Conhecida desde a Antiguidade como a “erva das mulheres”, a artemísia carrega no nome uma referência à deusa grega Ártemis. Longe de ser apenas uma planta ornamental, ela guarda um poderoso arsenal terapêutico em suas folhagens, consolidando-se como símbolo de cura e proteção na medicina popular.
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Historicamente, o gênero Artemisia é nativo das regiões temperadas da Europa, Ásia e norte da África, embora algumas espécies também sejam encontradas nativas da América do Norte. Devido à notável capacidade de adaptação, a planta se naturalizou em diversas partes do mundo, incluindo a América do Sul, onde cresce de forma selvagem em campos e beiras de estradas.
A ‘Artemisia dracunculus L.’ é uma espécie perene do gênero ‘Artemisia’, de origem euro-asiática, introduzida na América do Sul (incluindo o Brasil) devido ao seu uso culinário e medicinal, favorecido pela excelente adaptação ao clima subtropical
Thayne Tuason/Wikimedia Commons
Apesar da ampla distribuição, pouco se sabe sobre como cultivá-la em casa. “A artemísia é uma planta de grande potencial fitoterápico, especialmente relacionada à saúde feminina, mas ainda pouco conhecida e cultivada em jardins”, afirma Crys Bernandes, florista e jardinista da Mania de Flor Floricultura. “O gênero é vasto, com centenas de espécies, cada uma com usos e características regionais”, aponta Rogério Pucci Gradin, jardineiro e gerente da Garden Brasil Pronta Flora.
Características comuns do gênero Artemisia
Pertencente à família Asteraceae, o gênero Artemisia possui mais de 500 espécies, como a Artemisia annua, a Artemisia vulgaris e a Artemisia absinthium, conhecidas por suas propriedades medicinais e aromáticas. Outras espécies apresentam aplicações diversas, que vão da culinária à indústria cosmética, muito valorizadas pelos óleos essenciais e pelas lactonas.
Do ponto de vista botânico, as plantas do gênero variam entre herbáceas e subarbustos, com ciclo de vida anual ou perene, e altura que entre 60 cm e dois metros. “As folhas são alternas, muito recortadas, verde-escuras na página superior e prateadas na página inferior. Toda a planta é muito amarga e de odor desagradável”, descreve Rogério.
A ‘Artemisia vulgaris’ é uma planta herbácea perene, vigorosa e lenhosa, que pode crescer como um pequeno arbusto devido aos caules ramificados, e atinge até 1,5 metros de altura
Krzysztof Ziarnek, Kenraiz/Wikimedia Commons
Além da complexidade botânica, as espécies se destacam pela robustez, crescendo espontaneamente e adaptando-se a diferentes solos e climas. “Trata-se de uma planta perene e muito rústica, que muitas vezes nasce de forma espontânea, inclusive em beiras de estrada, sem exigir muitos cuidados”, conta Crys.
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Como cuidar da artemísia
Embora existam ligeiras variações entre as espécies, a artemísia é reconhecida por ser uma planta versátil, aromática e de baixa manutenção, ideal para jardins que buscam resistência. Confira as condições essenciais recomendadas pelos profissionais para um crescimento saudável:
Solo: fértil, bem drenado e rico em matéria orgânica;
Luz: sol pleno ou meia-sombra, desde que o ambiente seja muito claro;
Temperatura: temperado, e é sensível a geadas rigorosas e umidade excessiva e constante no solo;
Adubação: pode ser realizada a cada 20 dias com a formulação NPK 10-10-10, na proporção de uma colher de café para cada litro de água;
Rega: cerca de duas vezes por semana em pequena quantidade. Não tolera solos encharcados, pois o excesso de umidade pode causar o apodrecimento das raízes;
Poda: deve ser realizada após a floração para manter o vigor ou controlar o crescimento, removendo ramos secos e estimulando novas brotações.
O cultivo em vasos é uma excelente alternativa para ter a erva sempre à mão, seja para fins medicinais ou culinários. “Podem ser cultivadas em apartamentos num vaso com 30 cm de diâmetro por 30 cm de altura, sistema de filtragem ao fundo e um substrato de boa qualidade”, indica Rogério.
