Como combinar persianas e cortinas na mesma janela? Aprenda com dicas simples

Ter cortina e persiana em uma mesma janela pode parecer exagerado, mas, com utilidades distintas e complementares, podem ser combinadas sem prejuízo estético. “O primeiro passo é entender a função de cada produto. Muitas vezes, é importante utilizar persianas e cortinas juntas, porque cada uma atende a uma necessidade diferente”, fala a designer de interiores Jordana Fraga.
Enquanto a persiana cumpre papel funcional — garantindo conforto visual, bloqueando o sol, protegendo pisos e móveis contra danos e oferecendo a opção de escurecimento total (blackout) — a cortina atua de forma complementar, trazendo aconchego, leveza e fluidez.
“Hoje, muita gente tem usado a persiana como se fosse um ‘forro’ da cortina, evitando aquele volume excessivo de tecido e o efeito visual pesado de duas camadas aparentes”, coloca Jordana.
O espaço de refeições traz cortinas e persianas da ACB Casa, mesa Tucano, de Roberta Banqueri, com conjunto de cadeiras Prima, de Bernardo Figueiredo. Pendente Cartesio, da FAS
Felipe Cuine/Divulgação | Projeto do escritório Manarelli Guimarães
O arquiteto Thiago Manarelli, do escritório Manarelli Guimarães, sugere a aplicação de uma cortina leve em estilo xale como complemento para a persiana. A solução evita o “amontoado” de tecido recolhido no canto, quando a cortina está aberta, em especial em aberturas muito grandes, e também ocupa menos espaço no cortineiro.
“Quando vamos vestir as esquadrias, usamos a persiana para proteger as janelas de maneira mais limpa visualmente. O xale traz esse equilíbrio e fluidez, evitando o visual pesado”, ele diz.
Bem iluminado com as grandes aberturas de vidro, o ambiente ganha controle da luz e privacidade com cortinas de linho branco e persianas de madeira com acabamento branco, da Amorim Cortinas
Renato Navarro/Divulgação | Projeto do escritório BS Arquitetos
Quando a combinação de persiana + cortina é indicada?
Na sala de estar, Thiago recomenda usar o xale fixo, não como cortina, uma vez que a persiana, normalmente translúcida, já traz privacidade e controle de luminosidade. “Em escritórios ou quarto de hóspedes, indicamos a persiana de madeira, e também em salas de banho, porque a madeira funciona quase como um brise”, coloca.
Para janelas sem persiana integrada, muitas vezes recorre-se à cortina blackout para garantir escuridão total. No entanto, o grande volume, a textura pesada e a estética pouco agradável fazem com que essa solução não seja a mais sugerida.
A suíte infantil tem persiana horizontal de madeira da Amorim, com cortinas executadas pela cortineira Lourdes Maria
Lília Mendel/Divulgação | Projeto do escritório A+G Arquitetura
“No caso do blackout em tecido, toda vez que eu preciso abrir a cortina durante o dia, para iluminar, arejar a casa ou simplesmente usar o ambiente, eu tenho que recolher aquele volume grande de tecido para o lado, o que acaba não ficando agradável visualmente”, avalia Jordana.
Para evitar isso, os especialistas sugerem o uso de uma persiana blackout, que só é acionada quando necessário.
Cortina em gaze de linho da SttilloRio à frente da persiana rolô blackout da Vogaflex. Na área da cama, painel do tipo lambri, fornecido pelo marceneiro Fabiano, responsável também pelo armário baixo em MDF Titanio, da Duratex, com tampo de quartzito Taj Mahal, fornecido pelo marmorista Itamar
Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do Studio Pipa Arquitetura
“Para quartos, onde é preciso ter proteção visual, usamos cortina para conseguir fechar todo o vão e dar essa duplicidade de sensações, com o blackout total da persiana e a cortina trazendo permeabilidade de luz”, fala o arquiteto.
“No dia a dia, o que aparece é uma cortina leve e fluida na frente, mantendo o ambiente bonito e elegante”, destaca Jordana.
As grandes esquadrias de alumínio preto, da Manteze Esquadrias, permitem a vista externa, enquanto as persianas horizontais, da Hunter Douglas, da Casa Mineira, propiciam privacidade quando necessário. Cortinas de linho misto, executadas pela Casa Mineira
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Carolina Gouvea
O mesmo raciocínio vale para ambientes com muita insolação ou grandes aberturas de vidro. Quando a opção é pelo forro de tecido tradicional, o volume também acaba ficando acumulado nas laterais, o que impacta na fluidez e leveza da composição.
Para aquecer a paleta branca e cinza, o escritório acrescentou um tom de bege nas paredes, com a tinta Papel Picado, da Suvinil, e tecidos crus, como o linho do sofá da Móveis Campo Largo e a persiana e o chale da Horizonte Cortinas
Eduardo Macarios/Divulgação | Projeto do escritório Lumi Arquitetura
“Quando o sol está forte e o calor entrando, a função passa a ser proteção solar. Nesse momento, eu baixo a persiana estilo tela solar e resolvo a questão térmica e de luminosidade sem precisar lidar com volume de tecido. E a cortina continua ali na frente, leve, trazendo estética e aconchego”, ensina a designer de interiores.
