Reforma redefine layout de casa de 700 m² só com marcenaria, sem quebrar paredes

Na capital paulista, uma residência de 700 m² ganhou novos significados sem que fosse preciso derrubar paredes ou alterar a estrutura original. Comprado já reformado para venda, o imóvel tinha acabamentos recentes e boa base construtiva, mas ainda não traduzia o modo de viver de um casal com dois filhos e um cachorro, acostumados à rotina de casa e às reuniões frequentes com amigos.
Coube ao escritório Shinagawa Arquitetura (@rshina) conduzir uma reforma capaz de reorganizar fluxos, reforçar a integração com o jardim e criar ambientes acolhedores a partir de soluções inteligentes, principalmente em marcenaria.
“O maior desafio foi ajustar o layout e suas funções sem envolver quebras que obrigassem a refazer pisos e revestimentos existentes”, explica o arquiteto Rogério Shinagawa.
SALA DE ESTAR | A “caixa” de madeira freijó setoriza os ambientes, como a sala de piano e bar ao lado. Sofá Matriz e poltronas Isa, de Jader Almeida. Mesa de centro adquirida na loja Novo Ambiente. Tela de Daniel Senise. Mesas laterais com obra de Walmor Corrêa. Par de telas laterais de Tatiana Blass. Perto da porta, banco Mucki, de Sergio Rodrigues, na Dpot. Tapete da Casa Frato
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
A sala de estar, integrada ao jantar e ao piano bar, tornou-se o coração social do imóvel. O pedido dos moradores era claro: um espaço confortável para receber família e amigos, com integração visual ao jardim.
SALA DE PIANO E BAR | O ambiente é demarcado pela marcenaria executada com madeira freijó em painéis aplicados nas paredes e no teto, emulando uma “caixa”. Luminária de piso de Cristiana Bertolucci
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
A madeira freijó surge como elemento organizador, criando planos e painéis que setorizam suavemente os cômodos e reforçam a circulação entre eles.
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O piso de taco palito já existente dialoga com a nova marcenaria, enquanto a base neutra — composta por textura acrílica clara e materiais naturais — permite que obras de arte, livros e objetos pessoais ganhem protagonismo.
HALL | O pé-direito duplo é perfeito para abrigar as luminárias pendentes de Adriana Yazbek, na Dpot Objeto, enquanto os brises de madeira freijó criam uma setorização sem barrar a vista. Mesa lateral da Novo Ambiente com cadeira assinada por Sergio Rodrigues, na Dpot. Tapete patchwork oriental estonado, da Casa Frato
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
Entre as peças reaproveitadas da antiga residência dos clientes estão as mesas de centro Folha, de Fernando Jaeger, e as poltronas Isa, de Jader Almeida, que ajudam a compor a atmosfera contemporânea e afetiva com os novos móveis.
No hall central, a escada assume papel escultórico. Antes composta por pisadas em madeira e corrimão convencional, ela foi redesenhada com fechamento em chapa de aço e corrimão embutido, além de espelhos revestidos em madeira.
ESCADA | O fechamento de aço do guarda-corpo da escada tem o corrimão embutido na chapa. No alto, arandela da Lumini. Os degraus receberam espelho de madeira
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
A intervenção cria um volume mais limpo e vertical, que dialoga com o pé-direito duplo e potencializa a luz natural vinda da claraboia. “Criamos um elemento que reforça a verticalidade do espaço e concentra a luz existente, transformando a escada em protagonista”, afirma Rogério.
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Ao lado do estar, a sala de piano bar atende a um desejo especial da família: incorporar o instrumento ao cotidiano. Integrado ao conjunto social, o cômodo mantém unidade material com os demais recintos, mas ganha identidade própria pelo mobiliário e pela ambientação intimista, ideal para encontros noturnos, com presença do bar instalado em um nicho de mármore verde Guatemala na marcenaria da estante.
