Reconciliar memória, afeto e funcionalidade foi o ponto de partida desta casa de 110 m² localizada na Vila Assunção, em Santo André, no ABC paulista. Inserida no conjunto histórico das Casas da Vila Mansueto — tombado pelo patrimônio municipal —, a residência passou por uma reforma que buscou atualizar os espaços sem apagar as marcas do tempo nem descaracterizar a arquitetura original.
Assinado pelo arquiteto Gabriel de Lucca, do escritório GDL Arquitetura (@gdlarq_), o projeto nasce da escuta às necessidades da moradora e da responsabilidade de intervir em um imóvel carregado de valor cultural.
A resposta veio por meio de soluções simples, com reforços estruturais necessários para a abertura e integração dos ambientes, realizados por meio da instalação de vigas metálicas em pontos estratégicos, capazes de redistribuir as cargas para as paredes existentes da edificação.
SALA DE ESTAR | Para dar apoio à TV, o rack com desenho do escritório foi feito de tijolos baianos, o que resultou num detalhe original, que dá bossa ao ambiente. Sobre o bloco de madeira maciça pequiá, com certificação FSC, vaso de cerâmica da Casa Atica, que também forneceu a mesa Anunaqui Baixa. Tapete cinza da Maiori Casa
Yuri Mazará/Divulgação
Após uma experiência frustrante com uma obra anterior, a proprietária desejava um lar que funcionasse melhor no dia a dia, acessível e acolhedor, além de manter viva a atmosfera da vila onde cresceu.
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“O projeto conseguiu reorganizar os espaços, respeitar a história da casa e, ao mesmo tempo, torná-la mais leve, iluminada e confortável. Hoje sinto que conseguimos qualidade de vida, com soluções simples e conscientes”, diz a gerente financeira Letícia de Freitas Ojeda.
SALA DE JANTAR | Integrado à cozinha, o espaço tem mesa com desenho do escritório e execução com peroba-rosa de demolição por artesão local. Cadeiras modelo Wishbone, da Tok&Stok, pertencente ao acervo pessoal dos moradores, assim como o quadro. A grande esquadria de vidro conecta o ambiente ao paisagismo da área externa
Yuri Mazará/Divulgação
A sala de estar marca o início dessa nova narrativa. Antes compartimentada e pouco ventilada, o cômodo ganhou amplitude com a integração dos espaços e a abertura de vãos estratégicos.
A paleta inspirada no tom do barro, aliada à presença da madeira, cria uma atmosfera acolhedora e silenciosa, onde a luz natural passa a ser protagonista. “Trabalhar com uma construção antiga exige cautela, mas também abre oportunidades para devolver qualidade espacial ao que estava adormecido”, observa o arquiteto.
COZINHA | Os armários são de madeira peroba-rosa de demolição, com marcenaria feita pela Formadeira. A porta, à esquerda, tem detalhe de palhinha natural. Bancada da pia executada com granito Café Imperial escovado pela marmoraria Margutti. Na prateleira, objetos decorativos da Dpot Objeto e Sala B
Yuri Mazará/Divulgação
A sala de jantar surge em continuidade com a de estar, reforçando a fluidez entre os recintos sociais. O layout favorece a convivência cotidiana e o uso intenso da morada, com mobiliário de desenho atemporal e peças que equilibram memória e contemporaneidade.
Objetos afetivos do acervo da família convivem com móveis contemporâneos, como a releitura da cadeira Capitol Office Chair, criação de Pierre Jeanneret, e dialogam com a arquitetura pela materialidade e proporção.
DETALHE | O charmoso nicho feito de gesso acartonado acomoda o móvel de madeira de peroba-rosa de demolição, executado pela Formadeira, além de prateleiras para expor as cerâmicas selecionadas na Casa Atica e Sala B
Yuri Mazará/Divulgação
Na cozinha aberta, a reforma apostou na racionalização dos fluxos e na conexão com os demais espaços do térreo. Integrada à área de serviço por uma circulação leve e contínua, ela se beneficia da ventilação cruzada e da entrada de luz natural — conquistas importantes em um lote localizado em nível mais baixo que a rua.
A escolha dos materiais segue a lógica do projeto: superfícies neutras, esquadrias em madeira e o piso original de peroba-rosa restaurado, que orienta toda a paleta do pavimento.
LAVABO | O antigo banheiro foi reconfigurado como lavabo para atender o andar térreo. Cuba esculpida em granito Café Imperial escovado, executada pela marmoraria Margutti. No nicho ao lado, as prateleiras feitas por carpinteiro local são de peroba-rosa de demolição e abrigam objetos decorativos e cerâmicas adquiridos na Casa Atica e Sala B. Refletido no espelho, quadro do artista Rodrigo Z H Zampol
Yuri Mazará/Divulgação
O lavabo, criado a partir da reconfiguração do antigo banheiro do térreo, surge como uma solução pontual, porém essencial para o conforto do dia a dia. Bem posicionado e integrado à lógica do pavimento inferior, atende às demandas de uso sem interferir na fluidez dos cômodos sociais.
