Paisagismo sensorial: como criar um jardim que envolve cheiro, cor e textura

Proporcionar experiências por meio dos sentidos é o principal objetivo de um jardim sensorial, que une texturas, tons e aromas diferentes de forma harmônica e sensitiva. Segundo os paisagistas Cleber e Arthur Depieri, do escritório Depieri Paisagismo, diferentemente de um jardim apenas ornamental, o sensorial possui função perceptiva, terapêutica e experiencial, sendo amplamente utilizado em projetos residenciais contemporâneos, ambientes corporativos, escolas, hospitais e espaços de bem-estar.
“Um jardim sensorial é um espaço paisagístico concebido para estimular intencionalmente os sentidos humanos, como visão, tato, olfato, audição e, em alguns casos, paladar, por meio da escolha criteriosa de espécies vegetais, materiais naturais, texturas, sons e elementos construtivos”, reforçam os paisagistas.
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O que não pode faltar em um jardim sensorial
Projeto do escritório Benedito Abbud Arquitetura Paisagística
Mariana Boro
Para quem deseja ter um jardim sensorial em casa, alguns elementos são essenciais, dentre os quais, destacam-se: a diversidade vegetal planejada, com espécies que ofereçam contrastes de textura, aroma, forma e movimento; a estimulação tátil, que pode ser obtida por meio de folhas com diferentes texturas; e elementos aromáticos, como plantas com óleos essenciais naturais.
“Na minha opinião, visão e tato são o foco principal e andam em conjunto. Texturas combinadas entre folhas, flores e materiais fazem toda a diferença no ambiente e traz um impacto visual maior, o que é sempre um objetivo no paisagismo. Os volumes impactam muito nesse ponto também. Volume e movimento são criados com uma seleção que entrelaça entre si, combinando diferentes formas e tamanhos de vegetação”, comenta a paisagista Cristina Bueno, do escritório Reurbe Paisagismo, que aconselha ter cuidado ao escolher os elementos aromáticos do jardim.
“Plantas aromáticas não são para todos os gostos e podem sobrecarregar o ambiente como um todo. Então, no quesito aromático, a ideia é sempre manter algo mais pontual. Ao seguir por esse caminho, o ideal é trazer perfumes leves e complementares, por exemplo, uma orquídea Sumaré, que tem aroma leve e delicado, combinada com a Cattleya, que possui aroma mais imponente”, orienta Cristina.
Componentes sonoros, como o som do vento nas folhagens, água em movimento ou bambus, além de materiais naturais (pedra, madeira, casca de árvore, seixos) também são elementos importantes em um jardim sensorial. Para Cleber e Arthur Depieri, tais itens reforçam a conexão biofílica. Já Cristina lembra que os elementos sonoros, por exemplo, ajudam os mais distraídos a se reconectarem.
“No tocante à audição, temos um aspecto que pode trazer muita riqueza ao projeto. Elementos sonoros que compõem o jardim são capazes de trazer à interação os mais distraídos, que são convidados por um som prazeroso. Esses elementos podem ser sino dos ventos, comedouro de pássaros livres em áreas externas (que atraem pássaros e seus cantos relaxantes ao jardim), e fontes de água. O som da água corrente, inclusive, é reconhecido cientificamente por trazer sensações de calma e relaxamento. Um toque de serenidade imprescindível ao jardim sensorial”, diz a paisagista.
O paladar também pode ser ativado em um jardim sensorial. Neste caso, ele pode ser contemplado no projeto por meio de ervas, ou mesmo flores comestíveis, como a flor-de-mel.
O passo a passo para montar um jardim sensorial
Projeto dos paisagistas Cleber e Arthur Depieri, do escritório Depieri Paisagismo
Clausem Bonifácio
A criação de um jardim sensorial exige planejamento e um olhar cuidadoso ao ambiente. De forma resumida, o processo envolve:
Análise do local, considerando insolação, ventilação, temperatura, umidade e uso do espaço;
Definição do objetivo sensorial, priorizando quais sentidos serão mais estimulados;
Seleção das espécies, levando em conta resistência climática, manutenção e compatibilidade entre plantas;
Escolha de materiais e texturas, integrando pisos, caminhos e mobiliário;
Projeto de irrigação e drenagem adequados, fundamentais para a longevidade do jardim;
Execução e acompanhamento técnico, garantindo que o conceito sensorial seja preservado na implantação.
Jardim sensorial não é só para áreas externas
Projeto da paisagista Cristina Bueno, do escritório Reurbe Paisagismo
João Ozi
Ao contrário do que muitos imaginam, um jardim sensorial não se aplica apenas em lugares espaçosos e ambientes externos, ele também pode ser montado dentro de casas e apartamentos e em locais com pouco espaço.
“É perfeitamente possível implantar um jardim sensorial em apartamentos, varandas, áreas internas ou espaços reduzidos. O segredo está menos no tamanho e mais na intencionalidade do projeto”, ressaltam Cleber e Arthur Depieri. Os paisagistas indicam, por exemplo, a implantação de jardins verticais e vasos estratégicos, para otimizar o uso do espaço.
Priorizar as paisagens bonitas ao implantar um jardim sensorial em espaços reduzidos, é a dica do arquiteto e paisagista Benedito Abbud, à frente do escritório Benedito Abbud Arquitetura Paisagística e Urbanismo. Segundo ele, o ideal é abrir as vistas interessantes e fechar as menos favoráveis.
“Em terraços e áreas pequenas, a regra é simples: mostrar o que é bonito e esconder o que atrapalha. Use o volume das plantas para filtrar janelas invasivas ou telhados próximos e abrir as vistas mais amplas. Se há uma janela do prédio vizinho devassando, vale uma massa densa para bloquear. Junto ao peitoril, plantas mais baixas ajudam a “limpar” a linha do horizonte quando você se senta. Depois disso, entram as camadas sensoriais: aromáticas, comestíveis e texturas. Tudo cabe num pequeno jardim”, diz Benedito.
Como cuidar de um jardim sensorial
Projeto dos paisagistas Cleber e Arthur Depieri, do escritório Depieri Paisagismo
Edgard Cesar
De modo geral, os cuidados com um jardim sensorial não diferem muito da manutenção exigida por qualquer outro jardim. É necessária a manutenção regular das plantas, com poda, adubação e controle fitossanitário, além da manutenção dos materiais naturais.
“Entre os cuidados, destacamos a atenção ao crescimento excessivo, que pode comprometer a interação sensorial, a reposição de espécies aromáticas, que tendem a perder intensidade ao longo do tempo, e, em casas com crianças, o cuidado na hora da escolha, ao evitar plantas tóxicas, ou elementos cortantes”, dizem Cleber e Arthur Depieri.
A atenção na hora de escolher as plantas, também é destacada por Benedito, visto que a manutenção, vai depender das espécies que compõem o jardim. “Os cuidados são os de qualquer jardim, com um critério a mais: escolher espécies rústicas e adaptadas ao lugar. Em varandas ventosas, prefira folhas mais firmes e recortadas. Lâminas muito grandes rasgam e não ficam bem. Adeque tudo a sol, sombra e rotina de manutenção. Em fachos com muito sol, use plantas de sol. No fundo, são plantas comuns escolhidas entre aquelas que conversam com os sentidos humanos; esse é o segredo do jardim sensorial”, conclui.
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