Como viajar com pets: guia completo com regras, documentos e dicas

Viajar com o pet é uma forma de criar memórias e apresentar novos ambientes ao animal. Porém, sair da rotina pode ser um fator de estresse para muitos cães e gatos. O planejamento também deve levar em consideração itens indispensáveis da mala e questões legais.
Aqui, separamos os principais pontos a considerar na hora de planejar uma viagem com o seu companheiro ou companheira!
Levar ou não?
A decisão não deve ser tomada apenas pelo desejo do tutor. Considere o comportamento do animal e as características do destino pretendido. Pesquise se o local é pet-friendly, com estrutura veterinária e opções de passeio que aceitem animais.
Antes de viajar, é essencial avaliar o perfil do animal e se o destino oferece estrutura adequada para recebê-lo com segurança
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Também avalie a personalidade do animal. “Observe o perfil dele: idade, condição de saúde e temperamento. Nem todo pet vai curtir a viagem e isso deve ser levado em consideração”, aponta Fernanda Alves, médica-veterinária especialista em terapia comportamental para cães e gatos.
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Por outro lado, alguns cães apresentam maior suscetibilidade à ansiedade de separação, podendo apresentar quadros de falta de apetite, vocalização excessiva e apatia. “Para animais com esse perfil, a viagem com o tutor pode ser mais segura”, opina o médico-veterinário Frederico Fontanelli Vaz.
Para os felinos, o cenário é um pouco diferente. “Os gatos costumam ser mais sensíveis a mudanças e têm uma relação mais próxima com o território e seus recursos, como a caixa de areia, a alimentação e os locais de descanso/esconderijo”, explica Fernanda. “Manter o gato em seu habitat com o suporte de um pet sitter costuma ser a conduta mais benéfica à saúde”, complementa Frederico.
Gatos tendem a ser territorialistas e mais sensíveis a mudanças, por isso, manter elementos familiares e reduzir estímulos durante a viagem pode ajudar a diminuir o estresse
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A consulta com um médico-veterinário antes da viagem é recomendada, já que ele pode prescrever medicamentos para caso de náuseas e atestado de saúde de aptidão de viagem, necessário para o transporte rodoviário e aéreo.
Cidade e hospedagem
Hotéis e pousadas não são obrigados a receber animais de estimação. “O Código de Defesa do Consumidor garante que, se o hotel se vende como pet-friendly e promete certas comodidades, ele tem que cumprir”, afirma Rodrigo Alvim, advogado especializado em direito dos passageiros aéreos.
A recomendação é procurar hospedagens pet-friendly e ler com atenção as regras do local. “É comum eles limitarem o tamanho do pet, geralmente até 10 kg, proibirem raças que consideram agressivas e cobrarem uma taxa extra na diária para cobrir a limpeza”, diz o advogado.
Na escolha da hospedagem, priorize quartos espaçosos e com climatização adequada para garantir conforto e bem-estar ao pet durante a estadia
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Os veterinários também indicam observar elementos que garantem conforto e segurança: se o quarto é espaçoso o suficiente, possíveis restrições de deslocamento em áreas comuns, telas em janelas, resfriamento ou ventilação, e programas específicos destinados aos animais.
“Sempre que possível, busque avaliações de outras famílias e informações sobre serviços voltados para o pet, como passeios supervisionados, áreas de recreação e protocolos de segurança adotados”, sugere Fernanda.
Hotéis que oferecem atividades voltadas para pets, como áreas de recreação e passeios supervisionados, contribuem para reduzir o estresse e tornar a experiência mais agradável durante a viagem
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Antes de definir a cidade, verifique se é proibida a presença de animais em praias ou parques por questões de vigilância sanitária e impacto ambiental. “O planejamento evita multas e, principalmente, o isolamento do pet durante a viagem”, aponta Frederico.
Arrumando a mala
Viajar com pet requer uma mala arrumada com cuidado para não deixar itens e alimentos essenciais de fora
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Destino e hospedagem decididos, chegou a hora de arrumar a mala. Alguns documentos são obrigatórios para transporte rodoviário coletivo ou aéreo, como a carteira de vacinação do animal – com comprovante de vacina antirrábica aplicada a mais de 30 dias e a menos de 1 ano – e o atestado emitido por médico-veterinário inscrito no Conselho Regional de Medicina Veterinária, com validade máxima de 10 dias até a data do embarque.
