Durante anos, a antiga sede de uma fazenda no interior paulista permaneceu fechada, escura e subutilizada, carregando memórias afetivas, mas distante da vida cotidiana da família. Foi o desejo de reconexão — com a casa, com a paisagem e com o convívio — que deu origem à reforma completa da residência de 600 m² localizada na zona rural de São José do Rio Pardo.
Leia mais
Liderado pelo arquiteto Samuel Lamas (@samuel_lamas), com colaboração do escritório Casulo Arquitetura (@casulo.arquitetura), o projeto resgatou a essência da construção original dos anos 1980 e a traduziu para um modo de viver contemporâneo, luminoso e integrado, repleto de peças de modernistas.
VISTA AÉREA | Na reforma, houve o cuidado em manter a arquitetura original, com manutenção da geometria em U e dos beirais tradicionais
Joana França/Divulgação
“Desde o início, o pedido era muito claro: preservar a alma da casa, mas permitir que ela voltasse a ser vivida”, explica Samuel. A intervenção manteve elementos estruturais importantes, como o telhado de barro, os beirais generosos e a planta em U organizada em torno de um pátio central. Houve, ainda, profunda reorganização interna, com remoção de paredes para integrar os ambientes sociais.
SALA DE TV E JOGOS | O ambiente recebeu sofá Maralunga, de Vico Magistretti para Cassina, e poltrona azul dos anos 1960, de autor desconhecido, composta com banqueta Costela, de Martin Eisler. O tapete marroquino agrega mais cor à composição. Mesa de jogos Alex, de Sergio Rodrigues, arrematada em leilão, com cadeiras de Geraldo de Barros, iluminadas pelo pendente UFO, da Lumini. Ao fundo, armário do acervo da família executada pelo pai marceneiro da proprietária. Arandelas da Reka. Para promover a integração com o exterior, as esquadrias foram ampliadas, mantendo o modelo original e a pintura verde que reforça a ligação com a tradição vernacular das casas rurais paulistas. Entre as portas, quadro de Nilda Neves, na Galeria Central
Joana França/Divulgação
Hoje, o imóvel se articula de forma fluida em torno do pátio, que funciona como eixo de convivência e conexão com a paisagem. A cozinha tornou-se o verdadeiro coração da morada, integrada à sala de jantar e conectada tanto à sala de estar quanto à sala de TV e jogos.
HALL | O aparador é do acervo da proprietária, executado pelo pai marceneiro, e abriga a luminária Snoopy verde, assinada por Achille e Pier Giacomo Castiglioni, da FLOS. Na parede, relógio cuco alemão e serigrafia de Alfredo Volpi. No canto, ao redor da mesa lateral Janice, do Lamas Design, estão as poltronas Beg, de Sergio Rodrigues, adquiridas em leilão. Luminária de piso da Reka. Mais à frente, cabideiro Abaporu, de Alfio Lisi, na Dpot
Joana França/Divulgação
Grandes portas deslizantes de madeira e vidro permitem que os ambientes se abram completamente para o exterior, diluindo os limites entre dentro e fora. “Redefinir a cozinha como núcleo central foi essencial para costurar os espaços e incentivar o uso coletivo da casa”, comenta o arquiteto.
COZINHA INTEGRADA | O espaço se tornou o centro vital da casa, integrada ao pátio externo e conectada com as salas de estar e de TV. A ilha feita com mármore branco nacional, da Marmoraria Santa Luzia, demarca os ambientes. Ladrilho hidráulico terracota, da Ornatos, faz parte da paleta de tons terrosos inspirados na paisagem local
Joana França/Divulgação
O antigo piso de ardósia foi preservado na varanda, enquanto os interiores receberam assoalho de peroba, responsável por aquecer os cômodos sociais e íntimos. Nas áreas molhadas, o mármore branco nacional traz simplicidade e elegância.
SALA DE JANTAR | Mesa de jantar Caroline, do Lamas Design, recebeu cadeiras M110, de Geraldo de Barros. Fruteira do Estúdio Iludi. Luminária pendente LBB01, desenhada por Lina Bo Bardi, na Lumini. Na parede, à esquerda, cabedeiro Hang-It-All, de Charles e Ray Eames
Joana França/Divulgação
A paleta de cores parte de tons terrosos, inspirados na terra local e no ladrilho hidráulico da cozinha, equilibrados por paredes brancas que valorizam a luz natural e as obras de arte. O verde das esquadrias foi mantido como referência à tradição vernacular das construções rurais paulistas.
INTEGRAÇÃO COM EXTERIOR | A sala de jantar pode ser totalmente aberta para o pátio externo com jardim assinado pelo paisagista Fausto Maule, da Terra Fausto Paisagismo. Entre as plantas, estão, no maciço do esquerdo, estrelitzia, alocásia wentii, tumbérgia arbustiva e forração de barba-de-serpente. À direita, próximo à porta, folhagens de curculigo e guaimbê
Joana França/Divulgação
Os móveis e a curadoria de objetos reforçam o diálogo entre memória e contemporaneidade. Peças de design modernista do acervo da família convivem com mobiliário autoral contemporâneo, luminárias e obras de arte que evocam o universo afetivo dos moradores, com referências à fauna, à flora e à história ligada ao café e à criação de gado.
