Decoração atemporal: os segredos de uma casa que nunca sai de moda + 26 ideias

Uma decoração atemporal não se prende a tendências, mantendo relevância estética e funcional ao longo dos anos. Embora a atemporalidade absoluta seja impossível — visto que design e arquitetura sempre refletem marcas de sua época — essa proposta aposta em materiais e peças cuja principal característica é a permanência, trazendo equilíbrio e durabilidade aos ambientes.
Na arquitetura contemporânea, esse aspecto é traduzido em linhas limpas, funcionalidade e equilíbrio, priorizando o essencial em vez do excesso.
“Trata-se de um lar que não se prende a um período específico, mas valoriza a essência e a história de quem o habita”, destaca a arquiteta Jessica Gnoatto, do escritório homônimo.
A suíte com decoração leve e atemporal traz toques de cor nos quadros da artista Gabriela Machado ao lado da cama. Mesa de apoio da Kartell. Luminária Tolomeu. Roupa de cama da Trousseau
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Ana Moura Ana Higino Arquitetura
Essa proposta ainda valoriza sutilezas. “É importante apostar na verdade dos materiais, isto é, investir em boas proporções, materialidade honesta e permanência”, complementa a arquiteta Luiza Ceruti, do escritório CODA Arquitetura.
Paleta de cores para a decoração atemporal
A base de uma decoração atemporal costuma ser neutra, criando um pano de fundo duradouro. Tons como branco, bege e cinza garantem leveza e longevidade.
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A introdução de cores pode ocorrer de forma pontual. “Para evitar monotonia, esses tons são contrastados com toques de cor, como azul, verde ou até vermelho, trazendo profundidade e personalidade sem comprometer a durabilidade visual do espaço”, ressalta a arquiteta Ana Carolina Higino.
Cores neutras marcam o décor do ambiente, que tem cabeceira da Zeea. Iluminação da Dimlux
Marco Antonio/Divulgação | Projeto do escritório Estudio Glik de Interiores
Verde e azul são frequentemente utilizados por remeterem à natureza. “Essas cores podem aparecer em elementos como tapeçarias, obras de arte, poltronas ou objetos decorativos”, orienta Jéssica.
Materiais para a decoração atemporal
Em relação aos materiais, há uma valorização das opções naturais. “A atemporalidade reside naquilo que melhora com o tempo e suas marcas”, sintetiza Luiza. Pedra natural, madeira maciça, madeiras, metais que oxidam com elegância, tecidos como linho, lã e couro, são exemplos de materialidades que combinam com essa proposta.
O ambiente é minimalista e atemporal, ao apostar na madeira e nos materiais naturais para contrapor ao branco dominante. Marcenaria da RS Nespoli. As cadeiras Thonet complementam a mesa de jantar, a qual ganhou tampo de mármore antigo. Torneira modelo Nova DocolVitaliso
Renata Freitas/Divulgação | Produção: Pualani di Giorgio/Divulgação | Projeto do escritório Sensum Arquitetura
É importante atenção também aos acabamentos. “Foscos ou acetinados devem ser priorizados, evitando superfícies muito brilhosas, que tendem a datar rapidamente, comprometendo a sensação de atemporalidade”, explica Jéssica.
Para criar uma decoração atemporal, vale investir em materiais naturais e cores neutras, construindo uma atmosfera que transmite permanência e equilíbrio. No banheiro, o revestimento da Colormix reforça essa proposta
Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do arquiteto André Braz
Móveis para a decoração atemporal
O mobiliário é um dos elementos que definem a vivência do espaço. “Investir em peças com materiais duráveis, confortáveis, que possuam soluções de design que façam sentido é essencial”, pontua Luiza.
Uma das indicações dos profissionais é investir em móveis de design assinado ou inspirados em linhas clássicas do design moderno, que se mantêm atuais ao longo dos anos.
Na sala de estar com TV, o design atemporal do mobiliário brasileiro inclui a poltrona Dora, de Jader Almeida. Cortinas de linho da Donatelli e xales de tecido da JRJ, com execução de Alex Fernandes Cortinas
Fabio Severo/Divulgação | Projeto da arquiteta Juliana Pippi
“Um exemplo são as criações de Sérgio Rodrigues, reconhecidas pela qualidade, autenticidade e permanência estética. O mobiliário brasileiro da década de 1970 também se destaca como uma forte referência, especialmente pelas peças em jacarandá, que combinam robustez, elegância e um desenho marcante, mas ainda contemporâneo”, diz Ana.
Peças de design assinado, como a poltrona Mole de Sergio Rodrigues, na 4 Elementos, reforçam a sensação de atemporalidade. A composição se completa com a mesa lateral Urbana, de Roberta Banqueri; aparador sob medida em carvalho natural com estrutura em serralheria grafite; tapete da Botteh Curitiba; e objetos decorativos da Pangea Decor
Eduardo Macarios/Divulgação | Projeto da arquiteta Jéssica Gnoatto
Itens decorativos sóbrios e plantas
Para compor a decoração atemporal, a escolha de elementos que carreguem significado é fundamental. Livros, vasos transparentes, esculturas e obras de arte são opções viáveis, que enriquecem o ambiente sem vinculá-lo a tendências.