Quanto a itens pessoais, os especialistas destacam:
Ração ou alimento habitual do pet e água potável fresca, já que mudanças bruscas na dieta podem causar desequilíbrios no trato gastrointestinal;
Itens com odor familiar, como caminhas e brinquedos, que mitigam a ansiedade territorial;
Para pacientes crônicos, como cardiopatas e diabéticos, medicamentos, receitas e histórico clínico atualizado;
Kit de emergência, contendo antissépticos, gazes, ataduras e termômetro;
Protetores solares e repelentes próprios para cães, especialmente para destinos de praia ou campo.
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Preparo para o embarque
Prepare o animal para o trajeto da viagem. “O ideal é acostumá-lo, pouco a pouco, ao espaço em que ele será transportado, seja uma caixa ou bolsa de transporte, para que ele associe esse ambiente a algo seguro e confortável”, diz Fernanda.
A ambientação pode ser feita com reforços positivos, oferecendo petiscos e brinquedos. O objetivo é que o pet consiga relaxar dentro deste ambiente. “Avalie como o animal reage a pequenos deslocamentos antes de viagens mais longas, respeitando seus limites e sinais de estresse ou desconforto”, aponta a veterinária.
Durante o trajeto, pausas, hidratação e atenção aos sinais de estresse ajudam a garantir uma viagem mais tranquila para o animal
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Se o pet possui histórico de náuseas e vômitos, o tutor deve buscar assistência veterinária prévia para prescrição de antieméticos.
“A sedação, em geral, não é recomendada — especialmente em transportes aéreos — devido aos riscos ao sistema cardiorrespiratório e ao controle térmico; em animais muito ansiosos, o ideal é optar por uma modulação farmacológica orientada por um médico-veterinário”, complementa Frederico.
Logo antes de embarcar, a sugestão do especialista é estimular o gasto de energia com caminhadas e brincadeiras – o que pode favorecer o relaxamento posterior durante a viagem.
O transporte
O animal deve ser transportado em caixas adequadas. O tamanho ideal deve permitir que o animal gire completamente, possa ficar ereto ou deitado sem restrições.
“A caixa de transporte deve ser fixada pelo cinto de segurança, em cadeiras pet presas ao sistema de retenção do veículo, ou por cintos de segurança específicos conectados a peitorais robustos”, aponta Frederico.
Músicas com frequências mais suaves podem ajudar a reduzir o estresse do pet durante o trajeto de carro, criando um ambiente mais tranquilo e confortável
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Para evitar episódios de vômito, o especialista sugere que seja feito um jejum de alimentos entre 2 a 4 horas antes da viagem. Porém, mantenha a hidratação até o momento da partida.
“Ao chegar ao destino, a orientação técnica é aguardar cerca de 30 a 60 minutos antes de oferecer a primeira refeição. Esse tempo é necessário para que o sistema nervoso do animal se estabilize e o metabolismo saia do estado de alerta, garantindo uma digestão segura e evitando episódios de regurgitação”, esclarece Frederico.
Se possível, mantenha a temperatura fresca, entre 22 e 24 ºC. Em veículos pessoais, o uso de músicas com frequências relaxantes ajuda a abafar o estresse sonoro do motor e das vias.
Para viajar com pets, é essencial a presença de uma caixa de transporte com tamanho que permita que o animal fique levantado ou sentado
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Preste atenção aos sinais do animal durante o transporte. Salivação excessiva, vocalização ininterrupta ou estado muito ofegante podem indicar excesso de estresse. “A orientação técnica é a pausa imediata da viagem em local seguro para a estabilização do paciente antes de prosseguir”, aconselha o veterinário.
“Para felinos, a redução do estímulo visual é essencial: cobrir a caixa com um tecido que possua o odor familiar da casa ajuda a mitigar o pânico territorial”, adiciona.
Além dos cuidados com a saúde do animal, é necessário se atentar às regras de cada forma de transporte, confira:
Carro
“O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não tem uma lei que diga ‘você deve usar a cadeirinha X’, mas ele proíbe atitudes que tirem a atenção do motorista”, explica Rodrigo.
Deixar o pet solto no carro, carregá-lo no colo do motorista ou deixá-lo com a cabeça para fora da janela são atitudes que oferecem risco ao motorista e ao animal e podem levar a multas.
Ônibus
No transporte em ônibus, as regras podem variar a depender do tipo de trajeto. Viagens dentro de um mesmo estado seguem regras de agências estaduais, enquanto viagens interestaduais seguem as regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
No geral, vale a permissão de pets de até 10 kg em caixa segura, bem ventilada e à prova de vazamentos, e a necessidade de comprar uma passagem para o animal. “A caixa vai na poltrona ao seu lado”, reforça Rodrigo.
