Norman Foster assina o ambicioso projeto do Museu Nacional Zayed, nos Emirados Árabes

Como capturar a identidade e a ambição de um país em um único edifício? No caso do novo Museu Nacional Zayed, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), o arquiteto Norman Foster se inspirou no falecido Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan, a força motriz por trás da criação do Estado do Golfo. “Ele tinha uma visão do que os EAU poderiam se tornar e acreditava em seu potencial como um lugar capaz de fomentar a inovação desde suas raízes”, explica Foster, que venceu o concurso internacional do projeto em 2007. “Nossa abordagem partiu da exploração do papel de um edifício como museu nacional, homenageando a relação entre a paisagem, o meio ambiente e o contexto cultural, tudo filtrado pelos valores e pelo caráter de Zayed”, acrescenta.
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Reflorestamento do país
“O perfil das aletas auxilia na ventilação natural e controla a quantidade de luz que entra no edifício”, afirma Gerard Evenden, chefe de estúdio da Foster + Partners
Divulgação/Museu Nacional Zayed
Inaugurado em 3 de dezembro, o Museu Nacional Zayed está localizado na Ilha Saadiyat, o coração cultural da capital dos Emirados Árabes Unidos, e faz fronteira com as filiais locais do Louvre, inaugurado em 2017, e do Guggenheim, que está quase concluído. O museu ocupa aproximadamente 55.700 m², distribuídos em três andares, além de um subsolo e áreas complementares. É cercado por jardins com flora nativa, inspirados nos esforços do Sheikh Zayed para reflorestar o país, que impulsionaram técnicas como a semeadura de nuvens, a agricultura vertical e outras inovações agrícolas.
Toda a estrutura da arquitetura filtra a luminosidade e ajuda a regular a temperatura
Divulgação/Museu Nacional Zayed
Uma escadaria serpenteia pelas curvas do edifício
Divulgação/Museu Nacional Zayed
Com altura entre 73 e 122 metros, as esbeltas aletas de aço do edifício não apenas fazem alusão à falcoaria — prática profundamente enraizada na cultura dos Emirados — como também reinterpretam as tradicionais torres de vento da região, usadas para resfriar ambientes internos. “O projeto é uma resposta direta ao clima de Abu Dhabi”, afirma Gerard Evenden, diretor da Foster + Partners. “Os perfis das aletas promovem a ventilação e controlam a quantidade de luz que entra. As aberturas superiores aproveitam a pressão negativa no lado sotavento para extrair o ar quente do átrio.” Esse ar, previamente resfriado de forma natural por tubulações subterrâneas, passa então a circular por um sistema de ventilação em nível inferior.
Uma história rica e fascinante de 300 mil anos
Mais um ângulo do ambicioso desenho de arquitetura
Divulgação/Museu Nacional Zayed
O átrio central, projetado para sediar reuniões e conferências, juntamente com os salões de exposição em formato de cápsula e os laboratórios de pesquisa, é envolto por um monte artificial de 30 metros de altura. “Esse recurso isola o edifício das altas temperaturas, criando um escudo protetor que impede a entrada de calor”, explica Evenden. “Ele também incorpora grandes beirais, que fornecem sombra ao perímetro do edifício e às passarelas de pedestres.”
A textura exterior evoca a topografia da montanha Jebel Hafeet, que se estende pela fronteira entre os Emirados Árabes Unidos e Omã. No interior, mais de 300.000 anos de história se desdobram em seis galerias, onde descobertas extraordinárias do Paleolítico, Neolítico, Idade do Bronze e Idade do Ferro lançam luz sobre a vida e os costumes das primeiras comunidades da região. “Começamos a trabalhar na coleção há 12 anos”, diz Moaza Matar, diretora interina do Departamento de Conservação e Gestão de Coleções do museu. “Do bivalve rudista, um molusco fossilizado com mais de 70 milhões de anos, a um passaporte usado durante a Expo 2020 Dubai, cada peça representa um fragmento da rica e fascinante história do país.”
A praça da entrada do Museu Nacional Zayed, nos Emirados Árabes
Divulgação/Museu Nacional Zayed
Arquitetura sustentável em grande escala
Nesta fase inaugural, mais de 1.500 peças estão em exibição, com o objetivo de desafiar percepções ultrapassadas e destacar o patrimônio cultural multifacetado da região. “Pesquisa e educação são fundamentais para a missão do museu e desempenham um papel essencial para garantir que a instituição permaneça dinâmica”, explica Peter Magee, diretor do museu.
Um dos destaques é a maior reconstrução do mundo de um barco Magan da Idade do Bronze, que partiu de Abu Dhabi em 2024. Outros pontos altos incluem a Pérola de Abu Dhabi, com 8.000 anos; o impressionante Alcorão Azul, datado entre 800 e 900 d.C.; e uma extraordinária coleção de joias que reflete a criatividade, o comércio e as trocas culturais ao longo dos séculos.
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Alimentado por um sistema tradicional de irrigação conhecido como falaj, o Jardim Al Masar — uma galeria ao ar livre com quase 600 metros de extensão — presta homenagem à engenhosidade das gerações que viveram e cuidaram dessa terra. “Desde o início, nos inspiramos nas comunidades locais que aprenderam a domar o clima desértico rigoroso”, diz Evenden. “Ultrapassar os limites do design para criar um museu guiado por princípios ambientais e que funcione como uma extensão do próprio local nos permitiu materializar — em grande escala — muitos dos valores da arquitetura sustentável que norteiam nossa prática desde a década de 1970.”
*Matéria publicada originalmente na Architectural Digest Oriente Médio
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