Izamal: a curiosa cidade no México onde todas as construções são amarelas

No sudeste do México, em uma região marcada por vilas coloniais e antigas cidades maias, existe um município que adota uma única cor como identidade urbana. Em Izamal, as fachadas de casas, igrejas, prédios públicos, praças e muros seguem há décadas a mesma paleta de tons amarelos, formando um conjunto visual que rendeu à cidade o apelido de La Ciudad Amarilla – A Cidade Amarela, em tradução literal.
A predominância da cor não está associada a um decreto específico, mas a um processo gradual de consolidação ao longo do tempo. Durante o período colonial, o uso de pigmentos minerais e de cal favorecia tons terrosos e amarelados, comuns na arquitetura do sudeste mexicano. Esses materiais eram duráveis, adequados ao clima quente da região e amplamente utilizados em conjuntos urbanos históricos.
O centro histórico de Izamal, no México, segue a padronização cromática de tons amarelados, característica marcante da cidade em Yucatán
Oogstweg/Wikimedia Commons
Ao longo do século 20, o amarelo passou a ser adotado de forma mais consistente nas áreas centrais da cidade e ganhou destaque após a visita do papa João Paulo II, em 1993, quando diversos imóveis foram repintados para receber o pontífice. O amarelo dourado e o branco são as cores oficiais do Vaticano e aparecem com frequência em eventos oficiais ligados à Igreja Católica. Desde então, normas municipais passaram a orientar a manutenção da paleta no centro histórico.
A escolha do amarelo também dialoga com a herança pré-hispânica de Izamal. Antes da colonização espanhola, a cidade era um importante centro cerimonial maia, dedicado ao deus solar Kinich Kak Moo. Na cultura maia, a cor está associada ao sol, ao milho maduro e ao ponto cardeal leste.
O Convento de San Antonio de Padua, em Izamal, foi construído sobre uma pirâmide maia
Georgina Guadalupe Gamboa Castellanos/Wikimedia Commons
Essa presença ancestral permanece integrada à arquitetura urbana. Izamal abriga cinco grandes estruturas arqueológicas maias dentro de seu perímetro, algo pouco comum em cidades coloniais mexicanas. A principal delas é a pirâmide de Kinich Kak Moo, uma das maiores construções pré-hispânicas da península de Yucatán, situada a poucos quarteirões de áreas residenciais.
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No período colonial, os espanhóis transformaram o antigo centro cerimonial com a construção do Convento de San Antonio de Padua, no século 16, erguido sobre plataformas maias. O complexo abriga um átrio fechado com mais de 7 mil m², considerado um dos maiores do mundo, atrás apenas da Praça de São Pedro, no Vaticano. O edifício segue a mesma tonalidade amarela predominante na cidade.
Parque de Los Cañones en Izamal, Yucatán, no México, onde detalhes arquitetônicos amarelos convivem com vestígios da ocupação maia
Inri/Wikimedia Commons
Em 2002, Izamal foi reconhecida pelo governo mexicano como Pueblo Mágico (povoado mágico), título concedido a localidades com relevância histórica, cultural e arquitetônica. A padronização cromática passou a ser tratada como um dos principais elementos de preservação patrimonial e de valorização turística do município.
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Além da arquitetura, a cidade mantém tradições maias, perceptíveis no uso cotidiano do idioma maia yucateco, nas festas religiosas e na produção artesanal local.
Igreja histórica em Izamal integra o conjunto urbano da Cidade Amarela, construída sobre território de antiga ocupação maia
Georgina Guadalupe Gamboa Castellanos/Wikimedia Commons

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