Localizado no sudeste do Piauí, o Parque Nacional Serra da Capivara reúne um dos maiores acervos arqueológicos do país e está inserido em uma paisagem marcada pela caatinga, bioma que define a configuração visual, ecológica e cultural da região.
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Fundado em 5 de junho de 1979, o Parque está em uma área semiárida do Nordeste e, desde 1991, é reconhecido como patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Dois anos depois, passou a integrar o Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Paisagem e adaptação da flora
A vegetação típica da caatinga — composta por espécies como jurema-preta, umbuzeiro, barbatimão, angico, carnaúba, gameleira, mandacaru, juazeiro, aroeira e xique-xique — influencia diretamente a paisagem e a biodiversidade local. O clima semiárido, com temperaturas elevadas e longos períodos de estiagem, determina estratégias de sobrevivência que moldam o visual do território.
As formações geológicas únicas e descobertas arqueológicas surpreendentes tornam a Serra da Capivara um tesouro científico e cultural do Brasil
Marcelo Gonçalves Moura Valle/Wikimedia Commons
Cactáceas e bromélias, por exemplo, perdem folhas na seca e armazenam água nos tecidos. Outras espécies apresentam caules suculentos e raízes profundas.
A arquitetura no Parque Nacional Serra da Capivara atua como um elo entre comunidade, turismo e preservação, fortalecendo a identidade local
Mateus S. Figueiredo/Wikimedia Commons
Segundo a docente Loyde Abreu, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, as plantas xerófitas possuem folhas pequenas ou caducas e modificações no ângulo foliar para reduzir a absorção de radiação solar.
“Metabolicamente, acumulam compostos e antioxidantes que protegem contra o estresse hídrico, e algumas espécies desenvolvem ‘memória de seca’, respondendo de forma mais eficiente a eventos recorrentes de déficit hídrico”, ela diz.
A arquitetura do Parque Nacional Serra da Capivara busca equilibrar conservação e integração cultural, minimizando os impactos ambientais e integrando-se à paisagem da região
Paulo César Pamplona Barreto de Sousa/Wikimedia Commons
A fauna acompanha essa diversidade, com tatus, tamanduás, jaguatiricas, cotias, morcegos, porcos-do-mato, macacos-prego e onças.
Arquitetura integrada e preservação
A geologia da Serra da Capivara — marcada por cânions, cavernas e montanhas formados pela erosão — serviu de abrigo para os primeiros habitantes da região e preservou registros rupestres que reconstroem parte da história da migração humana nas Américas. Hoje, a arquitetura implantada no Parque atua como suporte para a conservação desse patrimônio.
A arquitetura presente no Parque Nacional Serra da Capivara atua como um elo de ligação entre turismo e preservação
Ministério da Cultura/Wikimedia Commons
“As edificações são pontos de suporte e ajudam a orientar, receber o público e zelar pelo patrimônio existente”, afirma Sergio Lessa, coordenador de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes. Ele destaca que essas estruturas funcionam como mediadoras da infraestrutura necessária para pesquisas e preservação científica.
Os espaços foram projetados com o intuito de interferir o mínimo possível na paisagem, respeitando topografia, vegetação nativa e condições climáticas, valorizando ventilação natural, sombreamento e redução de áreas impermeáveis.
A implantação da arquitetura no Parque Nacional Serra da Capivara segue o princípio de não ocupar os sítios arqueológicos e priorizar intervenções de restauração e conservação
Ministério da Cultura/Wikimedia Commons
Loyde ressalta que elementos regionais e patrimoniais ajudam a transmitir valores e tradições, conectando gerações e reforçando a identidade local. Para ela, a integração entre referências tradicionais e edificações contemporâneas cria continuidade cultural e consolida a memória coletiva.
Museus, áreas de interpretação e estruturas de apoio ampliam o acesso às informações e reforçam a importância da conservação do patrimônio natural e arqueológico.
A área do Parque Nacional Serra da Capivara abriga mais de 100 sítios arqueológicos abertos à visitação
Ministério da Cultura/Wikimedia Commons
Paisagem cultural e relação com a comunidade
O Parque abriga mais de mil sítios cadastrados, a maior concentração das Américas, e está entre os 10 parques nacionais que protegem a caatinga. Em seu entorno, uma Área de Preservação Permanente com dez quilômetros de raio contribui para a proteção física, histórica e cultural.
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A arqueóloga Niède Guidon (1933–2025) teve papel central na criação do Parque e na divulgação de suas descobertas, além de fundar o Museu do Homem Americano. Ela também idealizou o Projeto Cerâmica da Serra da Capivara, que resgata técnicas tradicionais de produção e gera renda para ceramistas locais. O Hotel Serra da Capivara, inaugurado há mais de 30 anos, utiliza artesanato, mão de obra e obras de artistas da região.
Os sítios arqueológicos do Parque Nacional Serra da Capivara apresenta pinturas e gravuras pré-históricas que contam detalhes das antigas sociedades que ocuparam a região
Zizi seabra/Wikimedia Commons
Sustentabilidade e desafios
A preservação do Parque enfrenta desafios estruturais, como a ação intensa do sol, a amplitude térmica e a dificuldade de obtenção de recursos financeiros. A logística também é um obstáculo, visto que o complexo está a mais de 570 km de Teresina, o que encarece o transporte de materiais e de profissionais especializados.
