Tons de verde, linhas geométricas e toque acolhedor guiam projeto de loja em SP

Com a proposta de refletir as múltiplas faces do que é ser mulher hoje, nasceu o projeto da nova loja da Shoulder no Shopping Iguatemi São Paulo, localizado no Jardim Paulistano.
Assinado pelo escritório Renata Gaia Arquitetura, o projeto tem como conceito central a geometria da ampulheta, símbolo que acompanha o rebranding da marca e sintetiza o lema de acolher mulheres multifacetadas.
O objetivo é que esta unidade, com aproximadamente 240 m², seja convidativa desde a vitrine, com uma fachada que foge do alinhamento dos demais estabelecimentos do shopping.
ÁREA PRINCIPAL | O mobiliário foi pensado para trazer textura confortável e acolhedora. Poltronas Easy, da Casa Atica. Bar café Hélio, desenho do escritório Renata Gaia Arquitetura. O tapete Vínculo, criado em parceria entre a fábrica Trapos e Fiapos e a arquiteta e designer Juliana Pippi, foi adquirido na loja Mau
Ruy Teixeira/Divulgação
Outro ponto importante foi a transformação do fundo da loja com o uso de brises, que se destacam pela multifuncionalidade. “Quando a loja está fechada, a porta de correr se movimenta e o brise torna-se o elemento principal da vitrine”, destaca a arquiteta Renata Gaia.
O friso do piso também reforça essa geometria convidativa. Feito em aço inox, conecta a entrada às araras, guiando a jornada dos clientes.
CIRCULAÇÃO | Sofá garimpado, adquirido na loja Verniz. A mesa de centro Garoa, desenhada pelo escritório e executada em parceria com a VEDAC, combina blocos de cimento com madeira jatobá esculpida. O acabamento traz a textura Chuva, desenvolvida pela VEDAC e inspirada nas chuvas da região Norte do país
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Para trazer mais dinamismo, as araras foram posicionadas em disposição de zigue-zague, garantida por uma pequena inclinação associada à iluminação própria.
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Na composição do mobiliário, a aposta foi na mistura entre peças novas e garimpadas. Um dos destaques é o sofá, adquirido na loja Verniz, antiquário paulistano especializado em peças modernistas. Sua estrutura e madeira evocam o estilo das décadas de 1950 e 1960, trazendo ao espaço um toque de memória.
ÁREA PRINCIPAL | O espaço central conta com revestimento de parede da Ecopaper e piso em porcelanato da Portobello Shop. A marcenaria e as araras de inox, que trazem dinamismo à arquitetura da loja, são da Argix Marcenaria. Poltrona Wrap Drive, do Estudio Mezas. Projeto luminotécnico desenvolvido pela LD Studio
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“Falo que esse sofá existiu antes da Shoulder, mas foi feito para a marca, porque além da madeira misturada com o aço — que dialoga com a identidade da loja — ele traz nos braços um detalhe que retoma a marcenaria de antigamente, feita a partir de encaixes”, ressalta Renata.
A decoração conecta e mantém a coerência visual entre os diferentes espaços da unidade. “Todas as escolhas foram direcionadas para contar sobre as multifacetas das mulheres Shoulder”, pontua a arquiteta. Entre essas escolhas estão os vasos de Heloisa Galvão na paleta de cores da marca, bandejas de madeira entalhadas com faces e arestas, além de livros sobre trabalhos de mulheres e sobre exposições recentes do MASP, instituição parceira da Shoulder.
DETALHE | A paleta de cores da loja se inspira no brandbook da marca, com destaque para os tons de verde e terrosos. O bar café Hélio é um desenho do escritório Renata Gaia Arquitetura, com execução da Argix Marcenaria, também responsável pelas araras e pela marcenaria
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Na área central da loja, o tapete aposta em uma trama que combina fibras naturais, taboa e algodão. A peça, com tear diagonal, foi criada pela arquiteta Juliana Pippi em parceria com a Trapos e Fiapos, fábrica têxtil que utiliza tear de redes em Santa Rita, no Piauí.
A paleta de cores inclui tons de verde em diálogo com o brandbook da marca. “O verde avocado, por exemplo, é o tingimento da folha de madeira natural do painel. O terracota está presente nas poltronas e no tapete, e o bege acinzentado do piso confere harmonia ao conjunto”, comenta Renata.
PROVADORES | Poltrona Warp Drive, do Estudio Mezas. Luminárias da Light Design. O paisagismo é assinado por Bia Abreu
Ruy Teixeira/Divulgação
Por trás do painel de madeira ficam os provadores. Ali, a proposta foi criar uma área ampla e confortável, assim cada provador recebeu ganchos e uma estrutura semelhante a um guarda-roupa. “A ideia é que o espaço fosse funcional, mas também transmitisse a sensação de casa”, diz a arquiteta.
Para o mobiliário dessa área, foram escolhidos pufes e poltronas com braço. As texturas e tecidos selecionados complementam o toque acolhedor, sem deixar de lado soluções duráveis e resistentes, compatíveis com o fluxo da loja.
PROVADOR | O ambiente foi pensado para acolher e ser funcional. Ao centro, a cadeira Monique, que homenageia uma das diretoras da Shoulder, é uma parceria do escritório Renata Gaia Arquitetura e VEDAC. Marcenaria da Argix Marcenaria. Cortinas da Ecosimple. Tapetes da Miro. Carpete da Naturalli. Projeto luminotécnico da LD studio
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O design autoral também se faz presente e homenageia as líderes da marca. As cadeiras Monique foram desenhadas pelo escritório e executadas pela VEDAC. “É uma peça especial porque traz em um único elemento todas as faces que trabalhamos nesta loja. Foi esculpida em madeira como síntese da arquitetura e da marca”, afirma a arquiteta. Há, ainda, as cadeiras Ale, que propõem outra interpretação das multifaces das mulheres Shoulder.
Como forma de reforçar o conforto, plantas complementam o projeto. Assinada pelo escritório Bia Abreu Paisagismo, a proposta natural priorizou espécies que se adaptam melhor a ambientes fechados.
ÁREA DE ATENDIMENTO | No espaço, predomina o tom verde avocado inspirado no brandbook da marca. Banquetas Brandina, de Quintino Facci. Paisagismo de Bia Abreu. Marcenaria da Argix Marcenaria
Ruy Teixeira/Divulgação
O paisagismo tem folhagens robustas e arejadas, garantindo privacidade sem bloquear a vista. Entre elas estão strelitzias, camedórea-bambu, orelha-de-elefante-gigante, costela-de-adão, íris azul, moréia branca, lírio-do-amazonas e antúrio gigante da amazônia.
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“Com a vegetação, fomos criando brises que complementam a marcenaria. Priorizamos espécies tropicais — nem todas nativas — mas que remetem à brasilidade da Shoulder”, conta a paisagista Bia Abreu. A unidade visual entre floreiras e pisos também era essencial. “Utilizamos o mesmo acabamento de forma a mimetizar ambos os materiais”, ela acrescenta.

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