Em vez dos métodos industriais, Zena Holloway prefere seguir o ritmo da natureza. Por meio de seu estúdio Rootfull, a biodesigner britânica transforma raízes de gramíneas cultivadas em moldes para criar artefatos sustentáveis e peças de arte. Essa técnica encontra inspiração marinha, resultando em texturas e formas que mimetizam a vida nos oceanos.
Inspirada nas esponjas-barril do Caribe, a luminária Fin Light cultiva raízes em formas de barbatanas assimétricas, criando um ‘recipiente vivo’ de tramas densas e etéreas
Rootfull/Divulgação
Como surgiu a ideia
A trajetória de Zena teve início nas profundezas do oceano. Com mais de 25 anos de experiência como fotógrafa e diretora subaquática, ela testemunhou de perto os sinais da degradação marinha. Esse impacto despertou uma urgência criativa, que a levou a direcionar seu olhar para a ciência dos materiais e o biodesign.
Muito antes de fundar seu estúdio, ela iniciou essa transição de forma experimental: construiu em seu porão um “fungário” para estudar o micélio, rede de fibras subterrâneas que funciona como uma cola biológica.
A biodesigner entrelaça o saber artesanal à biologia para cultivar têxteis a partir de sistemas radiculares, dando origem à peças orgânicas que transcendem os limites dos materiais sintéticos
Rootfull/Divulgação
O ponto de virada, no entanto, foi o encanto pelo sistema radicular de um salgueiro em um rio local. Diante daquela cena, surgiu o questionamento decisivo: seria possível conduzir o crescimento das raízes para criar materiais éticos e sustentáveis?
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A partir dessa provocação, a designer passou a cultivar raízes de grama em moldes de cera de abelha — método que foi aprimorado ao longo de anos como projeto paralelo à fotografia, até se tornar o alicerce do Rootfull, oficializado em 2023.
O processo que transforma raízes em arte
Zena utiliza geralmente sementes de grama de trigo, wheatgrass. A escolha se deve ao fato de que as raízes do trigo são longas, retas e fortes, ideais para criar estruturas tecidas naturalmente. As sementes são plantadas em moldes esculpidos em cera de abelha — geralmente criados com impressão 3D — que guiam o crescimento das raízes.
Na série Medusa, corantes naturais como a noz-de-galha preta e a ruiva-dos-tintureiros dão alma às tapeçarias de raízes, que traduzem a delicadeza e a suspensão dos organismos que habitam os oceanos
Rootfull/Divulgação
Ao longo de 12 a 14 dias, as raízes crescem e se entrelaçam nos moldes, formando um material biodegradável e neutro em carbono. Nesse processo, as raízes atuam como “fios vivos” em um verdadeiro tear natural: à medida que se expandem, as fibras se esticam, torcem e se ancoram, originando uma estrutura orgânica, resistente e totalmente livre de plásticos.
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Essa dinâmica biológica com o molde é o que confere à peça final sua estrutura única e orgânica, resultando em um material que é simultaneamente leve e resistente. “As raízes crescem para baixo, sempre mudando e se adaptando ao ambiente. Elas encontram os espaços nos moldes de cera e preenchem os vazios”, escreveu Zena em publicação no Instagram.
A porosidade e a estética do material permitem explorar cores e texturas naturais em criações que se inspiram no ecossistema marinho, como esculturas, luminárias e até mesmo acessórios de moda. “As obras demonstram que o poder das plantas é infinitamente renovável e que as incríveis capacidades da natureza estão simplesmente à nossa espera para serem exploradas”, descreve o site da designer.
Cultivadas a partir da geometria das diatomáceas, as luminárias pendentes em raízes formam ‘conchas’ que filtram a luz, acompanhadas por cabo de quatro metros revestido em algodão ou juta
Rootfull/Divulgação
Além do impacto visual, o projeto é ecologicamente eficiente, pois os materiais são orgânicos e de origem local. A água da chuva é reutilizada e qualquer broto ou semente restante é consumido como ração animal, garantindo um ciclo de produção sem desperdícios.
Diferentes possibilidades do tear
As raízes das plantas crescem de forma diferente dependendo da base em que se desenvolvem. De formas sólidas, densas e moldáveis a tecidos finos, flexíveis e rendados, as raízes se unem às fibras naturais para criar tecidos com bordados intrincados e luxuosos têxteis.
