Em meio ao movimentado bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, SP, um apartamento de apenas 24 m² foi repaginado desde o início para locação, a fim se tornar um espaço funcional, acolhedor e cheio de identidade. A proposta de decoração, conduzida pela arquiteta Raphaela Gonçalves (@raphaelagoncalvesinteriores), usou referências do modernismo brasileiro, explorando o uso da madeira escura e dos tons mostarda nos estofados.
COZINHA E ESCRITÓRIO | À direita, a cozinha tem marcenaria em MDF liso Brisa, com execução da Criare, responsável também pelo espaço do home office, feito com amadeirado Carballo, que lembra jacarandá, uma referência ao estilo modernista. A bancada da cozinha é de granito Itaúnas. Sobre a bancada do escritório, vaso de cerâmica coral com proteas, arrematado pela poltrona Oscar, herdada da avó do proprietário
Lilian Lawand/Divulgação
Entregue pela construtora com a planta original, o apê passou por uma reconfiguração sem intervenções estruturais. “A ideia era criar um imóvel atemporal, com personalidade nas cores, mas que não ficasse excessivamente marcado ou datado para o mercado de locação”, explica Raphaela.
A setorização começa logo na entrada. À direita, concentram-se as áreas de cozinhar, armazenar e trabalhar, organizadas por uma marcenaria que alterna madeira escura, que remete ao jacarandá — referência ao estilo modernista — e MDF liso, que equilibra a composição com neutralidade. À esquerda, ficam os espaços de convivência e descanso, com mesa de jantar, sofá e cama, marcados por contrastes de tons e clima convidativo.
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Segundo Pedro Cavalheiro, proprietário do imóvel, o projeto foi pensado para atender um perfil bastante específico. “Queríamos um apartamento voltado para uma pessoa ou até um casal jovem, que valorizasse um espaço separado para cozinhar, bom armazenamento e, ao mesmo tempo, um lugar agradável para receber”, afirma. “É um tipo de moradia ideal para quem está em período de adaptação à cidade.”
DORMITÓRIO | Sobre a cama com enxoval da Zara Home e peseira da Amaro Home, estão quadros da série Entrelaços, da artista Carolina Rodrigues. A cortina de linho off-white desnuda a vista da cidade
Lilian Lawand/Divulgação
O maior desafio, de acordo com Raphaela, foi lidar com as limitações impostas pelas paredes estruturais. Para preservar o pé-direito e evitar a sensação de compressão espacial, as soluções técnicas foram incorporadas ao desenho do mobiliário. “Relocamos fios e tomadas por meio da marcenaria, ocultamos o shaft do ar-condicionado e usamos a estante como elemento multifuncional, sem reduzir visualmente o espaço”, conta.
A madeira escura é o fio condutor do projeto e aparece de forma protagonista na estante suspensa que percorre quase todo o apê. Mais do que apoio para livros e objetos, ela organiza funções, serve de base para a iluminação indireta, esconde infraestruturas e ainda sustenta a instalação das cortinas. “Ela é o coração do projeto”, resume a arquiteta.
ÁREA DE JANTAR | Ao lado da cama, mesa de jantar da Estar Móveis, com vaso de vidro incolor com arranjo de costelas-de-adão e uma protéa amarela, produzido pela arquiteta. Na estante suspensa, decoração feita com acervo pessoal do proprietário, incluindo um vaso preto com suculenta colar de pérolas e um vaso incolor com jiboia
Lilian Lawand/Divulgação
A paleta cromática se inspira no modernismo brasileiro. Nuances de madeira escura dialogam com estofados mostarda e uma base branca estratégica, criando contraste e profundidade. “Queríamos mostrar que materiais intensos podem funcionar muito bem em áreas pequenas, desde que usados com critério”, diz Raphaela. O sofá mostarda reforça essa intenção, enquanto os tons terrosos remetem à terra, à areia, ao ouro e à madeira — referências diretas à paisagem brasileira.
A decoração enaltece o caráter afetivo. A poltrona Oscar, herdada da avó de Pedro, ocupa lugar de destaque não pelo valor material, mas pela carga emocional. As obras de arte da artista Carolina Rodrigues, da série Entre Laços, foram desenvolvidas especialmente para o projeto e ajudam a costurar a paleta de cores.
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Objetos garimpados em viagens pelo Brasil, peças artesanais e imagens que representam o sincretismo religioso nacional, como Exu e São Jorge, completam a composição, reforçando a ideia de um lar pequeno, porém cheio de significado.
