Essas flores parecem reais — mas são feitas com milhares de miçangas

As seed beads são pequenas miçangas de vidro que raramente ultrapassam 2,5 milímetros. Foi com essa matéria-prima pequena que o artista alemão Henri Purnell decidiu criar flores que não murcham. O resultado delicado e colorido faz com que ele acumule mais de 400 mil seguidores no Instagram, com vídeos que ultrapassam cinco milhões de visualizações.
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“Sou apaixonada por artesanato há muito tempo. Cerca de sete anos atrás comecei a compartilhar conteúdos de crochê e bordado nas redes sociais. Passei muito tempo fazendo flores de crochê”, conta Henri em entrevista à Casa e Jardim.
Ele teve contato com a técnica de fazer flores em miçanga, conhecida como French beading, em 2024. O processo consiste em passar miçangas de vidro por fios finos de arame e moldá-los em camadas sucessivas que, pouco a pouco, formam pétalas, folhas e caules.
Para desenvolver cada peça, o artista estuda fotografias botânicas e cria protótipos antes de montar os buquês finais
Henri Purnell/Divulgação
Como já adorava reproduzir elementos da natureza, o processo foi uma transição natural de materiais. “Comecei experimentando criar pequenos ramos de lavanda e, com o tempo, fui aprendendo gradualmente as técnicas e desenvolvendo meus próprios padrões de flores”, conta.
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“Um dos maiores desafios, especialmente no começo, é o tamanho das miçangas. As chamadas seed beads são incrivelmente pequenas e, sem um carregador de miçangas, pode levar horas apenas para colocá-las no fio”, complementa.
Quando expostas à luz natural, as miçangas translúcidas capturam e refletem o brilho, criando um efeito luminoso nas pétalas
Henri Purnell/Divulgação
Com maior familiaridade com a técnica, ele passou a criar buquês maiores, que além de uma dose de paciência, exigem estudo. “Eu observo imagens de flores de diferentes perspectivas. Em seguida, crio um protótipo e anoto cuidadosamente todos os passos, medidas e técnicas”, revela o artista.
Entre algumas das flores que já foram reproduzidas pelo artista estão narciso, tulipa, margarida, lavanda, lírio e orquídea. Em média, uma flor tem 3 mil contas de miçanga.
Entre as espécies recriadas por Henri Purnell estão narciso, tulipa, margarida, lavanda, lírio e orquídea
Henri Purnell/Divulgação
Para Henri, recriar os detalhes reais de uma planta é o que garante peças autênticas e artísticas. Porém, algumas espécies são mais difíceis que outras. As orquídeas, por exemplo, são consideradas desafiadoras, já que exigem estruturas específicas e variações de cores sutis.
As orquídeas estão entre as flores mais difíceis de recriar por causa de sua estrutura botânica complexa: além das pétalas e sépalas, elas possuem o labelo, uma pétala modificada que serve para atrair polinizadores, e uma coluna central onde ficam fundidos os órgãos reprodutivos
Henri Purnell/Divulgação
Além do cuidado em reproduzir as estruturas botânicas, ele recria as floradas sazonais, desenvolvendo as espécies que florescem naquela estação. Ao finalizar cada flor isolada, ele testa combinações de cores e tamanhos para criar um buquê.
O padrão de cores das miçangas segue a realidade, enquanto o acabamento prateado interno resulta em um brilho natural. “Quando a luz do sol toca as miçangas, as flores quase parecem dançar — ficam com um aspecto lúdico e mágico”, diz.
Segundo o artista Henri Purnell, criar uma única flor de miçanga pode levar muitas horas e exige muita paciência, concentração e dedicação
Henri Purnell/Divulgação
Henri espera explorar cada vez mais o artesanato, ampliando os modelos de flores e criando instalações maiores. Em seus planos também está a criação de um retiro criativo para que as pessoas possam criar os seus próprios buquês.
Inspirado na botânica das flores reais, Henri Purnell estuda referências de diferentes ângulos antes de reproduzir cada espécie com miçangas de vidro e fios de arame
Henri Purnell/Divulgação
Enquanto isso, ele comercializa os próprios buquês e os kits com todos os materiais necessários para quem deseja aprender a fazer uma flor. O conjunto é enviado para toda a Europa e os tutoriais em vídeo estão disponíveis em inglês. “Muitas pessoas dizem que o processo é relaxante e gratificante, e ficam orgulhosas ao ver as flores que criaram com as próprias mãos”, finaliza.
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