O cultivo da artemísia em vasos é uma ótima opção para controlar seu crescimento vigoroso e evitar que ela se espalhe desordenadamente no jardim
Rameshng/Wikimedia Commons
Flores e frutos da artemísia
As flores do gênero Artemisia são pequenas, discretas e variam do amarelo ao marrom-avermelhado. Diferente das folhas, as flores são visualmente secundárias e crescem agrupadas em inflorescências.
“A inflorescência pode surgir em formato de espiga, com flores pequenas e discretas”, comenta Crys. “Suas flores são tubulares globulosas, insignificantes, amareladas, em pequenos capítulos”, detalha Rogério.
As flores do gênero ‘Artemisia’ são pequenas, discretas e tubulosas; elas se organizam em pequenos capítulos, que podem ser eretos ou pendentes, e são reunidas em inflorescências
Kristian Peters – Fabelfroh/Wikimedia Commons
Além disso, o gênero também produz frutos minúsculos semelhantes a sementes, cientificamente chamados aquênios ou cípselas, essenciais para a propagação da espécie. “O fruto-semente é muito pequeno e encimado por um papilho”, ele conta.
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Propagação da artemísia e comportamento invasor
A propagação é o fator chave do comportamento invasor da artemísia, especialmente da ‘Artemisia vulgaris’, pois a planta combina alta eficiência reprodutiva com métodos agressivos de expansão, tornando-se capaz de colonizar novas áreas e superar a vegetação nativa rapidamente
Krzysztof Ziarnek, Kenraiz/Wikimedia Commons
A propagação da artemísia ocorre facilmente por estacas, rizomas ou sementes. No entanto, algumas espécies, como a Artemisia vulgaris, podem se tornar invasivas no jardim. “É considerada uma planta de comportamento invasor, já que se espalha rapidamente por meio de rizomas subterrâneos, de onde surgem novas brotações”, explica Crys. “Ela costuma retardar o crescimento de outras plantas vizinhas”, acrescenta Rogério.
Como estratégia de contenção, a florista orienta o cultivo em vasos, aliado a podas frequentes. Já Rogério considera importante que o controle de sua propagação seja feito por um jardineiro ou profissional da área, limitando o cultivo conforme necessário.
Problemas comuns da artemísia
Por não tolerar climas excessivamente quentes e úmidos, a artemísia apodrece facilmente em solos mal drenados. Além disso, a falta de circulação de ar favorece o ataque de pulgões, que danificam seriamente a folhagem.
“O excesso de umidade pode afetar diretamente a planta levando ao amarelamento e à morte, atraindo pulgões que sugam a planta”, esclarece Rogério.
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Usos medicinais da artemísia
As plantas do gênero Artemisia são valorizadas por seu potencial terapêutico, com uso consolidado na medicina tradicional há séculos, especialmente para a regulação do ciclo menstrual e o alívio de cólicas. Essas espécies se destacam por serem aromáticas e ricas em óleos essenciais.
Suas propriedades medicinais são vastas. “Possuem ações antisséptica, tônica, anti-inflamatória e analgésica, além de propriedades antimalárica, digestiva, estomacal e antimicrobiana. Atuam também como calmante, relaxante, vermífugo, antioxidante e antiespasmódico”, revela Rogério.
A ‘Artemisia annua’ é a fonte da artemisinina, base dos antimaláricos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), possuindo também ação anti-inflamatória, antiviral e antitumoral
Kristian Peters/Wikimedia Commons
Em relação à distinção das espécies, Crys enfatiza o valor comercial da planta. “A Artemisia vulgaris é a espécie mais utilizada e geralmente encontrada na forma desidratada. Suas folhas possuem um cheiro característico”, ela observa.
Quanto ao preparo, Rogério sugere: “as folhas secas da planta A. annua ou A. vulgaris podem ser preparadas na proporção de uma colher de chá por xícara de água fervente, deixando-as em infusão por alguns minutos. Além do chá, a artemísia pode ser usada também em compressas (extrato) contra dores e em óleos para massagens”.
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Cuidados e contraindicações
Embora o gênero Artemisia possua alto valor medicinal, seu uso exige cautela devido à presença de compostos neurotóxicos em certas espécies.