Cuidados antes de combinar cortina + persiana na mesma janela
De acordo com os profissionais, antes de pensar na estética, é essencial garantir que a estrutura permita essa composição. O primeiro item a ser analisado é a estrutura de fixação.
O canto de leitura tem cortina de linho e persiana da Uniflex. Poltrona Kudasay, de Ricardo Fasanello, na Espaço Fátima Lima. Ao lado, o banco Phillips e a luminária Memory, ambos de Jader Almeida, na Mazzullo
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do arquiteto Roby Macedo
“É fundamental entender se existe espaço suficiente para acomodar os dois produtos. O trilho ou o suporte precisam ter profundidade adequada para que a persiana e a cortina funcionem bem juntas, sem comprometer o visual ou o uso no dia a dia”, detalha Jordana.
Outro ponto importante são as fechaduras, maçanetas e o tipo de esquadria da janela ou porta-balcão, elementos que interferem diretamente na escolha do modelo e na instalação.
O canto de descanso funciona como antessala entre a sala de estar e a varanda e traz cortina com persiana junto à poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, na 4 Elementos, que também forneceu a mesa lateral Urbana, de Roberta Banqueri
Eduardo Macarios/Divulgação | Projeto da arquiteta Jéssica Gnoatto
“A partir dessa análise, consigo definir a melhor forma de combinar as duas peças. Porque, em alguns casos, simplesmente não há espaço suficiente no vão. Nessas situações, é necessário adaptar a solução, escolhendo outro sistema ou reposicionando a instalação”, diz Gustavo.
Isso acontece porque a persiana não é fluida como um tecido. Ela tem uma base metálica inferior (barra de peso) que precisa descer livremente, sem enroscar em nada, principalmente na maçaneta. “Precisamos considerar um afastamento mínimo, que normalmente gira em torno de 10 a 12 cm da esquadria”, ele orienta.
Varanda com persiana de tela solar, da Hunter Douglas, e tapete de Bete Cunha Tapetes, que também forneceu os tecidos das cortinas executadas por Telma Brito Ateliê
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Romario Rodrigues Arquitetos
“Agora, se eu quero trabalhar com uma cortina modelo wave, que precisa de caimento bonito e fluido, preciso de mais espaço ainda, para que o tecido não fique ‘brigando’ ou encostando na persiana”, continua o especialista.
Por isso, na prática, é recomendado um espaço de, pelo menos, 25 cm de profundidade para garantir que a persiana funcione corretamente, a cortina tenha movimento e leveza, e o resultado da composição seja limpo e sofisticado, sem “emaranhados”. “Se tiver menos que isso, começa a comprometer tanto a funcionalidade quanto a estética”, argumenta Gustavo.
No amplo estar, a composição de persiana da Amorim Cortinas com a cortina fluida faz pano de fundo a estante, que funciona como rack, bar e acomoda objetos decorativos, executada pela D’Casa Móveis Planejados
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório UP3 Arquitetura
O espaço de boas dimensões também garante acomodar com conforto tecidos mais encorpados, assim como uma luz indireta no cortineiro. “A luminária precisa de espaço para vazar por cima da da sanca e iluminar a cortina”, explica Thiago.
Como combinar os tecidos e materiais
Apesar da ampla gama de tecidos disponíveis no mercado — e até de materiais como madeira para as persianas —, uma combinação mais neutra acaba sendo a preferência para a dupla de acessórios.
A sala de estar tem persiana de madeira da Hunter Douglas e cortinas de tecido, fornecidas pela Vector Persianas
Carolina Mossin/Divulgação | Projeto do arquiteto Pedro Olavo
“Existe a tendência de usar tons neutros e semelhantes, justamente para não chamar tanta atenção. A ideia é que esses elementos complementem o ambiente, e não sejam o foco principal”, indica Jordana.
Trabalhar com texturas e tonalidades bem próximas nos dois acessórios traz mais harmonia e não pesa no ambiente. “Hoje, as marcas têm uma variedade grande de tecidos. Essa diversidade permite trabalhar com a mesma pigmentação, a mesma textura e até a mesma cor entre a cortina e a persiana, o que facilita na composição”, aponta a designer.
Na suíte do casal, a escolha foi pela persiana da Hunter Douglas, na Cortinaria, que também forneceu a cortina de linho natural e a roupa de cama
MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Brito Velho/Divulgação | Projeto da arquiteta Natália Lemos
Ainda segundo Jordana, tecidos que “conversam” entre si são aqueles que mantêm harmonia de cor, textura e linguagem, sempre respeitando o conceito do projeto e o estilo do morador. “Quando falamos de combinar cortinas e persianas, existem várias possibilidades e tudo começa pela função e pelo estilo do ambiente”, diz.
