Projetar, segundo Patricia Anastassiadis, é como escrever um livro. Antes de traçar o primeiro esboço, ela reúne informações e constrói uma história. “Só sei trabalhar tecendo relações com a cultura e a condição humana. Sem isso, a arquitetura vira um amontoado de pedras”, afirma. Diretora criativa da grife de mobiliário Artefacto desde 2018 e estrela da hotelaria internacional, a profissional conta na entrevista a seguir como raízes e repertório se cruzam em sua trajetória.
Nos projetos de hotéis que você faz pelo mundo, sempre ressalta a importância de valorizar a cultura da região. Como acontece a imersão em cada lugar?
Minha visão de projeto é arqueológica. Gosto de história, de saber de onde as coisas vieram e para onde vão. Preciso visitar o local, me relacionar com a cultura e a materialidade, observar o comportamento da população, o clima, a paisagem e descobrir quem trabalha com artesanato e arte contemporânea por lá. Se for um retrofit, estudar o que já aconteceu no edifício e pensar em como fazer a conexão entre passado, presente e futuro. Não quero reproduzir um cenário de filme, e sim contar um novo capítulo dessa narrativa. A hotelaria se tornou muito padronizada devido às diretrizes das redes internacionais. Aí constroem um hotel na Bahia igual ao de Nova York. Fico incomodada quando não enxergo a identidade do lugar
A arquiteta com o vaso de vidro artesanal Pegasus, da coleção Arcanum, apresentado em edição limitada pela Artefacto na última SP-Arte: o mesmo nível de cuidado em diferentes escalas, do objeto ao edifício
André Klotz
Como foi mergulhar em suas raízes gregas para criar a reforma do hotel Patmos Aktis, finalizada no ano passado?
Viajo para a ilha de Patmos há 25 anos. Ela não é nada badalada. Para chegar, leva oito horas de balsa, então tem que estar com muita vontade de ir. Minha família curte essa jornada vagarosa – a gente brinca que é a nossa Odisseia. Nos últimos 13 anos, nos hospedamos no Patmos Aktis, e o fato de ser um hotel simples sempre nos encantou. Só que um fundo de investimentos grego comprou o local, ia começar uma reforma, encomendou um quarto-protótipo e o resultado não agradou. Como sabiam que sou arquiteta, pediram para dar uma olhada. Nunca criticarei o trabalho de um colega, mas era evidente que o espaço tinha mais cara de Berlim do que de ilha grega. Eles viram o portfólio do meu escritório e ficaram intimidados porque a gente trabalha para grandes bandeiras. Porém eu disse que faria o projeto com o maior amor. O desenvolvimento foi maravilhoso, pois tive muito contato com artistas da região e acho que consegui preservar o espírito da ilha.
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O design de produto para mim flui naturalmente. Adoro fábrica, é o ambiente onde cresci, mas também amo conhecer pequenos ateliês e fico feliz quando consigo conectar essas duas pontas
A coleção de mobiliário Psyché, apresentada pela Artefacto em 2024, também é inspirada em suas origens. Qual foi a ideia inicial?
A Grécia é uma referência forte na minha vida porque meu pai é imigrante. Desde pequena ouço as histórias da mitologia. O que mais prezo na civilização ocidental é a liberdade de expressão, e esse conceito nasce na Grécia antiga. Desenhei a coleção Psyché, que significa “alma”, quando estávamos saindo da pandemia, uma vez que a concepção das peças começa mais de um ano antes do lançamento. A linha fala justamente do espírito de liberdade. Era o fim do confinamento e desejava ver isso refletido nos móveis. Explorei a ideia de leveza, como no sofá Elos, pousado apenas em dois pontos. Esse é o lado paterno.
Do materno, quais são as influências?