A incorporação de lembranças de viagens e objetos com valor afetivo também cria uma decoração com personalidade, sem ficar datada.
Cerâmicas, vasos e livros são itens que podem complementar a decoração atemporal. O bufê com acabamento de laca branca, executado pela Lacca Móveis, serve de apoio. Abajur e quadro branco na prateleira superior da Casa Ocre. Bandeja de madeira da loja Rosa Kochen. Vasos e objetos de cerâmica variados da Casa Ocre e da loja Rosa Kochen. Quadro azul do acervo dos moradores. Plantas das espécies dipladenia (prateleira) e orquídea dendrobium
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Gabriela Ikeda
As plantas também reforçam a atemporalidade. “Diferentemente de muitos objetos sujeitos a modismos, a vegetação está presente na história da humanidade há milhares de anos, trazendo frescor, bem-estar e conexão com a natureza”, explica Jéssica.
O indicado é priorizar plantas naturais. Em apartamentos e espaços compactos, é possível utilizar orquídeas, cactos e costelas-de-adão, devido à resistência e ao cuidado simplificado. Espécies como fícus, jiboias, filodendros e peperômias também são indicadas.
O ambiente, marcado por cores neutras e muito verde, conta com rack em lâmina natural de freijó com palhinha indiana, projetado pelo escritório e executado pela Atual Móveis Planejados
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório CODA Arquitetura
Um aspecto importante para a decoração atemporal, mais do que elementos em si, é a composição. “O segredo está no contraponto. Combinar elementos duradouros com uma estética mais contemporânea e equilibrada cria um diálogo interessante e valoriza tanto as peças quanto o ambiente na totalidade”, afirma Ana.
Para o canto de leitura, foi usada uma poltrona Mole e banquinho Mocho, ambos de Sergio Rodrigues, na Arquivo Contemporâneo, loja que também forneceu a mesa lateral Jardim, de Jader Almeida. Luminária de piso do Studio Nara Maitre. Quadro da artista Mai-Britt Wolthers. Tapete da Galeria Hathi
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório PN+, da arquiteta Paula Neder
Iluminação para a decoração atemporal
A busca por equilíbrio, conforto visual e sofisticação discreta é o que se coloca como atemporal na iluminação. Luzes coloridas ou temáticas devem ser evitadas pelo risco de se tornarem datadas facilmente.
A iluminação atemporal é aquela que valoriza o conforto visual e a arquitetura, sem se tornar protagonista. “Priorizamos a iluminação técnica, buscando soluções cada vez mais discretas e integradas, como luminárias embutidas e perfis no frame, que se mimetizam ao gesso e se revelam apenas quando acionados”, comenta Jéssica. A proposta é que a luz seja sentida, e não necessariamente vista.
Com piso de madeira, o tapete e o aparador trazem aconchego à sala, sem quebrar a neutralidade e atemporalidade da decoração. Marcenaria em folha natural de carvalho americano e palhinha quadriculada, desenhada pelo escritório e executada pela TW Marcenaria. Objetos decorativos da Ekko Home e MB Casa. Plaquinha Roma Negra, do museu da Casa do Rio Vermelho, casa de Jorge Amado em Salvador, BA. Relógio de parede Tide, feito de madeira, de André Bianco Atelier. O piso de tacos de peroba-do-campo existente foi mantido e restaurado
Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do escritório AVA Arquitetura, da arquiteta Ana Clara Lima
“A preferência é por luz indireta e difusa, capaz de criar ambientes acolhedores e agradáveis sem ofuscar”, ressalta Ana. Recursos como luminárias embutidas, pendentes discretos e de design assinado ganham destaque, assim como luminárias de alto desempenho, que aliam eficiência e estética. De modo a favorecer o conforto, também é indicado priorizar luzes mais quentes.
