A uva Pinot Noir hoje é praticamente idêntica à da Europa medieval; entenda

Uma descoberta tem chamado a atenção de pesquisadores e amantes do vinho. A uva Pinot Noir, matéria-prima de alguns dos rótulos mais elegantes do mundo, pode ter atravessado séculos praticamente inalterada, segundo um estudo recente publicado na revista Nature Communications.
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A pesquisa analisou sementes de uva encontradas em escavações arqueológicas na França e na Espanha, com datas que vão da Idade do Bronze até o fim da Idade Média, em um intervalo de aproximadamente quatro mil anos. Dentre elas, um exemplar com cerca de 600 anos apresentou um material genético praticamente idêntico ao das variedades cultivadas hoje.
Uma garrafa de Pinot Noir, uma das castas mais antigas do mundo, ilustra a tradição milenar que, segundo novas pesquisas, remonta a cultivos iniciados por volta de 500 a.C.
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Ao todo, 49 amostras tiveram o DNA extraído e sequenciado, permitindo uma comparação direta com as videiras contemporâneas. Os resultados revelaram que as sementes mais antigas pertenciam a uvas silvestres, mas, a partir de cerca de 500 a.C., surgem evidências de um padrão genético mais uniforme.
Isso sugere o início da intervenção humana, quando agricultores passaram a reproduzir plantas específicas por meio da estaquia, técnica de reprodução que permite multiplicar plantas, geneticamente idênticas.
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Encontrada no sistema sanitário de um hospital medieval francês, a semente do século XV revelou-se praticamente idêntica às Pinot Noir atuais. A coincidência levanta uma hipótese de que o sabor da uva apreciado hoje pode estar muito próximo daquele desfrutado na Europa medieval.
A Pinot Noir mantém sua base genética ao longo dos séculos, apesar das mudanças no clima e nas técnicas — um fator que pode ajudar no desenvolvimento de videiras mais resilientes
Freepik/jcomp/Creative Commons
Apesar disso, os especialistas alertam que o vinho Pinot Noir em si seria dificilmente o mesmo. Fatores como clima, solo, técnicas de cultivo e processos de fermentação influenciam diretamente no resultado da bebida. Ainda assim, a permanência genética da uva indica uma preferência duradoura.
Segundo o estudo, compreender como essas variedades resistiram e se adaptaram ao longo dos séculos pode ajudar os pesquisadores a desenvolver videiras mais resilientes às mudanças climáticas.

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