O retorno das texturas naturais e como aplicar em casa agora

Casas autênticas e cheias de brasilidade despontam como uma das principais tendências de decoração para 2026. Em matéria recente da Casa Vogue, a pesquisadora Monica Levandoski, consultora sênior da WGSN Mindset, destaca o crescimento da busca por ambientes que despertem sensações e promovam bem-estar. “Devemos esperar, portanto, o aumento de texturas, tecidos diversos e materiais naturais na decoração”, afirma.
Assinado pela designer Marina Linhares, este ambiente conta com paredes e forro de madeira, obras de arte em cerâmica, sofá em algodão (Entreposto), pufe Botteh em lã e algodão e tapete By Kamy
Evelyn Müller
As texturas naturais, em especial, ganham protagonismo por sua capacidade de conferir aconchego, calor e sofisticação aos espaços. Mais do que proporcionar conforto tátil, elas reforçam a identidade do lar e aproximam o cotidiano da natureza. Para aprofundar a discussão sobre a tendência e entender como incorporar esses elementos ao décor, a Casa Vogue conversou com a designer de interiores Marina Linhares, mestre na criação de casas acolhedoras e integrante do Casa Vogue 50.
Por que as texturas naturais voltaram?
Piso em caco de pedra Goiás e forro em madeira compõem este quarto assinado por Marina Linhares
Evelyn Müller
“As texturas naturais trazem um charme e muita identidade para os ambientes. Sem dúvida, elas nos remetem à natureza, nos ajudam a trazer aconchego e simplicidade às decorações”, explica Marina Linhares. Para a designer, tudo o que vem da natureza — madeira, pedras, fibras naturais (como a palhinha) e tecidos orgânicos (como o algodão ou a lã) — sempre estará em alta: “O que acho que pode acontecer é sua escassez. Por isso que hoje temos novas opções de materialidade”, completa.
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Além do conforto sensorial, as texturas naturais têm o poder de trazer aconchego e “aquecer” os ambientes. A versatilidade — já que podem ser aplicadas tanto em áreas internas quanto externas — e a sustentabilidade, por serem feitas de materiais renováveis, são alguns dos principais atributos que justificam sua alta procura.
Como inserir texturas naturais na decoração?
Este projeto de Marina Linhares possui base da lareira em pedra-sabão, paredes em taipa, piso em caco de pedra Goiás e forro de madeira.
Evelyn Müller
Marina Linhares aconselha o uso de materiais naturais nacionais, valorizando a brasilidade e os recursos do nosso país. “Aqui no Brasil, temos uma abundância de palmeiras e palhas. Um exemplo é a palha de buriti, que tem custo baixo e é maravilhosa. Acho que devemos usar e abusar das matérias-primas regionais”, destaca. Em matéria recente publicada na Casa Vogue, Luís Guedes e Pablo do Vale, à frente do Guá Arquitetura, também comentam como valorizar materiais, artesanato e técnicas locais é fundamental para trazer mais significado aos espaços. “Nossas escolhas podem dar suporte e visibilidade para artesãos e artistas em ascensão. Esses pequenos promotores de cultura detêm o espírito da região. Esses saberes tão culturais e tão potentes não estão no mainstream — está na pessoa que está ali resistindo”, ressaltaram.
As texturas naturais podem ser incorporadas à casa de diversas maneiras: madeira e pedras nacionais podem compor pisos e revestimentos, enquanto tecidos como linho e algodão, além de tramas como a palha, aparecem em móveis, almofadas, mantas e outros detalhes decorativos. A arte e o artesanato também são caminhos potentes para inserir essas texturas no décor, reforçando sua presença e valorização.
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Como equilibrar diferentes texturas?
Este ambiente, projetado por Marina Linhares, conta com estante em madeira maciça peroba-rosa, moldura da lareira em madeira maciça carvalho europeu, forro em lambri de cumaru pintado de branco e parede de pedra moledo local com rejunte
Evelyn Müller
“Acredito que nesse nosso universo não devem existir regras e, sim, simplesmente agradar ao olhar. Não tem uma regra única, mas adoro brincar com todas essas possibilidades”, conta Marina. Uma dica para quem está começando é criar contraste sem excessos, combinando superfícies mais rústicas com outras mais lisas ou delicadas. Por exemplo, uma parede de pedra ou um móvel em madeira maciça pode ganhar leveza ao lado de tecidos macios, como linho ou algodão. Essa alternância entre o áspero e o suave, o opaco e o levemente acetinado, cria profundidade visual e conforto sensorial.
Também é importante pensar na proporção e na repetição. Eleger uma textura como protagonista e usar as demais como complemento ajuda a evitar sobrecarga. Repetir um mesmo material em pontos diferentes do ambiente. Por fim, manter uma paleta de cores coerente contribui para que, mesmo com variedade de superfícies, o espaço permaneça harmônico e equilibrado. “Sempre penso em uma boa base neutra para poder usar e abusar da intuição e criatividade no restante”, afirma a designer.
Quais cuidados não podem faltar?
Este ambinete, assinado por Marina Linhares, apresenta banco de madeira Tamanduá e cesto na parede Balaio
Evelyn Müller
Quando falamos de texturas naturais, o principal cuidado diz respeito à conservação, já que se trata de um material “vivo”, sujeito à ação do tempo e do ambiente. “Eu acho que o cuidado, o bom uso requer cautela e delicadeza mais do que qualquer outra coisa. Portanto, a manutenção tem que ser cuidadosa”, alerta Marina Linhares.
Para evitar manchas, mofo ou desgaste precoce, madeiras, pedras e fibras naturais precisam de tratamentos específicos, como seladores, vernizes ou impermeabilizantes — especialmente em áreas úmidas ou externas. Também é importante evitar a exposição constante à água e ao sol intenso, preservando assim sua durabilidade e beleza. Na limpeza, produtos abrasivos estão fora de questão: o ideal é optar por uma higienização suave, com pano seco ou levemente umedecido e soluções adequadas a cada tipo de material.

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