Conexão com o jardim e presença da arte são destaques em casa de 600 m²

A antiga casa de dois pavimentos em um bairro nobre paulistano tornou-se laboratório para as experimentações da designer de interiores Marina Linhares (@marinalinharesinteriores). Faz mais de vinte anos que ela vive com a família na construção, hoje com 600 m², cercada de verde.
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“A casa foi acontecendo”, diz a profissional, que durante todo esse período tem incrementado seu lar com novos espaços e novas decorações. Um exemplo é o gazebo criado para a sua primeira participação na Casa Cor, que foi acoplado ao restante. A estrutura envidraçada ficou implantada na parte do terreno onde bate o sol da manhã. Ali, a transparência que parece unir o interior ao exterior chama a atenção: a fronteira entre dentro e fora fica tênue. Ela se diz a “decoradeira” mais afeita ao paisagismo e fala que ali nem parece que se está na capital paulista, ao observar o conjunto.
RETRATO | No gazebo, que funciona como área social, a moradora Marina Linhares senta-se no sofá feito por Paschoal Ambrósio, tendo o jardim ao fundo. A mesa de centro exibe livros e objetos. O tapete é da Phenicia Concept
Wesley Diego/Editora Globo
O estar, com peças variadas que contam uma história, reúne itens ganhos no casamento, outros mais importantes, outros menos – mas é essa mistura que torna a reunião de mobiliário e objetos boa de ver. “Assim como na minha residência, quando faço um trabalho para determinada pessoa ou família, quero trazer para dentro de casa suas referências”, comenta a profissional.
ÁREA EXTERNA | Tem mesa e cadeiras do tipo diretor, da L’Oeil, além de pegadas de pedra sobre o gramado
Wesley Diego/Editora Globo
Há quase três décadas à frente do escritório homônimo, Marina Linhares criou a própria trajetória através da escuta, do repertório consistente e da atenção aos detalhes, conforme se lê em seu perfil oficial. As criações nascem do encontro com o outro por meio da valorização de memórias, tornando o habitar um ato não apenas da rotina, mas que constrói o cotidiano a partir da beleza e da funcionalidade.
DETALHES | A caixa de acrílico acomoda uma coleção de pequenos sapos
Wesley Diego/Editora Globo
A designer questiona-se ao pensar na casa do futuro para uma nova geração, que, em princípio, prefere viver mundo afora a fincar raízes. “Mas ainda acredito na convivência, em fazer um ninho, na ideia de pertencimento”, diz ela, para quem lar é território de descompressão diante de um mundo repleto de informações que nos bombardeiam no dia a dia.
HALL DE ENTRADA | Tem chapéus pendurados na parede, banco produzido pela Fonseca Marcenaria e, junto à escada, papel da Celina Dias
Wesley Diego/Editora Globo
Ao longo de duas décadas, a casa passou por mutações. Do ponto de vista do décor, ela já teve, por exemplo, paredes brancas e móveis e objetos mais étnicos, trazidos de viagens – coisa que Marina adora fazer. “Hoje estou em uma fase de valorizar mais os crus”, diz. Ela mescla mobiliário dessas tonalidades a outros de matizes mais terrosos, como a poltrona Guscioalto, de Antonio Citterio, além dos de madeira, como a mesa e as cadeiras de jantar, respectivamente de Etel Carmona e Branco&Preto.
RETRATO | Marina Linhares lê na área externa
Wesley Diego/Editora Globo
“Sou a ‘decoradeira’ mais afeita ao paisagismo, por isso curto muito poder observar o jardim desde a área social, no gazebo.”
Sobre o sofá da sala envidraçada, há uma pequena almofada verde com a inscrição “Family”, o que denota ser a convivência familiar fundamental para a moradora, de origem mineira. Ela é casada e tem duas filhas, uma das quais cursa faculdade fora do Brasil. O marido, que trabalha com turismo, às vezes pergunta: “De novo você vai mexer nos ambientes?” A resposta, em geral, é sim. Isso porque Marina é ligada ao movimento das coisas. Às vezes novos itens chegam e requerem mudança de layout; em outras, ela troca peças de lugar porque quer mesmo. “E assim se faz a dança das cadeiras”, diverte-se.
