Teatro transforma edifício dos anos 60 em centro cultural em São Paulo

No centro histórico de São Paulo, a fachada envidraçada se destaca na movimentada Avenida Brigadeiro Luís Antônio e sinaliza uma nova vocação para um edifício emblemático da região. Com 12 andares e 7,5 mil m², este antigo prédio dos anos 1960 abriga hoje o Centro Cultural Instituto Brasileiro de Teatro, espaço inteiramente dedicado às artes cênicas inaugurado em agosto de 2025.
Teatro transforma edifício dos anos 60 em centro cultural em São Paulo
Projetado pelo arquiteto Guilherme Malfatti, o edifício Alberto Salvatore atravessou diferentes fases de uso ao longo do tempo — entre elas, a badalada Lions Nightclub, cuja antiga pista de dança dá lugar agora ao palco. A requalificação recente, conduzida pelas arquitetas Inaê Negrão e Stéphanie Fretin, reposiciona o imóvel como um equipamento cultural contemporâneo, aberto e dinâmico. “O que inicialmente seria uma intervenção pontual e simples no térreo amadureceu conforme as necessidades do espaço cresceram”, contam as arquitetas.
Pilares de concreto, lajes nervuradas, curvas suaves, tijolos aparentes e azulejos restaurados compõem os ambientes do centro cultural. “As intervenções focaram primordialmente na abertura do prédio para a cidade e na valorização de sua estrutura bruta original”, revelam Inaê e Stéphanie.
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Fachada do Instituto Brasileiro de Teatro
Marcelo Ferraz
No térreo, a praça-palco se configura como um dos principais destaques do projeto. De acesso livre, o espaço funciona como uma extensão da rua, convidando o público a entrar e permanecer — seja para assistir a uma apresentação ou para aproveitar as comidas e bebidas da cafeteria que ocupa o local. Ali também se encontra um palco multiuso, com estrutura modular capaz de receber peças, shows, oficinas, leituras, atividades infantis e até karaokês.
A praça-palco é um dos destaques do projeto assinado pelas arquitetas Inaê Negrão e Stéphanie Fretin
Marcelo Ferraz
“A ideia foi criar um espaço de uso público como continuação da rua, transformando o local em uma grande praça pavimentada com pedra portuguesa. Essa praça se organiza ao redor de uma espaço central que chamamos de praça-palco: um palco de madeira com arquibancadas móveis e infraestrutura cênica para apresentações. Porém, o espaço cênico não se restringe ao centro do térreo: a premissa do projeto foi criar um espaço cênico ampliado, ou seja, que todo o térreo fosse palco, permitindo inúmeras possibilidades de encenação”, reforçam.
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Mais detalhes do térreo do centro cultural
Marcelo Ferraz
Nos pavimentos superiores, o foco se volta ao processo criativo. Os primeiros andares concentram eventos, enquanto os demais abrigam salas de ensaio e espaços voltados a cursos, oficinas e atividades formativas. No último nível, ainda em fase de construção, um mirante revela vistas marcantes do centro de São Paulo, como direito a ângulos privilegiados da Catedral da Sé e o Farol Santander. A proposta inclui, futuramente, a abertura de um restaurante, ampliando o uso do edifício como espaço de convivência e encontro.
Polaroids mostram como era o edifício antes da reforma
Divulgação/Instituto Brasileiro de Teatro
Vale ressaltar que o projeto do Centro Cultural Instituto Brasileiro de Teatro ainda contou com a participação da designer Camila Refinetti, responsável pelo mobiliário, e Wagner Antônio, autor do desenho de luz. O projeto de som é assinado por Guilherme Zomer e Gregory Slivar, enquanto a sinalização leva a assinatura do estúdio Alles Blau. Na equipe de arquitetura, também colaboraram as arquitetas Ana Clara Santana, Sofia Gava e Luana Pedrosa, além do escritório Gil Barbieri Arquitetura.
O centro cultural foi pensado para convidar o público a entrar e ocupar o espaço
Marcelo Ferraz
“Nosso objetivo central foi criar espaços de uso público que também fossem um espaço cênico ampliado que rompesse com a lógica do teatro convencional, estabelecendo um lugar onde a fronteira entre palco e plateia fosse fluida e dinâmica, espaço esse que funcionasse como uma extensão do espaço público, um convite aberto para que o pedestre entre e se sinta parte do instituto”, completam Inaê e Stéphanie.

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