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“A inovação está na vanguarda de um movimento que adota materiais de última geração, livres de componentes de origem animal, centrados na natureza e essenciais para mudar a forma como o mundo depende de suprimentos e práticas insustentáveis”, diz o site do Rootful.
Inspirada nas esponjas-barril do Caribe, a luminária Fin Light cultiva raízes em formas de barbatanas assimétricas, criando um ‘recipiente vivo’ de tramas densas e etéreas
Rootfull/Divulgação
Como surgiu a ideia
A trajetória de Zena teve início nas profundezas do oceano. Com mais de 25 anos de experiência como fotógrafa e diretora subaquática, ela testemunhou de perto os sinais da degradação marinha. Esse impacto despertou uma urgência criativa, que a levou a direcionar seu olhar para a ciência dos materiais e o biodesign.
Muito antes de fundar seu estúdio, ela iniciou essa transição de forma experimental: construiu em seu porão um “fungário” para estudar o micélio, rede de fibras subterrâneas que funciona como uma cola biológica.
A biodesigner entrelaça o saber artesanal à biologia para cultivar têxteis a partir de sistemas radiculares, dando origem à peças orgânicas que transcendem os limites dos materiais sintéticos
Rootfull/Divulgação
O ponto de virada, no entanto, foi o encanto pelo sistema radicular de um salgueiro em um rio local. Diante daquela cena, surgiu o questionamento decisivo: seria possível conduzir o crescimento das raízes para criar materiais éticos e sustentáveis?
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A partir dessa provocação, a designer passou a cultivar raízes de grama em moldes de cera de abelha — método que foi aprimorado ao longo de anos como projeto paralelo à fotografia, até se tornar o alicerce do Rootfull, oficializado em 2023.
O processo que transforma raízes em arte
Zena utiliza geralmente sementes de grama de trigo, wheatgrass. A escolha se deve ao fato de que as raízes do trigo são longas, retas e fortes, ideais para criar estruturas tecidas naturalmente. As sementes são plantadas em moldes esculpidos em cera de abelha — geralmente criados com impressão 3D — que guiam o crescimento das raízes.
Na série Medusa, corantes naturais como a noz-de-galha preta e a ruiva-dos-tintureiros dão alma às tapeçarias de raízes, que traduzem a delicadeza e a suspensão dos organismos que habitam os oceanos
Rootfull/Divulgação
Ao longo de 12 a 14 dias, as raízes crescem e se entrelaçam nos moldes, formando um material biodegradável e neutro em carbono. Nesse processo, as raízes atuam como “fios vivos” em um verdadeiro tear natural: à medida que se expandem, as fibras se esticam, torcem e se ancoram, originando uma estrutura orgânica, resistente e totalmente livre de plásticos.
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Essa dinâmica biológica com o molde é o que confere à peça final sua estrutura única e orgânica, resultando em um material que é simultaneamente leve e resistente. “As raízes crescem para baixo, sempre mudando e se adaptando ao ambiente. Elas encontram os espaços nos moldes de cera e preenchem os vazios”, escreveu Zena em publicação no Instagram.
A porosidade e a estética do material permitem explorar cores e texturas naturais em criações que se inspiram no ecossistema marinho, como esculturas, luminárias e até mesmo acessórios de moda. “As obras demonstram que o poder das plantas é infinitamente renovável e que as incríveis capacidades da natureza estão simplesmente à nossa espera para serem exploradas”, descreve o site da designer.
Cultivadas a partir da geometria das diatomáceas, as luminárias pendentes em raízes formam ‘conchas’ que filtram a luz, acompanhadas por cabo de quatro metros revestido em algodão ou juta
Rootfull/Divulgação
Além do impacto visual, o projeto é ecologicamente eficiente, pois os materiais são orgânicos e de origem local. A água da chuva é reutilizada e qualquer broto ou semente restante é consumido como ração animal, garantindo um ciclo de produção sem desperdícios.
Diferentes possibilidades do tear
As raízes das plantas crescem de forma diferente dependendo da base em que se desenvolvem. De formas sólidas, densas e moldáveis a tecidos finos, flexíveis e rendados, as raízes se unem às fibras naturais para criar tecidos com bordados intrincados e luxuosos têxteis.
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“A inovação está na vanguarda de um movimento que adota materiais de última geração, livres de componentes de origem animal, centrados na natureza e essenciais para mudar a forma como o mundo depende de suprimentos e práticas insustentáveis”, diz o site do Rootful.