ÁREA EXTERNA | Os tons terrosos continuam no pequeno átrio, que serve como área de descompressão, com rede da Casa Atica. No piso, cerâmica da Delfavero, enquanto a parede ganhou tijolinhos da Olaria São Luiz. Paisagismo de Filippo Motta, com maranta charuto, filodendro e guaimbê
Yuri Mazará/Divulgação
Ao fundo da casa, a área externa foi ressignificada como refúgio. O pequeno átrio deu lugar a um cantinho de descompressão com rede e plantas, funcionando como extensão natural do imóvel e reforçando a relação com o exterior.
Além disso, esse ambiente contribui para a ventilação e a iluminação dos interiores. “Mesmo em uma área reduzida, era importante criar um ponto de contato com o verde, algo que ajudasse a casa a respirar”, explica Gabriel.
ESCADA | O elemento faz a transição entre os ambientes com continuidade visual, a exemplo o uso da mesma cor da tinta Chá da Tarde, da Coral, da área social. A claraboia foi inserida pelo escritório, que fez a abertura no teto do pavimento superior, revestida com telha de vidro para a entrada da luz
Yuri Mazará/Divulgação
A escada, elemento de transição entre os dois andares, foi tratada como parte ativa do projeto. Mais do que um percurso funcional, ela participa da experiência espacial, conectando visualmente os níveis e reforçando a sensação de continuidade. As circulações, aliás, deixaram de ser áreas residuais para assumir papel central na organização da propriedade.
SUÍTE | A cabeceira ripada de peroba-rosa de demolição, de carpinteiro local, “esquenta” o quarto em tons neutros, como o armário branco executado pela marcenaria Formadeira. Roupa de cama da Casa Almeida
Yuri Mazará/Divulgação
No pavimento superior, a suíte passou por uma reorganização que prioriza conforto, silêncio e funcionalidade. A materialidade segue a linguagem da casa, com cores terrosas, madeira e texturas suaves.
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Para o arquiteto, o projeto demonstra que é possível transformar sem excessos nem grandes custos. “A proposta valoriza o que já existia e mostra que boa arquitetura está relacionada à escuta, ao uso inteligente dos recursos e à sensibilidade em traduzir cada contexto”, comenta.
Assinado pelo arquiteto Gabriel de Lucca, do escritório GDL Arquitetura (@gdlarq_), o projeto nasce da escuta às necessidades da moradora e da responsabilidade de intervir em um imóvel carregado de valor cultural.
A resposta veio por meio de soluções simples, com reforços estruturais necessários para a abertura e integração dos ambientes, realizados por meio da instalação de vigas metálicas em pontos estratégicos, capazes de redistribuir as cargas para as paredes existentes da edificação.
SALA DE ESTAR | Para dar apoio à TV, o rack com desenho do escritório foi feito de tijolos baianos, o que resultou num detalhe original, que dá bossa ao ambiente. Sobre o bloco de madeira maciça pequiá, com certificação FSC, vaso de cerâmica da Casa Atica, que também forneceu a mesa Anunaqui Baixa. Tapete cinza da Maiori Casa
Yuri Mazará/Divulgação
Após uma experiência frustrante com uma obra anterior, a proprietária desejava um lar que funcionasse melhor no dia a dia, acessível e acolhedor, além de manter viva a atmosfera da vila onde cresceu.
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“O projeto conseguiu reorganizar os espaços, respeitar a história da casa e, ao mesmo tempo, torná-la mais leve, iluminada e confortável. Hoje sinto que conseguimos qualidade de vida, com soluções simples e conscientes”, diz a gerente financeira Letícia de Freitas Ojeda.
SALA DE JANTAR | Integrado à cozinha, o espaço tem mesa com desenho do escritório e execução com peroba-rosa de demolição por artesão local. Cadeiras modelo Wishbone, da Tok&Stok, pertencente ao acervo pessoal dos moradores, assim como o quadro. A grande esquadria de vidro conecta o ambiente ao paisagismo da área externa
Yuri Mazará/Divulgação
A sala de estar marca o início dessa nova narrativa. Antes compartimentada e pouco ventilada, o cômodo ganhou amplitude com a integração dos espaços e a abertura de vãos estratégicos.
A paleta inspirada no tom do barro, aliada à presença da madeira, cria uma atmosfera acolhedora e silenciosa, onde a luz natural passa a ser protagonista. “Trabalhar com uma construção antiga exige cautela, mas também abre oportunidades para devolver qualidade espacial ao que estava adormecido”, observa o arquiteto.
