Guilherme Wentz inaugura galeria e expande sua pesquisa sobre o essencial

A abertura da Wentz Galeria, em São Paulo, entrega um recorte preciso do momento em que Guilherme Wentz se encontra. Nada ali tenta convencer. A nova coleção, Essencial, funciona como um ajuste de foco: menos sobre criar algo “novo” e mais sobre entender o que, de fato, sustenta sua obra.
“Eu queria chegar no mínimo necessário para que a peça existisse”, diz Wentz à Casa Vogue. O resultado não é minimalista por estética, mas por consequência. Ele parte de volumes brutos, reduz, desloca, aproxima superfícies. E, quando nada sobra para retirar, a peça aparece.
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Um tour pela Wentz Galeria, em São Paulo
As mesas de jantar, aparadores e totens dessa fase não buscam protagonismo. Preferem operar na camada da estrutura: o peso da pedra, a organicidade da madeira, a frieza calculada do espelho. Na coleção Escora, blocos maciços repousam sobre bases tão discretas que parecem insuficientes. “Me interessava trabalhar o limite, o ponto exato em que a lógica segura a forma”, comenta.
Mesa Encaixe
Fran Parente/Divulgação
A linha Encaixe avança nessa investigação, unindo partes como quem monta um raciocínio: tudo precisa se justificar. Já a Mesa Caixa — em pedra ou madeira — se impõe como volume puro, quase uma interrupção no ambiente. “É talvez a peça mais direta que fiz. Não tem truque, só presença.”
A galeria, com sua atmosfera quieta e sem distrações, amplifica essa mudança de tom. É um espaço que parece recusar o excesso de narrativa, permitindo que cada objeto se explique no seu próprio ritmo. “Queria um lugar onde a matéria pudesse ter a última palavra”, diz Wentz.
Totem e aparador Encaixe
Fran Parente/Divulgação
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