Da união entre design moderno e agricultura ancestral nasce o The Gourd Project. Liderado pelo arquiteto e designer japonês Jun Aizaki, à frente do estúdio Crème (@cremejunaizaki), o projeto cria utensílios biodegradáveis ao aplicar moldes diretamente em cabaças (Lagenaria siceraria), uma planta da família das abóboras, ainda em crescimento.
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Para combater o excesso de plástico, Jun encontrou na natureza a resposta para substituir os descartáveis. “Fiquei fascinado pelas cabaças, plantas que têm sido usadas há séculos em todo o mundo como recipientes. Também encontrei inspiração em práticas como a técnica japonesa de moldar frutas, como melancias quadradas – um lembrete de que podemos guiar a natureza para criar formas, ao mesmo tempo, úteis e belas”, reflete o proprietário e fundador do Crème.
A natureza moldada pelo design
A escolha da cabaça como matéria-prima deve-se ao seu ciclo de crescimento acelerado e à robustez natural de sua estrutura fibrosa. “As cabaças são cultivadas a partir de sementes em uma fazenda de verdade, e não fabricadas como materiais industriais convencionais. Inicialmente, o projeto começou com o cultivo de algumas cabaças no quintal da família, mas, à medida que expandiu, encontramos uma fazenda para lidar com lotes maiores”, conta Jun.
As cabaças, ainda em crescimento, são colocadas dentro de moldes impressos em 3D
Chris Collie/Divulgação
A personalização estética, por sua vez, ocorre através da tecnologia de moldagem 3D aplicada durante o desenvolvimento biológico. “Esses moldes funcionam como formas rígidas colocadas ao redor dos frutos jovens, enquanto crescem na trepadeira. À medida que a cabaça amadurece dentro do molde, ela cresce para preencher a forma, resultando em um fruto que assume o formato de um copo ou garrafa. Esse processo combina crescimento biológico e design digital”, ele explica.
Conforme o fruto amadurece, ele preencha o espaço interno e assume formatos funcionais e padronizados
Chris Collie/Divulgação
Contudo, o uso de seres vivos dificulta a padronização e a logística dos produtos. “Como as cabaças são organismos biológicos, seu crescimento é afetado por muitas variáveis, o que dificulta garantir que cada fruto cresça adequadamente dentro das formas ou as preencha completamente. É por isso que estamos explorando ambientes de cultivo internos com clima controlado para padronizar as condições de crescimento e aumentar a consistência da produção”, explica.
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Após a colheita, a cabaça é removida do molde e passa por um processo de secagem natural, adquirindo sua rigidez e tom amarronzado. Uma vez secas e leves, elas são abertas no topo. O interior é limpo para remover as fibras e sementes, tornando-as recipientes ocos. O acabamento envolve o lixamento da casca e a impermeabilização, tornando o objeto funcional, seguro para o consumo e totalmente biodegradável.
Utensílios biodegradáveis
Do cultivo nascem utilitários como copos e garrafas que surpreendem pela leveza e durabilidade. São peças 100% orgânicas, prontas para armazenar líquidos quentes ou frios e livres totalmente de plásticos, revestimentos sintéticos ou aditivos químicos. Ao final de sua vida útil, o produto — feito puramente da casca da cabaça — retorna à terra de forma totalmente biodegradável.
O projeto finaliza o ciclo da natureza ao transformar cabaças cultivadas em garrafas e copos resistentes, unindo estética orgânica e funcionalidade sustentável
Taran Wilkhu/Divulgação
Essa autenticidade orgânica ganha formas precisas e utilitárias, apresentando dimensões pensadas para a praticidade. “O copo tem o formato de um recipiente tradicional para bebidas, e a garrafa é um recipiente maior, semelhante a uma garrafa, projetado para funcionar como um recipiente reutilizável, como uma garrafa térmica”, descreve Jun.
O copo mede cerca de 9,5x 9,5 x 12 cm, enquanto a garrafa, mais alta e volumosa, aproximadamente 11,5 x 11,5 x 16,5 cm
Chris Collie/Divulgação
A sustentabilidade é o pilar central de todo o ciclo de vida do projeto. “Como os copos e garrafas são feitos de material vegetal totalmente biodegradável, sem aditivos sintéticos, podem ser compostados com restos de comida. Em uma composteira doméstica, eles se decomporão com o tempo. Também podem ser descartados com o lixo orgânico comum, destinado à compostagem municipal”, ele diz.
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O fruto no Brasil
A cabaça — também conhecida como porongo ou coité — é um fruto versátil cultivado por todo o Brasil, com presença marcante em quintais e áreas ribeirinhas.
Historicamente enraizada nas culturas do Norte e Nordeste, ela dá forma a cuias de tacacá, chimarrão, objetos de decoração e instrumentos como o berimbau, consolidando-se como um item essencial do cotidiano regional.
No projeto do escritório Iná Arquitetura, com decoração de Irina Cordeiro, o cesto com a espada-de-são-jorge, da Cestarias Régio, fica ao lado de uma cabaça grande trazida de Natal, RN
Wesley Diego/Editora Globo
É justamente por esse potencial, aliado à abundância e à relevância cultural do fruto no país, que surge a expectativa de introduzir o projeto por aqui. “O projeto continua em fase de desenvolvimento, mas adoraríamos lançá-lo no mercado brasileiro”, revela Jun.
