Muito se escreve sobre design e arquitetura, mas poucas páginas são dedicadas ao colecionismo e armazenamento de objetos. O tema tende a ser visto com desdém – e quem se apega demais a seus pertences é apontado, não raramente, como acumulador. Para o jornalista canadense Graydon Carter, isso parece injusto. “Eu tenho uma coleção de achados gloriosos do passado, que simplesmente não atendem às minhas necessidades no presente”, resume o fundador e coeditor do site Air Mail, além de ex-editor-chefe da revista Vanity Fair, de 1992 a 2017.
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Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
Desde que se mudou para Nova York, no verão de 1978, certos itens nunca deixaram de fazer companhia a Graydon. Em seu apartamento atual, no bairro de Greenwich Village, quase tudo, exceto a marcenaria, pertenceu a alguma de suas casas anteriores: pias de porcelana do séc. 19, espelhos, luminárias, câmeras Leica antigas e edições da Vanity Fair suficientes para fazer chorar até o carregador mais forte da empresa de mudanças. Quem o ajudou a organizar e expor tamanho acervo foi o amigo íntimo Basil Walter, sócio-fundador do BWArchitects, que projetou uma série de residências e escritórios para o jornalista. Neste novo apartamento nova-iorquino, onde Graydon vive com a mulher, Anna, tudo é pensado a partir da lógica do armazenamento. O dúplex, nas palavras do jornalista, “foi construído como um barco”, já que ali há espaços para armazenagem em todos os cantos possíveis – inclusive locais inimagináveis.
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Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
Itens garimpados por décadas
Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
O hall de entrada tem fotografias de Jacques Lowe, Jonathan Becker e Weegee, além de luminárias da Besselink & Jones sobre aparador vintage de Ib Kofod-Larsen
Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
Walter revela que filmes, aviões, trens e automóveis antigos sempre influenciam os ambientes que ele assina para Graydon. A dupla diz ainda ter encontrado uma língua franca no design, moldada por referências em comum, como o arquiteto e designer francês Pierre Chareau, o fotógrafo Julius Shulman, o presidente da marca de papéis de parede Colefax e Fowler, Tom Parr, e o multitalentoso Buckminster Fuller – nada menos que o inventor do domo geodésico, entre outras coisas. Um repertório cultural tão vasto quanto o acervo de objetos do morador.
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Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
Detalhe da escrivaninha na suíte principal, vinda do mercado de pulgas de Clignancourt
Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
Não é de espantar que o jornalista tenha aprendido a fazer esboços de projetos para expressar suas ideias sobre décor. Ao longo dos anos, ele também formou fortes opiniões a respeito do universo da arquitetura – e tudo isso permeia o apartamento. Seu olhar experiente como editor de texto não deixou passar nenhum detalhe na residência. O resultado é uma série de escolhas discretas, porém capazes de tornar os ambientes mais agradáveis, sem denunciar como o efeito foi obtido.
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Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
Fotos de família em pequenas molduras coloridas da Hermès decoram o closet
Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
Não faltam exemplos de suas teorias pessoais: Graydon defende que qualquer ferragem precisa ter parafusos de cabeça chata em vez de Phillips. Escrivaninhas e mesas de trabalho devem ter tomadas sempre que possível. Um cômodo necessita de muitas fontes de luz, preferencialmente na altura dos ombros ou abaixo. São toques sutis, porém certeiros, que aproximam o mundo dos textos ao da decoração. Em seu escritório, um impressionante sistema de arquivos, composto por cerca de 60 caixas pretas antigas francesas, sugere que manter o passado por perto tem sido útil para ambas as atividades.
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No escritório, arquivo composto por cerca de 60 caixas francesas – na parede, uma caricatura de Graydon Carter, de Al Hirschfeld, paira acima de brinquedos antigos
Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
O banheiro da suíte tem pia dupla que acompanha o casal a cada nova residência
Jonathan Becker | Estilo Mieke Ten Have
Os melhores editores jornalísticos são infalivelmente otimistas, têm faro para o que funcionou antes e conseguem dar vida nova àquilo que outros descartariam prematuramente. Editar – ou decorar uma casa nova – significa ter um ótimo inventário ao qual recorrer, e é preciso acreditar, por diversas vezes, que tudo se encaixará no seu devido tempo. Graydon prova isso.
*Tradução: Adriana Mori
**Matéria originalmente publicada na edição de setembro/2025 da Casa Vogue (CV 476), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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*Tradução: Adriana Mori
**Matéria originalmente publicada na edição de setembro/2025 da Casa Vogue (CV 476), disponível em versão impressa, na nossa loja virtual e para assinantes no app Globo Mais.
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