“Nossa maior intenção era construir um espaço que acolhesse, que tivesse alma e que mostrasse que o morar compacto pode — e deve — ser bem resolvido”, finaliza Raphaela.
COZINHA E ESCRITÓRIO | À direita, a cozinha tem marcenaria em MDF liso Brisa, com execução da Criare, responsável também pelo espaço do home office, feito com amadeirado Carballo, que lembra jacarandá, uma referência ao estilo modernista. A bancada da cozinha é de granito Itaúnas. Sobre a bancada do escritório, vaso de cerâmica coral com proteas, arrematado pela poltrona Oscar, herdada da avó do proprietário
Lilian Lawand/Divulgação
Entregue pela construtora com a planta original, o apê passou por uma reconfiguração sem intervenções estruturais. “A ideia era criar um imóvel atemporal, com personalidade nas cores, mas que não ficasse excessivamente marcado ou datado para o mercado de locação”, explica Raphaela.
A setorização começa logo na entrada. À direita, concentram-se as áreas de cozinhar, armazenar e trabalhar, organizadas por uma marcenaria que alterna madeira escura, que remete ao jacarandá — referência ao estilo modernista — e MDF liso, que equilibra a composição com neutralidade. À esquerda, ficam os espaços de convivência e descanso, com mesa de jantar, sofá e cama, marcados por contrastes de tons e clima convidativo.
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Segundo Pedro Cavalheiro, proprietário do imóvel, o projeto foi pensado para atender um perfil bastante específico. “Queríamos um apartamento voltado para uma pessoa ou até um casal jovem, que valorizasse um espaço separado para cozinhar, bom armazenamento e, ao mesmo tempo, um lugar agradável para receber”, afirma. “É um tipo de moradia ideal para quem está em período de adaptação à cidade.”
DORMITÓRIO | Sobre a cama com enxoval da Zara Home e peseira da Amaro Home, estão quadros da série Entrelaços, da artista Carolina Rodrigues. A cortina de linho off-white desnuda a vista da cidade
Lilian Lawand/Divulgação
O maior desafio, de acordo com Raphaela, foi lidar com as limitações impostas pelas paredes estruturais. Para preservar o pé-direito e evitar a sensação de compressão espacial, as soluções técnicas foram incorporadas ao desenho do mobiliário. “Relocamos fios e tomadas por meio da marcenaria, ocultamos o shaft do ar-condicionado e usamos a estante como elemento multifuncional, sem reduzir visualmente o espaço”, conta.
A madeira escura é o fio condutor do projeto e aparece de forma protagonista na estante suspensa que percorre quase todo o apê. Mais do que apoio para livros e objetos, ela organiza funções, serve de base para a iluminação indireta, esconde infraestruturas e ainda sustenta a instalação das cortinas. “Ela é o coração do projeto”, resume a arquiteta.
ÁREA DE JANTAR | Ao lado da cama, mesa de jantar da Estar Móveis, com vaso de vidro incolor com arranjo de costelas-de-adão e uma protéa amarela, produzido pela arquiteta. Na estante suspensa, decoração feita com acervo pessoal do proprietário, incluindo um vaso preto com suculenta colar de pérolas e um vaso incolor com jiboia
Lilian Lawand/Divulgação
A paleta cromática se inspira no modernismo brasileiro. Nuances de madeira escura dialogam com estofados mostarda e uma base branca estratégica, criando contraste e profundidade. “Queríamos mostrar que materiais intensos podem funcionar muito bem em áreas pequenas, desde que usados com critério”, diz Raphaela. O sofá mostarda reforça essa intenção, enquanto os tons terrosos remetem à terra, à areia, ao ouro e à madeira — referências diretas à paisagem brasileira.
A decoração enaltece o caráter afetivo. A poltrona Oscar, herdada da avó de Pedro, ocupa lugar de destaque não pelo valor material, mas pela carga emocional. As obras de arte da artista Carolina Rodrigues, da série Entre Laços, foram desenvolvidas especialmente para o projeto e ajudam a costurar a paleta de cores.
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Objetos garimpados em viagens pelo Brasil, peças artesanais e imagens que representam o sincretismo religioso nacional, como Exu e São Jorge, completam a composição, reforçando a ideia de um lar pequeno, porém cheio de significado.
“Nossa maior intenção era construir um espaço que acolhesse, que tivesse alma e que mostrasse que o morar compacto pode — e deve — ser bem resolvido”, finaliza Raphaela.



