Inaugurado em 19 de novembro de 1825 como parque público, o Jardim da Luz comemora o seu bicentenário em 2025. Criado com a intenção de servir como Horto Botânico da capital paulista, o parque hoje ocupa uma área de 113 mil m². Considerado o primeiro espaço de lazer de São Paulo conta com espécies vegetais nativas e exóticas, além de integrar o complexo cultural da região central, com instituições como a Pinacoteca, o Museu da Língua Portuguesa e a Casa do Povo.
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“Com seus dois séculos de história, tornou-se importante por ser, ao mesmo tempo, testemunho material da história urbana e expressão viva das contradições sociais na metrópole”, afirma Renan Coradine Meireles, geógrafo mestre em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e professor.
A origem do Jardim da Luz
Ainda durante o período colonial, a Coroa Portuguesa determinou, com fins comerciais, a implantação de hortos botânicos em diversas localidades do Brasil. No caso de São Paulo, a criação data de 1798 e a região escolhida foi o chamado Campo do Guaré, margeado pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú.
O nome do local era uma referência indígena à expressão terra molhada devido às constantes inundações. No século 17, sob a influência de Domingo Luis, que construiu uma pequena capela em devoção a Nossa Senhora da Luz, o termo “luz” passou a nomear também o bairro.
A atividade inicial do jardim era similar a de um viveiro atuando no fornecimento de mudas para a capital
Biblioteca Nacional/Guilherme Gaensly/Creative Commons
“Essa era uma importante rota entre a cidade e o interior de São Paulo e de Minas Gerais, em uma época em que São Paulo era uma pequena vila colonial”, explica Renan. Nesse período, o atual centro histórico, que abrange os bairros da Luz, Sé e São Bento, destacava-se na organização política e social do município.
O espaço do parque nesse contexto funcionava de forma similar a um viveiro. “Como horto botânico, a importância era fornecer mudas para a cidade, atuando na distribuição e na reprodução de espécies usadas para o embelezamento de outras áreas da cidade”, afirma Marcella Ocke, professora do curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário Senac Santo Amaro.
Anos depois, em um cenário de valorização da economia cafeeira e da cultura europeia, o parque passou por uma grande reforma. “Seguindo as tendências do século 19, o jardim, inicialmente, neoclássico, migrou para um estilo inglês, romântico, com caminhos largos, áreas de lagos e grutas com o trabalho do engenheiro-arquiteto, Francisco de Paula Ramos de Azevedo”, explica Antônio Toro, gestor do parque.
O espaço era importante para o lazer da época e expressava a busca por modernidade na capital
Domínio Público/Acervo do Museu Paulista da USP
O objetivo era transformar a área em um espaço de lazer. Com o avanço da urbanização e a construção da estação ferroviária, o parque tornou-se a porta de entrada para quem chegava à capital. “Refletia-se a ideologia de uma cidade que começava a buscar padrões europeus de civilidade e modernidade”, comenta Renan.
Apesar dos objetivos de expressar modernidade, o parque também funcionava como um microcosmos da cidade. “O espaço funcionava como ponto de encontro de classes sociais distintas, abrigando tanto a elite residente nos Campos Elísios, quanto os trabalhadores do Bom Retiro”, diz o geógrafo.
Em 1825, o parque foi oficialmente inaugurado como Parque Jardim da Luz. Em 1891, foi declarado patrimônio tombado da cidade pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).
A partir de 1986, o parque começou a passar por iniciativas de recomposição de sua vegetação e estrutura. Em 1999, o Jardim da Luz ficou fechado durante alguns meses, porém logo foi reaberto, como permanece até hoje.
O projeto do Parque Jardim da Luz
O Jardim da Luz ocupa uma grande área no centro da capital paulista o que amplia ainda mais a sua relevância do ponto de vista histórico, ambiental e social
Acervo do Museu Paulista da USP/Domínio Público
Com uma rede de caminhos com gramados, áreas com água, coreto, gruta e bosques com espécies arbóreas, o parque convidava à permanência. “Seu desenho propiciava o passeio na área pública onde as pessoas, sobretudo da elite paulistana, caminhavam e se expunham nesses espaços”, diz Marcella.
O parque conta com um paisagismo misto, com espécies vegetais nativas e exóticas. Os bosques e jardins do parque incluem alamedas de alecrim-de-campinas, falsa-figueira-benjamim e guatambu, além de uma variedade de gimnospermas, palmeiras e um roseiral, com destaque para espécies como andá-açu, figueira-de-bengala, jenipapo e pau-ferro, e o registro de 192 espécies vasculares, incluindo quatro ameaçadas de extinção.
