No meio do bairro da Aclimação, próximo ao centro de São Paulo, uma vila cenográfica de estilo colonial parece perdida no tempo entre os arranha-céus da metrópole. A Vila Secreta, informalmente chamada de Rafulândia no passado, é obra de uma única mão, que trabalhou por décadas para criar esse pequeno mundo particular.
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O apelido curioso veio do nome de seu construtor, Raful de Raful, um caixeiro viajante que vendia baralhos e artigos para jogos na época em que ainda existiam cassinos no Brasil, até meados da década de 1940. Nascido em 1913, ele faleceu em 2003, aos 90 anos, e morou a vida toda na vila escondida.
Raful de Raful, o caixeiro viajante que criou um museu particular com réplica de vila colonial e quatro mil objetos antigos
Vila Secreta/Divulgação
“Ele fez essa vila colonial com materiais de época, como madeira, gradil, tijolos, dobradiças e pregos de quatro lados. Quando você adentra, é como se um portal se abrisse. De fora, você não imagina que existe tudo aquilo lá dentro”, conta Victor Raful, neto do criador.
Vista da Vila Secreta, em São Paulo, que reproduz uma antiga cidade colonial brasileira
Vila Secreta/Divulgação
Na vila cenográfica tem um “Paço Municipal” com a cadeia pública, igual ao conjunto que existiu em São Paulo, em 1850, no Largo dos Remédios; uma réplica do Solar da Marquesa de Santos; uma vendinha; a “praça” da vila; uma igreja e até um convento.
A Vila Secreta remonta aos tempos áureos do café, com construções rebuscadas com vitrais coloridos
Vila Secreta/Divulgação
Há também um galpão rústico, onde Raful fazia todas as construções, e um galpão grande, onde ele guardava sua coleção de carros antigos — vendida nos anos 1980 — e outras peças coletadas em viagens. Este último espaço tem arquitetura que remete à opulência do período do café, com ricos vitrais coloridos.
“Tudo aquilo era para deleite dele, que vivia de forma reclusa, com luz baixa amarela. Não tinha televisão e vivia apenas com suas caixas de música pensando na vida”, relembra o neto.
O “Paço Municipal” da Vila Secreta é um verdadeiro passeio pela história no meio da cidade de São Paulo
Vila Secreta/Divulgação
Ainda de acordo com Victor, o avô quis construir a vila para guardar a memória de uma época que não existe mais. “Ele gostava muito do século 19 e de Dom Pedro II”, diz.
Coleção de objetos antigos
Raful também era um exímio colecionador, juntando cerca de quatro mil objetos antigos. “De alfinete a foguete, como eu gosto de dizer, ele tinha de tudo”, fala Victor.
A coleção começou com os carros antigos dos anos 1920 e 1930. “Meu avô foi um dos primeiros colecionadores de carros do Brasil. E depois, como todo bom colecionador e um pouquinho acumulador, começou a adquirir outras coisas”, ele continua.
A coleção de Raful de Raful começou com veículos antigos no início do século 20
Vila Secreta/Divulgação
Como caixeiro viajante, Raful andou por vários destinos, onde comprou e barganhou os mais variados itens — o primeiro deles foi um relógio. “Tudo que ele achava bonito, belo, interessante e excêntrico, ele adquiria. No final do século 19 e o começo do século 20, tudo ia além da função. Tinha beleza nos objetos, tudo era floreado, rebuscado, e isso chamava a atenção”, destaca Victor.
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Hoje, o rapaz se orgulha do avô e do seu legado, o qual gosta de apresentar em detalhes aos visitantes da Vila Secreta. “Ele tinha muitas habilidades. Era mágico e fazia eventos de mágica. Era hipnólogo, um pouco poeta, um pouco escritor”, revela.
A Vila Secreta de Raful de Raful foi aberta à visitação somente em 2024, depois de décadas restrita à família
Vila Secreta/Divulgação
Abertura para visitação
A vila permaneceu secreta até o falecimento do avô, em 2003. Nos anos 1990, o local passou ser conhecido por meio de reportagens especiais, mas a sua localização exata não era revelada.
Depois da morte de Raful, o complexo ficou fechado por duas décadas, até que família decidiu abri-lo para visitação por agendamento, em julho de 2024. A preservação do espaço se deve ao empenho da família, mas também à lei de zoneamento do entorno do Parque da Aclimação, onde está a vila, que impede a construção de arranha-céus no local, fazendo com que o imóvel sobrevivesse à especulação imobiliária.
A casa original onde viveu de Raful de Raful, que data da década de 1930, guarda relíquias antigas
Vila Secreta/Divulgação
Antes da abertura ao público, a vila passou por melhorias, mas ainda há reformas que precisam ser feitas, segundo Victor. A ideia é transformá-la em um ponto turístico conhecido de São Paulo. “Como é uma iniciativa familiar e privada, estamos em busca de apoio externo para maiores ajustes”, comenta o neto.
A arquitetura criada por Raful de Raful lembra as construções das cidades coloniais de Minas Gerais
Vila Secreta/Divulgação
O passeio, guiado pelo próprio Victor, dura cerca de duas horas e pode ser agendado pela plataforma Sympla. “É como um verdadeiro oásis em São Paulo: na vila, os visitantes são transportados ao período colonial do século 19 e, em seguida, à casa da década de 1930, montada com objetos do meu avô. A experiência é sensorial e afetiva, marcada por cheiros, sons e memórias de outro tempo”, relata.
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Victor, que descreve a Vila Secreta como um espaço cultural, também aluga o local para eventos e gravações. “Era a casa do meu avô, da minha avó, do meu pai, do meu tio. Não foi aberto ao público nos últimos 70 anos. Hoje, promovemos turismo, experiências, música, gastronomia, festivais, rodas de conversa, teatro e locações para o audiovisual, com gravação de propagandas, clipes e curtas-metragens”, detalha.