Por exemplo, para uma persiana com tecido translúcido, a composição com tecidos leves e fluidos, como voil ou linho, mantém a leveza e a entrada de luz natural. “Se a proposta for um ambiente clássico, é possível usar tecidos mais encorpados, trazendo presença e elegância ao espaço, além de ajudar no conforto térmico e acústico”, ela fala.
A moradora Maria Luísa da Costa Gontijo está no sofá Caravelas com chaise, da Casa Barroco, com almofada e manta da Objeto Casa Têxtil. Ao fundo, a varanda tem mesa e cadeiras da ArteShow, no Mercado Livre, onde também foram adquiridos o ombrolone e a persiana. Cortinas da Casa Blanca
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório Mariana Jerônimo Arquitetura
Já em cômodos minimalistas, recomenda-se cortinas leves e neutras, com aspecto “frio” e clean, que reforçam a sensação de leveza e simplicidade. “No fim, a melhor combinação é aquela que traduz o estilo do ambiente e atende às necessidades do morador”, destaca Jordana.
Para trazer personalidade e movimento ao conjunto, Thiago sugere “brincar” com o contraste de texturas. “Se a persiana é simples, usamos um xale encorpado, tramado. Se a persiana tem um visual interessante, vamos para um xale um pouco permeável e leve”, ele comenta.
O quarto infantil recebeu cortinas em tecido verde da Donatelli e persiana branca da Unilux
Estúdio NY18/Divulgação | Projeto do escritório Dubal Arquitetura
No caso dos xales decorativos, o arquiteto indica usar tecidos que tenham peso para assentar bem nas laterais e ter mais presença. “Normalmente, não fazemos tudo da mesma cor, criamos um pouco de contraste de tom. Se a persiana é escura, escurecemos o xale, se a persiana é clara, mantemos o xale acima do tom, de maneira que fique perceptível”, ensina.
Usar um detalhe no tecido, na barra ou na prega, como um toque de cor de acordo com a paleta da casa ou um barrado, são outras formas de acrescentar identidade à composição. “Tem projeto que pede o contrário, neutralizar o xale, porque queremos chamar atenção para uma cor interna ou que a tonalidade da parede dê continuidade ao xale e destaque a persiana”, aponta Thiago.
Persianas rolô e cortinas de tecido ajudam a filtrar a luz natural no home office
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto de arquitetura de Felipe Caboclo | Projeto de interiores do escritório NJ+ | Paisagismo por Hanazaki Paisagismo
O arquiteto sugere a persiana silhouette (que combina lâminas de tecido em formato de “S” suspensas entre duas camadas de véu translúcido) ou a persiana de madeira junto com o xale de linho. “Gostamos da persiana rolô, de tecido encorpado e com mais peso. E também a persiana de madeira com xale de veludo, que gera contraste de materialidade”, coloca.
O painel de lâmina natural de carvalho e palhinha, executado pela Marcenaria Coraggio, traz um desenho exclusivo que se tornou um dos destaques do estar. Cortinas e persianas da ACB Casa
Felipe Cuine/Divulgação | Projeto do escritório Manarelli Guimarães
Na parte frontal, Jordana indica usar cortinas de trilho, porque isso evita volume excessivo e deixa o visual leve e organizado, combinada com uma persiana leve com proteção solar. “Uma cortina de linho ou até uma cambraia, que traz ainda mais fluidez e caimento super leve. Fica muito bonito, elegante e atemporal, com bastante transparência e entrada de luz”, relata.
Como combinar as cores das cortinas e das persianas
Em relação às cores dos tecidos e materiais, não existe certo e errado, segundo os profissionais: tudo depende do conceito do projeto e da intenção. “Eu olho todo o mobiliário, o revestimento, a iluminação e decido se a janela vai aparecer ou se ela vai só complementar”, comenta a designer.
Integrado à suíte e ao banheiro, o ambiente tem cortinas de linho e persianas blackout que filtram a luz natural vinda da grande abertura de vidro, de onde se contempla a vista
Renato Navarro/Divulgação | Projeto do arquiteto Bruno Silva, à frente do escritório BS Arquitetos
“Se quero algo discreto, mais elegante, que não chame tanta atenção, trabalho com cores no mesmo padrão ou tons próximos, na mesma paleta, tudo conversando entre si. Agora, se a ideia é trazer destaque, personalidade e criar um ponto de interesse, posso trabalhar com cores diferentes e contrastantes. Mas sempre com cuidado, pra não brigar visualmente”, ela ressalta.
Thiago aposta em xales com tramas fortes, para dar destaque à peça, mesmo que o tom seja neutro. Quando é de veludo, o arquiteto arrisca uma cor, trazendo personalidade. “Se é uma persiana silhouette, usamos gaze de linho ou linho 100% natural, que tem peso e trama, dando um ar mais despojado”, comenta.

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