O primeiro curso de Arquitetura do Brasil surgiu em 12 de agosto 1816, por meio de um decreto de D. João VI, então rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. “Atendendo ao bem comum, que provem aos meus fiéis vassalos de se estabelecer no Brasil uma Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em que se promova, e difunda a instrução, e conhecimentos indispensáveis aos homens”, dizia o documento.
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O impulso para a criação da escola superior — voltada às artes de uma forma geral e ao ensino das “artes úteis”, como desenho, ourivesaria e mecânica — foi a chegada de um grupo de artistas franceses ao país, conhecido como Missão Francesa.
Em 1820, a escola passa a se chamar Academia Real de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura Civil. Em 1826, ela muda de nome novamente, para Academia Imperial de Belas Artes, e ganha instalações físicas definitivas em um prédio projetado pelo arquiteto francês Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny, integrante da missão. Hoje, já demolido, o edifício teve somente seu pórtico preservado e transferido para o Jardim Botânico do Rio.
O antigo pórtico, transferido para o Jardim Botânico do Rio, foi o que restou do prédio da Academia Imperial de Belas Artes
Mariana Cristina Adão/Wikimedia Commons
Foi somente em 1945 que a graduação de Arquitetura foi desvinculada da Escola de Belas Artes e passou a fazer parte da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como um curso independente.
“Até o século 19 e começo do século 20, os cursos de Arquitetura não tinham uma faculdade específica. O que existia eram cursos de Arquitetura dentro de Escolas Politécnicas, junto com as Engenharias, ou dentro de uma Escola de Belas Artes, junto com cursos de pintura, escultura, entre outros”, conta o arquiteto Mateus Rosada, professor de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A demolição da Academia Imperial de Belas Artes, projetada pelo arquiteto francês Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny
Wikimedia Commons
Por exemplo, arquitetos brasileiros importantes, como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, se formaram quando o curso de Arquitetura ainda pertencia à Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro.
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“Também tivemos outros cursos de Arquitetura do século 19 ligados às Escolas de Belas Artes, como o da Bahia, que hoje é a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAU-UFBA). Tiveram cursos em São Paulo, em Porto Alegre, todos vinculados ou à Escola de Belas Artes ou à Escola Politécnica”, lembra o arquiteto.
A primeira escola específica
Fundada em 5 de agosto de 1930, a Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi a primeira escola da América do Sul a nascer desvinculada das Escolas Politécnicas e de Belas Artes.
Prédio da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (EA-UFMG), em Belo Horizonte
UFMG/Divulgação
“Foi a primeira vez no Brasil em que se criou uma escola específica de Arquitetura. Porque os cursos das Politécnicas eram mais técnicos, vinculados à engenharia, e os da Belas Artes tinham uma preocupação maior com composição, estética, eram mais artísticos”, comenta Mateus.
O edifício que abriga a Escola de Arquitetura da UFMG é exemplo da arquitetura modernista brasileira
Paulo SP/Wikimedia Commons
A graduação da UFMG foi a primeira no país a tentar mesclar esses dois lados da Arquitetura, sendo bastante similar às formações atuais da área. “O curso de Arquitetura tem que ser técnico e artístico ao mesmo tempo, sem pesar mais para um lado. O nosso curso não foi o primeiro do país, mas fomos a primeira instituição a trazer uma escola específica para Arquitetura”, fala o docente.
E o Urbanismo?
Entre 1930 e 1931, o então diretor da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o arquiteto Lúcio Costa, tentou implantar uma reforma para a modernização do ensino de Arquitetura da instituição, época em que teve início a disciplina de urbanismo.
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“Apesar de Lúcio Costa ter durado pouco na direção da escola, a semente plantada por ele germinou”, escreve Ester Judite Bendjouya Gutierrez, no trabalho de pesquisa A construção de um novo olhar sobre o ensino de arquitetura e urbanismo no Brasil: os 40 anos da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA).
Edifício Jorge Moreira Machado, sede da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU-UFRJ)
Ana Marina Coutinho/UFRJ/Divulgação
Segundo conta o pesquisador Umberto Tavares Soares, em Reconstrução Histórica do Ensino de Urbanismo no Brasil Estudo de Caso Escola de Arquitetura da UFMG, o ensino de urbanismo foi formalizado pela primeira vez no país em 1945, a partir do Decreto Lei no.7918/45, no Rio de Janeiro, que criou dois cursos profissionalizantes de “Arquitetura” e de “Urbanismo” — este último destinado a profissionais graduados em Arquitetura e Engenharia Civil.
