Esta vila de apenas 400 habitantes já foi o grande paraíso dos artistas espanhóis

Quando se fala hoje em um local frequentado por muitos criativos de Madri, o nome de Carabanchel costuma surgir como exemplo: um bairro periférico que, impulsionado pelos altos preços do centro e pelas boas conexões de transporte, se tornou um polo vibrante de galerias, estúdios e espaços de criação. Um lugar em plena efervescência, marcado pelo ruído e pelo movimento típicos da cidade.
Mas nem todo abrigo artístico nasce da agitação urbana. Antes de Carabanchel entrar no radar criativo da capital, houve quem buscasse exatamente o oposto: silêncio e a simplicidade. Nas décadas de 1950 e 1960, um grupo de artistas deixou Madri para se instalar em um pequeno povoado nos arredores — um lugar que inspira tranquilidade.
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Como é Olmeda de las Fuentes, o “povoado dos artistas”
Olmeda de las Fuentes tem ruas estreitas ladeadas por casas caiadas de branco
Getty Images
Localizada a poucos quilômetros de Madrid, junto a Alcalá de Henares, encontra-se uma cidade que parece ter escapado da Andaluzia para se instalar no planalto. Aninhada em meio a uma exuberante encosta verde, o visitante encontra uma sucessão de ruelas com casas caiadas de branco: Olmeda de las Fuentes.
Nesse pequeno povoado idílico, seus pouco mais de 400 habitantes se encarregam de cuidar das ruas e caiar as casas com frequência para manter uma aparência impecável. Cada porta é adornada de forma diferente e em quase todas as janelas há flores. Não há ruído neste lugar, apenas o murmúrio de suas múltiplas fontes e um aroma onipresente de tomilho.
Como se tornou “o povoado dos artistas”
As casas caiadas de Olmeda de las Fuentes
Getty Images
Devemos o esplendor de Olmeda de las Fuentes ao empresário Juan de Goyenche, que comprou o terreno no século XVIII. Seu primeiro projeto foi impulsionar a indústria têxtil construindo uma fábrica, e continuou elaborando o traçado urbano que vemos hoje e erguendo boa parte de seu patrimônio, como a igreja do povoado, dedicada a São Pedro Apóstolo.
Alguns anos depois, por volta da metade do século XX, o povoado viveu uma segunda idade de ouro quando os artistas Álvaro Delgado e Luis García Ochoa descobriram este recanto e ficaram fascinados pelas paisagens que o rodeavam e pelo jogo de luz refletido nas fachadas. Ambos decidiram se instalar ali e, pouco a pouco, outros os seguiram: Francisco San José, Pilar Aranda, Vela Zanetti, Ricardo Toja, Eugenio Granell… muitos deles oriundos da Escola de Vallecas, e alguns eram membros da Real Academia de Belas Artes de San Fernando.
Delgado, hoje considerado um dos maiores representantes do expressionismo espanhol, deixaria registrado o nome de todos os que viveram neste refúgio de artistas, com anotações como “Enrique Azcoaga, caminhante solitário e poeta autor de vários poemas sobre o povoado”; ou “Frank Mendoza, escritor surpreendente e inesperado”, para concluir que “Todos pintaram aqui, escreveram, passearam, encontraram-se e espalharam seu entusiasmo. Foi um momento surpreendente, dificilmente repetível, que deixou em nossas almas melancolia e saudade de um tempo tão próximo e já distante.”
Muitos anos depois, ainda restam alguns artistas residindo aqui, mas os dias em que dezenas de jovens se reuniam na praça da cidade para discutir criatividade já se foram. Para homenageá-los, a Prefeitura criou um percurso chamado A Rota dos Pintores, que percorre cada uma de suas casas, cujas portas ostentam orgulhosamente uma placa onde figuram seu nome, retrato e uma de suas obras. Além disso, a Casa da Cultura do povoado tem uma exposição permanente com peças desses artistas que buscaram refúgio ao fugir da agitação do mundo.
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest Espanha.
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