Implantada na Ilha dos Araújos, em Governador Valadares, MG, a “Casa da Ilha” nasce da combinação entre desejo, memória e enfrentamento das condições naturais do lugar.
Com 380 m² e projetada do zero, a residência foi pensada para um casal e suas duas filhas pequenas, que desejava mais do que uma morada ampla: buscava um refúgio para viver intensamente o cotidiano, receber amigos e acompanhar o crescimento das crianças.
Acostumada à vida em apartamento, a médica Natália De Pinho Brandão descreve a mudança como transformadora. “Essa é a primeira vez que moro em uma casa. É uma experiência nova que está sendo muito bem vivida”, ela conta.
FACHADA | Com arquitetura sensível ao clima, a casa é elevada 1,70 metros acima do passeio, visto que a região sofre com enchentes anuais do Rio Doce. Os brises de alumínio pintados de cor amadeirada e os generosos beirais de concreto com 1,20 metros de avanço foram pensados para enfrentar o calor e a umidade. Entre os materiais usados na construção, gradil em chapa metálica expandida, pedra moledo e placas de concreto, da Castelatto. No paisagismo assinado por André Orsini, figuram plantas como palmeira rabo-de-raposa, agapanto, filodendro-ondulado e capim-do-texas-rubro
Studio Tertulia/Divulgação
O projeto, assinado pelo Estúdio Pedro Haruf (@estudiopedroharuf), partiu de um programa extenso — quatro suítes, espaços sociais generosos, piscina com solário e amplo espaço gourmet — implantado em um terreno com restrições importantes.
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A região — uma ilha fluvial — sofre com cheias anuais do Rio Doce, o que exigiu que a casa fosse elevada 1,70 metros acima do passeio. “O terreno possuía uma cota de inundação significativa, então a decisão de elevar a construção foi essencial para garantir segurança e permanência”, explica o arquiteto Pedro Haruf, amigo do casal desde o ensino médio.
HALL | A entrada pela porta de alumínio com pintura amadeirada, ao lado do pilar revestido de pedra moledo, encontra um painel ripado de madeira que funciona como divisória de ambientes sem criar, no entanto, uma barreira visual. Ao fundo, carrinho de chá, da loja GP Life Decor, abriga o vaso de pedra sabão da Alva Design. Espelho da Vênica Casa
Studio Tertulia/Divulgação
A fachada revela essa estratégia e incorpora brises de alumínio de amadeirada e generosos beirais de concreto com 1,20 metros de avanço, recursos pensados para enfrentar o calor intenso e úmido da cidade mineira.
As sombras projetadas pelos brises funcionam como relógio solar, que marca a passagem das horas, além de garantir conforto término nos interiores. Na parte posterior, o imóvel se abre para o Pico da Ibituruna, integrando a paisagem ao cotidiano.
SALA DE JANTAR | O balanço Manga, desenhado pelo arquiteto Pedro Haruf para Qubo Design, fica no ponto exato onde seria o pilar. Sob o pergolado metálico com painéis de vidro escamoteáveis, o jardim tem plantas como licuala, capim-palmeira e xanadu, com paisagismo assinado por André Orsini. Nessa atmosfera, a sala de jantar é composta pela mesa preta Springboard, de Giorgio Bonaguro, com cadeiras verdes Agda, todas adquiridas na América Móveis. Quadro de Cristina Marigo, na GAL Galeria, instalado na parede revestida de placas de concreto, da Castelatto
Studio Tertulia/Divulgação
Ao atravessar o hall, já se percebe a lógica que orientou o projeto. “Eliminamos desperdícios de circulação e compactamos o volume de maneira inteligente, criando relações diretas entre interior e exterior”, afirma Pedro.
No térreo, onde se concentram os ambientes sociais, a integração é total. A ausência de um pilar na quina da sala — pedido inegociável dos moradores — foi solucionada com o deslocamento estrutural para a divisa do terreno, permitindo que o pavimento superior avance em balanço sobre o jardim lateral.
INTEGRAÇÃO | A arquitetura que valoriza as relações entre interior e exterior é o trunfo do projeto, com a sala de jantar em conexão com a área descoberta. Ao fundo, a piscina é rodeada por palmeira-solitária, palmeira-fênix, guaimbê, liriope, bromélia-imperial e pitanga. Paisagismo assinado por André Orsini
Studio Tertulia/Divulgação
No ponto exato onde o pilar deveria existir, foi instalado o balanço Manga, desenhado pelo arquiteto. Para ele, o elemento sintetiza o conceito do projeto: leveza, afeto e celebração das escolhas arquitetônicas.