SALA DE ESTAR | Revela a mesa de centro, além do pufe da Jocal, revestido com tecido da Entreposto. A cadeira de madeira é da Sandra e Márcio Objetos de Arte. Acima da lareira, obra de Tunga
Wesley Diego/Editora Globo
Outro aspecto que ressalta nos ambientes, tanto internos quanto externos, é a presença da arte. No pequeno escritório, onde a moradora faz aulas de italiano, por exemplo, há litografias de Amilcar de Castro; no jardim, escultura de José Bechara. Outras obras são de nomes como Adriana Varejão, Tunga, Marcius Galan, Ana Maria Tavares e Julio Villani.
RETRATO | Marina Linhares está no escritório, sentada na cadeira Cosm, do Studio 7.5 para a Herman Miller. Na parede, destacam-se trabalhos de Amilcar de Castro
Wesley Diego/Editora Globo
No pequeno escritório, faço aulas de italiano. É sempre bom ter em casa um cantinho para se concentrar melhor.”
A última reforma realizada, há cerca de um ano e meio, criou uma suíte e readequou o banheiro das filhas. Por enquanto, isso é só. “Às vezes preciso dar um tempo para mim mesma, a fim de poder curtir o momento, sem pensar em alterações futuras”, diz ela. Mas é no jardim onde Marina costuma mais mexer, de maneira orgânica.
JARDIM | O conjunto formado por sofá da Frauendorf Furniture, cadeiras de concreto Loop Chair e poltronas MAAT, de Philippe Bestenheider para a Varaschin, fica ao lado da escultura de José Bechara
Wesley Diego/Editora Globo
Assim como a casa, a área verde também foi revolucionando-se com o passar do tempo – e ficou maior com a incorporação do terreno ao lado. Mais recentemente, teve o “toque de Midas” de Rodrigo Oliveira.
JARDIM | Sob a frondosa árvore, estão mesa da Villa Ferg e cadeiras de acervo
Wesley Diego/Editora Globo
O jardim, bem marcante, faz com que tenhamos a sensação de que a casa não está em plena capital paulista.”
RETRATO | Marina Linhares está numa clareira em meio ao jardim
Wesley Diego/Editora Globo
Diferentes espécies, menos ou mais crescidas, distribuem-se pelo terreno, abrindo espaço, por exemplo, para uma área onde a decoradora faz ginástica de manhã cedo, exatamente no local onde antes ficava seu antigo escritório em casa. Ela ainda brinca com os vários cachorros, entre os quais a pequena galgo Lola, e toma café da manhã na sala com vista para a área externa.
RETRATO | Marina Linhares posa ao lado da pequena galgo Lola, junto da horta de temperos; na parede de fundo, azulejos compõem obra de Adriana Varejão
Wesley Diego/Editora Globo
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Outra modificação feita por Marina foi a criação de uma cozinha gourmet, com armários de tom verde-acinzentado, que se tornou o “coração da casa”, segundo ela, onde se fazem refeições ligeiras ou pode-se abrir rapidamente o laptop para responder a uma mensagem.
COZINHA GOURMET | O ambiente conta com armários executados pela Fonseca Marcenaria e tampos de pedra Mont Blanc. As banquetas Astânia são de Etel Carmona para a ETEL
Wesley Diego/Editora Globo
Ali ainda costuma servir de bar nos dias em que recebe gente em casa. “As pessoas gostam de ficar aqui, e eu, de manter braços abertos para elas”, diz a profissional, que dispõe de quarto de hóspedes para abrigar familiares ou amigos vindos de fora. “E foi assim, com isso tudo, que uma casa velha ganhou personalidade e ficou gostosa de viver”, conclui.
DETALHES | Objetos de acervo trazem graciosidade à cozinha gourmet
Wesley Diego/Editora Globo
Criei uma cozinha gourmet, com armários verde-acinzentados. Ali é o coração da casa. Quando alguém prepara pratos, pode usar temperos da nossa horta.”
DETALHES | Objetos de acervo trazem graciosidade à cozinha gourmet
Wesley Diego/Editora Globo

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