Leia mais
“Queríamos que cada escolha tivesse sentido e verdade material, sem excessos, deixando que a casa falasse por si”, resume Samuel.
PÁTIO | O espaço central organiza a casa e serve de ponte com a paisagem, reforçada pelo jardim exuberante criado por Fausto Maule. Algumas espécies, ao centro, incluem bromélias odorata e imperial, cana-da-índia e taioba
Joana França/Divulgação
Os dormitórios e banheiros mantiveram sua posição original, mas ganharam novos materiais, marcenaria, iluminação e mobiliário, para alcançar uma atmosfera mais colorida e calorosa.
SUÍTE | Atmosfera calorosa, com madeira natural e mobiliário de cores vibrantes, marca o ambiente. A cama da Futon Company tem, ao lado, a mesa Alex, de Sergio Rodrigues, com luminária de mesa Fool T, da Lumini, que também forneceu o modelo Ginga T, colocada sobre a escrivaninha criada por Jorge Zalszupin. Cadeira assinada por Geraldo de Barros. Poltrona Xibô, também de Sergio Rodrigues, na Dpot. Através da grande janela, avista o paisagismo, com strelitzia e jasmim-dos-açores, assinado por Fausto Maule, da Terra Fausto Paisagismo
Joana França/Divulgação
Para as arquitetas Anna Albano e Camila Abrahão, do escritório Casulo, o projeto é um resgate da arquitetura da fazenda a partir de um olhar contemporâneo, visto que, com respeito às preexistências, as aberturas foram aumentadas, o que permitiu a passagem de luz e ventilação naturais para o interior da residência.
BANHEIRO | Os banheiros da casa, como este, refletem a simplicidade elegante com mármore branco nacional, da Marmoraria Santa Luzia, nos pisos e paredes, além de madeira pinus na marcenaria
Joana França/Divulgação
“A reforma transformou completamente nossa relação com a casa”, conta o empresário Luis Paulo Guardabaxo, filho do casal de proprietários. “Antes ela era escura e acabávamos usando pouco. Hoje, com mais luz e os espaços integrados, virou nosso ponto de encontro oficial para os almoços de domingo com filhos e netos.”
Para ele, o projeto devolveu à família o prazer de estar ali: “O que era uma casa fechada se abriu para o jardim e para a convivência. É uma alegria ver esse lugar sendo tão intensamente vivido”.
Leia mais
Liderado pelo arquiteto Samuel Lamas (@samuel_lamas), com colaboração do escritório Casulo Arquitetura (@casulo.arquitetura), o projeto resgatou a essência da construção original dos anos 1980 e a traduziu para um modo de viver contemporâneo, luminoso e integrado, repleto de peças de modernistas.
VISTA AÉREA | Na reforma, houve o cuidado em manter a arquitetura original, com manutenção da geometria em U e dos beirais tradicionais
Joana França/Divulgação
“Desde o início, o pedido era muito claro: preservar a alma da casa, mas permitir que ela voltasse a ser vivida”, explica Samuel. A intervenção manteve elementos estruturais importantes, como o telhado de barro, os beirais generosos e a planta em U organizada em torno de um pátio central. Houve, ainda, profunda reorganização interna, com remoção de paredes para integrar os ambientes sociais.
SALA DE TV E JOGOS | O ambiente recebeu sofá Maralunga, de Vico Magistretti para Cassina, e poltrona azul dos anos 1960, de autor desconhecido, composta com banqueta Costela, de Martin Eisler. O tapete marroquino agrega mais cor à composição. Mesa de jogos Alex, de Sergio Rodrigues, arrematada em leilão, com cadeiras de Geraldo de Barros, iluminadas pelo pendente UFO, da Lumini. Ao fundo, armário do acervo da família executada pelo pai marceneiro da proprietária. Arandelas da Reka. Para promover a integração com o exterior, as esquadrias foram ampliadas, mantendo o modelo original e a pintura verde que reforça a ligação com a tradição vernacular das casas rurais paulistas. Entre as portas, quadro de Nilda Neves, na Galeria Central
Joana França/Divulgação
Hoje, o imóvel se articula de forma fluida em torno do pátio, que funciona como eixo de convivência e conexão com a paisagem. A cozinha tornou-se o verdadeiro coração da morada, integrada à sala de jantar e conectada tanto à sala de estar quanto à sala de TV e jogos.
