Árvores das florestas tropicais do Panamá estão reagindo às secas prolongadas com uma estratégia de sobrevivência: raízes cada vez mais profundas, que possibilitam a busca de água no subsolo. A descoberta faz parte de um estudo recente que analisou como esses ecossistemas respondem à redução contínua das chuvas, cenário cada vez mais associado às mudanças climáticas.
As florestas tropicais concentram mais da metade da biodiversidade terrestre do planeta e armazenam grandes quantidades de carbono, sobretudo abaixo do solo, nas raízes. Com o aumento das temperaturas e a expectativa de secas mais intensas e frequentes, pesquisadores passaram a investigar como as árvores tem lidado com a escassez hídrica ao longo do tempo.
Publicado na revista científica New Phytologist, o estudo integra o experimento de longo prazo Panama Rainforest Changes with Experimental Drying (PARCHED). Desde 2015, cientistas acompanham 32 áreas experimentais instaladas em quatro florestas tropicais panamenhas com características distintas de solo, espécies arbóreas e regimes de chuva.
Florestas tropicais do Panamá concentram alta biodiversidade e desempenham papel central no armazenamento de carbono, especialmente nas raízes subterrâneas
Ariel Rodríguez-Vargas/Wikimedia Commons
Nessas áreas, estruturas transparentes foram montadas sobre o solo para bloquear entre 50% e 70% da chuva, simulando condições de seca crônica. Valas revestidas com plástico também impediram que as raízes buscassem água fora dos limites dos experimentos.
Ao longo de cinco anos, os pesquisadores monitoraram o crescimento das raízes por meio de amostras de solo, armadilhas subterrâneas e câmeras instaladas em tubos acrílicos enterrados a mais de um metro de profundidade.
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Os resultados mostraram um padrão semelhante nas quatro florestas analisadas. A redução prolongada da umidade levou à diminuição das raízes finas mais superficiais, responsáveis pela absorção rápida de água e nutrientes. Em resposta, as árvores passaram a investir no crescimento de raízes em camadas mais profundas do solo, numa tentativa de manter o abastecimento hídrico.
Ao mesmo tempo, as raízes que permaneceram próximas à superfície passaram a apresentar maior associação com fungos micorrízicos, organismos que vivem em simbiose com as plantas e ajudam a ampliar a absorção de água e nutrientes. Conforme o estudo, essa combinação de estratégias indica uma adaptação de curto prazo, mas que não compensa totalmente a perda de biomassa nem de carbono armazenado.
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Os pesquisadores alertam que esse ajuste não garante a sobrevivência das florestas tropicais diante das mudanças climáticas. O período analisado ainda é curto em relação ao ciclo de vida desses ecossistemas, e não está claro por quanto tempo as árvores conseguirão sustentar esse padrão de adaptação. Os próximos passos incluem avaliar os efeitos de longo prazo dessas alterações nas raízes e os impactos sobre o armazenamento de carbono e a estabilidade das florestas tropicais.
As florestas tropicais concentram mais da metade da biodiversidade terrestre do planeta e armazenam grandes quantidades de carbono, sobretudo abaixo do solo, nas raízes. Com o aumento das temperaturas e a expectativa de secas mais intensas e frequentes, pesquisadores passaram a investigar como as árvores tem lidado com a escassez hídrica ao longo do tempo.
Publicado na revista científica New Phytologist, o estudo integra o experimento de longo prazo Panama Rainforest Changes with Experimental Drying (PARCHED). Desde 2015, cientistas acompanham 32 áreas experimentais instaladas em quatro florestas tropicais panamenhas com características distintas de solo, espécies arbóreas e regimes de chuva.
Florestas tropicais do Panamá concentram alta biodiversidade e desempenham papel central no armazenamento de carbono, especialmente nas raízes subterrâneas
Ariel Rodríguez-Vargas/Wikimedia Commons
Nessas áreas, estruturas transparentes foram montadas sobre o solo para bloquear entre 50% e 70% da chuva, simulando condições de seca crônica. Valas revestidas com plástico também impediram que as raízes buscassem água fora dos limites dos experimentos.
Ao longo de cinco anos, os pesquisadores monitoraram o crescimento das raízes por meio de amostras de solo, armadilhas subterrâneas e câmeras instaladas em tubos acrílicos enterrados a mais de um metro de profundidade.
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Os resultados mostraram um padrão semelhante nas quatro florestas analisadas. A redução prolongada da umidade levou à diminuição das raízes finas mais superficiais, responsáveis pela absorção rápida de água e nutrientes. Em resposta, as árvores passaram a investir no crescimento de raízes em camadas mais profundas do solo, numa tentativa de manter o abastecimento hídrico.
Ao mesmo tempo, as raízes que permaneceram próximas à superfície passaram a apresentar maior associação com fungos micorrízicos, organismos que vivem em simbiose com as plantas e ajudam a ampliar a absorção de água e nutrientes. Conforme o estudo, essa combinação de estratégias indica uma adaptação de curto prazo, mas que não compensa totalmente a perda de biomassa nem de carbono armazenado.
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Os pesquisadores alertam que esse ajuste não garante a sobrevivência das florestas tropicais diante das mudanças climáticas. O período analisado ainda é curto em relação ao ciclo de vida desses ecossistemas, e não está claro por quanto tempo as árvores conseguirão sustentar esse padrão de adaptação. Os próximos passos incluem avaliar os efeitos de longo prazo dessas alterações nas raízes e os impactos sobre o armazenamento de carbono e a estabilidade das florestas tropicais.



