Como recuperar plantas “quase mortas” após viagens

A volta para a casa após as festas de fim de ano e viagens de férias, muitas vezes, reservam surpresas desagradáveis aos moradores. Quem cultiva plantas, por exemplo, pode se deparar com exemplares murchos, secos, aparentemente sem vida. Nestas horas, contudo, é preciso paciência, pois a espécie pode não estar realmente morta, podendo ser recuperada com os cuidados certos.
Segundo o engenheiro-agrônomo Ronan Machado Pereira, coordenador do curso de Engenharia Agronômica do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), para saber se a planta realmente morreu, é preciso observar seus tecidos estruturais.
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“Folhas secas ou murchas nem sempre indicam morte. O principal indicativo é o caule: ao fazer uma leve raspagem com a unha ou lâmina, se o tecido interno estiver verde e úmido, há atividade fisiológica e a planta está viva. Já caules totalmente marrons, quebradiços e ocos indicam morte do tecido vascular. As raízes também são fundamentais nessa avaliação. Raízes firmes e claras (esbranquiçadas ou amareladas) indicam viabilidade. Por outro lado, raízes escuras, moles e com odor desagradável, sugerem apodrecimento avançado. A presença de brotos ou gemas latentes também é um forte sinal de que a planta ainda pode se recuperar”, explica o profissional.
Como recuperar plantas “quase mortas”
Folhas secas ou murchas nem sempre indicam morte
Syn Gor/Pexels
Após verificar se a planta ainda tem vida, é hora de iniciar o processo de recuperação. O primeiro passo, esclarece o professor, é corrigir o manejo hídrico. “Plantas desidratadas devem ser reidratadas de forma gradual, evitando encharcamento. Quando o substrato está muito seco, a imersão parcial do vaso em água por alguns minutos pode ajudar a restabelecer a umidade de maneira uniforme”, diz.
A poda de limpeza também é essencial. Folhas, ramos e partes secas devem ser removidas para reduzir a perda de água e redirecionar a energia da planta para os tecidos viáveis. “Se você só jogar água, mas não tirar as folhas secas, limpar o que tá seco, provavelmente ela vai demorar mais para se recuperar”, alerta a paisagista Catê Poli, que sugere cortar as folhas secas com uma tesourinha de poda, em vez de puxar, para não danificar a plantinha.
A próxima medida é manter a planta em ambiente iluminado, porém sem sol direto, reduzindo o estresse fisiológico. No que diz respeito à adubação, ela só deve ser realizada após sinais claros de recuperação do exemplar, como o surgimento de novas folhas, e sempre em doses leves, dizem os especialistas.
O que não fazer ao tentar revitalizar uma planta
Molhar demais a plantinha e não verificar a drenagem são erros comuns ao tentar revitalizar plantas
Hanna Pad/Pexels
Na tentativa de revitalizar uma planta “quase morta”, as pessoas podem cometer alguns erros que, realmente, podem acabar matando o exemplar. Um deles é molhar demais a plantinha, além de não verificar a drenagem. “É importante borrifar as folhas e perceber se essa água não está ficando retida ali. Ou seja, ela tem que drenar, tem que sair o excesso, não pode ficar como se fosse uma piscina, pois a planta pode apodrecer e, na realidade, você pode matar a planta tanto de sede, como afogada”, comenta Catê.
Outro equívoco frequente é a adubação precoce ou excessiva, que pode causar queimaduras nas raízes, já que plantas debilitadas têm baixa capacidade de absorção de nutrientes. Também é comum expor a planta debilitada ao sol direto, acreditando que isso acelerará a recuperação, quando, na verdade, aumenta a perda de água e o estresse. “Mudanças constantes de local e o uso indiscriminado de produtos “revitalizantes” sem diagnóstico adequado também prejudicam o processo”, completa Ronan.
O que fazer para evitar que as plantas sofram durante viagens
Irrigação adequada, mudança de posicionamento e sistemas automáticos de rega ajudam a manter as plantas saudáveis na ausência dos moradores
Elena Golovchenko/Pexels
Ao contrário do que muitos imaginam, é possível prevenir o sofrimento das plantas, quando os moradores não estão por perto, realizando irrigação adequada, mudando o posicionamento e recorrendo a sistemas automáticos de rega.
“A prevenção começa antes da viagem. É importante realizar uma irrigação adequada, sem excessos, e posicionar as plantas em locais com luz difusa e menor ventilação, reduzindo a transpiração. Outra medida é evitar podas e adubações antes da viagem, diminuindo a demanda hídrica das plantas. Agrupar os vasos também é importante, pois ajuda a criar um microclima mais úmido. O uso de pratos com água e argila expandida, sistemas simples de irrigação por gotejamento caseiro ou dispositivos automáticos são alternativas eficientes. Para viagens mais longas, contar com a ajuda de uma pessoa de confiança para monitorar a irrigação é a solução mais segura”, conclui Ronan.
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