O que é arquitetura colonial? 10 exemplos na América Latina para entender esse estilo

A arquitetura colonial, em que as camadas históricas se sobrepõem à sua própria idiossincrasia, define a paisagem urbana de muitas cidades da América Latina.
Cidades construídas em torno de praças, fachadas sóbrias, mas cheias de cor, coberturas de telha, casas organizadas ao redor de pátios e perfeitamente adaptadas ao clima… Poderíamos estar falando justamente de Macondo, a cidade imaginária criada por Gabriel García Márquez em seu romance Cem Anos de Solidão. Mas também poderíamos estar falando do centro histórico de uma grande quantidade de cidades da América Latina. E é que, assim como acontecia na urbe imaginada pelo escritor colombiano, a arquitetura colonial faz parte não apenas do patrimônio dessas cidades, mas também de uma herança cultural e de uma idiossincrasia única.
O que é a arquitetura colonial
A arquitetura colonial é, como o próprio nome indica, aquela que surgiu como consequência da expansão das potências europeias e da imposição do colonialismo. Entre os séculos XVI e XIX, os impérios europeus exportaram não apenas seu poder político e religioso, mas também seus modelos urbanos e arquitetônicos.
As novas cidades que surgiram nos territórios coloniais, fossem na América, África ou Ásia, foram traçadas seguindo padrões importados da Europa, que aos poucos se adaptaram às tradições, materiais e climas locais. Por isso, tanto pela enorme extensão geográfica quanto pelo vasto período de tempo, a arquitetura colonial está longe de ser um estilo arquitetônico uniforme.
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Assim, a arquitetura colonial é, na verdade, um guarda-chuva sob o qual se engloba a mistura surgida do contato entre influências espanholas, portuguesas, francesas ou britânicas e as técnicas construtivas de cada lugar. O resultado foi uma arquitetura funcional e adaptada a cada cultura, que acabou por definir — e ainda define — os centros de muitas cidades. Influências renascentistas, barrocas ou neoclássicas europeias foram reinterpretadas de acordo com o contexto local, criando um estilo híbrido que, em geral, se expressa com maior esplendor em igrejas, conventos ou edifícios administrativos.
O contexto da América Latina
No caso específico da América Latina, longe de ser apenas um capítulo do passado, a arquitetura colonial não influencia apenas as construções públicas e privadas, mas até mesmo o urbanismo. O traçado das cidades foi organizado durante o período colonial segundo as propostas das Leis das Índias, que estabeleciam a organização urbana em torno de uma praça central, onde se localizavam os edifícios mais importantes.
Entre os espetaculares exemplos que podemos encontrar na América Latina — onde os centros históricos de muitas cidades são declarados Patrimônio Mundial pela UNESCO — selecionamos 10 edifícios para compreender as principais características da arquitetura colonial espanhola, portuguesa e caribenha.
1. Catedral de Santa Catalina de Alexandria, Cartagena (Caribe)
Catedral de Santa Catalina de Alexandria, Cartagena
Wikimedia Commons
Fundada em 1533 pelo espanhol Pedro de Heredia, a cidade sofreu pouco depois um incêndio, após o qual foi proibido o uso da madeira nas construções e incentivado o emprego de tijolo e pedra — algo que permitiu que grande parte do centro de Cartagena chegasse em perfeito estado aos dias atuais. Seu centro histórico, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1984, preserva casas coloniais com varandas de madeira, pátios internos e fachadas coloridas que refletem a arquitetura residencial do período colonial. Além disso, edifícios como o Banco de la República, a Escola de Belas Artes e a Universidade expressam esse estilo singular. A Catedral de Santa Catalina de Alexandria, com sua fachada amarela e sua cúpula erguendo-se ao alto, é um dos edifícios mais icônicos da cidade.
2. Igreja de La Merced, Antígua (Guatemala)
Igreja de La Merced, Antigua
Wikimedia Commons
No centro da cidade guatemalteca de Antígua encontra-se uma das igrejas barrocas mais espetaculares da arquitetura colonial. Trata-se da Igreja de La Merced, construída entre 1749 e 1767, uma joia do chamado barroco sísmico guatemalteco, concebido para resistir aos frequentes terremotos graças a seus muros espessos, torres baixas, contrafortes maciços e cúpulas rebaixadas. Com sua impressionante fachada amarela e branca ricamente decorada em estuque, destaca-se por suas duas robustas torres sineiras e pelo claustro com a maior fonte colonial da região.
3. Plaza de Armas, em Cusco (Peru)
Plaza de Armas, em Cusco
Oleksandra Korobova/Getty Images
Uma arcada de pedra, a catedral e o Templo da Companhia de Jesus, construídos sobre antigos edifícios incas, fazem parte do rico patrimônio arquitetônico que compõe a famosa Plaza de Armas, em Cusco, outra cidade em que a arquitetura colonial integra de forma indissociável a sua história.
