Texturas mil e tons terrosos vestem apartamento minimalista

“Há uma sensação de resistência silenciosa neste apartamento”, descreve Lucas Jimeno Dualde, arquiteto e designer espanhol radicado em São Paulo, ao falar sobre o projeto que assina para um jovem casal e seu filho pequeno no bairro paulistano do Sumarezinho. “Não é o tipo de espaço que insiste em ser notado. Em vez disso, ele atrai lentamente.” Com 203 m², a morada traduz uma filosofia de design que prioriza a experiência sensorial sobre o impacto visual imediato, criando ambientes que se revelam gradualmente a quem os habita.
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No living, cadeira de José Zanine Caldas, quadro de Amadeo Luciano Lorenzato, na galeria Gomide & Co., tapete antigo de algodão e lã, do sul da Espanha, e pedra de Ilhabela
Fran Parente
Originalmente fechado e compartimentado, o apartamento ganhou nova vida após a intervenção que privilegiou a fluidez e a luz natural. Ao eliminar portas entre os ambientes sociais, Lucas criou uma sequência de espaços interligados em que sala de estar, jantar, cozinha e sala de brincar dialogam a todo tempo. “A planta do apartamento era fechada, com espaços pequenos e pouca luz. Ao abrir a entrada para a sala e a sala para a cozinha, a luz se distribui ao longo de toda a planta”, explica. A vista privilegiada da Serra da Cantareira, que se estende além das janelas, funciona como pano de fundo para essa generosa área de convivência.
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Cadeira de Joaquim Tenreiro e arandela de Miguel Milá para Santa & Cole
Fran Parente
Cadeira de Joaquim Tenreiro, banco mineiro antigo e aparador de freijó e palhinha desenhado por Lucas Jimeno Dualde
Fran Parente
Sofá de linho e banco desenhados por Lucas Jimeno Dualde, com tecido bordado pela artista Lúcia Vergara
Fran Parente
Marcenaria de freijó, lustre japonês de Nalata Nalata e prateleira de latão
Fran Parente
A materialidade é o coração do projeto. Tons de pedra, madeiras como tauari no piso e freijó na marcenaria, palha natural e ladrilho hidráulico na cozinha compõem o léxico de texturas cálidas e autênticas. Para Lucas, “o poder do design não está no que você vê, mas no que você quase perde: as transições entre os ambientes, a maneira como uma linha ou uma curva pode puxá-lo para a frente sem que você perceba”. Essa filosofia se materializa em detalhes como as paredes revestidas com cores minerais desenvolvidas especialmente para o projeto pela Fragoso e a carpintaria meticulosa que perpassa todos os cômodos.
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Toda a marcenaria da cozinha é de freijó
Fran Parente
A cozinha tem piso de ladrilho hidráulico
Fran Parente
A escultura “Peixe”, do artista Nino, figura na prateleira
Fran Parente
A cozinha foi interpretada como ambiente de estar, além de funcional. “Esse espaço ganhou um lugar familiar de convívio no dia a dia, com sofá e mesa desenhados e alinhados ao restante da marcenaria”, conta Lucas. “Ela se comporta como uma sala gostosa, um local para cozinhar, comer, trabalhar ou tomar um café a qualquer horário.”
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O piso do quarto é de madeira tauari e os armários são de freijó e palhinha
Fran Parente
Poucos e bons tons colorem suavemente os ambientes, como em um dos banheiros
Fran Parente
No quarto infantil, tonalidades suaves permeiam paredes, móveis e objetos de decoração
Fran Parente
A sala de brincar combina móveis antigos e contemporâneos
Fran Parente
O mobiliário combina design autoral, principalmente brasileiro, com criações de ícones como Zanine Caldas e Joaquim Tenreiro, que acompanham obras de Amadeo Luciano Lorenzato nas paredes e cerâmicas Francisco Brennand. “Um equilíbrio na paleta de materiais: texturas, cores, madeiras, palha, tecidos. Uma construção conjunta a partir daquilo que já estávamos explorando”, resume o designer sobre o processo criativo, que partiu de conversas profundas com os moradores e do entendimento mútuo sobre modos de viver. Como define Lucas, é um espaço que não exige que você o olhe, mas que convida a sentir.
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