11 perrengues que você não imagina que podem acontecer em uma reforma

Ao construir ou reformar seu lar, é importante atentar-se a erros simples, mas que são muito cometidos. Desde o planejamento até a execução, escolhas equivocadas podem tornar o sonho de uma casa linda em pesadelo.
A pressa em ver o resultado ou a tentativa de reduzir custos acaba comprometendo a harmonia do projeto e a praticidade dos ambientes. Uma obra bem-sucedida não se baseia apenas em escolher os objetos certos, mas em garantir que cada etapa funcione dentro do prazo, sem estourar o orçamento.
Confira os principais erros cometidos e dicas de especialistas para não cair nessas ciladas!
Fazer um planejamento com antecedência é essencial para que a obra aconteça de forma organizada e com menos imprevistos
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1. Risco de desabamento
Optar por soluções rápidas e baratas na obra pode sair caro no futuro. Com novas demandas de elétrica, hidráulica ou ar-condicionado, as passagens provisionadas pelas construtoras geralmente não comportam a quantidade necessária de fiação e tubulações. Surge então uma das gambiarras mais comuns: rasgar vigas ou pilares para acomodar tubulações.
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O problema é que essas estruturas funcionam como o esqueleto da edificação. Ao quebrar o concreto, rompe-se o equilíbrio estrutural e expõe-se a ferragem interna à umidade. “Com o tempo, a ferragem enferruja, incha e rompe o concreto de dentro para fora, podendo causar desde trincas severas nas paredes até riscos reais de desabamento”, alerta a arquiteta Shirlei Proença.
Antes de furar as paredes para adicionar mais fios, é importante verificar se não se trata de uma viga ou pilar, evitando assim problemas estruturais
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2. Curtos-circuitos eminentes
Outra improvisação recorrente é o subdimensionamento da fiação elétrica, quando se utiliza o mesmo fio fino da iluminação para tomadas — ou, ainda pior, para chuveiro e ar-condicionado. Esses fios não suportam a carga de equipamentos potentes: aquecem, derretem a proteção plástica e podem provocar curtos-circuitos ou até incêndios.
3. Infiltrações fora de controle
Quando uma parede começa a descascar por causa da umidade, é comum optar por soluções paliativas: raspar, aplicar massa corrida acrílica ou pintar com tinta impermeável para “esconder” o problema.
No entanto, maquiar infiltrações em vez de tratá-las é uma falsa economia, já que a água sempre encontra um caminho. Se não conseguir sair pela parede selada, ela pode subir ou descer para o piso. O mofo se prolifera por trás do “curativo”, causando mau cheiro e trazendo riscos à saúde dos moradores, como problemas respiratórios.
Disfarçar infiltrações em vez de tratá-las não é uma boa ideia. A água sempre encontra um caminho para sair da parede, e o problema reaparece, muitas vezes de forma ainda mais grave
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4. Pisos trincados
Apesar de evitar o custo e a sujeira de quebrar o piso antigo, assentar “piso sobre piso” usando argamassa comum (AC1 ou AC2) em vez da argamassa específica (piso sobre piso ou AC3) é um problema. O piso antigo não tem a porosidade de um contrapiso rústico e a argamassa simples não tem aderência química suficiente para grudar na superfície lisa. Então, em alguns meses, os pisos novos começam a se soltar, soar ocos e até trincar ao pisar.
5. Trabalho mal feito
Escolher mão de obra apenas pelo preço pode sair muito caro. Profissionais mais baratos, mas sem qualificação adequada, tendem a cometer erros de execução que geram retrabalho, desperdício de materiais e atrasos no cronograma.
6. Escolher materiais que não são práticos
Muitas referências, apesar de lindas, podem esconder problemas de manutenção constante ou falta de praticidade. Alguns itens são esteticamente “perfeitos”, mas costumam gerar arrependimento e dor de cabeça em pouco tempo.
Por exemplo, as cubas esculpidas em pedra, com fundo reto e cantos vivos, são lindas e minimalistas. O problema é que o fundo totalmente plano e os ângulos de 90 graus dificultam o escoamento da água. Isso favorece o acúmulo de resíduos de sabonete, barba ou pasta de dente, que acabam aderindo às quinas. A limpeza, portanto, exige mais cuidado e o uso de escovas específicas para alcançar os cantos.