Os painéis de vidro escamoteáveis sob o pergolado metálico dissolvem os limites entre living e área externa, enquanto o jardim de inverno lateral funciona como eixo de ventilação e respiro paisagístico.
ÁREA EXTERNA | O espaço gourmet foi projetado ao lado da piscina para valorizar os momentos de convivência da família, que adora receber. No andar superior, os brises de alumínio com pintura amadeirada filtram a luz direta e reduzem a carga térmica, diminuindo a transmitância para o interior. Além disso, suas sombras criam um efeito dinâmico, marcando a passagem das horas ao longo do dia
Studio Tertulia/Divulgação
A paleta privilegia o branco combinado a materiais naturais como pedra moledo, madeira e concreto aparente. A materialidade reflete não apenas a estética contemporânea, mas também a viabilidade técnica regional. A execução exigiu persistência — a aplicação da pedra, por exemplo, passou por três equipes até atingir o resultado esperado — em um processo colaborativo entre clientes, estúdio e a construtora WGS Gestor de Obra.
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Na área externa, o espaço gourmet generoso se conecta diretamente à piscina e ao quintal ensolarado, atendendo ao desejo do casal de promover encontros frequentes. É ali que a morada se expande e celebra sua vocação social. “É incrível passar os dias aqui, porque a casa vai mudando com as luzes, com as estações. Cada vez que bate uma luz diferente, a gente descobre um canto novo”, celebra a moradora.
SALA DE TV | No andar superior, o espaço oferece conforto para assistir à televisão, com sofá Platô, da América Móveis. Ao lado do grande pufe central, mesa de apoio Divisa, do Estúdio Dentro. Tapete kilim da Botteh
Studio Tertulia/Divulgação
A sala de TV, localizada no pavimento superior, organiza a ala íntima junto às suítes das filhas — ambas com closet — e à suíte máster. As circulações foram desenhadas como espaços produtivos, abrigando rouparia, área de estudos e um pequeno local de trabalho para o morador. “O projeto precisava acomodar um programa robusto em uma área restrita, sem comprometer conforto ou proporção”, destaca o arquiteto.
Mais do que resolver questões técnicas, para os proprietários, o projeto constrói pertencimento. “É o nosso refúgio. Espero poder ficar bem velhinha nessa casa dos sonhos”, resume Natália.
Com 380 m² e projetada do zero, a residência foi pensada para um casal e suas duas filhas pequenas, que desejava mais do que uma morada ampla: buscava um refúgio para viver intensamente o cotidiano, receber amigos e acompanhar o crescimento das crianças.
Acostumada à vida em apartamento, a médica Natália De Pinho Brandão descreve a mudança como transformadora. “Essa é a primeira vez que moro em uma casa. É uma experiência nova que está sendo muito bem vivida”, ela conta.
FACHADA | Com arquitetura sensível ao clima, a casa é elevada 1,70 metros acima do passeio, visto que a região sofre com enchentes anuais do Rio Doce. Os brises de alumínio pintados de cor amadeirada e os generosos beirais de concreto com 1,20 metros de avanço foram pensados para enfrentar o calor e a umidade. Entre os materiais usados na construção, gradil em chapa metálica expandida, pedra moledo e placas de concreto, da Castelatto. No paisagismo assinado por André Orsini, figuram plantas como palmeira rabo-de-raposa, agapanto, filodendro-ondulado e capim-do-texas-rubro
Studio Tertulia/Divulgação
O projeto, assinado pelo Estúdio Pedro Haruf (@estudiopedroharuf), partiu de um programa extenso — quatro suítes, espaços sociais generosos, piscina com solário e amplo espaço gourmet — implantado em um terreno com restrições importantes.
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A região — uma ilha fluvial — sofre com cheias anuais do Rio Doce, o que exigiu que a casa fosse elevada 1,70 metros acima do passeio. “O terreno possuía uma cota de inundação significativa, então a decisão de elevar a construção foi essencial para garantir segurança e permanência”, explica o arquiteto Pedro Haruf, amigo do casal desde o ensino médio.
HALL | A entrada pela porta de alumínio com pintura amadeirada, ao lado do pilar revestido de pedra moledo, encontra um painel ripado de madeira que funciona como divisória de ambientes sem criar, no entanto, uma barreira visual. Ao fundo, carrinho de chá, da loja GP Life Decor, abriga o vaso de pedra sabão da Alva Design. Espelho da Vênica Casa
Studio Tertulia/Divulgação
A fachada revela essa estratégia e incorpora brises de alumínio de amadeirada e generosos beirais de concreto com 1,20 metros de avanço, recursos pensados para enfrentar o calor intenso e úmido da cidade mineira.
