Qual a diferença entre granilite e terrazzo? Entenda

Visualmente eles podem parecer iguais, mas o granilite e o terrazzo são dois revestimentos com diferenças. A primeira delas, segundo a arquiteta Yara Elias, do escritório Lynhas Arquitetura, é a origem: o granilite 100% nacional, uma invenção brasileira, enquanto o terrazzo é italiano.
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Outra diferença é a base, que pode mudar entre um e outro, e o tamanho das pedrinhas usadas como agregado. “Ambos são de base cimentícia moldada in loco, porém o terrazzo pode ter base de epóxi e ser vendido em placas”, diz Yara.
No projeto do escritório SAAG Arquitetura, a bancada com pias esculpidas em granilite, da Tresuno, recebeu marcenaria em carvalho clareado executada pela GA Móveis, responsável pelos espelhos no mesmo material. Piso de madeira de demolição feito pela Y Design. Metais da Deca
Fran Parente/Divulgação | Produção: Paulo Carvalho/Divulgação
A base de cimento pode ser branca ou contar com algum tingimento. O acabamento varia entre liso, polido ou fulget — no qual os fragmentos de pedras se sobressaem para criar um piso antiderrapante.
Os dois materiais são feitos com pedrinhas de mármore, granito, quartzo e outros minerais triturados de uma cor só ou variados, que dão o aspecto pontilhado característico do revestimento. “O granilite possui minerais miúdos, o que deixa sua composição com fragmentos menores. Por outro lado, o terrazo tem fragmentos maiores. Então a estética acaba ficando diferente do granilite”, continua a arquiteta.
As curvas do forro com iluminação indireta se destacam nesta cozinha. Bancada de granilite da Granidomus. Projeto do escritório Bettí Arquitetura
Maura Mello/Divulgação
Existe também uma diferença criada pelo mercado. “Aqui no Brasil, quando o material é moldado no local, os profissionais chamam de granilite. Quando vem em peças prontas, como placas, cubas ou bancadas fabricadas em indústria, muita gente passou a chamar de terrazzo. No fim, são variações da mesma solução”, aponta a arquiteta Cristiane Schiavoni.
Quando moldado no local, o resultado é um revestimento monolítico, sem divisões aparentes, inclusive nas quinas e rodapés, que podem ser arredondados. “Quando produzido em placas, entrega um acabamento muito semelhante, porém com juntas de assentamento”, ela detalha.
No projeto de interiores dos arquitetos Domingos Pascali e Sarkis Semerdjian, o banheiro tem bancada com cubas de terrazzo e piso da Tresuno
Fran Parente/Divulgação
Vantagens e desvantagens do granilite e do terrazzo
O granilite tem a vantagem de permitir áreas contínuas, sem rejuntes, o que funciona bem em espaços amplos como salões, varandas grandes ou galpões. “A instalação, quando executada em grandes espaços, costuma ser eficiente e rápida”, indica Cristiane.
A principal desvantagem do granilite aparece quando é necessário fazer uma manutenção localizada. “Se for preciso quebrar um pedaço do piso, por exemplo, para mexer em um ralo, a emenda geralmente fica visível. É difícil garantir que a nova mistura fique exatamente no mesmo tom e com a mesma distribuição de pedras”, acrescenta a arquiteta.
No projeto do AM 55 Studio, o banheiro avermelhado mistura tons e texturas, com destaque para a bancada de granilite no tom avermelhado. A pia é do modelo Laguna, da Konkrë, combina aos armários feitos me marcenaria, de laca fosca em tom goiaba e pastilhas do box Cerâmica Atlas
Maura Mello/Divulgação
Já no caso do terrazzo, que vem em placas, é possível criar painéis contínuos em grandes áreas. Mas, do mesmo modo, se não houver peças extras de reposição, a manutenção pode gerar diferenças de tonalidade.
