© The Municipality of Lima. ImageLima, Peru
Refletindo sobre a cidade moderna, Walter Benjamin descreveu o flâneur, uma figura que caminha sem destino definido, atento aos detalhes, aos encontros fortuitos e às narrativas que emergem do espaço urbano. Essa forma de estar na cidade, moldada pela observação e pela abertura ao inesperado, há muito tempo entra em tensão com os ideais racionalistas e funcionalistas que passaram a orientar o urbanismo ao longo do século XX. Ruas desenhadas prioritariamente para a eficiência e o fluxo raramente deixam espaço para desvios, pausas ou para a convivência de diferentes ritmos de vida.
Jane Jacobs também foi uma das vozes que questionaram essa lógica predominantemente racionalista, ao defender que ruas verdadeiramente vibrantes são aquelas capazes de sustentar a diversidade da vida cotidiana, suas trocas informais e as formas de cuidado e vigilância natural que delas emergem. O que esses autores compartilham é uma percepção fundamental: as ruas não são apenas infraestruturas de circulação, mas ecossistemas sociais, moldados pelas relações, usos e encontros que nelas acontecem.


