A regra 60–30–10 surgiu no início do século 20 como uma fórmula que auxilia no equilíbrio das cores na arquitetura, na decoração e no design visual. Usada até hoje por profissionais da área, ela propõe um esquema de tons nas seguintes proporções:
60% cor dominante: ocupa a maior área do projeto e recebe, como cor de fundo, os demais tons da paleta;
30% cor secundária: faz contraste com a cor de destaque e é responsável por harmonizar a paleta, trazendo profundidade e diálogo visual;
10% cor de destaque: aplicada em móveis, objetos, detalhes construtivos e volumes menores, funciona como ponto focal e assinatura do ambiente.
O apartamento paulistano traz o tom terroso como base, o verde como cor secundária e o azul como tom de destaque
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Ohma Design
“Não se trata de uma regra rígida. Os percentuais são uma orientação na distribuição do volume das cores escolhidas para o projeto, e podem ser adaptados conforme as necessidades específicas e as intenções projetuais”, explica a arquiteta Cristiani Guessi, doutora em tecnologia da cor.
“Quantificar as cores, neste caso, não é sobre contabilizar exatamente o volume de cada uma, mas distribui-las de forma que sejam percebidas essas proporções e que cumpram seu papel no esquema”, completa a especialista.
O contraste de cores marca o espaço, com armários azuis produzidos pela Mobler Marcenaria; bancada de ladrilho hidráulico preto, da Dalle Piagge; e banquetas vermelhas Cascade, da Cremme
Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do escritório Zalc Arquitetura
Para Nicholas Oher, do OHMA, escritório que tem o uso das cores como linguagem arquitetônica, “falar de cor é falar de experiência, de emoção, de identidade e de forma de viver”, algo que vai além das fórmulas prontas.
“Para nós, a regra 60–30–10 é uma ferramenta de harmonia visual que ajuda a organizar a paleta de cores de um projeto de forma equilibrada, elegante e intuitiva, além de estabelecer uma hierarquia cromática. Entendemos essa regra não como uma fórmula rígida, mas como um ponto de partida para traduzir histórias, vivências e momentos importantes dos moradores”, destaca o arquiteto.
A tinta verde Fundo do Mar, da Suvinil, colore parte do living, além da cozinha integrada. O tom aparece também no sofá e contrasta com pontos de cor no tapete e na poltrona
Felipe Araujo/Divulgação | Projeto do arquiteto Ricardo Abreu
Ele conta que o 60% costuma aparecer em paredes, pisos, grandes planos e volumes; o 30% surge em marcenarias, estofados e tapetes; e o 10% se manifesta em detalhes, como luminárias, objetos e elementos que conduzem o olhar e criam identidade. O equilíbrio entre a cor dominante, a secundária e a de destaque garante que as sensações sejam percebidas de forma intuitiva e com leveza.
Cores pontuam o ambiente, como o sofá da Way Design e o pufe redondo da Cortinaria & Etc. Mesa de centro Disforme, do estudiobola, na LZ Studio
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Escala Arquitetura
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“O equilíbrio cromático permite que o espaço tenha leitura clara, conforto visual e coerência emocional. Um projeto mais vibrante, que pede energia e estímulo, recebe tons mais quentes e contrastantes. Já ambientes que precisam transmitir refúgio, calma e acolhimento caminham por paletas dessaturadas, neutras e suaves”, declara o arquiteto.
A arquiteta Paloma Bresolin, também do OHMA, destaca que a regra 60–30–10 é uma aliada poderosa, principalmente para quem está começando a trabalhar com cores ou deseja organizar melhor uma paleta.
Cores como rosa, azul e vermelho se completam na decoração para conferir um ambiente mais despojado, com destaque para o tapete geométrico da Punto e Filo
Renato Navarro/Divulgação | Projeto da arquiteta Kika Tiengo
“Ela facilita decisões, orienta aplicações e evita excessos ou espaços visualmente ‘confusos’. Na arquitetura, isso se traduz em ambientes mais harmônicos, com hierarquia visual clara e identidade bem definida”, analisa.
