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“De crescimento moderado a rápido, a hera é considerada como uma espécie invasora em alguns locais. Possui caule semi-lenhoso e lenhoso, e o formato da folha varia conforme a idade da planta, mais palmado quando jovem e mais ovalado quando adulta. Elas são verdes durante o ano todo, por não ser uma planta caducifólia”, descreve Fernanda Menegusso, engenheira agrônoma e paisagista do escritório Odonata Paisagismo.
Usos paisagísticos da hera-inglesa
A hera-inglesa é uma planta muito versátil, conhecida por suas raízes aéreas que lhe permitem escalar e cobrir diversas superfícies como muros, paredes e árvores, além de atuar como forração de solo
Michel Langeveld/Wikimedia Commons
Com suas folhas verdes exuberantes, a hera-inglesa é amplamente utilizada no paisagismo e na decoração de espaços internos. Extremamente versátil, ela pode ser cultivada como trepadeira, forração ou pendente em vasos.
“A hera é muito utilizada para cobrir muros, além de em jardineiras e canteiros em desnível para crescerem como plantas pendentes. Também pode ser usada como acabamento em vasos de plantas maiores ou sozinha em prateleiras”, afirma Fernanda.
Como cultivar a hera-inglesa
Quando cultivada em vasos suspensos sob luz indireta e intensa, a hera-inglesa produz um bonito efeito em cascata com ramos pendentes
Pexels/Kulbir/Creative Commons
A hera é uma planta popular entre iniciantes na jardinagem e pessoas que dispõe de pouco tempo por exigir pouca manutenção. Confira as condições ideais de cultivo:
Solo: bem drenado e rico em matéria orgânica.
Luz: prefere luz indireta ou meia sombra. Evite exposição direta ao sol, pois pode queimar as suas folhas.
Temperatura: climas temperados e subtropicais. Tolera e sobrevive a baixas temperaturas.
Adubação: orgânica, com húmus de minhoca. Aplique fertilizante líquido balanceado diluído na metade da concentração recomendada, a cada duas ou quatro semanas na primavera e no verão.
Rega: regular, sem encharcar o solo.
Poda: controle do crescimento, além de remoção das folhas secas ou danificadas.
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A hera possui raízes aéreas, que se fixam em superfícies verticais. Para conduzi-la como trepadeira basta plantá-la próximo ao muro e, se necessário, conduzir os primeiros ramos em direção à parede com ganchos ou tutores.
A espécie produz flores, sem grande valor ornamental. Após a floração, desenvolve frutos semelhantes a drupas, com bagas pretas, brilhantes e não comestíveis, tóxicas quando ingeridas.
Hera-inglesa em vasos
Vasos com boa drenagem, sejam de cerâmica ou plástico, são essenciais para evitar o encharcamento do solo da hera-inglesa
Dandy1022/Wikimedia Commons
Não existe um vaso específico para a hera-inglesa. O recipiente deve ser escolhido conforme o efeito que se deseja alcançar. O mais importante é que o vaso tenha furos para a drenagem adequada do solo, condição fundamental para a saúde da hera.
Os vasos podem ser posicionados em estantes, prateleiras ou cestos suspensos. “Tudo dependerá do efeito desejado. Se a intenção é conduzir como trepadeira, é indicado o plantio direto no solo”, diz Fernanda.
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Como propagar a hera-inglesa
Para propagar a hera-inglesa, enterre um nó de um ramo saudável em solo úmido
Sulletf/Wikimedia Commons
A hera-inglesa pode ser propagada de maneira simples por meio da estaquia de ramos, enraizados diretamente no substrato composto por terra. “Corte os ramos com aproximadamente 10 a 12 cm de comprimento, e enterre parcialmente a estaca em solo úmido”, ensina Fernanda.
Também é possível multiplicá-la por estaquia na água, seguindo o mesmo processo. O método por sementes é pouco empregado, devido à baixa taxa de germinação e à falta de garantia de que as mudas resultantes serão idênticas à planta-mãe.
