“Um barco. Esta casa é um barco”, define Serge Castella, diretor do Serge Castella Interiors, estúdio que fundou em 2006 com o designer americano Jason Flinn. Erguida sobre uma rocha, com o mar à vista por quase todos os lados, a residência de férias construída na década de 1970 pelo Estudio BDM (formado por Manuel Briones, José Luis Dalmau e Lorenzo Marqués) é um exemplo emblemático da arquitetura mediterrânea moderna. “Eu já a havia visto em publicações do final do século 20. É uma das construções icônicas da Costa Brava”, recorda Serge, que a reconheceu assim que atravessou a porta de entrada. Os clientes da dupla buscavam uma casa singular, com personalidade autêntica. Ao descobri-la, o designer não hesitou: “Há uma estrutura impressionante integrada à rocha que é impossível ignorar”.
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A sala de jantar evidencia mesa e cadeiras oriundas da galeria Serge Castella
Pablo Zamora
A construção de 600 m² tinha sido castigada pelo tempo, pelos efeitos da maresia e por sucessivas reformas que, ao longo das décadas, não lhe fizeram justiça. “Havia vasos enormes de mármore salmão, pisos muito anos 1980… intervenções que não respeitavam seu espírito original”, lembra Serge. Ainda assim, a estrutura permanecia sólida e plenamente reconhecível. “Quando a vi, pensei: ‘Esta casa pode ficar espetacular se devolvermos sua essência arquitetônica original’.”
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Na sala de jantar, destaque para a luminária de Isamu Noguchi – as esculturas de Luis Vidal (à esq.), na Galeria Alzueta, e de Manuel Marín figuram no living integrado
Pablo Zamora
A cozinha tem ilha revestida com azulejos de La Bisbal, onde repousa vaso vintage de Jean Lurçat – mesa na Galeria 1721 e cadeiras de Adrien Audoux e Frida Minet, tudo sob luminária pendente dos anos 1970
Pablo Zamora
A geometria austera e branca, com volumes que parecem esculpidos pela tramontana (vento frio e forte que vem do norte), reflete uma era de glória da arquitetura catalã. Entre as décadas de 1950 e 80, a Costa Brava tornou-se um território fértil de experimentação moderna, impulsionado por pioneiros como José Antonio Coderch, autor da emblemática Casa Ugalde (1951), e Bonet Castellana, responsável pela Casa Castanera (1964). Esta residência é herdeira direta desse período. Por isso, o escritório abordou a renovação com sua filosofia habitual: intervir sem alterar. “Ela já brilha por si só. Quando algo é bem-feito, não há necessidade de refazer.”
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Pablo Zamora
Outra sala exibe poltrona de Guillerme & Chambron, mesa de centro e esculturas italianas, tudo na galeria Serge Castella
Pablo Zamora
A intervenção durou 18 meses. “A primeira medida foi reorganizar a distribuição. Era muito compartimentada”, explica Serge. Agora, a casa estrutura-se em três níveis que descem pela pedra por meio de uma grande escadaria central sem corrimão, espaçosa e cerimonial. Nessa jornada vertical, o mar torna-se elemento constante e dominante.
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Pablo Zamora
Tempestades fortes criam uma sensação intensa; dá até para sentir enjoos, como se estivéssemos no mar
O último andar abriga a ampla sala de estar. As janelas redondas em forma de vigias, o grande caixilho original de madeira e a abertura em três lados permitem que luz e água integrem-se ao espaço, transformando o interior no casco de um navio. “Tempestades fortes criam uma sensação muito intensa; dá até para sentir enjoos, como se estivéssemos no mar”, revela.
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O quarto é distribuído em dois patamares
Pablo Zamora
Já a decoração foi concebida com contenção consciente. “Escolhemos poucas peças, mas marcantes.” Algumas vêm da galeria do próprio Castella, outras foram encomendadas a artistas ou selecionadas por sua conexão material e geográfica com o local.
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Pablo Zamora
Vaso cerâmico espanhol do séc. 19 recebe quem chega à residência
Pablo Zamora
Quando a vi, pensei: ‘esta casa pode ficar espetacular se devolvermos sua essência arquitetônica original’
No exterior, reduziram a piscina para ampliar o terraço e favorecer uma vida ao ar livre mais generosa. E não faltam grandes nomes: a ilha da cozinha é revestida com azulejos de La Bisbal, ao passo que a mesa de nogueira dos anos 1960 convive com cadeiras de ratã italianas dos anos 1970, luminárias de Isamu Noguchi, pratos de Picart Le Doux e vasos de Jean Lurçat. Todas essas peças integram-se às obras de Luis Vidal.
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Pablo Zamora
Ao redor da piscina, as espreguiçadeiras Brava, da Calma, convidam a repousar diante do mar
Pablo Zamora
As cores contribuem para o equilíbrio sofisticado. “Usamos tons do Mediterrâneo: o azul do mar, o amarelo do Sol, o branco da cal e o verde da vegetação”, enumeram. É uma paleta contida, mas com clara força emocional. O estúdio trabalha na região há mais de duas décadas, e esse conhecimento traduz-se em absoluto respeito pelo contexto. Enxergar o valor do que já existe sem sentir necessidade de transformá-lo é a maneira mais difícil de interferir – e a que melhor demonstra como o design pode amplificar o que é essencial sem apagá-lo.
Tradução: Adriana Mori
*Matéria originalmente publicada na edição de fevereiro/2026 da Casa Vogue (CV 480), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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*Matéria originalmente publicada na edição de fevereiro/2026 da Casa Vogue (CV 480), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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