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Para combater o excesso de plástico, Jun encontrou na natureza a resposta para substituir os descartáveis. “Fiquei fascinado pelas cabaças, plantas que têm sido usadas há séculos em todo o mundo como recipientes. Também encontrei inspiração em práticas como a técnica japonesa de moldar frutas, como melancias quadradas – um lembrete de que podemos guiar a natureza para criar formas, ao mesmo tempo, úteis e belas”, reflete o proprietário e fundador do Crème.
A natureza moldada pelo design
A escolha da cabaça como matéria-prima deve-se ao seu ciclo de crescimento acelerado e à robustez natural de sua estrutura fibrosa. “As cabaças são cultivadas a partir de sementes em uma fazenda de verdade, e não fabricadas como materiais industriais convencionais. Inicialmente, o projeto começou com o cultivo de algumas cabaças no quintal da família, mas, à medida que expandiu, encontramos uma fazenda para lidar com lotes maiores”, conta Jun.
As cabaças, ainda em crescimento, são colocadas dentro de moldes impressos em 3D
Chris Collie/Divulgação
A personalização estética, por sua vez, ocorre através da tecnologia de moldagem 3D aplicada durante o desenvolvimento biológico. “Esses moldes funcionam como formas rígidas colocadas ao redor dos frutos jovens, enquanto crescem na trepadeira. À medida que a cabaça amadurece dentro do molde, ela cresce para preencher a forma, resultando em um fruto que assume o formato de um copo ou garrafa. Esse processo combina crescimento biológico e design digital”, ele explica.
Conforme o fruto amadurece, ele preencha o espaço interno e assume formatos funcionais e padronizados
Chris Collie/Divulgação
Contudo, o uso de seres vivos dificulta a padronização e a logística dos produtos. “Como as cabaças são organismos biológicos, seu crescimento é afetado por muitas variáveis, o que dificulta garantir que cada fruto cresça adequadamente dentro das formas ou as preencha completamente. É por isso que estamos explorando ambientes de cultivo internos com clima controlado para padronizar as condições de crescimento e aumentar a consistência da produção”, explica.
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Após a colheita, a cabaça é removida do molde e passa por um processo de secagem natural, adquirindo sua rigidez e tom amarronzado. Uma vez secas e leves, elas são abertas no topo. O interior é limpo para remover as fibras e sementes, tornando-as recipientes ocos. O acabamento envolve o lixamento da casca e a impermeabilização, tornando o objeto funcional, seguro para o consumo e totalmente biodegradável.
Utensílios biodegradáveis
Do cultivo nascem utilitários como copos e garrafas que surpreendem pela leveza e durabilidade. São peças 100% orgânicas, prontas para armazenar líquidos quentes ou frios e livres totalmente de plásticos, revestimentos sintéticos ou aditivos químicos. Ao final de sua vida útil, o produto — feito puramente da casca da cabaça — retorna à terra de forma totalmente biodegradável.
O projeto finaliza o ciclo da natureza ao transformar cabaças cultivadas em garrafas e copos resistentes, unindo estética orgânica e funcionalidade sustentável
Taran Wilkhu/Divulgação
Essa autenticidade orgânica ganha formas precisas e utilitárias, apresentando dimensões pensadas para a praticidade. “O copo tem o formato de um recipiente tradicional para bebidas, e a garrafa é um recipiente maior, semelhante a uma garrafa, projetado para funcionar como um recipiente reutilizável, como uma garrafa térmica”, descreve Jun.
O copo mede cerca de 9,5x 9,5 x 12 cm, enquanto a garrafa, mais alta e volumosa, aproximadamente 11,5 x 11,5 x 16,5 cm
Chris Collie/Divulgação
A sustentabilidade é o pilar central de todo o ciclo de vida do projeto. “Como os copos e garrafas são feitos de material vegetal totalmente biodegradável, sem aditivos sintéticos, podem ser compostados com restos de comida. Em uma composteira doméstica, eles se decomporão com o tempo. Também podem ser descartados com o lixo orgânico comum, destinado à compostagem municipal”, ele diz.
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O fruto no Brasil
A cabaça — também conhecida como porongo ou coité — é um fruto versátil cultivado por todo o Brasil, com presença marcante em quintais e áreas ribeirinhas.
Historicamente enraizada nas culturas do Norte e Nordeste, ela dá forma a cuias de tacacá, chimarrão, objetos de decoração e instrumentos como o berimbau, consolidando-se como um item essencial do cotidiano regional.
No projeto do escritório Iná Arquitetura, com decoração de Irina Cordeiro, o cesto com a espada-de-são-jorge, da Cestarias Régio, fica ao lado de uma cabaça grande trazida de Natal, RN
Wesley Diego/Editora Globo
É justamente por esse potencial, aliado à abundância e à relevância cultural do fruto no país, que surge a expectativa de introduzir o projeto por aqui. “O projeto continua em fase de desenvolvimento, mas adoraríamos lançá-lo no mercado brasileiro”, revela Jun.



