Durante uma visita ao British Museum na década de 1930, o designer de interiores norte-americano T.H. Robsjohn-Gibbings ficou encantado com diversos vasos do séc. 5 provenientes da Grécia Antiga. “Nesses vasos eu vi móveis que pareciam jovens, intocados pelo tempo”, refletiu mais tarde sobre as imagens do cotidiano do período clássico. “A vitalidade emanava desses móveis.”
Ele contemplava a Klismos, uma cadeira escultural com encosto curvo, assento trançado e pernas afiladas em forma de sabre que se arqueiam como apóstrofos. Nas imagens — hoje encontradas principalmente em vasos funerários, cerâmicas pintadas e baixos-relevos —, as figuras sentadas assumem uma postura relaxada, com as mãos muitas vezes deslizando até repousar sobre o encosto baixo.
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Uma propriedade em Dallas projetada por Tom Scheerer
Francesco Lagnese/Otto/Reprodução AD EUA
Slim Aarons posa com as cadeiras Klismos fabricadas pela Saridis, por volta de 1960
Getty Images
“Não sobreviveu uma única cadeira como essa”, explica George Manginis, diretor acadêmico do Museu Benaki, em Atenas. “Os primeiros exemplos de revivalismo que temos são dos séc. 18 e 19, quando a Klismos se tornou moda com a descoberta da arte antiga.” Mas algumas dessas homenagens neoclássicas, que reinterpretam o estilo com proporções mais baixas e bastante volumosas, não possuem a graça de suas predecessoras. (Uma exceção é o conjunto de Klismos da Villa Kérylos, a residência de estilo neoclássico grego na Côte d’Azur do arqueólogo francês Théodore Reinach.)
Um par de Klismos laqueadas de branco no apartamento de TH Robsjohn-Gibbings em Atenas, por volta de 1974
I. Ioannides e L. Bartzioti/Reprodução AD EUA
Após a epifania de Robsjohn-Gibbings, ele se empenhou em recriar a cadeira com sua precisão essencial e depurada, lançando uma série de réplicas feitas à mão em 1936, em seu showroom na Madison Avenue (uma desse período pertence hoje ao Met). Nos anos 1960, desejando fabricar em maior escala, ele conheceu Eleftherios Saridis, um marceneiro baseado em Atenas que possuía o maquinário — e a reverência pelos originais — necessários para o trabalho.
Os refinados modelos de nogueira em tom mel que criaram juntos (ainda em produção) logo passaram a preencher as casas da alta sociedade grega — foi lá que o fotógrafo Slim Aarons avistou pela primeira vez o assento que inspirou seu famoso autorretrato na Acrópole. Desde então, a Klismos nunca saiu de cena — surgindo em casas de Karl Lagerfeld e Madonna.
A residência da editora de moda Jessica Sailer, assinada por Remy Renzullo, apresenta diversas versões. Manginis, que planeja uma exposição sobre a Klismos ainda este ano, atribui seu apelo duradouro a algo mais do que apenas forma ou função. “Ela vem da era da democracia, da era da grande arte clássica”, explica. “Quero dizer, se Péricles se sentasse em uma cadeira, ele teria se sentado nesta cadeira.”
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest.
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Ele contemplava a Klismos, uma cadeira escultural com encosto curvo, assento trançado e pernas afiladas em forma de sabre que se arqueiam como apóstrofos. Nas imagens — hoje encontradas principalmente em vasos funerários, cerâmicas pintadas e baixos-relevos —, as figuras sentadas assumem uma postura relaxada, com as mãos muitas vezes deslizando até repousar sobre o encosto baixo.
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Francesco Lagnese/Otto/Reprodução AD EUA
Slim Aarons posa com as cadeiras Klismos fabricadas pela Saridis, por volta de 1960
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“Não sobreviveu uma única cadeira como essa”, explica George Manginis, diretor acadêmico do Museu Benaki, em Atenas. “Os primeiros exemplos de revivalismo que temos são dos séc. 18 e 19, quando a Klismos se tornou moda com a descoberta da arte antiga.” Mas algumas dessas homenagens neoclássicas, que reinterpretam o estilo com proporções mais baixas e bastante volumosas, não possuem a graça de suas predecessoras. (Uma exceção é o conjunto de Klismos da Villa Kérylos, a residência de estilo neoclássico grego na Côte d’Azur do arqueólogo francês Théodore Reinach.)
Um par de Klismos laqueadas de branco no apartamento de TH Robsjohn-Gibbings em Atenas, por volta de 1974
I. Ioannides e L. Bartzioti/Reprodução AD EUA
Após a epifania de Robsjohn-Gibbings, ele se empenhou em recriar a cadeira com sua precisão essencial e depurada, lançando uma série de réplicas feitas à mão em 1936, em seu showroom na Madison Avenue (uma desse período pertence hoje ao Met). Nos anos 1960, desejando fabricar em maior escala, ele conheceu Eleftherios Saridis, um marceneiro baseado em Atenas que possuía o maquinário — e a reverência pelos originais — necessários para o trabalho.
Os refinados modelos de nogueira em tom mel que criaram juntos (ainda em produção) logo passaram a preencher as casas da alta sociedade grega — foi lá que o fotógrafo Slim Aarons avistou pela primeira vez o assento que inspirou seu famoso autorretrato na Acrópole. Desde então, a Klismos nunca saiu de cena — surgindo em casas de Karl Lagerfeld e Madonna.
A residência da editora de moda Jessica Sailer, assinada por Remy Renzullo, apresenta diversas versões. Manginis, que planeja uma exposição sobre a Klismos ainda este ano, atribui seu apelo duradouro a algo mais do que apenas forma ou função. “Ela vem da era da democracia, da era da grande arte clássica”, explica. “Quero dizer, se Péricles se sentasse em uma cadeira, ele teria se sentado nesta cadeira.”
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest.
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