O parque mistura espécies nativas e exóticas distribuídas em amplas avenidas internas e bosques
SVMA/Daniel Reis/Reprodução
O projeto do jardim também se destaca pelo seu aspecto arquitetônico. Em 1893, os edifícios do Grupo Escolar Prudente de Morais e do Liceu de Artes e Ofícios, atual Pinacoteca do Estado, foram construídos. É nesse momento que o parque viveu o seu auge na transição entre os séculos 19 e 20.
Outros elementos de destaque como a casa da administração, o lago do oito, o antigo ponto de bonde, o Ponto Chic, o coreto, os espelhos d’água, a gruta com cascata e um aquário subterrâneo compõem o ambiente do parque. A casa, que de fato foi residência do administrador do Parque, Antonio Etzel; o Ponto Chic; e o coreto, construído em 1880, foram importantes pontos de encontro e sedes de atividades e apresentações culturais.
O edifício conhecido como Ponto Chic reunia importantes nomes da sociedade paulistana até 1911
SVMA/Daniel Reis/Reprodução
Por sua vez, o lago do oito, a gruta e os espelhos reforçam a função da água na composição do estilo de parque almejado. A gruta com cascata, por exemplo, é uma instalação típica do estilo de Jardim Paysager, que reproduz elementos naturais de forma estilizada. Associada a um mirante, oferece uma visão mais ampla do parque e do seu entorno.
As esculturas são onipresentes nas diferentes alamedas do parque. Obras como Três Jovens, de Lasar Segall; Portadora de perfume, de Victor Brecheret; e À procura da Luz, de Maria Martins, complementam o cenário, alinhadas a uma narrativa de reafirmação da modernidade da capital paulista.
As esculturas deixam o Jardim da Luz com esse aspecto de museu a céu aberto. Na foto, a obra Amaltéia e a Cabra de Júpiter
SVMA/Daniel Reis/Reprodução
Os desafios permeiam a história do parque até hoje
Em função das dinâmicas de urbanização e transformação do centro da cidade, acompanhado da valorização de outras zonas, o bairro constitui-se também como um espaço de tensões sociais. “O movimento de saída das elites em um processo gradativo de abandono do Jardim pelo Estado, seja na esfera municipal ou estadual”, afirma Renan.
Ainda assim, o Parque manteve-se como um referencial urbano e simbólico, além do uso intenso por classes sociais desfavorecidas. Ao longo dos últimos anos, a região e o parque têm sido alvo de diferentes ações de revitalização e requalificação, buscando integrá-lo ao circuito cultural local.
Manter a boa conservação dos edifícios, áreas verdes, esculturas e lagos que constitutem o parque são alguns dos desafios atuais
Reteofilo/Wikimedia Commons
“Essas transformações e tentativas do Estado e da iniciativa privada revelam a tensão permanente entre a preservação da história, a revalorização urbana e a desigualdade”, ressalta o geógrafo.
Garantir infraestrutura, segurança no interior do parque e boa experiência para os frequentadores são alguns objetivos da atual gestão do parque. “Entendemos que esse processo possibilita retomar o senso de pertencimento, as memórias afetivas e essa vontade do frequentador de descansar e usufruir o lado cultural do parque e do bairro”, afirma Antônio.
A importância do Jardim da Luz
O parque recebe atualmente de 5 a 6 mil visitantes diariamente. Sobretudo nos períodos da manhã, trata-se de um público majoritariamente idoso, que encontra no espaço uma possibilidade para práticas esportivas e de autocuidado.
Do ponto de vista natural, o parque funciona como um núcleo verde e de contato com a natureza no centro de São Paulo. “As áreas verdes são fundamentais para as cidades nesse momento de crise climática e discussões sobre resiliência urbana”, destaca Marcella. O parque inclui, além das espécies vegetais, 98 espécies animais, com 80 tipos distintos de aves.
O parque apresenta uma grande biodiversidade e contribui para a manutenção de uma área verde para descanso e lazer no centro da cidade
SVMA/Daniel Reis/Reprodução
O parque também funciona como registro da arquitetura, da cultura, das memórias e das histórias da cidade em diferentes períodos. Durante as escavações de obras nos anos 90, foram encontrados vestígios das fundações de uma torre de 20 metros de altura, denominada Observatório Meteorológico, o sistema mais antigo da cidade para transporte de água, baseado em canaletas a céu aberto.
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Os resquícios do caminho do bonde também conectam quem visita o parque a uma São Paulo de outra época. As esculturas ainda convidam mesmo quem está de passagem a olhar e entrar em contato com obras artísticas do passado e contemporâneas. A instalação do terceiro prédio da Pinacoteca, a Pina Contemporânea, tem ampliado o público e proposto esse diálogo do espaço aberto do jardim com as edificações.