A ilha azul é o charme na decoração e faz par com as banquetas terracota para refeições rápidas. Ao fundo, móvel verde traz mais um ponto de cor
Cristiano Bauce/Divulgação | Projeto da arquiteta Vanessa Mondin
Como surgiu a técnica 60–30–10
A lógica por trás da regra 60–30–10 nasce da própria história da arte. “Já no Renascimento, mestres como Leonardo da Vinci organizavam suas composições por meio de uma massa dominante (fundos, céus e paredes), uma massa secundária (roupas, arquitetura) e pontos focais de luz e cor que guiavam o olhar”, explica Nicholas.
O hall recebeu pintura terracota, na cor Jarro de Barro, da Suvinil, que demarca o espaço e contrasta com o piso verde existente
Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Volar Interiores
No início do século 20, essa organização visual foi formalizada pelo modernismo, especialmente pela Escola Bauhaus, na Alemanha, entre 1919 e 1933, quando artistas e teóricos passaram a estudar cientificamente o peso visual, o contraste e a percepção das cores.
“A partir daí, o design gráfico, editorial e de marcas dos anos 1950 a 1970 popularizaram esse modelo, levando-o para identidades visuais, vitrines, embalagens e, posteriormente, para os interiores e a arquitetura. Hoje, entendemos essa regra como um encontro entre arte, fisiologia, psicologia e percepção visual”, fala o profissional.
As paredes rosas foram pintadas com a tonalidade Batom Cor de Boca, da Suvinil, mesma marca do verde Cashmere, que dá vida ao teto
Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do escritório Co + Lab Juntos Arquitetura
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Como usar a regra 60–30–10
A regra 60–30–10 é uma ferramenta acessível e de fácil aplicação para os profissionais das áreas de arquitetura e design de interiores. “Funciona para qualquer ambiente. Não quer dizer que todo projeto precise segui-la, mas é um bom roteiro quando o objetivo principal é ter um ambiente visualmente equilibrado”, avalia o arquiteto Ricardo Abreu.
Na paleta de cores da loja Mate On, em Canela (RS), o tom verde amarelado predomina, complementado pelo laranja da marcenaria
Tita Kele/Divulgação | Projeto do escritório Ohma Design
Segundo Paloma, em ambientes mais amplos, a técnica funciona como elemento estruturante da paleta. Em espaços menores, como lavabos ou halls, ela pode ser aplicada de forma mais ousada e concentrada. “O segredo está na proporção e na sensibilidade ao espaço, entendendo que até um ambiente pequeno pode ter sua tríade cromática bem definida”, conta.
Mais do que uma regra rígida, a técnica 60–30–10 sugere que, primeiramente, uma cor deve ser escolhida para predominar em um mesmo espaço. “Essa cor ditará a atmosfera principal do ambiente, portanto, servirá de base para a definição de todas as outras cores”, afirma.
A marcenaria de MDF Rosa Milkshake e Marsala, da Guararapes, compõe com a pintura da ilha na cor Desejo e das paredes no tom Árvore dos Sonhos, ambos da Suvinil
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Bettí Arquitetura
Em uma proporção menor, as cores secundárias entram como um complemento da cor principal, deixando reservados pontos isolados e estrategicamente posicionados para as cores contrastantes à cor principal. “O efeito de contraste provocado por um elemento pontual dentro do conjunto fará com que ele seja destacado”, ensina o profissional.
“A partir daí, muitas possibilidades de cores podem ser experimentadas na composição até que se encontre a paleta perfeita para o projeto”, orienta Cristiane.
O lambri foi pintado na cor Palha, da Coral, a mesma da parede, para acomodar a cabeceira de formas arredondadas estofada com veludo mostarda pela D di Casa Ateliê e a cama com roupa de cama da Zara Home azul e marrom
Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Volar Interiores
Para aprimorar ainda mais a aplicação, adicione tons neutros e selecione uma composição com cores análogas – vizinhas no círculo cromático – ou com cores opostas e contrastantes, experimentando as possibilidades até que se encontre a paleta mais agradável e coerente com o projeto.