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4. Catedral Metropolitana da Cidade do México (México)
Catedral Metropolitana da Cidade do México
ProtoplasmaKid/Wikimedia Commons
Uma das catedrais coloniais mais importantes do continente, construída entre os séculos XVI e XVIII, é a que domina o centro histórico da Cidade do México, na Praça da Constituição. A Catedral Metropolitana da Cidade do México, Patrimônio Mundial desde 1987, foi erguida ao longo de 250 anos, o que faz com que reúna diversos estilos: gótico, renascentista, barroco, churrigueresco e neoclássico. Sua fachada monumental, as torres gêmeas e o uso de pedra vulcânica local mostram como os modelos europeus foram adaptados aos materiais do território.
5. Igreja da Companhia de Jesus, em Quito (Equador)
IIgreja da Companhia de Jesus, em Quito
Wikimedia Commons
Considerada uma das obras-primas do barroco colonial latino-americano, a Igreja da Companhia de Jesus, em Quito, é uma referência da arte colonial equatoriana. Seu interior decorado com folhas de ouro contrasta com a solidez da estrutura, revelando a influência do barroco europeu reinterpretado por artesãos locais. Do lado de fora, sua fachada elaborada em pedra vulcânica também é um exemplo da influência andina. Foi construída pela Companhia de Jesus entre 1605 e 1765.
6. Casa de los Montejo, em Mérida (México)
Casa de los Montejo, em Mérida
Wikimedia Commons
Concluída em 1549, a Casa de los Montejo, hoje transformada em museu, é uma das residências coloniais mais antigas do México. Sua fachada plateresca, inspirada no Renascimento espanhol, apresenta uma ornamentação escultórica pouco comum na arquitetura residencial do período. A casa também reflete o modelo de residência senhorial colonial e é um dos poucos exemplos da arquitetura civil do início do período colonial na América Latina.
7. Casa da Moeda, em Potosí (Bolívia)
Casa da Moeda, em Potosí
Wikimedia Commons
A Casa da Moeda, em Potosí, construída no século XVIII, foi um dos centros econômicos mais importantes do império espanhol na América Latina, onde se cunhava a prata extraída das minas da região. Sua arquitetura maciça e fortificada, com 15 mil m² de área construída, reflete sua função industrial e administrativa. Hoje, mantém vivo o legado cultural e histórico da cidade. O edifício conta com cinco pátios e preserva, em seu interior, dez fornos para prata e um para ouro.
8. Alcázar de Colón, em Santo Domingo (República Dominicana)
Alcázar de Colón, em Santo Domingo
Wikimedia Commons
Dentro da arquitetura colonial caribenha, marcada por influências vindas tanto da Espanha quanto de Portugal, há numerosos exemplos — entre eles o Alcázar de Colón, em Santo Domingo. Construído entre 1510 e 1514, é uma das residências coloniais mais antigas preservadas até hoje. Foi a casa de Diego Colón, filho de Cristóvão Colombo e vice-rei das Índias. O edifício reflete bem as primeiras formas da arquitetura colonial no Caribe: uma residência palaciana inspirada em modelos renascentistas espanhóis, mas adaptada ao clima tropical por meio de loggias abertas, galerias e grandes janelas que favorecem a ventilação. Construído em pedra coralina e organizado em torno de pátios e terraços, o palácio mostra como a arquitetura europeia começou a se transformar ao entrar em contato com o ambiente caribenho.
9. Paço Imperial, no Rio de Janeiro (Brasil)
Paço Imperial, no Rio de Janeiro
Dabravolskas Photography/Wikimedia Commons
Construído no século XVIII como residência dos governadores coloniais portugueses, o Paço Imperial é um bom exemplo de arquitetura administrativa colonial. Sua fachada sóbria, organizada por meio de arcadas e varandas, segue o modelo de palácio governamental português adaptado ao contexto tropical. Mais tarde, tornou-se sede do poder imperial após a independência do Brasil.
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10. Igreja de San Francisco de Paula, em Havana (Cuba)
Igreja de San Francisco de Paula, em Havana
Wikimedia Commons
A Igreja de San Francisco de Paula é um antigo complexo religioso situado em Havana Velha, em Havana. Fundado no século XVII, é um dos conjuntos arquitetônicos mais representativos do barroco cubano e um importante testemunho do patrimônio histórico e cultural da cidade. Construído como convento, mas com pátios amplos e galerias abertas ao ar livre, exemplifica como a arquitetura religiosa colonial caribenha incorporava estratégias climáticas voltadas ao conforto interno, à iluminação natural e à circulação de ar.
*Matéria originalmente publicada na Architectural Digest Espanha

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