“Devido às potentes propriedades, o uso deve ser moderado e, se possível, orientado por um profissional de saúde, especialmente em casos de gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, para evitar efeitos colaterais ou interações”, alerta Rogério.
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Historicamente, o gênero Artemisia é nativo das regiões temperadas da Europa, Ásia e norte da África, embora algumas espécies também sejam encontradas nativas da América do Norte. Devido à notável capacidade de adaptação, a planta se naturalizou em diversas partes do mundo, incluindo a América do Sul, onde cresce de forma selvagem em campos e beiras de estradas.
A ‘Artemisia dracunculus L.’ é uma espécie perene do gênero ‘Artemisia’, de origem euro-asiática, introduzida na América do Sul (incluindo o Brasil) devido ao seu uso culinário e medicinal, favorecido pela excelente adaptação ao clima subtropical
Thayne Tuason/Wikimedia Commons
Apesar da ampla distribuição, pouco se sabe sobre como cultivá-la em casa. “A artemísia é uma planta de grande potencial fitoterápico, especialmente relacionada à saúde feminina, mas ainda pouco conhecida e cultivada em jardins”, afirma Crys Bernandes, florista e jardinista da Mania de Flor Floricultura. “O gênero é vasto, com centenas de espécies, cada uma com usos e características regionais”, aponta Rogério Pucci Gradin, jardineiro e gerente da Garden Brasil Pronta Flora.
Características comuns do gênero Artemisia
Pertencente à família Asteraceae, o gênero Artemisia possui mais de 500 espécies, como a Artemisia annua, a Artemisia vulgaris e a Artemisia absinthium, conhecidas por suas propriedades medicinais e aromáticas. Outras espécies apresentam aplicações diversas, que vão da culinária à indústria cosmética, muito valorizadas pelos óleos essenciais e pelas lactonas.
Do ponto de vista botânico, as plantas do gênero variam entre herbáceas e subarbustos, com ciclo de vida anual ou perene, e altura que entre 60 cm e dois metros. “As folhas são alternas, muito recortadas, verde-escuras na página superior e prateadas na página inferior. Toda a planta é muito amarga e de odor desagradável”, descreve Rogério.
A ‘Artemisia vulgaris’ é uma planta herbácea perene, vigorosa e lenhosa, que pode crescer como um pequeno arbusto devido aos caules ramificados, e atinge até 1,5 metros de altura
Krzysztof Ziarnek, Kenraiz/Wikimedia Commons
Além da complexidade botânica, as espécies se destacam pela robustez, crescendo espontaneamente e adaptando-se a diferentes solos e climas. “Trata-se de uma planta perene e muito rústica, que muitas vezes nasce de forma espontânea, inclusive em beiras de estrada, sem exigir muitos cuidados”, conta Crys.
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Como cuidar da artemísia
Embora existam ligeiras variações entre as espécies, a artemísia é reconhecida por ser uma planta versátil, aromática e de baixa manutenção, ideal para jardins que buscam resistência. Confira as condições essenciais recomendadas pelos profissionais para um crescimento saudável:
Solo: fértil, bem drenado e rico em matéria orgânica;
Luz: sol pleno ou meia-sombra, desde que o ambiente seja muito claro;
Temperatura: temperado, e é sensível a geadas rigorosas e umidade excessiva e constante no solo;
Adubação: pode ser realizada a cada 20 dias com a formulação NPK 10-10-10, na proporção de uma colher de café para cada litro de água;
Rega: cerca de duas vezes por semana em pequena quantidade. Não tolera solos encharcados, pois o excesso de umidade pode causar o apodrecimento das raízes;
Poda: deve ser realizada após a floração para manter o vigor ou controlar o crescimento, removendo ramos secos e estimulando novas brotações.
O cultivo em vasos é uma excelente alternativa para ter a erva sempre à mão, seja para fins medicinais ou culinários. “Podem ser cultivadas em apartamentos num vaso com 30 cm de diâmetro por 30 cm de altura, sistema de filtragem ao fundo e um substrato de boa qualidade”, indica Rogério.
O cultivo da artemísia em vasos é uma ótima opção para controlar seu crescimento vigoroso e evitar que ela se espalhe desordenadamente no jardim
Rameshng/Wikimedia Commons
Flores e frutos da artemísia
As flores do gênero Artemisia são pequenas, discretas e variam do amarelo ao marrom-avermelhado. Diferente das folhas, as flores são visualmente secundárias e crescem agrupadas em inflorescências.