Minha mãe é muito criativa. É escritora, pesquisadora, sabe pintar e bordar. Apesar de formada em direito, trabalhou com moda a vida inteira, numa confecção no Bom Retiro que dividia com meu pai. Ela é judia, filha de poloneses, e ele, grego ortodoxo. Conviver com duas culturas tão fortes e diferentes dentro de casa moldou minha forma de ver o mundo. Não tenho preconceitos, gosto de descobertas. A fábrica era meu parque de diversões e queria estudar moda, mas na época não havia uma tradição nessa área no Brasil. Fiz arquitetura por sugestão dos meus pais – eles disseram que grandes estilistas, como Paco Rabanne e Thierry Mugler, eram arquitetos.
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Como é a sua relação com a moda hoje?
De decepção. Tudo se tornou descartável. Não existe mais a intenção de romper com a ordem estabelecida ou de criar uma peça que atravessará o tempo. De 15 anos para cá, com o consumo exacerbado pelas redes sociais, é muito logotipo, muita necessidade de exibição. As roupas continuam caras e perderam qualidade. Antes, havia um intervalo maior entre as coleções. Hoje, as grandes casas precisam lançar novidades a toda hora e, desse modo, não há condições de amadurecer um pensamento. A apreciação pelo tempo despendido para confeccionar um produto especial desapareceu. É o oposto do que tento imprimir em meus projetos: conceber um trabalho único todas as vezes. Até porque não existem dois terrenos, duas histórias ou duas pessoas iguais.
Localizada numa casa erguida entre as décadas de 1920 e 30, a sede do Anastassiadis Arquitetos conserva elementos originais, como a escada de madeira entalhada – pelos ambientes, a luz bem dosada produz uma atmosfera intimista que, segundo Patricia, é a ideal para criar
André Klotz
Dá para traçar um paralelo entre essa percepção da moda e a arquitetura atual?
Arquitetura não é feita para ser consumida e descartada, o que é uma vantagem. O perigo também mora aí. Se você construir sem qualidade, não tem como apagar. Em São Paulo, o resultado do novo plano diretor são empreendimentos absurdos. A ideia era incentivar a habitação popular junto a estações de trem e metrô em troca de um aumento no potencial construtivo. Esse objetivo claramente não foi alcançado: os lançamentos são apartamentos minúsculos com o metro quadrado a 35 mil reais. Fica inviável para quem tem menor poder aquisitivo morar perto do transporte público. Além disso, a gente não constrói nada bonito, só destrói. Os bairros estão perdendo a identidade e, assim, uma parte da nossa cultura se vai. Estamos acabando com os respiros, os lugares para caminhar, a escala humana. Sou a favor do mercado imobiliário, é um setor importante da economia. Entretanto a regulamentação deveria respeitar as particularidades de cada região e tratar a cidade como um organismo vivo.
A busca por traços perenes caracteriza seu trabalho e foi um dos temas da coleção Arcanum, lançada pela Artefacto em março. Como essa investigação se traduz nas peças?
Procuro usar elementos que acredito serem capazes de atravessar o tempo, formas que daqui a dez anos não estarão ultrapassadas. Fica difícil explicar porque é uma sensação muito pessoal – o momento da criação é meio egoísta. A inspiração para a coleção Arcanum foi Roma, cidade onde construções de 2 mil anos permanecem belas. Claro, não estou comparando meu trabalho com o Panteão, mas me concentro na qualidade do desenho, na eliminação de excessos, na precisão, na harmonia e na escolha de materiais muito bons. Um produto de qualidade não vira descarte. Para mim, um dos pilares da sustentabilidade é a redução do consumo: investir em durabilidade e conter a ansiedade de comprar mais do que o necessário.
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Meu jeito de projetar se baseia no princípio de que a arquitetura existe para abrigar o ser humano. A construção da alma está ligada à forma como nos relacionamos com o entorno
As artes plásticas estão entre as referências que a arquiteta traz para enriquecer seus projetos, assim como a literatura, o cinema, a música, o artesanato e a natureza
André Klotz
Para dar conta de tantos projetos, você precisa de uma equipe afinada. Quem são seus braços de apoio?
