Cozinha maior que a sala assume protagonismo em casa de estilo industrial

Transformar um antigo imóvel comercial escuro e compartimentado em uma casa luminosa, prática e pensada para a vida em família foi o desafio assumido pelo arquiteto Paulo Tripoloni, do Atelier Paulo Tripoloni (@paulotripoloni), para morar ao lado da esposa, Mariana H. S. Tripoloni, administradora e chef de cozinha, e dos filhos Nuno, de 7 anos, e Lina, de 4.
Localizada na Vila Mariana, em São Paulo, SP, a residência de 145 m² passou por reconstrução completa após o casal perceber que uma reforma simples não seria suficiente para atender aos desejos de ambientes integrados, ventilação natural abundante e espaços generosos para receber amigos e criar os dois filhos pequenos.
A antiga construção ocupava quase todo o terreno estreito, de 5,10 x 28 m, e tinha poucos pontos de luz. A partir dessa estrutura, o projeto redesenhou completamente os espaços, incorporando rasgos com iluminação natural, grandes janelas e áreas externas mais convidativas.
COZINHA | O estilo industrial está nos detalhes, como o sistema de coifas da Norsini e os cobogós da NeoRex, além do piso de granilite branco da Artpisos. No backsplash, pastilha hexagonal, cor MP010, da Keramica
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
“A casa respira por um sistema de janelas e chaminés e acompanha a luz do sol por seus janelões”, explica Paulo. Segundo ele, a entrada de iluminação natural guiou muitas decisões de projeto, como a criação de aberturas generosas e a ventilação cruzada. No térreo, a construção se organiza a partir da cozinha — coração do lar e o ambiente mais usado pela família.
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Generosa e funcional, a cozinha foi pensada para quem realmente gosta de cozinhar e receber. Em formato de “J”, o cômodo reúne península com banquetas, bancada para preparo dos alimentos e armários em MDF amadeirado e azul, que emolduram a parede revestida com pastilhas hexagonais acetinadas. “O azul profundo dos armários laminados cria contraste com a parede amarela oposta e com o verde do quintal ao fundo”, descreve o arquiteto.
SALA DE ESTAR | O espaço está integrado com a bancada de quartzo branco da cozinha, e se transforma em sala de jantar, com banquetas altas Spagheti, de Fernando Jaeger. Aparador industrial verde do Galpão Atemporal. Luminária pendente da Reka. Tapete da Casa Frato Decor
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
“Muitas pessoas estranham uma cozinha maior do que a sala, mas amamos cozinhar e receber”, diz Mariana. “Essa é uma casa sem frescuras. A ilha nos proporciona momentos únicos à beira do fogão. Conseguimos trabalhar com várias panelas ao mesmo tempo sem um atrapalhar o outro. Nuno já sabe fritar um bife e Lina arrasa nos ovos mexidos”, ela orgulha-se.
Logo ao lado, a sala de estar funciona como espaço mais intimista, dedicado principalmente à TV. Com estética contemporânea de inspiração industrial, o ambiente revela pilares, vigas e lajes de concreto aparente, que estruturam visualmente toda a morada.
QUINTAL | Um recanto acolhedor a céu aberto resulta de materiais como o deque de madeira cumaru, com execução do artesão Sandro Sousa, e do banco de peroba-rosa reaproveitada da casa, feito por RL Acabamentos. Fecha o clima de bem-estar o paisagismo projetado pelo arquiteto Paulo Tripoloni, com coautoria do agrônomo Petterson Batista da Luz, com plantas maranta-charuto, dracena arborea, ‘Heliconia bihai’, pacová, ‘Phoenix roebelenii’, orquídea-bambu, pitangueira, macieira, pereira e ravenala
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
O granilite branco do piso térreo reforça a proposta de um cômodo prático e resistente para o dia a dia com crianças. A paleta neutra — baseada em branco, azul e verde — ganha pontos de energia em peças amarelas estrategicamente distribuídas.
A varanda surge como extensão natural da área social. Criada a partir do recuo da construção original, ela abriga a área de churrasqueira e se abre para o quintal, onde um deque de madeira cumaru e o banco de peroba-rosa reaproveitado da antiga casa formam um cenário acolhedor.
RETRATO | O arquiteto Paulo Tripoloni está com a esposa Mariana H. S. Tripoloni e os filhos Nuno e Lina no quintal de casa
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
Árvores frutíferas, como jabuticabeira e macieira, reforçam o clima quase rural do imóvel. “Usamos muito o quintal, mesmo que seja com uma piscina de plástico. Quando chove, a atmosfera lembra uma pequena fazenda”, comenta Mariana.