Mais de duas décadas depois, em 1969, com a Reforma do Ensino Superior instituída pelo governo brasileiro e aprovada pelo Conselho Federal de Educação, foi que a Arquitetura e o Urbanismo se transformaram em uma mesma e única área de graduação, dando origem aos cursos superiores vigentes até hoje.
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O impulso para a criação da escola superior — voltada às artes de uma forma geral e ao ensino das “artes úteis”, como desenho, ourivesaria e mecânica — foi a chegada de um grupo de artistas franceses ao país, conhecido como Missão Francesa.
Em 1820, a escola passa a se chamar Academia Real de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura Civil. Em 1826, ela muda de nome novamente, para Academia Imperial de Belas Artes, e ganha instalações físicas definitivas em um prédio projetado pelo arquiteto francês Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny, integrante da missão. Hoje, já demolido, o edifício teve somente seu pórtico preservado e transferido para o Jardim Botânico do Rio.
O antigo pórtico, transferido para o Jardim Botânico do Rio, foi o que restou do prédio da Academia Imperial de Belas Artes
Mariana Cristina Adão/Wikimedia Commons
Foi somente em 1945 que a graduação de Arquitetura foi desvinculada da Escola de Belas Artes e passou a fazer parte da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), como um curso independente.
“Até o século 19 e começo do século 20, os cursos de Arquitetura não tinham uma faculdade específica. O que existia eram cursos de Arquitetura dentro de Escolas Politécnicas, junto com as Engenharias, ou dentro de uma Escola de Belas Artes, junto com cursos de pintura, escultura, entre outros”, conta o arquiteto Mateus Rosada, professor de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A demolição da Academia Imperial de Belas Artes, projetada pelo arquiteto francês Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny
Wikimedia Commons
Por exemplo, arquitetos brasileiros importantes, como Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, se formaram quando o curso de Arquitetura ainda pertencia à Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro.
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“Também tivemos outros cursos de Arquitetura do século 19 ligados às Escolas de Belas Artes, como o da Bahia, que hoje é a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAU-UFBA). Tiveram cursos em São Paulo, em Porto Alegre, todos vinculados ou à Escola de Belas Artes ou à Escola Politécnica”, lembra o arquiteto.
A primeira escola específica
Fundada em 5 de agosto de 1930, a Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi a primeira escola da América do Sul a nascer desvinculada das Escolas Politécnicas e de Belas Artes.
Prédio da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (EA-UFMG), em Belo Horizonte
UFMG/Divulgação
“Foi a primeira vez no Brasil em que se criou uma escola específica de Arquitetura. Porque os cursos das Politécnicas eram mais técnicos, vinculados à engenharia, e os da Belas Artes tinham uma preocupação maior com composição, estética, eram mais artísticos”, comenta Mateus.
O edifício que abriga a Escola de Arquitetura da UFMG é exemplo da arquitetura modernista brasileira
Paulo SP/Wikimedia Commons
A graduação da UFMG foi a primeira no país a tentar mesclar esses dois lados da Arquitetura, sendo bastante similar às formações atuais da área. “O curso de Arquitetura tem que ser técnico e artístico ao mesmo tempo, sem pesar mais para um lado. O nosso curso não foi o primeiro do país, mas fomos a primeira instituição a trazer uma escola específica para Arquitetura”, fala o docente.
E o Urbanismo?
Entre 1930 e 1931, o então diretor da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, o arquiteto Lúcio Costa, tentou implantar uma reforma para a modernização do ensino de Arquitetura da instituição, época em que teve início a disciplina de urbanismo.
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“Apesar de Lúcio Costa ter durado pouco na direção da escola, a semente plantada por ele germinou”, escreve Ester Judite Bendjouya Gutierrez, no trabalho de pesquisa A construção de um novo olhar sobre o ensino de arquitetura e urbanismo no Brasil: os 40 anos da Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (ABEA).
Edifício Jorge Moreira Machado, sede da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU-UFRJ)
Ana Marina Coutinho/UFRJ/Divulgação
Segundo conta o pesquisador Umberto Tavares Soares, em Reconstrução Histórica do Ensino de Urbanismo no Brasil Estudo de Caso Escola de Arquitetura da UFMG, o ensino de urbanismo foi formalizado pela primeira vez no país em 1945, a partir do Decreto Lei no.7918/45, no Rio de Janeiro, que criou dois cursos profissionalizantes de “Arquitetura” e de “Urbanismo” — este último destinado a profissionais graduados em Arquitetura e Engenharia Civil.
Mais de duas décadas depois, em 1969, com a Reforma do Ensino Superior instituída pelo governo brasileiro e aprovada pelo Conselho Federal de Educação, foi que a Arquitetura e o Urbanismo se transformaram em uma mesma e única área de graduação, dando origem aos cursos superiores vigentes até hoje.