Minha sócia, Priscila Raffaini Payá, está comigo há 25 anos. Entrou estagiária e hoje é head de design de interiores e minha parceira de projetos. Ela cuida de todo o desenvolvimento para que a visão inicial permaneça íntegra até o fim. Meu outro sócio, Artur Jorge Lé, começou há 29 anos como arquiteto e depois assumiu a administração do escritório, o que também é superimportante. Outros arquitetos compõem a equipe há dez, 15 anos. Um tempo atrás, resolvi não expandir a empresa acima de determinado tamanho, o que significa dizer não para algumas propostas. Foi uma decisão difícil, porém importante, porque assim a gente realmente consegue tratar cada projeto como único. Não existe uma linha de produção, partimos do zero todas as vezes.
Você assina a arquitetura de interiores do empreendimento Tempo, na praia Brava, em Santa Catarina, cuja arquitetura é do Foster + Partners. Existiu um diálogo entre os dois escritórios?
Sim, houve muita troca. Quando recebi as plantas do Foster + Partners, notei a delicadeza deles em compreender a paisagem da Praia Brava. A localidade fica ao lado de Balneário Camboriú, mas tem uma linguagem arquitetônica muito diferente, despretensiosa e na escala humana. Na minha perspectiva, é como se uma fenda se abrisse entre os dois lugares. Isso me lembrou a obra do artista plástico Lucio Fontana – o rasgo que cria outra dimensão na tela. Desenhei a parte interna com base em minha pesquisa sobre a cultura local e nos materiais já definidos para a arquitetura. Apresentei a proposta ao time do Foster e eles disseram que fazia total sentido com a intenção primordial do projeto.
Atualmente, que tipo de trabalho faz você vibrar?
Todos os ligados ao patrimônio cultural. Os retrofits, a possibilidade de requalificar um imóvel tombado. Um projeto que me empolga no momento é recuperar o Hotel Nacional de Brasília, do arquiteto Nauro Jorge Esteves, ícone modernista localizado no eixo monumental. O edifício tem a fachada tombada, recebeu personalidades como a Rainha Elizabeth e ainda desperta boas lembranças nos antigos frequentadores. Foi emocionante fazer a visita para avaliar o que é possível manter do original – a arqueologia de que falei no início da conversa. O Brasil não cuida de sua história como deveria. Sem passado não há futuro.
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Nos projetos de hotéis que você faz pelo mundo, sempre ressalta a importância de valorizar a cultura da região. Como acontece a imersão em cada lugar?
Minha visão de projeto é arqueológica. Gosto de história, de saber de onde as coisas vieram e para onde vão. Preciso visitar o local, me relacionar com a cultura e a materialidade, observar o comportamento da população, o clima, a paisagem e descobrir quem trabalha com artesanato e arte contemporânea por lá. Se for um retrofit, estudar o que já aconteceu no edifício e pensar em como fazer a conexão entre passado, presente e futuro. Não quero reproduzir um cenário de filme, e sim contar um novo capítulo dessa narrativa. A hotelaria se tornou muito padronizada devido às diretrizes das redes internacionais. Aí constroem um hotel na Bahia igual ao de Nova York. Fico incomodada quando não enxergo a identidade do lugar
A arquiteta com o vaso de vidro artesanal Pegasus, da coleção Arcanum, apresentado em edição limitada pela Artefacto na última SP-Arte: o mesmo nível de cuidado em diferentes escalas, do objeto ao edifício
André Klotz
Como foi mergulhar em suas raízes gregas para criar a reforma do hotel Patmos Aktis, finalizada no ano passado?
Viajo para a ilha de Patmos há 25 anos. Ela não é nada badalada. Para chegar, leva oito horas de balsa, então tem que estar com muita vontade de ir. Minha família curte essa jornada vagarosa – a gente brinca que é a nossa Odisseia. Nos últimos 13 anos, nos hospedamos no Patmos Aktis, e o fato de ser um hotel simples sempre nos encantou. Só que um fundo de investimentos grego comprou o local, ia começar uma reforma, encomendou um quarto-protótipo e o resultado não agradou. Como sabiam que sou arquiteta, pediram para dar uma olhada. Nunca criticarei o trabalho de um colega, mas era evidente que o espaço tinha mais cara de Berlim do que de ilha grega. Eles viram o portfólio do meu escritório e ficaram intimidados porque a gente trabalha para grandes bandeiras. Porém eu disse que faria o projeto com o maior amor. O desenvolvimento foi maravilhoso, pois tive muito contato com artistas da região e acho que consegui preservar o espírito da ilha.
