Reforma preserva ladrilhos verdes e transforma cozinha em coração de casa no RJ

Há casas que acolhem antes mesmo de qualquer reforma. Foi essa a sensação de Patricia Gava, arquiteta titular do escritório Gava Arquitetura (@gava.arquitetura), ao cruzar a porta desta residência de 271 m², na Gávea, no Rio de Janeiro, RJ, ainda na primeira visita. “Era um lar com alma. Foi possível sentir a história, o cuidado e o carinho dos antigos moradores. Em muitos cantos, a sensação era de que ela já estava pronta”, relembra Patricia. O desafio, então, não era reinventar, mas escutar o que a morada pedia — e alinhar essa essência ao sonho de uma família que buscava, há anos, um lugar definitivo para viver.
SALA DE ESTAR | Na reforma, as esquadrias originais foram preservadas e diversos móveis reaproveitados da antiga residência do casal, como o pufe central da Cremme e o tapete colorido. Em contraste, a TV portátil OLED Objet Collection Posé, da LG, surge como elemento contemporâneo
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
O casal Danielle e Érico guardava uma memória afetiva intensa da infância e juventude vividas em casas. Com a chegada dos filhos, a pergunta tornou-se inevitável: por que não voltar a esse modo de morar?
“Encontramos um imóvel que representava o nosso estilo e o nosso gosto, e o projeto conseguiu melhorar ainda mais”, conta Danielle, lembrando que a arquiteta é uma parceira de anos.
SALA DE ESTAR | A grande janela atrás do sofá verde, modelo Slim da Velha Bahia, emoldura parte da copa de uma justícia-vermelha, que foi preservada durante a obra e agora está frondosa ao lado do canteiro linear com marantas-charuto, com paisagismo assinado pela Semear Paisagismo. No interior, mesa lateral retangular, da Casa Ocre, composta com tamborete Tamarindo Round, de madeira maciça, da Balai, sobre o qual está o vaso do Studio Nara Maitre
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
“Em 2021, eles tinham quase fechado uma casa que acabou não dando certo e resolveram reformar o apartamento de aluguel em que moravam. Dois anos depois, eles encontraram de fato a casa dos sonhos. Ver tudo isso se concretizando é emocionante”, comenta Patricia.
DETALHE | Na área social, a estante de freijó e palhinha quadriculada, desenhada pelo escritório e executada pela Essencial Móveis para a antiga residência da família, é uma das peças que foram adaptadas à nova casa pelo mesmo fornecedor. Gravura de J.Borges, do acervo dos moradores. Luminária do Studio Nara Maitre
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
A obra foi extensa. Praticamente todo o interior da construção passou por transformações, mantendo-se a fachada, as esquadrias originais, a verde com seu emblemático ladrilho hidráulico verde e alguns elementos estruturais.
RETRATO | Mãe e filha, Danielle e Catarina, estão na ilha da cozinha. Luminárias Meia Lua, de Fernando Jaeger, sobre a mesa de jantar
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
No térreo, com 151 m², a principal decisão foi transformar a cozinha no coração da casa, visto que Erico adora cozinhar. Antes isolada, ela passou a se integrar completamente à varanda verde, tornando-se o principal ponto de encontro da família.
Para isso, foi necessário um reforço estrutural com viga metálica, que permitiu eliminar barreiras e incluir uma ilha central. “Entendemos com o casal que esse espaço seria onde a vida realmente aconteceria”, diz Patricia.
COZINHA | O “tapete verde” de ladrilhos hidráulicos preservados recebeu companhia do mesmo material em tons terrosos, da Ladrilhos Petrópolis. A marcenaria em cinza claro, executada pela Bontempo, destaca-se entre as paredes com revestimento branco Color Mind Light AC, da Decortiles. Bancadas de quartzito Mont Blanc polido, da Marmoraria Minas
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
Os tons de cinza claro dos armários e o branco do revestimento da parede neutralizam a nova intervenção e destacam o piso em ladrilho hidráulico terracota, que se conecta visualmente ao grande “tapete verde” e vai até a varanda.
ESCRITÓRIO | A parede de tijolinho rústico, da Passeio Revestimentos, recebeu marcenaria executada com lâmina natural de freijó e serralheria pela Essencial Marcenaria. Prateleira em chapa metálica dobrada. Cadeiras no estilo Eames Diretor, do acervo dos moradores. Luminária de mesa Solon, da Plug Design
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
Grande parte do mobiliário e da marcenaria foi reaproveitada do apartamento anterior da família, também assinado pelo escritório. Estantes, escrivaninhas, mesas de cabeceira e até a antiga cama das crianças foram adaptadas, pintadas e ressignificadas. A mesma empresa de marcenaria que havia executado muitas dessas peças cuidou de desmontar e remontar praticamente tudo.
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Na sala, por exemplo, a estante desenhada originalmente para o apê ganhou protagonismo, assim como o tapete estampado e o pufe central. Já a TV portátil surge como elemento contemporâneo e flexível. A janela atrás do sofá, emoldurada pelo paisagismo, reforça a sensação de viver com a natureza.