“Muito mais do que um parque, construiu-se como um espaço simbólico da metrópole, um lugar que condensa memória, resistência e identidade, que convida a pensar o que significa, hoje, habitar e partilhar a cidade”, reflete Renan.
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“Com seus dois séculos de história, tornou-se importante por ser, ao mesmo tempo, testemunho material da história urbana e expressão viva das contradições sociais na metrópole”, afirma Renan Coradine Meireles, geógrafo mestre em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e professor.
A origem do Jardim da Luz
Ainda durante o período colonial, a Coroa Portuguesa determinou, com fins comerciais, a implantação de hortos botânicos em diversas localidades do Brasil. No caso de São Paulo, a criação data de 1798 e a região escolhida foi o chamado Campo do Guaré, margeado pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú.
O nome do local era uma referência indígena à expressão terra molhada devido às constantes inundações. No século 17, sob a influência de Domingo Luis, que construiu uma pequena capela em devoção a Nossa Senhora da Luz, o termo “luz” passou a nomear também o bairro.
A atividade inicial do jardim era similar a de um viveiro atuando no fornecimento de mudas para a capital
Biblioteca Nacional/Guilherme Gaensly/Creative Commons
“Essa era uma importante rota entre a cidade e o interior de São Paulo e de Minas Gerais, em uma época em que São Paulo era uma pequena vila colonial”, explica Renan. Nesse período, o atual centro histórico, que abrange os bairros da Luz, Sé e São Bento, destacava-se na organização política e social do município.
O espaço do parque nesse contexto funcionava de forma similar a um viveiro. “Como horto botânico, a importância era fornecer mudas para a cidade, atuando na distribuição e na reprodução de espécies usadas para o embelezamento de outras áreas da cidade”, afirma Marcella Ocke, professora do curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário Senac Santo Amaro.
Anos depois, em um cenário de valorização da economia cafeeira e da cultura europeia, o parque passou por uma grande reforma. “Seguindo as tendências do século 19, o jardim, inicialmente, neoclássico, migrou para um estilo inglês, romântico, com caminhos largos, áreas de lagos e grutas com o trabalho do engenheiro-arquiteto, Francisco de Paula Ramos de Azevedo”, explica Antônio Toro, gestor do parque.
O espaço era importante para o lazer da época e expressava a busca por modernidade na capital
Domínio Público/Acervo do Museu Paulista da USP
O objetivo era transformar a área em um espaço de lazer. Com o avanço da urbanização e a construção da estação ferroviária, o parque tornou-se a porta de entrada para quem chegava à capital. “Refletia-se a ideologia de uma cidade que começava a buscar padrões europeus de civilidade e modernidade”, comenta Renan.
Apesar dos objetivos de expressar modernidade, o parque também funcionava como um microcosmos da cidade. “O espaço funcionava como ponto de encontro de classes sociais distintas, abrigando tanto a elite residente nos Campos Elísios, quanto os trabalhadores do Bom Retiro”, diz o geógrafo.
Em 1825, o parque foi oficialmente inaugurado como Parque Jardim da Luz. Em 1891, foi declarado patrimônio tombado da cidade pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).
A partir de 1986, o parque começou a passar por iniciativas de recomposição de sua vegetação e estrutura. Em 1999, o Jardim da Luz ficou fechado durante alguns meses, porém logo foi reaberto, como permanece até hoje.
O projeto do Parque Jardim da Luz
O Jardim da Luz ocupa uma grande área no centro da capital paulista o que amplia ainda mais a sua relevância do ponto de vista histórico, ambiental e social
Acervo do Museu Paulista da USP/Domínio Público
Com uma rede de caminhos com gramados, áreas com água, coreto, gruta e bosques com espécies arbóreas, o parque convidava à permanência. “Seu desenho propiciava o passeio na área pública onde as pessoas, sobretudo da elite paulistana, caminhavam e se expunham nesses espaços”, diz Marcella.
O parque conta com um paisagismo misto, com espécies vegetais nativas e exóticas. Os bosques e jardins do parque incluem alamedas de alecrim-de-campinas, falsa-figueira-benjamim e guatambu, além de uma variedade de gimnospermas, palmeiras e um roseiral, com destaque para espécies como andá-açu, figueira-de-bengala, jenipapo e pau-ferro, e o registro de 192 espécies vasculares, incluindo quatro ameaçadas de extinção.
O parque mistura espécies nativas e exóticas distribuídas em amplas avenidas internas e bosques
SVMA/Daniel Reis/Reprodução
O projeto do jardim também se destaca pelo seu aspecto arquitetônico. Em 1893, os edifícios do Grupo Escolar Prudente de Morais e do Liceu de Artes e Ofícios, atual Pinacoteca do Estado, foram construídos. É nesse momento que o parque viveu o seu auge na transição entre os séculos 19 e 20.
