aberto e produção descentralizada, conectando designers a uma rede global de makers (produtores locais).
Este ambiente da Camino School, na capital paulista, tem móveis da Novidário, os quais podem evoluir conforme as necessidades físicas e intelectuais de cada aluno ou grupo
Manuel Sá/Divulgação
Internacionalmente, o sistema Eduba, do designer israelense Roie Avni, responde à natureza estática do ensino tradicional, substituindo fileiras fixas de carteiras para peças modulares. O conjunto inclui mesas que oferecem três níveis de altura ao serem rotacionadas e cadeiras que se ajustam conforme a necessidade. Essa flexibilidade permite personalizar a sala de aula instantaneamente.
Eduba é um sistema de mobiliário modular e reconfigurável que permite criar rapidamente microespaços para colaboração, foco ou estudo individual
Instagram/@roei.avni/Reprodução
A sinergia entre design e práticas pedagógicas
O mobiliário escolar impacta diretamente a concentração e a autonomia dos alunos, facilitando a organização espacial. Além disso, permite a aplicação de diversas metodologias — da colaboração ao foco individual — transformando a sala de aula em um recinto inclusivo.
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“Entendemos o mobiliário como uma ferramenta didática silenciosa, organizando comportamentos, estimulando interações e dando suporte às metodologias ativas. Quando o espaço muda, a forma de aprender muda junto. Na prática, espaço e pedagogia hoje precisam ser pensados juntos, desde o início”, opina Denis Fuji, fundador da Mono Design.
Neste ambiente da escola Espaço Ekoa, em São Paulo, SP, a paleta de tons frios visa promover calma e foco. Mobiliário da Novidário
Marino Photo/Divulgação
“Desenvolvemos um design flexível, no qual o mobiliário permite composições rápidas para trabalhos em grupo, momentos individuais e dinâmicas com mesas compartilhadas, por meio de peças que se combinam, empilham e se transformam conforme a proposta pedagógica”, diz Luciana Sobral, sócia-fundadora da Novidário.
Influência da ergonomia e dos elementos sensoriais no mobiliário escolar
A ergonomia e os estímulos sensoriais no mobiliário escolar são pilares fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e o bem-estar dos estudantes. A primeira assegura a integridade física e previne lesões posturais por meio de cadeiras e mesas ajustáveis, enquanto os elementos sensoriais favorecem o conforto neurológico e estimulam a autorregulação emocional.
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“O uso consciente de cores, materiais naturais, como a madeira, texturas agradáveis e ergonomia adequada reduz estímulos agressivos e cria a sensação de acolhimento. O aluno sente que aquele espaço foi pensado para ele. Isso fortalece o pertencimento e, consequentemente, a autonomia”, fala Denis.
Na escola Red House Ipiranga, na capital paulista, uma sala de aula foi pensada para o uso de todos, sem demandar adaptações. Móveis da Mono Design
Hugo Chinaglia/Divulgação
“Alterar a postura ao longo do dia ajuda a regular o estresse e a manter a concentração. Quando o mobiliário respeita a escala e a rotina do estudante, ele gera senso de pertencimento e cuidado, primeiro passo para o desenvolvimento da cidadania”, complementa Luciana.
Design universal aplicado ao mobiliário escolar
O Design Universal aplicado ao mobiliário escolar vai além da funcionalidade ao considerar a diversidade neurológica. Em vez de depender de adaptações posteriores, as soluções permitem ajustes rápidos no layout para acolher perfis neurodivergentes, como autistas e pessoas com TDAH. Assim, o mobiliário promove inclusão sem gerar estresse sensorial.
Exemplo de mesa Mono Design com design aberto, o qual permite layouts fluidos em ambientes escolares
Hugo Chinaglia/Divulgação
“Não acreditamos em um ‘mobiliário especial’ que segrega. A inovação está em desenhar peças que atendam a todos. Um mobiliário acessível oferece conforto sensorial e ajustes para quem precisa de foco, integrando o aluno ao grupo sem marcas estigmatizantes”, diz Luciana.
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Outro tópico importante no design de mobiliários escolares é a integração com a tecnologia. “Móveis que escondem cabos, organizam dispositivos e permitem alternância rápida entre o digital e o analógico ajudam a manter o foco no essencial: as pessoas. O desafio do design hoje é acolher a tecnologia sem transformar a sala em um ambiente frio ou muito técnico”, reforça Denis.
Breve história dos móveis escolares no Brasil
No Brasil Colonial e Imperial, o mobiliário escolar era precário. Na segunda metade do século 19, a Fábrica Röhe & Irmãos, criada por imigrantes alemães no Rio de Janeiro, ascendeu na protoindústria (produção manual) a partir do lançamento dos bancos-carteiras, que se popularizaram no país.
Antigamente, as carteiras escolares eram robustas, de madeira, muitas vezes conjugadas para dois alunos, pesadas e com espaços inferiores para livros
RaphaelHolanda19/Wikimedia Commons
Entre 1889 e 1945, sob influência higienista, consolidaram-se as carteiras robustas de ferro e madeira fixas ao chão. Nesse período, instituições como o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo foram essenciais para adaptar os móveis à anatomia infantil, superando o conceito de “adulto em miniatura”.
Imagem antiga mostra sala de aula do Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, equipada com móveis da Móveis Cimo
Acervo do Colégio Estadual do Paraná/Universidade do Estado de Santa Catarina/Reprodução
Entre as décadas de 1950 e 1970, a Móveis Cimo, reconhecida como a maior empresa de móveis da América Latina ao longo do século 20 e precursora do design industrial brasileiro, chegou a produzir diferentes itens escolares, entre poltronas, mesas e cadeiras. O Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, foi uma das instituições de ensino equipadas com peças da marca.