COZINHA | Os armários são de madeira peroba-rosa de demolição, com marcenaria feita pela Formadeira. A porta, à esquerda, tem detalhe de palhinha natural. Bancada da pia executada com granito Café Imperial escovado pela marmoraria Margutti. Na prateleira, objetos decorativos da Dpot Objeto e Sala B
Yuri Mazará/Divulgação
A sala de jantar surge em continuidade com a de estar, reforçando a fluidez entre os recintos sociais. O layout favorece a convivência cotidiana e o uso intenso da morada, com mobiliário de desenho atemporal e peças que equilibram memória e contemporaneidade.
Objetos afetivos do acervo da família convivem com móveis contemporâneos, como a releitura da cadeira Capitol Office Chair, criação de Pierre Jeanneret, e dialogam com a arquitetura pela materialidade e proporção.
DETALHE | O charmoso nicho feito de gesso acartonado acomoda o móvel de madeira de peroba-rosa de demolição, executado pela Formadeira, além de prateleiras para expor as cerâmicas selecionadas na Casa Atica e Sala B
Yuri Mazará/Divulgação
Na cozinha aberta, a reforma apostou na racionalização dos fluxos e na conexão com os demais espaços do térreo. Integrada à área de serviço por uma circulação leve e contínua, ela se beneficia da ventilação cruzada e da entrada de luz natural — conquistas importantes em um lote localizado em nível mais baixo que a rua.
A escolha dos materiais segue a lógica do projeto: superfícies neutras, esquadrias em madeira e o piso original de peroba-rosa restaurado, que orienta toda a paleta do pavimento.
LAVABO | O antigo banheiro foi reconfigurado como lavabo para atender o andar térreo. Cuba esculpida em granito Café Imperial escovado, executada pela marmoraria Margutti. No nicho ao lado, as prateleiras feitas por carpinteiro local são de peroba-rosa de demolição e abrigam objetos decorativos e cerâmicas adquiridos na Casa Atica e Sala B. Refletido no espelho, quadro do artista Rodrigo Z H Zampol
Yuri Mazará/Divulgação
O lavabo, criado a partir da reconfiguração do antigo banheiro do térreo, surge como uma solução pontual, porém essencial para o conforto do dia a dia. Bem posicionado e integrado à lógica do pavimento inferior, atende às demandas de uso sem interferir na fluidez dos cômodos sociais.
ÁREA EXTERNA | Os tons terrosos continuam no pequeno átrio, que serve como área de descompressão, com rede da Casa Atica. No piso, cerâmica da Delfavero, enquanto a parede ganhou tijolinhos da Olaria São Luiz. Paisagismo de Filippo Motta, com maranta charuto, filodendro e guaimbê
Yuri Mazará/Divulgação
Ao fundo da casa, a área externa foi ressignificada como refúgio. O pequeno átrio deu lugar a um cantinho de descompressão com rede e plantas, funcionando como extensão natural do imóvel e reforçando a relação com o exterior.
Além disso, esse ambiente contribui para a ventilação e a iluminação dos interiores. “Mesmo em uma área reduzida, era importante criar um ponto de contato com o verde, algo que ajudasse a casa a respirar”, explica Gabriel.
ESCADA | O elemento faz a transição entre os ambientes com continuidade visual, a exemplo o uso da mesma cor da tinta Chá da Tarde, da Coral, da área social. A claraboia foi inserida pelo escritório, que fez a abertura no teto do pavimento superior, revestida com telha de vidro para a entrada da luz
Yuri Mazará/Divulgação
A escada, elemento de transição entre os dois andares, foi tratada como parte ativa do projeto. Mais do que um percurso funcional, ela participa da experiência espacial, conectando visualmente os níveis e reforçando a sensação de continuidade. As circulações, aliás, deixaram de ser áreas residuais para assumir papel central na organização da propriedade.
SUÍTE | A cabeceira ripada de peroba-rosa de demolição, de carpinteiro local, “esquenta” o quarto em tons neutros, como o armário branco executado pela marcenaria Formadeira. Roupa de cama da Casa Almeida
Yuri Mazará/Divulgação
No pavimento superior, a suíte passou por uma reorganização que prioriza conforto, silêncio e funcionalidade. A materialidade segue a linguagem da casa, com cores terrosas, madeira e texturas suaves.
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Para o arquiteto, o projeto demonstra que é possível transformar sem excessos nem grandes custos. “A proposta valoriza o que já existia e mostra que boa arquitetura está relacionada à escuta, ao uso inteligente dos recursos e à sensibilidade em traduzir cada contexto”, comenta.