As sombras projetadas pelos brises funcionam como relógio solar, que marca a passagem das horas, além de garantir conforto término nos interiores. Na parte posterior, o imóvel se abre para o Pico da Ibituruna, integrando a paisagem ao cotidiano.
SALA DE JANTAR | O balanço Manga, desenhado pelo arquiteto Pedro Haruf para Qubo Design, fica no ponto exato onde seria o pilar. Sob o pergolado metálico com painéis de vidro escamoteáveis, o jardim tem plantas como licuala, capim-palmeira e xanadu, com paisagismo assinado por André Orsini. Nessa atmosfera, a sala de jantar é composta pela mesa preta Springboard, de Giorgio Bonaguro, com cadeiras verdes Agda, todas adquiridas na América Móveis. Quadro de Cristina Marigo, na GAL Galeria, instalado na parede revestida de placas de concreto, da Castelatto
Studio Tertulia/Divulgação
Ao atravessar o hall, já se percebe a lógica que orientou o projeto. “Eliminamos desperdícios de circulação e compactamos o volume de maneira inteligente, criando relações diretas entre interior e exterior”, afirma Pedro.
No térreo, onde se concentram os ambientes sociais, a integração é total. A ausência de um pilar na quina da sala — pedido inegociável dos moradores — foi solucionada com o deslocamento estrutural para a divisa do terreno, permitindo que o pavimento superior avance em balanço sobre o jardim lateral.
INTEGRAÇÃO | A arquitetura que valoriza as relações entre interior e exterior é o trunfo do projeto, com a sala de jantar em conexão com a área descoberta. Ao fundo, a piscina é rodeada por palmeira-solitária, palmeira-fênix, guaimbê, liriope, bromélia-imperial e pitanga. Paisagismo assinado por André Orsini
Studio Tertulia/Divulgação
No ponto exato onde o pilar deveria existir, foi instalado o balanço Manga, desenhado pelo arquiteto. Para ele, o elemento sintetiza o conceito do projeto: leveza, afeto e celebração das escolhas arquitetônicas.
Os painéis de vidro escamoteáveis sob o pergolado metálico dissolvem os limites entre living e área externa, enquanto o jardim de inverno lateral funciona como eixo de ventilação e respiro paisagístico.
ÁREA EXTERNA | O espaço gourmet foi projetado ao lado da piscina para valorizar os momentos de convivência da família, que adora receber. No andar superior, os brises de alumínio com pintura amadeirada filtram a luz direta e reduzem a carga térmica, diminuindo a transmitância para o interior. Além disso, suas sombras criam um efeito dinâmico, marcando a passagem das horas ao longo do dia
Studio Tertulia/Divulgação
A paleta privilegia o branco combinado a materiais naturais como pedra moledo, madeira e concreto aparente. A materialidade reflete não apenas a estética contemporânea, mas também a viabilidade técnica regional. A execução exigiu persistência — a aplicação da pedra, por exemplo, passou por três equipes até atingir o resultado esperado — em um processo colaborativo entre clientes, estúdio e a construtora WGS Gestor de Obra.
Leia mais
Na área externa, o espaço gourmet generoso se conecta diretamente à piscina e ao quintal ensolarado, atendendo ao desejo do casal de promover encontros frequentes. É ali que a morada se expande e celebra sua vocação social. “É incrível passar os dias aqui, porque a casa vai mudando com as luzes, com as estações. Cada vez que bate uma luz diferente, a gente descobre um canto novo”, celebra a moradora.
SALA DE TV | No andar superior, o espaço oferece conforto para assistir à televisão, com sofá Platô, da América Móveis. Ao lado do grande pufe central, mesa de apoio Divisa, do Estúdio Dentro. Tapete kilim da Botteh
Studio Tertulia/Divulgação
A sala de TV, localizada no pavimento superior, organiza a ala íntima junto às suítes das filhas — ambas com closet — e à suíte máster. As circulações foram desenhadas como espaços produtivos, abrigando rouparia, área de estudos e um pequeno local de trabalho para o morador. “O projeto precisava acomodar um programa robusto em uma área restrita, sem comprometer conforto ou proporção”, destaca o arquiteto.
Mais do que resolver questões técnicas, para os proprietários, o projeto constrói pertencimento. “É o nosso refúgio. Espero poder ficar bem velhinha nessa casa dos sonhos”, resume Natália.