Propriedades medicinais da hera-inglesa
Além do uso ornamental, a hera-inglesa possui um histórico medicinal extenso, contribuindo para a saúde e o bem-estar. Seu uso é documentado desde a antiguidade, na Grécia e na Roma antigas, no tratamento de condições respiratórias, dores e inflamações com infusões e aplicações tópicas.
O uso da hera-inglesa no tratamento das doenças respiratórias é uma prática ancestral, graças às propriedades expectorantes e mucolíticas
Freepik/Creative Commons
A espécie contém propriedades e compostos bioativos com efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e expectorantes, benéficos para a saúde respiratória.
“Os principais compostos bioativos são saponinas, flavonoides, ácidos polifenolicos, traços de alcaloides e poliacetilenos, que conferem ação antiespasmódica, espasmolítica, antimicrobiana, anti-inflamatória e antioxidante, atuando de forma completa em casos de doenças respiratórias”, revela Maria Angélica Fiut, nutricionista e especialista em fitoterapia.
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Uso seguro da hera-inglesa
O extrato das folhas da hera-inglesa é amplamente utilizado na fitoterapia para o alívio de sintomas respiratórios, incluindo inflamações e infecções
Agnieszka Kwiecień, Nova/Wikimedia Commons
A parte da planta que pode ser utilizada com segurança é o extrato das folhas, exclusivamente em medicamentos fitoterápicos ou xaropes comprados em farmácias, sob orientação médica. Devido à sua toxicidade, não é aconselhável ingerir hera-inglesa em sua forma natural, sob risco de reações gastrointestinais como náuseas e vômitos, além de alergias. Em tratamentos fitoterápicos, a dosagem é ajustada para cada caso.
Cápsulas: na forma de extrato seco prescrito por profissional de saúde em farmácia de manipulação.
Tintura: de 20 a 30 gotas (1 a 1,5 ml), uma a três vezes por dia, diluída em água.
Xarope: manipulado ou pronto. Existem várias marcas de medicamentos fitoterápicos de Hedera helix no mercado indústria.
Não existem relatos de interações medicamentosas associadas ao uso de ‘Hedera helix’ em combinação com outros fármacos
Sannicolasdeugarte/Wikimedia Commons
“Na forma de xarope vai variar de 2,5 ml, três vezes ao dia, para crianças e até 7,5 ml, três vezes ao dia, para adultos. É importante ressaltar que qualquer medicamento, mesmo fitoterápico, deve ser prescrito por um profissional de saúde capacitado”, ressalta a fitoterapeuta.
Por ser uma planta indicada, principalmente, para o tratamento da tosse espasmódica, seu consumo deve ser pontual e por curto período. “Como diz o ditado, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Isso se aplica também para medicamento fitoterápicos, como xarope expectorante para tosse”, completa Fernanda.
A hera-inglesa é contraindicada para gestantes, lactantes, crianças menores de 2 anos e portadores de úlcera gástrica. Também não é recomendada para pessoas com intolerância à frutose, nem para quem utiliza medicamentos que afetam o fígado.
A hera-inglesa é tóxica?
A hera-inglesa é tóxica quando ingerida e, embora seja geralmente segura para o manuseio, pode causar reações na pele de algumas pessoas. Por essa razão, deve ser mantida fora do alcance de crianças e animais. “O látex presente na seiva pode causar dermatite de contato em pessoas sensíveis”, explica Maria.
Outros tipos de hera
A hera venenosa, diferente da hera inglesa e outras plantas ornamentais, possui uma substância oleosa chamada urushiol, que pode desencadear reação alérgica grave
Flickr/Kerry Wixted/Creative Commons
Além da hera-inglesa, existem diversas espécies como a hera-argelina (Hedera algeriensis), hera-irlandesa (Hedera hibernica), e hera-canariense (Hedera canariensis), cada uma com características foliares e de crescimento distintas.
Em algumas culturas, a hera é vista como uma planta sagrada, associada à proteção e à purificação de espaços, o que pode ter contribuído para seu uso terapêutico. É importante não confundir as heras ornamentais com a hera venenosa (Toxicodendron radicans), uma planta que causa reações alérgicas severas ao simples toque.