“A inflorescência pode surgir em formato de espiga, com flores pequenas e discretas”, comenta Crys. “Suas flores são tubulares globulosas, insignificantes, amareladas, em pequenos capítulos”, detalha Rogério.
As flores do gênero ‘Artemisia’ são pequenas, discretas e tubulosas; elas se organizam em pequenos capítulos, que podem ser eretos ou pendentes, e são reunidas em inflorescências
Kristian Peters – Fabelfroh/Wikimedia Commons
Além disso, o gênero também produz frutos minúsculos semelhantes a sementes, cientificamente chamados aquênios ou cípselas, essenciais para a propagação da espécie. “O fruto-semente é muito pequeno e encimado por um papilho”, ele conta.
Leia mais
Propagação da artemísia e comportamento invasor
A propagação é o fator chave do comportamento invasor da artemísia, especialmente da ‘Artemisia vulgaris’, pois a planta combina alta eficiência reprodutiva com métodos agressivos de expansão, tornando-se capaz de colonizar novas áreas e superar a vegetação nativa rapidamente
Krzysztof Ziarnek, Kenraiz/Wikimedia Commons
A propagação da artemísia ocorre facilmente por estacas, rizomas ou sementes. No entanto, algumas espécies, como a Artemisia vulgaris, podem se tornar invasivas no jardim. “É considerada uma planta de comportamento invasor, já que se espalha rapidamente por meio de rizomas subterrâneos, de onde surgem novas brotações”, explica Crys. “Ela costuma retardar o crescimento de outras plantas vizinhas”, acrescenta Rogério.
Como estratégia de contenção, a florista orienta o cultivo em vasos, aliado a podas frequentes. Já Rogério considera importante que o controle de sua propagação seja feito por um jardineiro ou profissional da área, limitando o cultivo conforme necessário.
Problemas comuns da artemísia
Por não tolerar climas excessivamente quentes e úmidos, a artemísia apodrece facilmente em solos mal drenados. Além disso, a falta de circulação de ar favorece o ataque de pulgões, que danificam seriamente a folhagem.
“O excesso de umidade pode afetar diretamente a planta levando ao amarelamento e à morte, atraindo pulgões que sugam a planta”, esclarece Rogério.
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Usos medicinais da artemísia
As plantas do gênero Artemisia são valorizadas por seu potencial terapêutico, com uso consolidado na medicina tradicional há séculos, especialmente para a regulação do ciclo menstrual e o alívio de cólicas. Essas espécies se destacam por serem aromáticas e ricas em óleos essenciais.
Suas propriedades medicinais são vastas. “Possuem ações antisséptica, tônica, anti-inflamatória e analgésica, além de propriedades antimalárica, digestiva, estomacal e antimicrobiana. Atuam também como calmante, relaxante, vermífugo, antioxidante e antiespasmódico”, revela Rogério.
A ‘Artemisia annua’ é a fonte da artemisinina, base dos antimaláricos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), possuindo também ação anti-inflamatória, antiviral e antitumoral
Kristian Peters/Wikimedia Commons
Em relação à distinção das espécies, Crys enfatiza o valor comercial da planta. “A Artemisia vulgaris é a espécie mais utilizada e geralmente encontrada na forma desidratada. Suas folhas possuem um cheiro característico”, ela observa.
Quanto ao preparo, Rogério sugere: “as folhas secas da planta A. annua ou A. vulgaris podem ser preparadas na proporção de uma colher de chá por xícara de água fervente, deixando-as em infusão por alguns minutos. Além do chá, a artemísia pode ser usada também em compressas (extrato) contra dores e em óleos para massagens”.
Leia mais
Cuidados e contraindicações
Embora o gênero Artemisia possua alto valor medicinal, seu uso exige cautela devido à presença de compostos neurotóxicos em certas espécies.
“Devido às potentes propriedades, o uso deve ser moderado e, se possível, orientado por um profissional de saúde, especialmente em casos de gravidez, amamentação ou uso de outros medicamentos, para evitar efeitos colaterais ou interações”, alerta Rogério.