VARANDA GOURMET | Antes aberta, a varanda recebeu caixilhos de correr. Na área da bancada e churrasqueira, uma “caixa” feita em marcenaria de freijó oculta a infraestrutura de ar-condicionado, iluminação e duto da coifa. Banquetas Laura, de Aristeu Pires, na Novo Ambiente. Na área do jantar, à esquerda, aquarela de Ana Berganton; à direita, escultura de Jacqueline Terpins; e, acima, peça de cerâmica de Aline Angeli, na Dpot Objeto. Pendente de Cristiana Bertolucci. No pavimento superior, a varanda é usada como área de jogos
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
A varanda gourmet, localizada entre a cozinha e a sala de jantar, é uma das áreas de maior permanência da família. Com mesa ampla e conexão direta com o jardim, piscina e academia externa, ela concentra os momentos de confraternização.
COZINHA | Integrada à varanda com churrasqueira, a cozinha tem armários de madeira freijó e laca cinza. Nicho e bancadas executados com Atlas Plan pela NPK Mármores. Na cuba com calha, da Mekal, monocomando da Deca. Coifa da Tuboar. Mesa e cadeiras eram da casa antiga dos proprietários
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
A cozinha integrada à varanda reforça essa dinâmica, permitindo que preparo e convívio aconteçam simultaneamente. A escolha por materiais naturais e tons neutros cria continuidade visual e sensação de amplitude, enquanto a marcenaria em madeira e laca cinza garante funcionalidade sem excessos.
Outras varandas complementam os espaços de lazer, ampliando as possibilidades de uso e reforçando a relação entre interior e exterior, um dos principais pedidos dos moradores desde o início.
VARANDA | A área é composta por sofá Matriz, de Jader Almeida, com almofadas da Quaker. Mesas laterais com tampo de pedra e de madeira escura, da Olho Interni. Mesas de centro Folha, de Fernando Jaeger, e poltronas balanço do acervo dos moradores. Banco Mocho, de Sergio Rodrigues, na Dpot
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
O home office, localizado no térreo, também passou por ajustes de layout e marcenaria para atender à rotina profissional dos moradores, equilibrando concentração e integração com o restante da casa.
PAREDE INTERNA | Os acabamentos e a volumetria externa da casa foram mantidos. O sofá externo era da morada antiga dos proprietários, cujo tecido e a corda náutica foram mudados. Banco externo da Prototype. Escultura de cerâmica, ao lado do sofá, de Luisa Vellutini, da Loi Cerâmica. Paisagismo executado pela Boulevard Paisagismo
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
No pavimento superior, a sala íntima com TV foi reorganizada com fechamentos em drywall e painéis planejados, criando um ambiente mais aconchegante e bem delimitado. A circulação que se abre para o vazio do pé-direito duplo mantém a sensação de amplitude, porém agora com layout mais eficiente.
ESCRITÓRIO | A madeira é protagonista do home office, com marcenaria assinada pelo escritório. A mesa com pé lateral em chapa de aço corten tem gavetas e canal para fios. Cadeiras Omar Giratória, de Rejane Carvalho Leite, na Dpot. Luminária pendente da Lumini. Quadros e objetos do acervo dos moradores. Cortinas de Silvia Veiga
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
Na suíte do casal, a estratégia foi semelhante: sem alterar a estrutura, o uso de drywall e armários planejados redefiniu áreas de dormir e de armazenamento, tornando o espaço mais funcional e reservado.
A linguagem contemporânea do décor se mantém nas linhas limpas e na predominância de madeira — a exemplo da área da cama revestida com o material como uma “caixa”.
SALA DE TV ÍNTIMA | A estante com mesa foi projetada para atender o espaço e dar privacidade ao evitar o som para o vazio do pé-direito duplo. Na parte da estante em frente à mesa, uma abertura pode ser fechada com portas do tipo camarão. Sofá do estudiobola. Mesa lateral e cadeira adquiridas na loja Novo Ambiente
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação
“O conceito foi criar uma residência confortável, que valoriza a clareza espacial e a funcionalidade, promovendo integração fluida com o jardim”, resume o arquiteto.
SUÍTE CASAL | A cama da Madeira Bonita fica em uma “caixa” de marcenaria para quebrar a sensação do quarto comprido. Luminárias de parede Bauhaus, da Lumini. Tapete da Casa Frato. Vaso de Gilberto Paim, na Olho Interni
Evelyn Müller/Divulgação | Produção: Deborah Apsan/Divulgação

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