LAVABO | O canto tem bancada com cuba de concreto quadrada no tom azul, com fechamento nas laterais em cobogós da NeoRex. Caixilhos de alumínio preto da Plena Acústica
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
O lavabo no espaço externo segue a estética minimalista da residência, com base neutra e materiais resistentes, valorizando a funcionalidade e a ventilação natural.
CANTO DO CAFÉ | O espaço sob a escada foi transformado em um charmoso cantinho de café e bar. A parede em amarelo solar atrai os olhares. Aparador executado com MDF Carvalho Hanover, da Duratex, pela Ribeiro Marcenaria. Objetos de decoração da Madeira & Linha Interiores
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
De volta aos interiores, o cantinho do café aparece integrado à circulação e foi criado sob a escada. Um móvel suspenso com marcenaria detalhada abriga gavetas discretas e nichos para garrafas e utensílios, funcionando também como pequeno bar.
“O melhor café quem faz é o Paulo, e esse cantinho se conecta à cozinha e à sala de jantar formando um triângulo de convivência”, afirma Mariana.
ESCADA | Feita de concreto aparente, a escada funciona como elemento escultórico que reforça a linguagem industrial do projeto. A luz do sol entra pelos rasgos da arquitetura refletindo ainda mais o amarelo vibrante da parede. Piso de cimento queimado
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
A escada, em concreto aparente e com parede pintada de amarelo vibrante, tornou-se um dos elementos marcantes do projeto. “É lindo de ver o sol refletindo ainda mais o amarelo”, reflete Mariana.
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Além de conectar os pavimentos, ela funciona como peça escultórica e reforça a linguagem industrial do interior, visto que a estrutura bruta dialoga com os pisos de cimento queimado presentes nos andares superiores.
SUÍTE DO CASAL | Refúgio de conforto, o quarto dá continuidade visual ao projeto, com cores suaves, concreto e toques de cor, como o quadro da Urban Arts na parede pintada com a cor Pergaminho, da Suvinil. Mesas laterais com abajur de cerâmica, banco de madeira ao pé da cama e tapete de tear manual, todos da Casa Frato Decor. Luminária da Stella iluminação. Caixilhos de alumínio preto da Plena Acústica
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
No segundo nível fica a suíte do casal, pensada como refúgio simples e confortável. A linguagem segue a base material da casa, com superfícies neutras, como concreto e tons suaves que valorizam a luz natural, com leves pontos de cor.
ESCRITÓRIO | A estética industrial marca o home office, com teto de concreto, piso de cimento queimado e carrinho com gavetas de chapa de aço, da Macron. Estantes e prancheta da Tok&Stok. Objetos decorativos da Madeira e Linha Interiores. Quadro da Urban Arts
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
O home office foi pensado como espaço criativo e colaborativo. Com estações de trabalho para até quatro pessoas, caixilhos acústicos e abundante iluminação natural, o local abriga também uma pequena biblioteca e uma prancheta para desenhos arquitetônicos. “A ideia era criar um ambiente que estimulasse a criação e o trabalho conjunto”, explica Paulo.
ESCRITÓRIO | O home office colaborativo conta com estações de trabalho para até quatro pessoas na mesa executada com madeira sumaúma natural e tampo de laminado Branco Top Matte, da Formica. Luminárias da Stella Iluminação. Plantas da Selvva
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
No topo da construção, o rooftop funciona como solário urbano. Como a legislação não permitiu a construção de um terceiro pavimento fechado, o arquiteto optou por recuar a área e criar um terraço aberto voltado para o sol da tarde, com faces norte e oeste.
VARANDA ROOFTOP | A pérgola de peroba-rosa reaproveitada da casa, executada por RL Acabamentos, deixa o espaço aberto funcionando como um solário urbano com vista para a paisagem paulistana. Sofá, ‘daybed’ redonda, mesa de centro e mesas laterais do tipo outdoor, feitos de alumínio e corda náutica, adquiridos na Casa Frato Decor, que também forneceu as almofadas. Samambaia azul no cachepô sobre a mesa e ‘Ficus lyrata’ no vaso preto de alumínio de chão, ao fundo, ambas da Selvvva
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação
O espaço ainda ganhou pergolado com parreiras em crescimento e mobiliário resistente ao tempo, ideal para momentos ao ar livre com as crianças — dali é possível observar marcos da paisagem paulistana, como o Obelisco do Ibirapuera e o Instituto Biológico.

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