Coifa, depurador e exaustor: qual a diferença e a melhor escolha para a cozinha?

Escolher o sistema de ventilação certo é o primeiro passo para uma cozinha funcional e livre de gordura. Embora pareçam iguais, coifas, depuradores e exaustores têm tecnologias diferentes que impactam diretamente no resultado.
A escolha errada pode gerar um gasto desnecessário sem o retorno esperado, por isso é essencial entender qual modelo se adapta melhor à sua rotina e ao seu imóvel.
“Mais do que conforto, estamos falando de qualidade de vida no uso diário. Coifa, depurador e exaustor atuam diretamente na renovação do ar, reduzindo gordura, odores e vapores, que ao longo do tempo, comprometem não só o ambiente, mas também os acabamentos e mobiliários da cozinha”, afirma a arquiteta Solange Cálio.
Nesta área gourmet, a churrasqueira sob medida conta com uma coifa da Tuboar que garante o ambiente livre de fumaça, instalada sobre a bancada com armários baixos de alumínio pintado
Fran Parente/Divulgação | Produção: Paulo Carvalho/Divulgação | Projeto do escritório SAAG Arquitetura
Vantagens em investir nesses equipamentos
Investir nesses equipamentos traz benefícios que vão além da funcionalidade, sendo a preservação do patrimônio o ponto principal. Ao impedir que a gordura e os odores se espalhem, esses aparelhos protegem o mobiliário, facilitando a limpeza e aumentando sua durabilidade.
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Segundo a arquiteta Vivian Zanotto, essa proteção se estende a todo o ambiente. “Garante melhor manutenção e durabilidade dos móveis, revestimentos, demais eletrodomésticos e tecidos, que poderiam ser prejudicados pelos efeitos do vapor e gordura. Quando a cozinha, ou área gourmet, é integrada a outros cômodos, é mais importante ainda o uso desses equipamentos”, ela destaca.
Totalmente aberta, a cozinha integrada é demarcada pela ilha com tampo de pedra natural, que também reveste o frontão onde a coifa da marca Arwek se destaca em harmonia com o material
Tuca Reines/Divulgação | Projeto do escritório BZP Arquitetura, da arquiteta Bia Prado
Além da conservação física, o investimento reflete no bem-estar de quem habita a casa. “Proporciona redução de odores persistentes, menos acúmulo de gordura em superfícies, mais conforto térmico durante o uso e valorização estética e funcional do projeto. É um investimento que impacta tanto na experiência quanto na durabilidade do espaço”, complementa Solange.
Por que são frequentemente confundidos?
A confusão entre esses aparelhos é comum, visto que todos compartilham a função de eliminar odores e possuem design e instalação semelhantes acima do fogão ou cooktop. No entanto, essa semelhança esconde diferenças técnicas fundamentais de cada sistema.
Nesta cozinha, a ilha arredondada destaca a coifa sobre o cooktop, refletindo a paixão do morador por gastronomia e convidando à convivência
Daniela Magario/Divulgação | Projeto do escritório FCstudio
A diferença prática, no entanto, está no funcionamento de cada sistema, como esclarece Solange: “a coifa pode exaurir ou depurar, já o depurador apenas filtra e devolve o ar, e o exaustor remove o ar para fora”.
Neste projeto, a ilha central, feita de granito preto, abriga cooktop e cuba, servindo de base para a imponente coifa da Fogatti instalada entre prateleiras suspensas em serralheria com vidro
Jomar Bragança/Divulgação | Projeto do escritório Piacesi Arquitetura
Como escolher a solução ideal
A escolha depende da estrutura da residência, da frequência de uso da cozinha e do orçamento disponível. “Sempre avaliamos a rotina de cada família, o quanto o fogão será usado e se existe a possibilidade da instalação de um duto para a expulsão do ar. Em cozinhas com uso mais leve, um depurador pode atender perfeitamente”, aponta Vivian.
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Além da funcionalidade e do estilo de vida, fatores como arquitetura, design e conforto são decisivos. “O local de instalação e o estilo do projeto definem se o modelo será de ilha, de parede ou de embutir. É interessante também avaliar o ruído, principalmente em ambientes integrados. Hoje existem opções em que o motor fica longe da coifa em si, solucionando esse problema”, ela acrescenta.
