Residência isolada de um quarto na Escócia foi eleita Casa do Ano 2025 do RIBA

Localizada em uma pequena comunidade agrícola nas Hébridas, Caochan na Creige foi eleita a Casa do Ano de 2025 pelo RIBA. O edifício, que se destaca pela absoluta integração à paisagem, é uma construção de estrutura em madeira revestida por gnaisse lewisiano em espessura total, a mesma rocha ancestral que aflora naturalmente no terreno e que constitui o bloco rochoso preservado no centro da residência. Localizada na Ilha de Lewis e considerada uma das pedras mais antigas do planeta.
Cada quarto possui um caráter distinto e uma forte relação com o contexto mais amplo, seja através das amplas janelas na sala de estar com vista para o vale e o mar, do alinhamento sazonal da luz do quarto ou da cozinha em ângulo que preserva a privacidade e, ao mesmo tempo, incentiva a conexão com a vizinhança
Elliot Shepperd/Divulgação
Projetada pelos arquitetos Eilidh Izat e Jack Arundell, a casa nasceu de um desejo antigo do casal: criar, nas ilhas, um lugar que funcionasse como uma “continuação da cidade”, depois de fundarem seu estúdio em 2018, em Edimburgo. O terreno foi adquirido em 2020, mas o projeto original — uma casa de dois andares e 200 m² — precisou ser abandonado quando os orçamentos ultrapassaram o que eles podiam investir.

A casa foi inicialmente concebida com uma estrutura de concreto, as restrições orçamentárias levaram uma reformulação criativa
Elliot Shepperd/Divulgação
A virada aconteceu no Natal de 2021, quando decidiram redesenhar totalmente a proposta e construir a casa com as próprias mãos. Esse processo, mais lento e profundamente artesanal, levou a um projeto muito mais enxuto, preciso e sensível ao entorno — característica que se tornaria central para sua premiação.
As obras de arte colecionada pelo casal ao longo dos anos estão posicionadas em locais cuidadosamente planejados, integrados à própria arquitetura
Jack Arundell/Divulgação
Segundo o júri a residência foi “concebida e executada com notável habilidade e sobriedade, adequadas ao seu contexto e ambiente”. O presidente do júri, David Kohn, reforçou a unanimidade da escolha: “Caochan na Creige abordou todas as questões — condições climáticas desafiadoras, diálogo com a arquitetura vernacular e um orçamento apertado — com uma rara combinação de sensibilidade e ousadia.”
Por dentro, a casa é compacta, mas transmite uma sensação de amplitude. Sua planta de 85 metros quadrados foi projetada acompanhando os contornos naturais do terreno
Elliot Shepperd
A pequena casa autoconstruída integra uma tendência crescente na Escócia: a de habitações ultracontemporâneas em paisagens rurais e remotas, assinadas por arquitetos que buscam novas relações entre construção, território e escala humana. Nesse movimento, Caochan na Creige se soma a referências recentes como Lochside House, de Haysom Ward Miller — vencedora do RIBA Casa do Ano em 2018 — e Cuddymoss, do Ann Nisbet Studio, premiada como Melhor Edifício da Escócia pelo RIAS Andrew Doolan Award em 2023.

A materialidade do imóvel no interior é discreta e rica em texturas, com paredes de gesso de cal em tons quentes, pisos de concreto polido com agregados locais incorporados, tetos de lariçocês e marcenaria de faia finamente trabalhada
Elliot Shepperd/Divulgação
A vitória veio no dia 10 de dezembro após disputar com alguns dos projetos residenciais mais comentados do ano: Hastings House (Hugh Strange Architects), Triangle House (Artefacte), Jankes Barn (Lynch Architects), London Brut (Pricegore Architects), Housestead (Sanei + Hopkins) e Amento (James Gorst Architects).
A casa é é uma construção de estrutura em madeira revestida por gnaisse lewisiano em espessura total, a mesma rocha ancestral que aflora naturalmente no terreno e que constitui o bloco rochoso preservado no centro da residência
Richard Gaston/Divulgação

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