Yara destaca que tanto o granilite quanto o terrazzo, quando este é feito em base cimentícia, são bastante porosos e tendem a manchar com mais facilidade, mesmo com resina aplicada. Por outro lado, são mais resistentes ao calor. “Eles podem trincar também, porque o cimento trabalha com ação do tempo, e a execução in loco da base cimentícia gera muita poeira”, fala.
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Na versão epóxi, o terrazzo é mais resistente a manchas, no entanto, pode amarelar com o tempo se não tiver uma boa camada de resina, segundo a arquiteta da Lynhas Arquitetura. “Além disso, não é muito resistente ao calor. Apoiar uma panela quente ou uma vela pode danificar a superfície”, declara.
O granilite tem um ótimo custo-benefício, com um valor abaixo do terrazzo, e alta durabilidade. “É super resistente. Você pode encontrá-lo aplicado em residências antigas, na parte do piso, da escada. E pode ser restaurado. Você faz o lixamento, depois o polimento, aplica resina e ele pode voltar praticamente ao seu estado natural”, detalha Yara.
No projeto do escritório Apó Arquitetura, a delicada cozinha de tons claros recebeu granilite da Granilite.br no piso e metais da Docol
Carolina Lacaz/Divulgação
Em contrapartida, o granilite tem instalação mais complexa e exige mão de obra especializada. “O profissional precisa saber trabalhar as emendas para não ficarem marcadas. Também é necessário domínio técnico para espalhar a massa de maneira uniforme e realizar o polimento final. A execução mal feita deixa marcas e diferenças de cor”, aponta Cristiane.
Além disso, é necessário colocá-lo em uma etapa inicial da obra para que a sujeira não danifique outras peças. “Exige cura e precisa ser aplicado em etapas, com lixamento, polimento e selante. Assim, o ambiente deve estar desocupado no dia da aplicação”, comenta Yara.
No projeto da arquiteta Melina Romano, o piso terrazzo palha, da Donata, destaca a escrivaninha pertencente ao acervo dos moradores. A cadeira Cesca, do arquiteto húngaro Marcel Bruer, também é do acervo dos moradores. Estante executada em madeira carvalho. Forro de madeira peroba dourada da Neobambu
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação
O terrazzo epóxi costuma ser mais caro por conta das placas pré-fabricadas, mas pode ser colocado em etapas mais avançadas da obra por ter uma instalação similar à do porcelanato. “Quando ele vem na versão de cimento, as complexidades são iguais às do granilite”, continua a arquiteta.
Durabilidade e manutenção
Ambos os revestimentos são de limpeza simples. “Água e sabão neutro resolvem bem no do dia a dia. Quando o piso está muito opaco ou desgastado, é possível realizar um polimento semelhante ao que se faz com mármore e granito. Esse procedimento recupera o brilho e prolonga a vida útil do material”, sugere Cristiane.
O banheiro ganhou porcelanato padrão terrazzo grigio, da Portobello, e nas paredes e teto, textura Velvet, da Terracor Revestimentos. Projeto dos escritórios Fernanda Vargas Arquitetura e Studio Lins
André Nazaré/Divulgação
Para ela, os dois são materiais resistentes, duráveis e com boa performance estrutural, “principalmente quando aplicados sobre contrapiso bem executado”, afirma.
Yara explica que o selamento periódico garante a durabilidade maior tanto do granilite quanto do terrazzo em todas as suas versões. “A impermeabilização e o polimento tem que ser frequente para manter a peça”, orienta.
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Qual o custo de cada um deles?
O custo varia conforme a região, o tipo de pedra usada, a cor da massa e o tipo de execução, de acordo com Cristiane. “O granilite moldado no local tende a ser mais competitivo em áreas grandes, enquanto o terrazzo em placa costuma ter um custo mais alto por ser industrializado. A diferença de preço depende principalmente da complexidade da obra e do acabamento escolhido”, explica.
De modo geral, o granilite costuma ser mais econômico do que todas as opções de terrazzo. “O terrazo na base de cimento é mais caro do que o granilite, porém, ainda é mais barato do que na base de epóxi”, afirma Yara.

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