Não esqueça dos documentos: o motorista solicitará um atestado de saúde do veterinário e a carteira de vacinação em dia. “Para não ter surpresas, é sempre bom checar a permissão com a viação antes, porque a maioria limita a apenas dois pets por ônibus”, acrescenta.
Avião
Na análise do advogado, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) dá liberdade para as companhias aéreas estabelecerem suas próprias regras. “Do limite de peso, que pode variar de 7 a 10 kg, ao tamanho da caixa, à possibilidade de viajar na cabine ou no porão e às tarifas cobradas”, exemplifica. Nesses casos, a recomendação é ler ou até mesmo entrar em contato com a companhia escolhida.
Em breve, as orientações podem ser padronizadas, com a chegada da Lei Joca, que já foi aprovada pelo Senado. Quando entrar em vigor, a norma obrigará as companhias aéreas a aceitarem cães e gatos em voos nacionais e ainda estabelecerá a responsabilidade das empresas pelo bem-estar dos pets durante toda a viagem.
Em viagens de avião, é fundamental verificar com antecedência as regras da companhia aérea, incluindo limite de peso, tipo de transporte e documentação exigida
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“As companhias terão de passar por uma adaptação profunda, com equipes treinadas, sistemas de monitoramento para viagens longas e a responsabilidade de responder caso algo dê errado”, complementa Rodrigo.
Em viagens internacionais, comece a se programar com antecedência. Para sair do Brasil, o animal precisa do Certificado Veterinário Internacional (CVI), documento emitido pelo Ministério da Agricultura (MAPA).
A obtenção do certificado depende de um conjunto de exigências sanitárias, como atestado de saúde recente emitido por médico-veterinário, vacinação antirrábica em dia — aplicada com pelo menos 28 dias de antecedência — e a implantação de microchip, hoje obrigatória na maioria dos países.
O processo foi simplificado e pode ser iniciado online, pelo portal gov.br.
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Ainda assim, cada destino possui regras específicas. “Na União Europeia, por exemplo, é exigido um exame de sorologia de raiva, cujo resultado pode levar meses”, diz o advogado.
O dia a dia da viagem
Durante a viagem, mantenha a alimentação rotineira do pet e sempre garanta acesso à água. “Para reduzir o estresse, algumas medidas podem ajudar, como o uso de itens familiares e a sustentação de uma rotina o mais previsível possível”, conta Fernanda.
Antes de sair da hospedagem, o mais importante é usar guia, que evita fugas e conflitos com outros animais, e coleira de identificação, com nome e telefone.
Ao levar o pet em passeios durante a viagem, um ponto de atenção é evitar horários muito quentes ou com alta incidência de sol. Prefira antes das 10 horas da manhã e após as 16 horas. Especialmente para pets com pouca pelagem, é indicado o uso de fotoprotetores específicos para pet.
Durante os passeios, é importante respeitar os limites do pet, evitar horários de calor intenso e manter o uso de guia para garantir segurança e bem-estar
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“Sempre cheque a temperatura do solo realizando o ‘teste dos cinco segundos’: se a temperatura do solo for insuportável para a palma da mão do tutor, ela causará queimaduras severas nas patas do animal”, adiciona Frederico.
Em ambientes de matas, o foco é a prevenção de ectoparasitos e mosquitos transmissores de doenças. “A proteção deve ser multimodal: uso de medicamentos via oral ou de pipetas cutâneas associado às coleiras repelentes, todos recomendados por um médico-veterinário”, diz o veterinário.
“Em trilhas, além de manter o animal sempre na guia, é essencial evitar o contato com a fauna silvestre, tanto para proteger o pet quanto os animais livres”, complementa Fernanda.
Em praias, o consumo da água do mar deve ser evitado para prevenir gastroenterites e diarreia osmótica. Não esqueça do banho em água doce para retirar cristais de sal e areia, que podem ser irritantes para a pele e os olhos.
Na praia, evite que o pet beba água do mar, proteja-o do sol intenso e garanta um banho em água doce após o passeio para retirar sal e areia
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Em cidades, evite a ingestão de lixos ou demais objetos com potencial tóxico.
Em caso de emergência já tenha nomes de clínicas e contatos mapeados. Enquanto o atendimento não é possível, algumas medidas básicas podem ajudar: manter o animal em segurança, evitar manipulação excessiva e observar sinais clínicos como eliminação (urina, fezes e vômitos), dificuldade respiratória, cansaço e sangramentos.
“Se possível, leve as informações importantes do pet, como histórico médico, uso de medicamentos e carteira de vacinação”, aconselha Fernanda.
Os veterinários ainda reforçam que o tutor não deve medicar o animal sem orientação profissional.

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