A coifa de ilha Suggar, que ancora visualmente o conjunto com o cooktop semiprofissional a gás e a marcenaria, é o grande destaque desta cozinha
Júlia Tótoli/Divulgação | Projeto do escritório CODA Arquitetura
A seguir, as arquitetas apresentam detalhes sobre cada sistema para você analisar qual funciona melhor na sua cozinha.
Coifa
A presença marcante da coifa da marca Tecno, na UD House, sobre o cooktop define a estética da bancada
Favaro Jr./Divulgação | Projeto do escritório Helô Marques Arquitetura
A coifa é um equipamento que pode operar tanto no modo exaustor (via duto externo) quanto no modo depurador (filtragem e retorno do ar ao ambiente).
“É o sistema mais completo e versátil. A coifa tem alta eficiência e pode funcionar como exaustor ou depurador, e ainda marca a estética do projeto”, considera Solange.
A coifa da Electrolux protagoniza a bancada de quartzito e garante alta performance de sucção ao lado do cooktop e da marcenaria em melamina padrão carvalho
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Amanda Miranda
“A vantagem dessa solução é que, quando usadas com duto de exaustão, são mais eficientes que um depurador, expulsando odores, vapor e gordura, protegendo melhor os elementos e melhorando a qualidade do ar. Ela é a escolha ideal para cozinhas com uso frequente”, pontua Vivian.
Por ser um item robusto, sua instalação exige maior planejamento. No modo exaustor, requer a passagem de um duto de 150 mm para o exterior (teto ou parede) e um ponto de energia alto (2,10 metros) para ficar escondido pela chaminé de inox. Deve ser fixada entre 65 cm e 80 cm do fogão.
Depurador
Ideal para espaços compactos, o depurador Slim da Fischer foi embutido na prateleira de MDF para eliminar a necessidade de armários aéreos e garantir maior sensação de amplitude ao ambiente
Emílio Rothfuchs/Divulgação | Projeto da arquiteta Vivian Zanotto
Diferente da coifa, o depurador recicla o ar da cozinha ao filtrar impurezas e devolvê-lo limpo ao cômodo. Essa solução é ideal para projetos onde não é possível realizar furos em paredes e tetos.
“O depurador filtra o ar via carvão ativado e devolve ao ambiente. É mais indicado para apartamentos por não ter saída externa”, reforça Solange.
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Vivian pondera que o uso do aparelho é voltado para demandas específicas: “Funciona apenas com filtragem, sugando o cheiro, o vapor e a gordura, devolvendo o ar. É indicado para cozinhas utilizadas com menos frequência, já que sua eficiência é reduzida comparada à de uma coifa”.
Com instalação simplificada, o modelo dispensa dutos ou saídas externas. O aparelho pode ser fixado na parede ou embutido no armário, bastando posicionar os suportes e ligá-lo à tomada. Para garantir o funcionamento, a distância ideal entre a base e os queimadores do fogão deve ser de 65 cm a 75 cm.
Exaustor
A cozinha, que se abre para o jardim lateral, conta com um exaustor instalado sobre a ilha de granito, garantindo a renovação do ar e a funcionalidade ideal para o uso do fogão embutido
Denilson Machado/MCA Estúdio/Divulgação | Projeto da arquiteta Solange Cálio
Já o exaustor é um aparelho mecânico projetado para renovar o ar de um ambiente fechado, retirando odores, fumaça, calor ou umidade e lançando-os para o exterior mediante um duto ou abertura. “O exaustor faz a remoção direta do ar para fora do ambiente. Elimina o calor, a fumaça e odores de forma mais eficiente do ponto de vista técnico”, acredita Solange.
Devido a esse alto desempenho, Vivian ressalta que o sistema se torna indispensável em contextos profissionais: “É muito utilizado em cozinhas industriais e, algumas vezes, em cozinhas residenciais de uso intenso. A vantagem desse sistema é que não circula o ar, mas o expulsa do ambiente, garantindo maior eficiência na ventilação”.
O exaustor da Elettromec, na UD House, embutido no teto sobrepõe a área de cocção, que conta com cooktop vitrocerâmico em bancada de MDF carvalho natural, integrada harmoniosamente aos fornos do fundo
Favaro Jr./Divulgação | Projeto da arquiteta Veridiana Peres
Para funcionar, o aparelho exige uma abertura direta na alvenaria ou no vidro da janela. O processo de instalação foca no encaixe preciso do equipamento ao vão e na vedação externa contra infiltrações, finalizando com a ligação elétrica via interruptor.

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