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Vai construir ou reformar? Seleção Archa + Casa Vogue ajuda você a encontrar o melhor arquiteto para seu projeto
O design de produto para mim flui naturalmente. Adoro fábrica, é o ambiente onde cresci, mas também amo conhecer pequenos ateliês e fico feliz quando consigo conectar essas duas pontas
A coleção de mobiliário Psyché, apresentada pela Artefacto em 2024, também é inspirada em suas origens. Qual foi a ideia inicial?
A Grécia é uma referência forte na minha vida porque meu pai é imigrante. Desde pequena ouço as histórias da mitologia. O que mais prezo na civilização ocidental é a liberdade de expressão, e esse conceito nasce na Grécia antiga. Desenhei a coleção Psyché, que significa “alma”, quando estávamos saindo da pandemia, uma vez que a concepção das peças começa mais de um ano antes do lançamento. A linha fala justamente do espírito de liberdade. Era o fim do confinamento e desejava ver isso refletido nos móveis. Explorei a ideia de leveza, como no sofá Elos, pousado apenas em dois pontos. Esse é o lado paterno.
Do materno, quais são as influências?
Minha mãe é muito criativa. É escritora, pesquisadora, sabe pintar e bordar. Apesar de formada em direito, trabalhou com moda a vida inteira, numa confecção no Bom Retiro que dividia com meu pai. Ela é judia, filha de poloneses, e ele, grego ortodoxo. Conviver com duas culturas tão fortes e diferentes dentro de casa moldou minha forma de ver o mundo. Não tenho preconceitos, gosto de descobertas. A fábrica era meu parque de diversões e queria estudar moda, mas na época não havia uma tradição nessa área no Brasil. Fiz arquitetura por sugestão dos meus pais – eles disseram que grandes estilistas, como Paco Rabanne e Thierry Mugler, eram arquitetos.
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Como é a sua relação com a moda hoje?
De decepção. Tudo se tornou descartável. Não existe mais a intenção de romper com a ordem estabelecida ou de criar uma peça que atravessará o tempo. De 15 anos para cá, com o consumo exacerbado pelas redes sociais, é muito logotipo, muita necessidade de exibição. As roupas continuam caras e perderam qualidade. Antes, havia um intervalo maior entre as coleções. Hoje, as grandes casas precisam lançar novidades a toda hora e, desse modo, não há condições de amadurecer um pensamento. A apreciação pelo tempo despendido para confeccionar um produto especial desapareceu. É o oposto do que tento imprimir em meus projetos: conceber um trabalho único todas as vezes. Até porque não existem dois terrenos, duas histórias ou duas pessoas iguais.
Localizada numa casa erguida entre as décadas de 1920 e 30, a sede do Anastassiadis Arquitetos conserva elementos originais, como a escada de madeira entalhada – pelos ambientes, a luz bem dosada produz uma atmosfera intimista que, segundo Patricia, é a ideal para criar
André Klotz
Dá para traçar um paralelo entre essa percepção da moda e a arquitetura atual?
Arquitetura não é feita para ser consumida e descartada, o que é uma vantagem. O perigo também mora aí. Se você construir sem qualidade, não tem como apagar. Em São Paulo, o resultado do novo plano diretor são empreendimentos absurdos. A ideia era incentivar a habitação popular junto a estações de trem e metrô em troca de um aumento no potencial construtivo. Esse objetivo claramente não foi alcançado: os lançamentos são apartamentos minúsculos com o metro quadrado a 35 mil reais. Fica inviável para quem tem menor poder aquisitivo morar perto do transporte público. Além disso, a gente não constrói nada bonito, só destrói. Os bairros estão perdendo a identidade e, assim, uma parte da nossa cultura se vai. Estamos acabando com os respiros, os lugares para caminhar, a escala humana. Sou a favor do mercado imobiliário, é um setor importante da economia. Entretanto a regulamentação deveria respeitar as particularidades de cada região e tratar a cidade como um organismo vivo.