Outros elementos de destaque como a casa da administração, o lago do oito, o antigo ponto de bonde, o Ponto Chic, o coreto, os espelhos d’água, a gruta com cascata e um aquário subterrâneo compõem o ambiente do parque. A casa, que de fato foi residência do administrador do Parque, Antonio Etzel; o Ponto Chic; e o coreto, construído em 1880, foram importantes pontos de encontro e sedes de atividades e apresentações culturais.
O edifício conhecido como Ponto Chic reunia importantes nomes da sociedade paulistana até 1911
SVMA/Daniel Reis/Reprodução
Por sua vez, o lago do oito, a gruta e os espelhos reforçam a função da água na composição do estilo de parque almejado. A gruta com cascata, por exemplo, é uma instalação típica do estilo de Jardim Paysager, que reproduz elementos naturais de forma estilizada. Associada a um mirante, oferece uma visão mais ampla do parque e do seu entorno.
As esculturas são onipresentes nas diferentes alamedas do parque. Obras como Três Jovens, de Lasar Segall; Portadora de perfume, de Victor Brecheret; e À procura da Luz, de Maria Martins, complementam o cenário, alinhadas a uma narrativa de reafirmação da modernidade da capital paulista.
As esculturas deixam o Jardim da Luz com esse aspecto de museu a céu aberto. Na foto, a obra Amaltéia e a Cabra de Júpiter
SVMA/Daniel Reis/Reprodução
Os desafios permeiam a história do parque até hoje
Em função das dinâmicas de urbanização e transformação do centro da cidade, acompanhado da valorização de outras zonas, o bairro constitui-se também como um espaço de tensões sociais. “O movimento de saída das elites em um processo gradativo de abandono do Jardim pelo Estado, seja na esfera municipal ou estadual”, afirma Renan.
Ainda assim, o Parque manteve-se como um referencial urbano e simbólico, além do uso intenso por classes sociais desfavorecidas. Ao longo dos últimos anos, a região e o parque têm sido alvo de diferentes ações de revitalização e requalificação, buscando integrá-lo ao circuito cultural local.
Manter a boa conservação dos edifícios, áreas verdes, esculturas e lagos que constitutem o parque são alguns dos desafios atuais
Reteofilo/Wikimedia Commons
“Essas transformações e tentativas do Estado e da iniciativa privada revelam a tensão permanente entre a preservação da história, a revalorização urbana e a desigualdade”, ressalta o geógrafo.
Garantir infraestrutura, segurança no interior do parque e boa experiência para os frequentadores são alguns objetivos da atual gestão do parque. “Entendemos que esse processo possibilita retomar o senso de pertencimento, as memórias afetivas e essa vontade do frequentador de descansar e usufruir o lado cultural do parque e do bairro”, afirma Antônio.
A importância do Jardim da Luz
O parque recebe atualmente de 5 a 6 mil visitantes diariamente. Sobretudo nos períodos da manhã, trata-se de um público majoritariamente idoso, que encontra no espaço uma possibilidade para práticas esportivas e de autocuidado.
Do ponto de vista natural, o parque funciona como um núcleo verde e de contato com a natureza no centro de São Paulo. “As áreas verdes são fundamentais para as cidades nesse momento de crise climática e discussões sobre resiliência urbana”, destaca Marcella. O parque inclui, além das espécies vegetais, 98 espécies animais, com 80 tipos distintos de aves.
O parque apresenta uma grande biodiversidade e contribui para a manutenção de uma área verde para descanso e lazer no centro da cidade
SVMA/Daniel Reis/Reprodução
O parque também funciona como registro da arquitetura, da cultura, das memórias e das histórias da cidade em diferentes períodos. Durante as escavações de obras nos anos 90, foram encontrados vestígios das fundações de uma torre de 20 metros de altura, denominada Observatório Meteorológico, o sistema mais antigo da cidade para transporte de água, baseado em canaletas a céu aberto.
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Os resquícios do caminho do bonde também conectam quem visita o parque a uma São Paulo de outra época. As esculturas ainda convidam mesmo quem está de passagem a olhar e entrar em contato com obras artísticas do passado e contemporâneas. A instalação do terceiro prédio da Pinacoteca, a Pina Contemporânea, tem ampliado o público e proposto esse diálogo do espaço aberto do jardim com as edificações.
“Muito mais do que um parque, construiu-se como um espaço simbólico da metrópole, um lugar que condensa memória, resistência e identidade, que convida a pensar o que significa, hoje, habitar e partilhar a cidade”, reflete Renan.