A cozinha foi pensada como um ambiente clean e atemporal, com bases claras e sem excessos. Móveis sob medida da IF Marcenaria. Os spots do apartamento são da Lumini
Ilana Bessler/Divulgação | Projeto da arquiteta Lívia Leite, do escritório Estúdio Maré
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Cores neutras
Para tornar ambientes atemporais mais aconchegantes, invista na conexão com a natureza. Sofá da Century. Cortina do Atelier Sil Cortinas. Banco trindade da Suissdesign. Janelas e esquadrias da Globalmev. Ventilador de teto da C.Lux. Produção de ambiente por Loggia Mobili. Vasos da Jatti Vasos
Gustavo Bresciani/Divulgação | Projeto da arquiteta Silvana Martins, do escritório SOMA
A paleta clara e com toques suaves de cor reforça a conexão entre o quarto e o mar. A cama com cabeceira estofada em lona no tom de areia, da Selleto Home, recebeu enxoval da SttilloRio, almofadas verdes da Codex e manta da Ekko Home. Fotografias em preto e branco de Leo Marino. Luminária pendente da Deolux. Cortina em cambraia de linho branco executada pela Selleto Home
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Estúdio Popa
A escolha de paleta de cores neutras, assim como o mobiliário e as texturas, dão sensação de aconchego. Designers contemporâneos marcam presença no projeto, como o sofá Box, assinado por Jader Almeida, na loja Arquivo Contemporâneo, ao lado da mesa de apoio, de Lucas Recchia, na Casual Móveis. Acima do sofá, composição de quadros da artista Saulo Szabó, na Galeria Lume
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto do escritório Studio LAK Arquitetura
Paleta suave com pontos terrosos permeia o quarto acolhedor, ressaltado pela presença da madeira no piso e na cama Hi Fi, assinada por Fernando Jaeger
Maura Mello/Divulgação | Produção: Mariana Moura/Estúdio Ventana/Divulgação | Projeto do escritório Iná Arquitetura
Materiais naturais
Aconchego é a palavra-chave para o ambiente, com cabeceira ripada em lâmina natural cumaru, realizada por Antunes Armários, e piso de madeira de demolição de peroba-rosa, com instalação e tratamento de WE Carpintaria. Mesa de cabeceira Loft 40, de FJ Pronto pra Levar!. Sobre ela, luminária do acervo dos moradores, assim como o banco que abriga planta
Joana França/Divulgação | Projeto do escritório CODA Arquitetura
Nessa lavanderia, o branco é combinado com a madeira dos armários e os vasos de planta, que deixam o ambiente com frescor e visual atemporal
Julia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório CODA Arquitetura
A madeira dialoga com a passagem do tempo. Bancada de trabalho abaixo da janela e prateleira na parede são de freijó natural, executadas pela JN Marcenaria. Cadeira Sayl, da Herman Miller, na Novo Ambiente. Persiana Duette, da Hunter Douglas, fornecida pela Cortinaria. Ao lado da jiboia, lixeira de fibra natural da Ubud. Piso de madeira cumaru natural, da Akafloor. Luminária de mesa e pôster do acervo dos moradores
Luiza Schreier/Divulgação | Projeto da arquiteta Renata Lemos
Uma opção para quem quer apostar em cor em ambientes atemporais é usar em tons de verde e azul. Parede pintada com a tinta Vilarejo Praiano, da Qualyvinil, fazendo as vezes de cabeceira. Mesa de cabeceira da Casa Muñoz. Arandelas articuladas Chicago, da Muma. Roupa de cama, almofadas e manta da Linea Home. Tapete da Koord
Maura Mello/Divulgação | Projeto do escritório Estúdio Minke
A atemporalidade nesse quarto é garantida pelos materiais da roupa de cama e da marcenaria desenhada pelo escritório e executada em MDF Nogueira Cadiz, da Duratex. Luminária de mesa da linha G, da A de Arte. Adorno em caixa de acrílico da Tratto Design. Quadros da artista Marina Tasca, na Gal Galeria. Roupa de cama da Casa Almeida
Estudio NY18/Divulgação | Projeto do escritório Piacesi Arquitetura
Materiais naturais e arredondados trazem sensação de bem-estar que os moradores desejavam. Ao lado do sofá em linho, está a mesa lateral Copacabana, de Francesco Lucchese, ambos da Studio Ambientes. O abajur Capsula, de Cris Bertolucci, e a luminária de piso Glória, de dsgnselo, são da Ouse Iluminação. Na parede, obras Paisagem Sonora, por Anna Moraes, e Duas Folhas, por Claudia Hamerski, da Galeria Mamute
Fabio Jr. Severo/Divulgação | Projeto do arquiteto Gustavo Cardoso
Design assinado
A sala conta com a poltrona C221, assinado pelo Estúdio Ninho para Carbono Design, composta com a mesa de apoio Alça, da Wentz Design. Ao lado, luminária de piso da Fas Iluminação. O rack, com portas em fibra natural, foi executado pela Marcenaria Leal Santos. Tapete da Koord. As persianas da Hunter Douglas, na Leju Decor, filtram a iluminação natural, criando um jogo de luz e sombra
Evelyn Müller/Divulgação | Projeto do escritório Guelo Nunes, com colaboração dos arquitetos Bruno Garcia e Beatriz Dias
A banqueta Girafa, de Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, faz composição com o sofá branco adquirido em leilão. Assim, a sala traz um ar atemporal com a combinação de peças contemporâneas e mais antigas
Carolina Mossin/Divulgação | Produção: Aldi Flosi/Divulgação | Projeto do escritório EFC Arquitetura
Neste canto, chaise verde Pitu, de Aristeu Pires, e poltrona de couro Benício, da Lider, que também forneceu a mesa lateral Drops, assinada pelo escritório Suíte Design. Luminária de piso Wish F, da Lumini. As plantas ao fundo dão um toque de frescor
Guilherme Pucci/Divulgação | Projeto do escritório Conectarq
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Destaque do ambiente, a poltrona Jangada, assinada por Jean Gillon, no Antiquário Vila Nova Conceição, junto ao tapete de fibras naturais deixa o cômodo mais atemporal sem abdicar de ter personalidade. Cortinas da Casa Mineira. Espelho desenhado pelo escritório e executado pela MS Marcenaria. Tapete da Botteh
Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do escritório Voa Arquitetura

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