Os fãs de ficção científica já conhecem bem esta história cult: aquela da criatura concebida a partir de múltiplos cadáveres humanos pelo verdadeiro monstro da narrativa, Viktor Frankenstein, seu criador. Em 7 de novembro de 2025, após uma breve temporada de Halloween, o célebre produtor, roteirista e diretor Guillermo del Toro assina um novo longa-metragem lançado na plataforma de streaming americana Netflix.
Com séculos de história impregnando suas ruas, Edimburgo se consolidou como o cenário perfeito de Frankenstein, de Guillermo del Toro
© Getty Images/serts
Com o mesmo título do clássico escrito em 1818 por Mary Shelley — ícone de sua época e da literatura moderna, apesar da pouca idade na ocasião —, o filme Frankenstein retrata a criação de “a criatura”, interpretada na tela por Jacob Elordi, pelo ambicioso Viktor Frankenstein, vivido aqui por Oscar Isaac, na Inglaterra do século 19.
Sem dar spoilers para quem ainda não conhece a história, o longa acompanha a trajetória da dupla por diferentes regiões do mundo ao longo de suas vidas entrelaçadas, bem como suas relações, em especial com Elizabeth, interpretada por Mia Goth, esposa do irmão mais novo de Viktor, cujo destino está ligado ao da criatura.
Um cenário histórico cuidadosamente estudado
A Catedral de Glasgow é uma joia da arquitetura gótica irlandesa que pode ter inspirado o prolífico roteirista na concepção da atmosfera de seu novo filme
© Getty Images/Sebastiaan Kroes
Da capital escocesa Edimburgo aos lagos congelados do Canadá, o roteirista reuniu os melhores cenários para dar vida à atmosfera gótica de seu filme. Não sem humor, Guillermo del Toro já comentou diversas vezes sobre o que o motiva a encenar monstros em ambientes cada vez mais impactantes e com esse lado de “viajante em busca do sublime” em seu sentido mais primordial — isto é, sublime como “elemento superior”.
“A viagem mais triste do mundo é aquela que segue um itinerário preciso. A partir daí, você deixa de ser um viajante. Você é um turista”, declarou ele certa vez, e é quase tentador questioná-lo sobre os deslocamentos realizados para dar corpo aos seus filmes.
LEIA MAIS
Vai construir ou reformar? Seleção Archa + Casa Vogue ajuda você a encontrar o melhor arquiteto para seu projeto
Embora parte das cenas do longa tenha sido rodada em estúdios ou nos arredores dos estúdios de Londres e Edimburgo — como as cenas da casa de madeira construída especialmente para o filme —, a grande maioria foi filmada em locações externas. No cardápio de Frankenstein estão o vilarejo de Glencoe, aninhado às margens do Loch Leven, e também Edimburgo, que serviu especialmente de palco para as cenas de rua do filme, com seus antigos edifícios de tijolos vermelhos e seu céu acinzentado, mais do que adequado para conferir ao cenário a atmosfera perfeita.
Initial plugin text
Já a Dunecht House, em Aberdeenshire, a poucos minutos da cidade escocesa de Aberdeen, permitiu a Del Toro representar na tela a casa de Viktor Frankenstein, assim como a Burghley House, em Lincolnshire, na Inglaterra. Com seus grandes jardins e fachadas sombrias, tal como descritas por Mary Shelley em seu romance, as duas residências traduzem a atmosfera quase opressiva da história, como se pudessem influenciar os próprios protagonistas do filme. Por fim, as cenas árticas foram filmadas, em especial, sobre a superfície congelada do lago Nipissing, perto de North Bay, a cerca de 338 quilômetros de Toronto, no Canadá.
LEIA MAIS
Ficção científica, sim — mas nunca sem alma
No condado de Lincolnshire, a magnífica mansão Burghley House serviu como um cenário tão majestoso quanto opressivo para receber Oscar Isaac e a equipe de Frankenstein
© Getty Images/Peter Fleming
O mínimo que se pode dizer é que a equipe de filmagem viajou bastante para realizar este longa-metragem, ao mesmo tempo em que se empenhou em limitar os efeitos especiais digitais e outras imagens geradas por computador. Trata-se de um elemento primordial, segundo o roteirista, para quem é imperativo manter a primazia do saber-fazer humano no meio cinematográfico.
“A IA — e, em particular, a IA generativa — não me interessa, e nunca vai me interessar. Tenho 61 anos e espero continuar desinteressado até morrer. Outro dia, alguém me escreveu um e-mail e perguntou: qual é a sua posição sobre a IA? Minha resposta foi bem curta. Eu disse: prefiro morrer”, afirmou ele — e é fácil entender sua postura.
Eu acredito no ser humano. Acredito na humanidade, tanto no que de pior quanto no que de melhor já aconteceu neste mundo
Em uma época em que grandes empresas substituem lenta, mas seguramente, mão de obra qualificada por IAs que consomem muita energia e não precisam ser remuneradas, o mundo do entretenimento vê se impor conteúdos cada vez mais vazios de sentido, que afogam o trabalho humano sob uma massa informe e sem interesse.