VARANDA | A varanda verde combina o piso original de ladrilho hidráulico ao paisagismo assinado pela Semear Paisagismo. O espaço é mobiliado com sofá e poltrona Bérgamo, da Tessaro Home & Garden, além de mesa de centro e tapete redondo reaproveitados do apartamento anterior dos moradores. Na entrada, destaca-se a palmeira pinanga (Pinanga kuhlii), enquanto ao fundo a área da piscina se integra ao cenário com helicônias, marantas e filodendros
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
O novo layout do primeiro pavimento também contempla uma sala principal com integração parcial ao home office — exatamente como Danielle desejava. “Ela queria trabalhar se sentindo presente na rotina da casa”, conta a arquiteta.
Na parte dos fundos, com 46 m², onde está a piscina, um antigo estúdio de acesso precário ganhou banheiro e cobertura de passagem, transformando-se também em quarto de hóspedes e espaço multiúso integrado ao quintal e à suíte do casal.
ÁREA EXTERNA | O acesso ao terreno dos fundos, com 46 m², é feito por um portal de trepadeira jade azul e o gramado com passadas de cacão de pedra São Tome. A piscina, modelo Kéramos, da Igui, está rodeada de helicônias, marantas e filodendros
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
O conceito do projeto se ancora na simplicidade. “A sofisticação entra de forma despretensiosa, na marcenaria, nas soluções autorais e na atmosfera leve e funcional”, define Patricia.
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Madeira natural foi uma escolha para respeitar a honestidade construtiva da morada e evitar qualquer camada artificial. Os ladrilhos hidráulicos, já presentes em diversos ambientes, foram preservados, reinterpretados e ampliados, criando uma costura visual entre passado e presente.
SUÍTE CASAL | A cabeceira com mesas laterais, do acervo pessoal, abarca a cama com roupa de cama do Studio Nara Maitre. Luminárias pendentes de palha aramada Tibau, da Retrobel. Tapete da Mãos do Oriente. A marcenaria do aparador foi executada pela Essencial Marcenaria, com lâmina natural de freijó. Cortinas de linho natural branco, da Guilha, que também forneceu o papel de parede da francesa Caselio. Na varanda, poltrona Marau, de corda náutica, da Tessaro Home & Garden
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
A paleta de cores reforça essa narrativa. Na sala, paredes brancas valorizam a arquitetura original, as esquadrias de madeira e a natureza que invade o interior. O sofá verde intensifica essa relação com o jardim e dialoga com o tapete colorido já existente dos moradores.
No segundo pavimento, com 120 m², a transformação foi ainda mais profunda. O antigo layout, fragmentado e pouco funcional, deu lugar a três suítes — no processo, o quarto do filho foi ampliado, a antiga suíte máster cedeu espaço para criar o banheiro da filha, e o dormitório do casal, com acesso direto ao quintal, nasceu da união de um antigo escritório e uma área de circulação.
SUÍTE DA FILHA | A mescla de diferentes estampas de papel de parede — xadrez no teto e margaridas na parede — confere bossa à decoração, ambos da Nina Moraes Design. A cama de vime Gaya, da Muskinha, é outro item de charme composto com a marcenaria autoral do escritório, como a mesa de cabeceira e a escrivaninha, ambas feitas com lâmina de tauari, além da cabeceira em laca branca ripada e prateleiras suspensas nos mesmos materiais, com execução da Essencial Marcenaria. Pendente de rattan. Enxoval do Studio Nara Maitre Kids. Arandela mini Bauhaus, da Lumini
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
Os quartos das crianças refletem escuta e afeto. Ambos compartilham o mesmo desenho de marcenaria, com variações sutis de cor, respeitando o pedido dos pais por igualdade entre os filhos.
No quarto de Catarina, o azul — escolhido por ela — aparece em um delicado mix de estampas de papel de parede que se estende da parede ao teto, além de mobiliário de madeira desenhado pelo escritório e itens de fibra natural, como cama de vime e a luminária de rattan.
SUÍTE DO FILHO | A marcenaria azul é protagonista no quarto, com desenho do escritório e execução da Essencial Móveis, que usou acabamento em laca. O papel de parede com estampa personalizada, executada pela loja Nina Moraes Design, arremata o visual. Roupa de cama do Studio Nara Maitre Kids. Luminária pendente Boho, da Retrobel. Arandela Mini Bauhaus, da Lumini
André Nazareth/Divulgação | Produção: Pualani Di Giorgio/Divulgação
Já o quarto de Benjamin aposta em marcenaria azul, com soluções inteligentes, como gavetas sob a cama e as prateleiras com suportes metálicos, ampliando áreas de armazenamento.
Hoje a família vive a casa intensamente. “Temos liberdade para receber amigos nossos e das crianças. Curtimos cada cantinho com muito verde e elementos naturais”, resume Danielle.

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