“Com esta proporção 60–30–10 é mais fácil manter um equilíbrio visual, o que inevitavelmente trará uma sensação de conforto e aconchego. Quando as cores estão desordenadas em um mesmo ambiente, outros sentimentos podem ser despertados, como inquietação, angústia ou desconforto”, aponta Ricardo.
A cozinha tem prateleira suspensa com estrutura de serralheria verde feita pela Galpão Anti, enquanto a marcenaria azul foi executada pela Artfran
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Estúdio Minke
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Sem rigidez
Antes de definir as cores, Nicholas indica compreender quem vai viver no espaço, sua história, seus hábitos, seus gostos e seu momento de vida. “A partir disso, começamos a construir a paleta de cores de maneira natural, quase intuitiva, deixando que as referências surjam do cotidiano, do audiovisual, dos livros, da natureza e, principalmente, da própria vivência do morador”, diz.
A regra entra, então, como uma estrutura que organiza essa intuição: o 60% como o tom de base que acolhe e sustenta o ambiente; o 30% como a cor que cria uma camada de profundidade e personalidade; e o 10% como tonalidades que funcionam como pontos de emoção, identidade e assinatura visual.
No pequeno apartamento, o bufê, feito com compensado naval e aplicação de laminado melamínico na cor goiaba pela Made Marchi Marcenaria, faz par com o piso de caquinhos. Já as paredes brancas contrastam com as esquadrias e azulejos verdes
Andrea Soares/Divulgação | Projeto do escritório Arkitito Arquitetura
“Mas nunca como algo engessado. Para nós, a paleta precisa ser autêntica para quem cria e funcional para quem vive. Mais do que distribuir cores em porcentagens, acreditamos que aplicar essa regra é saber traduzir sentimentos em superfícies, memórias em texturas e histórias em paletas. É permitir que a casa conte uma narrativa visual que faça sentido, que seja confortável, e que represente verdadeiramente quem habita aquele lugar”, conclui Nicholas.
60% cor dominante: ocupa a maior área do projeto e recebe, como cor de fundo, os demais tons da paleta;
30% cor secundária: faz contraste com a cor de destaque e é responsável por harmonizar a paleta, trazendo profundidade e diálogo visual;
10% cor de destaque: aplicada em móveis, objetos, detalhes construtivos e volumes menores, funciona como ponto focal e assinatura do ambiente.
O apartamento paulistano traz o tom terroso como base, o verde como cor secundária e o azul como tom de destaque
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Ohma Design
“Não se trata de uma regra rígida. Os percentuais são uma orientação na distribuição do volume das cores escolhidas para o projeto, e podem ser adaptados conforme as necessidades específicas e as intenções projetuais”, explica a arquiteta Cristiani Guessi, doutora em tecnologia da cor.
“Quantificar as cores, neste caso, não é sobre contabilizar exatamente o volume de cada uma, mas distribui-las de forma que sejam percebidas essas proporções e que cumpram seu papel no esquema”, completa a especialista.
O contraste de cores marca o espaço, com armários azuis produzidos pela Mobler Marcenaria; bancada de ladrilho hidráulico preto, da Dalle Piagge; e banquetas vermelhas Cascade, da Cremme
Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do escritório Zalc Arquitetura
Para Nicholas Oher, do OHMA, escritório que tem o uso das cores como linguagem arquitetônica, “falar de cor é falar de experiência, de emoção, de identidade e de forma de viver”, algo que vai além das fórmulas prontas.
“Para nós, a regra 60–30–10 é uma ferramenta de harmonia visual que ajuda a organizar a paleta de cores de um projeto de forma equilibrada, elegante e intuitiva, além de estabelecer uma hierarquia cromática. Entendemos essa regra não como uma fórmula rígida, mas como um ponto de partida para traduzir histórias, vivências e momentos importantes dos moradores”, destaca o arquiteto.