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest França
🏡 Casa Vogue agora está no WhatsApp! Clique aqui e siga nosso canal
Revistas Newsletter
Com séculos de história impregnando suas ruas, Edimburgo se consolidou como o cenário perfeito de Frankenstein, de Guillermo del Toro
© Getty Images/serts
Com o mesmo título do clássico escrito em 1818 por Mary Shelley — ícone de sua época e da literatura moderna, apesar da pouca idade na ocasião —, o filme Frankenstein retrata a criação de “a criatura”, interpretada na tela por Jacob Elordi, pelo ambicioso Viktor Frankenstein, vivido aqui por Oscar Isaac, na Inglaterra do século 19.
Sem dar spoilers para quem ainda não conhece a história, o longa acompanha a trajetória da dupla por diferentes regiões do mundo ao longo de suas vidas entrelaçadas, bem como suas relações, em especial com Elizabeth, interpretada por Mia Goth, esposa do irmão mais novo de Viktor, cujo destino está ligado ao da criatura.
Um cenário histórico cuidadosamente estudado
A Catedral de Glasgow é uma joia da arquitetura gótica irlandesa que pode ter inspirado o prolífico roteirista na concepção da atmosfera de seu novo filme
© Getty Images/Sebastiaan Kroes
Da capital escocesa Edimburgo aos lagos congelados do Canadá, o roteirista reuniu os melhores cenários para dar vida à atmosfera gótica de seu filme. Não sem humor, Guillermo del Toro já comentou diversas vezes sobre o que o motiva a encenar monstros em ambientes cada vez mais impactantes e com esse lado de “viajante em busca do sublime” em seu sentido mais primordial — isto é, sublime como “elemento superior”.
“A viagem mais triste do mundo é aquela que segue um itinerário preciso. A partir daí, você deixa de ser um viajante. Você é um turista”, declarou ele certa vez, e é quase tentador questioná-lo sobre os deslocamentos realizados para dar corpo aos seus filmes.
LEIA MAIS
Vai construir ou reformar? Seleção Archa + Casa Vogue ajuda você a encontrar o melhor arquiteto para seu projeto
Embora parte das cenas do longa tenha sido rodada em estúdios ou nos arredores dos estúdios de Londres e Edimburgo — como as cenas da casa de madeira construída especialmente para o filme —, a grande maioria foi filmada em locações externas. No cardápio de Frankenstein estão o vilarejo de Glencoe, aninhado às margens do Loch Leven, e também Edimburgo, que serviu especialmente de palco para as cenas de rua do filme, com seus antigos edifícios de tijolos vermelhos e seu céu acinzentado, mais do que adequado para conferir ao cenário a atmosfera perfeita.
Initial plugin text
Já a Dunecht House, em Aberdeenshire, a poucos minutos da cidade escocesa de Aberdeen, permitiu a Del Toro representar na tela a casa de Viktor Frankenstein, assim como a Burghley House, em Lincolnshire, na Inglaterra. Com seus grandes jardins e fachadas sombrias, tal como descritas por Mary Shelley em seu romance, as duas residências traduzem a atmosfera quase opressiva da história, como se pudessem influenciar os próprios protagonistas do filme. Por fim, as cenas árticas foram filmadas, em especial, sobre a superfície congelada do lago Nipissing, perto de North Bay, a cerca de 338 quilômetros de Toronto, no Canadá.
LEIA MAIS
Ficção científica, sim — mas nunca sem alma
No condado de Lincolnshire, a magnífica mansão Burghley House serviu como um cenário tão majestoso quanto opressivo para receber Oscar Isaac e a equipe de Frankenstein
© Getty Images/Peter Fleming
O mínimo que se pode dizer é que a equipe de filmagem viajou bastante para realizar este longa-metragem, ao mesmo tempo em que se empenhou em limitar os efeitos especiais digitais e outras imagens geradas por computador. Trata-se de um elemento primordial, segundo o roteirista, para quem é imperativo manter a primazia do saber-fazer humano no meio cinematográfico.
“A IA — e, em particular, a IA generativa — não me interessa, e nunca vai me interessar. Tenho 61 anos e espero continuar desinteressado até morrer. Outro dia, alguém me escreveu um e-mail e perguntou: qual é a sua posição sobre a IA? Minha resposta foi bem curta. Eu disse: prefiro morrer”, afirmou ele — e é fácil entender sua postura.
Eu acredito no ser humano. Acredito na humanidade, tanto no que de pior quanto no que de melhor já aconteceu neste mundo
Em uma época em que grandes empresas substituem lenta, mas seguramente, mão de obra qualificada por IAs que consomem muita energia e não precisam ser remuneradas, o mundo do entretenimento vê se impor conteúdos cada vez mais vazios de sentido, que afogam o trabalho humano sob uma massa informe e sem interesse.
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest França
🏡 Casa Vogue agora está no WhatsApp! Clique aqui e siga nosso canal
Revistas Newsletter