O piso de cimento queimado, apesar de seu visual moderno e atraente, pode ser difícil de manter. Por ser poroso e sensível, mancha com facilidade e exige cuidados constantes
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O cimento queimado, ou piso monolítico, é uma opção polêmica. Apesar de apresentar um visual chamativo nas lojas, risca e mancha com facilidade. “Eu deixei de indicar esse tipo de revestimento”, comenta Shirleia. Por ser artesanal, poroso e sensível, o material exige cuidados constantes e manutenção criteriosa.
Os pisos polidos de alto brilho também podem se tornar um problema, especialmente em cozinhas e banheiros. No dia a dia, representam risco de segurança, já que ficam escorregadios quando molhados. Além disso, a limpeza é trabalhosa: qualquer mínima sujeira, até mesmo poeira, fica marcada na superfície.
Calcular o orçamento com antecedência é essencial para reduzir a presença de gastos surpresa durante a obra. Um planejamento financeiro bem estruturado permite prever custos, organizar prioridades e manter o projeto dentro do limite estabelecido
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7. Não ter um orçamento realista
Antes de iniciar a obra, elaborar um orçamento detalhado é fundamental para que ela siga no ritmo certo e evite gastos inesperados. “Planejamento é a melhor solução para não termos surpresas”, afirma a arquiteta Vivi Cirello. Quando tudo está organizado em uma planilha desde o início, os custos extras tendem a surgir apenas por imprevistos da reforma, e não por mudanças de projeto ou indefinições de acabamentos e fornecedores.
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Além disso, os custos devem ser calculados de forma realista, sem subestimar nenhum gasto. É essencial equilibrar expectativas com o orçamento disponível. Uma boa estratégia é separar os valores por categoria, começando pela mão de obra — demolição, construção, elétrica e hidráulica, por exemplo. Em seguida, avançar para revestimentos, paisagismo, louças e metais.
Reservar uma parte do orçamento para emergências é essencial para cobrir custos imprevisíveis durante a obra
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Uma boa técnica é sempre incluir uma reserva para emergências. “O padrão para imprevistos é de 20% na média”, explica Shirlei. Se possível, defina tudo antes de começar a obra: pisos, louças, metais e equipamentos. As mudanças no meio da obra são as maiores vilãs do orçamento.
8. Não fazer contratos
Ao cotar preços, sempre solicite mais de um orçamento. Comparar diferentes fornecedores ajuda a identificar serviços com valores muito altos ou muito baixos — sinais de alerta importantes. No momento de fechar com a empresa escolhida, formalize tudo em contrato, incluindo o máximo de detalhes sobre materiais e, principalmente, os prazos de execução.
Formalizar a aquisição de todos os serviços e produtos por meio de contratos é essencial para garantir que tudo seja realizado corretamente e dentro do prazo. O contrato deve detalhar materiais, valores e prazos de execução, oferecendo segurança tanto para o cliente quanto para os fornecedores
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9. Não planejar a logística da obra
A logística da obra não deve ser tratada como um detalhe, mas sim como a etapa principal do planejamento. “A importância de tudo ser pensado com antecedência é não perder tempo com o que pode ser evitado”, destaca Vivi.
No caso de condomínios, a documentação exigida costuma ser extensa. Primeiro, é necessário verificar as regras internas, como horários permitidos para execução e entrada de materiais. Além disso, a maioria dos condomínios solicita a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) ou Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), assinada por um engenheiro ou arquiteto, como condição para liberar a obra.
Os documentos como Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) são exigidos para que uma obra seja realizada de forma legal e segura. Eles comprovam que há um profissional habilitado, engenheiro ou arquiteto, responsável pelo projeto e pela execução
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10. Materiais que não cabem
Um problema logístico comum é comprar o material e descobrir, na hora da entrega, que ele não chega até o local. Por isso, é fundamental medir previamente as passagens — corredores, elevadores e escadas, principalmente as mais estreitas.
Peças grandes, como bancadas de pedra, chapas de vidro ou sofás, muitas vezes não passam e precisam ser içadas. Esse processo exige autorização do condomínio, agendamento prévio e gera custos adicionais.
11. O descarte das sobras pede atenção
Principalmente em apartamentos, o planejamento para o descarte de entulho deve ser feito com antecedência. Geralmente é necessário solicitar autorização para o uso dos elevadores, verificando o limite de peso e os horários permitidos para transporte. Também é preciso considerar as caçambas: há regras diferentes em cada prefeitura sobre o tempo máximo de permanência e sobre a viabilidade de manobra do caminhão para retirá-las.

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