A tinta verde Fundo do Mar, da Suvinil, colore parte do living, além da cozinha integrada. O tom aparece também no sofá e contrasta com pontos de cor no tapete e na poltrona
Felipe Araujo/Divulgação | Projeto do arquiteto Ricardo Abreu
Ele conta que o 60% costuma aparecer em paredes, pisos, grandes planos e volumes; o 30% surge em marcenarias, estofados e tapetes; e o 10% se manifesta em detalhes, como luminárias, objetos e elementos que conduzem o olhar e criam identidade. O equilíbrio entre a cor dominante, a secundária e a de destaque garante que as sensações sejam percebidas de forma intuitiva e com leveza.
Cores pontuam o ambiente, como o sofá da Way Design e o pufe redondo da Cortinaria & Etc. Mesa de centro Disforme, do estudiobola, na LZ Studio
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Escala Arquitetura
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“O equilíbrio cromático permite que o espaço tenha leitura clara, conforto visual e coerência emocional. Um projeto mais vibrante, que pede energia e estímulo, recebe tons mais quentes e contrastantes. Já ambientes que precisam transmitir refúgio, calma e acolhimento caminham por paletas dessaturadas, neutras e suaves”, declara o arquiteto.
A arquiteta Paloma Bresolin, também do OHMA, destaca que a regra 60–30–10 é uma aliada poderosa, principalmente para quem está começando a trabalhar com cores ou deseja organizar melhor uma paleta.
Cores como rosa, azul e vermelho se completam na decoração para conferir um ambiente mais despojado, com destaque para o tapete geométrico da Punto e Filo
Renato Navarro/Divulgação | Projeto da arquiteta Kika Tiengo
“Ela facilita decisões, orienta aplicações e evita excessos ou espaços visualmente ‘confusos’. Na arquitetura, isso se traduz em ambientes mais harmônicos, com hierarquia visual clara e identidade bem definida”, analisa.
A ilha azul é o charme na decoração e faz par com as banquetas terracota para refeições rápidas. Ao fundo, móvel verde traz mais um ponto de cor
Cristiano Bauce/Divulgação | Projeto da arquiteta Vanessa Mondin
Como surgiu a técnica 60–30–10
A lógica por trás da regra 60–30–10 nasce da própria história da arte. “Já no Renascimento, mestres como Leonardo da Vinci organizavam suas composições por meio de uma massa dominante (fundos, céus e paredes), uma massa secundária (roupas, arquitetura) e pontos focais de luz e cor que guiavam o olhar”, explica Nicholas.
O hall recebeu pintura terracota, na cor Jarro de Barro, da Suvinil, que demarca o espaço e contrasta com o piso verde existente
Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Volar Interiores
No início do século 20, essa organização visual foi formalizada pelo modernismo, especialmente pela Escola Bauhaus, na Alemanha, entre 1919 e 1933, quando artistas e teóricos passaram a estudar cientificamente o peso visual, o contraste e a percepção das cores.
“A partir daí, o design gráfico, editorial e de marcas dos anos 1950 a 1970 popularizaram esse modelo, levando-o para identidades visuais, vitrines, embalagens e, posteriormente, para os interiores e a arquitetura. Hoje, entendemos essa regra como um encontro entre arte, fisiologia, psicologia e percepção visual”, fala o profissional.
As paredes rosas foram pintadas com a tonalidade Batom Cor de Boca, da Suvinil, mesma marca do verde Cashmere, que dá vida ao teto
Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do escritório Co + Lab Juntos Arquitetura
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Como usar a regra 60–30–10
A regra 60–30–10 é uma ferramenta acessível e de fácil aplicação para os profissionais das áreas de arquitetura e design de interiores. “Funciona para qualquer ambiente. Não quer dizer que todo projeto precise segui-la, mas é um bom roteiro quando o objetivo principal é ter um ambiente visualmente equilibrado”, avalia o arquiteto Ricardo Abreu.