A busca por traços perenes caracteriza seu trabalho e foi um dos temas da coleção Arcanum, lançada pela Artefacto em março. Como essa investigação se traduz nas peças?
Procuro usar elementos que acredito serem capazes de atravessar o tempo, formas que daqui a dez anos não estarão ultrapassadas. Fica difícil explicar porque é uma sensação muito pessoal – o momento da criação é meio egoísta. A inspiração para a coleção Arcanum foi Roma, cidade onde construções de 2 mil anos permanecem belas. Claro, não estou comparando meu trabalho com o Panteão, mas me concentro na qualidade do desenho, na eliminação de excessos, na precisão, na harmonia e na escolha de materiais muito bons. Um produto de qualidade não vira descarte. Para mim, um dos pilares da sustentabilidade é a redução do consumo: investir em durabilidade e conter a ansiedade de comprar mais do que o necessário.
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Meu jeito de projetar se baseia no princípio de que a arquitetura existe para abrigar o ser humano. A construção da alma está ligada à forma como nos relacionamos com o entorno
As artes plásticas estão entre as referências que a arquiteta traz para enriquecer seus projetos, assim como a literatura, o cinema, a música, o artesanato e a natureza
André Klotz
Para dar conta de tantos projetos, você precisa de uma equipe afinada. Quem são seus braços de apoio?
Minha sócia, Priscila Raffaini Payá, está comigo há 25 anos. Entrou estagiária e hoje é head de design de interiores e minha parceira de projetos. Ela cuida de todo o desenvolvimento para que a visão inicial permaneça íntegra até o fim. Meu outro sócio, Artur Jorge Lé, começou há 29 anos como arquiteto e depois assumiu a administração do escritório, o que também é superimportante. Outros arquitetos compõem a equipe há dez, 15 anos. Um tempo atrás, resolvi não expandir a empresa acima de determinado tamanho, o que significa dizer não para algumas propostas. Foi uma decisão difícil, porém importante, porque assim a gente realmente consegue tratar cada projeto como único. Não existe uma linha de produção, partimos do zero todas as vezes.
Você assina a arquitetura de interiores do empreendimento Tempo, na praia Brava, em Santa Catarina, cuja arquitetura é do Foster + Partners. Existiu um diálogo entre os dois escritórios?
Sim, houve muita troca. Quando recebi as plantas do Foster + Partners, notei a delicadeza deles em compreender a paisagem da Praia Brava. A localidade fica ao lado de Balneário Camboriú, mas tem uma linguagem arquitetônica muito diferente, despretensiosa e na escala humana. Na minha perspectiva, é como se uma fenda se abrisse entre os dois lugares. Isso me lembrou a obra do artista plástico Lucio Fontana – o rasgo que cria outra dimensão na tela. Desenhei a parte interna com base em minha pesquisa sobre a cultura local e nos materiais já definidos para a arquitetura. Apresentei a proposta ao time do Foster e eles disseram que fazia total sentido com a intenção primordial do projeto.
Atualmente, que tipo de trabalho faz você vibrar?
Todos os ligados ao patrimônio cultural. Os retrofits, a possibilidade de requalificar um imóvel tombado. Um projeto que me empolga no momento é recuperar o Hotel Nacional de Brasília, do arquiteto Nauro Jorge Esteves, ícone modernista localizado no eixo monumental. O edifício tem a fachada tombada, recebeu personalidades como a Rainha Elizabeth e ainda desperta boas lembranças nos antigos frequentadores. Foi emocionante fazer a visita para avaliar o que é possível manter do original – a arqueologia de que falei no início da conversa. O Brasil não cuida de sua história como deveria. Sem passado não há futuro.
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