HALL | O aparador é do acervo da proprietária, executado pelo pai marceneiro, e abriga a luminária Snoopy verde, assinada por Achille e Pier Giacomo Castiglioni, da FLOS. Na parede, relógio cuco alemão e serigrafia de Alfredo Volpi. No canto, ao redor da mesa lateral Janice, do Lamas Design, estão as poltronas Beg, de Sergio Rodrigues, adquiridas em leilão. Luminária de piso da Reka. Mais à frente, cabideiro Abaporu, de Alfio Lisi, na Dpot
Joana França/Divulgação
Grandes portas deslizantes de madeira e vidro permitem que os ambientes se abram completamente para o exterior, diluindo os limites entre dentro e fora. “Redefinir a cozinha como núcleo central foi essencial para costurar os espaços e incentivar o uso coletivo da casa”, comenta o arquiteto.
COZINHA INTEGRADA | O espaço se tornou o centro vital da casa, integrada ao pátio externo e conectada com as salas de estar e de TV. A ilha feita com mármore branco nacional, da Marmoraria Santa Luzia, demarca os ambientes. Ladrilho hidráulico terracota, da Ornatos, faz parte da paleta de tons terrosos inspirados na paisagem local
Joana França/Divulgação
O antigo piso de ardósia foi preservado na varanda, enquanto os interiores receberam assoalho de peroba, responsável por aquecer os cômodos sociais e íntimos. Nas áreas molhadas, o mármore branco nacional traz simplicidade e elegância.
SALA DE JANTAR | Mesa de jantar Caroline, do Lamas Design, recebeu cadeiras M110, de Geraldo de Barros. Fruteira do Estúdio Iludi. Luminária pendente LBB01, desenhada por Lina Bo Bardi, na Lumini. Na parede, à esquerda, cabedeiro Hang-It-All, de Charles e Ray Eames
Joana França/Divulgação
A paleta de cores parte de tons terrosos, inspirados na terra local e no ladrilho hidráulico da cozinha, equilibrados por paredes brancas que valorizam a luz natural e as obras de arte. O verde das esquadrias foi mantido como referência à tradição vernacular das construções rurais paulistas.
INTEGRAÇÃO COM EXTERIOR | A sala de jantar pode ser totalmente aberta para o pátio externo com jardim assinado pelo paisagista Fausto Maule, da Terra Fausto Paisagismo. Entre as plantas, estão, no maciço do esquerdo, estrelitzia, alocásia wentii, tumbérgia arbustiva e forração de barba-de-serpente. À direita, próximo à porta, folhagens de curculigo e guaimbê
Joana França/Divulgação
Os móveis e a curadoria de objetos reforçam o diálogo entre memória e contemporaneidade. Peças de design modernista do acervo da família convivem com mobiliário autoral contemporâneo, luminárias e obras de arte que evocam o universo afetivo dos moradores, com referências à fauna, à flora e à história ligada ao café e à criação de gado.
Leia mais
“Queríamos que cada escolha tivesse sentido e verdade material, sem excessos, deixando que a casa falasse por si”, resume Samuel.
PÁTIO | O espaço central organiza a casa e serve de ponte com a paisagem, reforçada pelo jardim exuberante criado por Fausto Maule. Algumas espécies, ao centro, incluem bromélias odorata e imperial, cana-da-índia e taioba
Joana França/Divulgação
Os dormitórios e banheiros mantiveram sua posição original, mas ganharam novos materiais, marcenaria, iluminação e mobiliário, para alcançar uma atmosfera mais colorida e calorosa.
SUÍTE | Atmosfera calorosa, com madeira natural e mobiliário de cores vibrantes, marca o ambiente. A cama da Futon Company tem, ao lado, a mesa Alex, de Sergio Rodrigues, com luminária de mesa Fool T, da Lumini, que também forneceu o modelo Ginga T, colocada sobre a escrivaninha criada por Jorge Zalszupin. Cadeira assinada por Geraldo de Barros. Poltrona Xibô, também de Sergio Rodrigues, na Dpot. Através da grande janela, avista o paisagismo, com strelitzia e jasmim-dos-açores, assinado por Fausto Maule, da Terra Fausto Paisagismo
Joana França/Divulgação
Para as arquitetas Anna Albano e Camila Abrahão, do escritório Casulo, o projeto é um resgate da arquitetura da fazenda a partir de um olhar contemporâneo, visto que, com respeito às preexistências, as aberturas foram aumentadas, o que permitiu a passagem de luz e ventilação naturais para o interior da residência.
BANHEIRO | Os banheiros da casa, como este, refletem a simplicidade elegante com mármore branco nacional, da Marmoraria Santa Luzia, nos pisos e paredes, além de madeira pinus na marcenaria
Joana França/Divulgação
“A reforma transformou completamente nossa relação com a casa”, conta o empresário Luis Paulo Guardabaxo, filho do casal de proprietários. “Antes ela era escura e acabávamos usando pouco. Hoje, com mais luz e os espaços integrados, virou nosso ponto de encontro oficial para os almoços de domingo com filhos e netos.”
Para ele, o projeto devolveu à família o prazer de estar ali: “O que era uma casa fechada se abriu para o jardim e para a convivência. É uma alegria ver esse lugar sendo tão intensamente vivido”.