Na paleta de cores da loja Mate On, em Canela (RS), o tom verde amarelado predomina, complementado pelo laranja da marcenaria
Tita Kele/Divulgação | Projeto do escritório Ohma Design
Segundo Paloma, em ambientes mais amplos, a técnica funciona como elemento estruturante da paleta. Em espaços menores, como lavabos ou halls, ela pode ser aplicada de forma mais ousada e concentrada. “O segredo está na proporção e na sensibilidade ao espaço, entendendo que até um ambiente pequeno pode ter sua tríade cromática bem definida”, conta.
Mais do que uma regra rígida, a técnica 60–30–10 sugere que, primeiramente, uma cor deve ser escolhida para predominar em um mesmo espaço. “Essa cor ditará a atmosfera principal do ambiente, portanto, servirá de base para a definição de todas as outras cores”, afirma.
A marcenaria de MDF Rosa Milkshake e Marsala, da Guararapes, compõe com a pintura da ilha na cor Desejo e das paredes no tom Árvore dos Sonhos, ambos da Suvinil
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Bettí Arquitetura
Em uma proporção menor, as cores secundárias entram como um complemento da cor principal, deixando reservados pontos isolados e estrategicamente posicionados para as cores contrastantes à cor principal. “O efeito de contraste provocado por um elemento pontual dentro do conjunto fará com que ele seja destacado”, ensina o profissional.
“A partir daí, muitas possibilidades de cores podem ser experimentadas na composição até que se encontre a paleta perfeita para o projeto”, orienta Cristiane.
O lambri foi pintado na cor Palha, da Coral, a mesma da parede, para acomodar a cabeceira de formas arredondadas estofada com veludo mostarda pela D di Casa Ateliê e a cama com roupa de cama da Zara Home azul e marrom
Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Volar Interiores
Para aprimorar ainda mais a aplicação, adicione tons neutros e selecione uma composição com cores análogas – vizinhas no círculo cromático – ou com cores opostas e contrastantes, experimentando as possibilidades até que se encontre a paleta mais agradável e coerente com o projeto.
“Com esta proporção 60–30–10 é mais fácil manter um equilíbrio visual, o que inevitavelmente trará uma sensação de conforto e aconchego. Quando as cores estão desordenadas em um mesmo ambiente, outros sentimentos podem ser despertados, como inquietação, angústia ou desconforto”, aponta Ricardo.
A cozinha tem prateleira suspensa com estrutura de serralheria verde feita pela Galpão Anti, enquanto a marcenaria azul foi executada pela Artfran
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Estúdio Minke
Leia mais
Sem rigidez
Antes de definir as cores, Nicholas indica compreender quem vai viver no espaço, sua história, seus hábitos, seus gostos e seu momento de vida. “A partir disso, começamos a construir a paleta de cores de maneira natural, quase intuitiva, deixando que as referências surjam do cotidiano, do audiovisual, dos livros, da natureza e, principalmente, da própria vivência do morador”, diz.
A regra entra, então, como uma estrutura que organiza essa intuição: o 60% como o tom de base que acolhe e sustenta o ambiente; o 30% como a cor que cria uma camada de profundidade e personalidade; e o 10% como tonalidades que funcionam como pontos de emoção, identidade e assinatura visual.
No pequeno apartamento, o bufê, feito com compensado naval e aplicação de laminado melamínico na cor goiaba pela Made Marchi Marcenaria, faz par com o piso de caquinhos. Já as paredes brancas contrastam com as esquadrias e azulejos verdes
Andrea Soares/Divulgação | Projeto do escritório Arkitito Arquitetura
“Mas nunca como algo engessado. Para nós, a paleta precisa ser autêntica para quem cria e funcional para quem vive. Mais do que distribuir cores em porcentagens, acreditamos que aplicar essa regra é saber traduzir sentimentos em superfícies, memórias em texturas e histórias em paletas. É permitir que a casa conte uma narrativa visual que faça sentido, que seja confortável, e que represente verdadeiramente quem habita aquele lugar”, conclui Nicholas.