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O apelido curioso veio do nome de seu construtor, Raful de Raful, um caixeiro viajante que vendia baralhos e artigos para jogos na época em que ainda existiam cassinos no Brasil, até meados da década de 1940. Nascido em 1913, ele faleceu em 2003, aos 90 anos, e morou a vida toda na vila escondida.
Raful de Raful, o caixeiro viajante que criou um museu particular com réplica de vila colonial e quatro mil objetos antigos
Vila Secreta/Divulgação
“Ele fez essa vila colonial com materiais de época, como madeira, gradil, tijolos, dobradiças e pregos de quatro lados. Quando você adentra, é como se um portal se abrisse. De fora, você não imagina que existe tudo aquilo lá dentro”, conta Victor Raful, neto do criador.
Vista da Vila Secreta, em São Paulo, que reproduz uma antiga cidade colonial brasileira
Vila Secreta/Divulgação
Na vila cenográfica tem um “Paço Municipal” com a cadeia pública, igual ao conjunto que existiu em São Paulo, em 1850, no Largo dos Remédios; uma réplica do Solar da Marquesa de Santos; uma vendinha; a “praça” da vila; uma igreja e até um convento.
A Vila Secreta remonta aos tempos áureos do café, com construções rebuscadas com vitrais coloridos
Vila Secreta/Divulgação
Há também um galpão rústico, onde Raful fazia todas as construções, e um galpão grande, onde ele guardava sua coleção de carros antigos — vendida nos anos 1980 — e outras peças coletadas em viagens. Este último espaço tem arquitetura que remete à opulência do período do café, com ricos vitrais coloridos.
“Tudo aquilo era para deleite dele, que vivia de forma reclusa, com luz baixa amarela. Não tinha televisão e vivia apenas com suas caixas de música pensando na vida”, relembra o neto.
O “Paço Municipal” da Vila Secreta é um verdadeiro passeio pela história no meio da cidade de São Paulo
Vila Secreta/Divulgação
Ainda de acordo com Victor, o avô quis construir a vila para guardar a memória de uma época que não existe mais. “Ele gostava muito do século 19 e de Dom Pedro II”, diz.
Coleção de objetos antigos
Raful também era um exímio colecionador, juntando cerca de quatro mil objetos antigos. “De alfinete a foguete, como eu gosto de dizer, ele tinha de tudo”, fala Victor.
A coleção começou com os carros antigos dos anos 1920 e 1930. “Meu avô foi um dos primeiros colecionadores de carros do Brasil. E depois, como todo bom colecionador e um pouquinho acumulador, começou a adquirir outras coisas”, ele continua.
A coleção de Raful de Raful começou com veículos antigos no início do século 20
Vila Secreta/Divulgação
Como caixeiro viajante, Raful andou por vários destinos, onde comprou e barganhou os mais variados itens — o primeiro deles foi um relógio. “Tudo que ele achava bonito, belo, interessante e excêntrico, ele adquiria. No final do século 19 e o começo do século 20, tudo ia além da função. Tinha beleza nos objetos, tudo era floreado, rebuscado, e isso chamava a atenção”, destaca Victor.
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Hoje, o rapaz se orgulha do avô e do seu legado, o qual gosta de apresentar em detalhes aos visitantes da Vila Secreta. “Ele tinha muitas habilidades. Era mágico e fazia eventos de mágica. Era hipnólogo, um pouco poeta, um pouco escritor”, revela.
A Vila Secreta de Raful de Raful foi aberta à visitação somente em 2024, depois de décadas restrita à família
Vila Secreta/Divulgação
Abertura para visitação
A vila permaneceu secreta até o falecimento do avô, em 2003. Nos anos 1990, o local passou ser conhecido por meio de reportagens especiais, mas a sua localização exata não era revelada.
Depois da morte de Raful, o complexo ficou fechado por duas décadas, até que família decidiu abri-lo para visitação por agendamento, em julho de 2024. A preservação do espaço se deve ao empenho da família, mas também à lei de zoneamento do entorno do Parque da Aclimação, onde está a vila, que impede a construção de arranha-céus no local, fazendo com que o imóvel sobrevivesse à especulação imobiliária.
A casa original onde viveu de Raful de Raful, que data da década de 1930, guarda relíquias antigas
Vila Secreta/Divulgação
Antes da abertura ao público, a vila passou por melhorias, mas ainda há reformas que precisam ser feitas, segundo Victor. A ideia é transformá-la em um ponto turístico conhecido de São Paulo. “Como é uma iniciativa familiar e privada, estamos em busca de apoio externo para maiores ajustes”, comenta o neto.
A arquitetura criada por Raful de Raful lembra as construções das cidades coloniais de Minas Gerais
Vila Secreta/Divulgação
O passeio, guiado pelo próprio Victor, dura cerca de duas horas e pode ser agendado pela plataforma Sympla. “É como um verdadeiro oásis em São Paulo: na vila, os visitantes são transportados ao período colonial do século 19 e, em seguida, à casa da década de 1930, montada com objetos do meu avô. A experiência é sensorial e afetiva, marcada por cheiros, sons e memórias de outro tempo”, relata.
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Victor, que descreve a Vila Secreta como um espaço cultural, também aluga o local para eventos e gravações. “Era a casa do meu avô, da minha avó, do meu pai, do meu tio. Não foi aberto ao público nos últimos 70 anos. Hoje, promovemos turismo, experiências, música, gastronomia, festivais, rodas de conversa, teatro e locações para o audiovisual, com gravação de propagandas, clipes e curtas-metragens”, detalha.