Ainda assim, desempenha papel relevante no ecoturismo e no desenvolvimento econômico local, ao mesmo tempo em que preserva um capítulo fundamental da história da humanidade.
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Fundado em 5 de junho de 1979, o Parque está em uma área semiárida do Nordeste e, desde 1991, é reconhecido como patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Dois anos depois, passou a integrar o Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Paisagem e adaptação da flora
A vegetação típica da caatinga — composta por espécies como jurema-preta, umbuzeiro, barbatimão, angico, carnaúba, gameleira, mandacaru, juazeiro, aroeira e xique-xique — influencia diretamente a paisagem e a biodiversidade local. O clima semiárido, com temperaturas elevadas e longos períodos de estiagem, determina estratégias de sobrevivência que moldam o visual do território.
As formações geológicas únicas e descobertas arqueológicas surpreendentes tornam a Serra da Capivara um tesouro científico e cultural do Brasil
Marcelo Gonçalves Moura Valle/Wikimedia Commons
Cactáceas e bromélias, por exemplo, perdem folhas na seca e armazenam água nos tecidos. Outras espécies apresentam caules suculentos e raízes profundas.
A arquitetura no Parque Nacional Serra da Capivara atua como um elo entre comunidade, turismo e preservação, fortalecendo a identidade local
Mateus S. Figueiredo/Wikimedia Commons
Segundo a docente Loyde Abreu, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, as plantas xerófitas possuem folhas pequenas ou caducas e modificações no ângulo foliar para reduzir a absorção de radiação solar.
“Metabolicamente, acumulam compostos e antioxidantes que protegem contra o estresse hídrico, e algumas espécies desenvolvem ‘memória de seca’, respondendo de forma mais eficiente a eventos recorrentes de déficit hídrico”, ela diz.
A arquitetura do Parque Nacional Serra da Capivara busca equilibrar conservação e integração cultural, minimizando os impactos ambientais e integrando-se à paisagem da região
Paulo César Pamplona Barreto de Sousa/Wikimedia Commons
A fauna acompanha essa diversidade, com tatus, tamanduás, jaguatiricas, cotias, morcegos, porcos-do-mato, macacos-prego e onças.
Arquitetura integrada e preservação
A geologia da Serra da Capivara — marcada por cânions, cavernas e montanhas formados pela erosão — serviu de abrigo para os primeiros habitantes da região e preservou registros rupestres que reconstroem parte da história da migração humana nas Américas. Hoje, a arquitetura implantada no Parque atua como suporte para a conservação desse patrimônio.
A arquitetura presente no Parque Nacional Serra da Capivara atua como um elo de ligação entre turismo e preservação
Ministério da Cultura/Wikimedia Commons
“As edificações são pontos de suporte e ajudam a orientar, receber o público e zelar pelo patrimônio existente”, afirma Sergio Lessa, coordenador de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Belas Artes. Ele destaca que essas estruturas funcionam como mediadoras da infraestrutura necessária para pesquisas e preservação científica.
Os espaços foram projetados com o intuito de interferir o mínimo possível na paisagem, respeitando topografia, vegetação nativa e condições climáticas, valorizando ventilação natural, sombreamento e redução de áreas impermeáveis.
A implantação da arquitetura no Parque Nacional Serra da Capivara segue o princípio de não ocupar os sítios arqueológicos e priorizar intervenções de restauração e conservação
Ministério da Cultura/Wikimedia Commons
Loyde ressalta que elementos regionais e patrimoniais ajudam a transmitir valores e tradições, conectando gerações e reforçando a identidade local. Para ela, a integração entre referências tradicionais e edificações contemporâneas cria continuidade cultural e consolida a memória coletiva.
Museus, áreas de interpretação e estruturas de apoio ampliam o acesso às informações e reforçam a importância da conservação do patrimônio natural e arqueológico.
A área do Parque Nacional Serra da Capivara abriga mais de 100 sítios arqueológicos abertos à visitação
Ministério da Cultura/Wikimedia Commons
Paisagem cultural e relação com a comunidade
O Parque abriga mais de mil sítios cadastrados, a maior concentração das Américas, e está entre os 10 parques nacionais que protegem a caatinga. Em seu entorno, uma Área de Preservação Permanente com dez quilômetros de raio contribui para a proteção física, histórica e cultural.
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A arqueóloga Niède Guidon (1933–2025) teve papel central na criação do Parque e na divulgação de suas descobertas, além de fundar o Museu do Homem Americano. Ela também idealizou o Projeto Cerâmica da Serra da Capivara, que resgata técnicas tradicionais de produção e gera renda para ceramistas locais. O Hotel Serra da Capivara, inaugurado há mais de 30 anos, utiliza artesanato, mão de obra e obras de artistas da região.
Os sítios arqueológicos do Parque Nacional Serra da Capivara apresenta pinturas e gravuras pré-históricas que contam detalhes das antigas sociedades que ocuparam a região
Zizi seabra/Wikimedia Commons
Sustentabilidade e desafios
A preservação do Parque enfrenta desafios estruturais, como a ação intensa do sol, a amplitude térmica e a dificuldade de obtenção de recursos financeiros. A logística também é um obstáculo, visto que o complexo está a mais de 570 km de Teresina, o que encarece o transporte de materiais e de profissionais especializados.
Ainda assim, desempenha papel relevante no ecoturismo e no desenvolvimento econômico local, ao mesmo tempo em que preserva um capítulo fundamental da história da humanidade.



