Copacabana, cerca de 1930. O prédio inaugurado como Palacete Lido vivia seus primeiros anos, na quadra da praia, com seu mix de estilos: um tanto neoclássico e um pouco art déco, onda que invadiu totalmente seus dois vizinhos icônicos: os edifícios Petrônio, com portaria em formato de proa de navio, e o Ribeiro Moreira, primeiro arranha-céu do bairro. Uma vizinhança de personalidade forte, que o tempo não apagou. Hoje com o nome de Palacete São Paulo, o ex-Lido atrai olhares de quem aprecia o passado no presente.
João Victor Lioi, o morador, ainda antes dos 30 anos e até então designer de joias (de estilo art déco, justamente), viu o seu mundo mudar o foco para o décor depois de galgar a posição de gerente, acrescida em seguida da diretoria criativa da galeria de design carioca Gozto. Lá, passou a assinar seus interiores, na casa histórica da década de 1840 que a abriga no Largo do Boticário, onde até hoje também é o responsável por toda a expografia das mostras de mobiliário, objetos autorais e artes visuais. Uma trajetória que, vista de fora, parece salto, mas que, de dentro, tem a lógica de quem sempre esteve atento à forma e ao tempo das coisas. “Do detalhe da joia à escala do espaço, minha trajetória não tem ruptura – é uma síntese entre precisão e intuição criativa”, diz.
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O bar forrado de papel pintado à mão por João Victor Lioi abriga telas de Izaura Lima e cabeça de cerâmica de Pedro Merat entre as garrafas
André Nazareth
Perto da janela e do batente de jacarandá descascado, cadeira de Guilherme Gafi, da série Assentamentos, na galeria Gozto, e tela de Vinicius Vaz
André Nazareth
Em sua própria casa, João Victor, então novo residente de uma Copacabana envelhecida, enxergou nos espaços que somam os 100 m² do apartamento – de duas salas e três quartos – as possibilidades para exercer a criatividade e usar seu talento. Disso surgiram muitas peças, em pesquisas intensas, o que já fazia parte de seu trabalho e de sua vida. É claro que um bom curso de design de interiores ajudou a orientar a formação que o levou ao primeiro projeto de decoração de uma residência – o que aconteceu em uma casa antiga, de 1934, no bairro histórico de Santa Teresa. “Minha leitura dos interiores parte do que já existia: atualizar sem romper, intervir sem apagar. É no legado da arquitetura que o design encontra continuidade”, acredita João.
+ Casa em ilha no Rio de Janeiro é um verdadeiro paraíso arquitetônico
Outro ângulo do mesmo ambiente exibe cerâmicas de Pedro Merat sobre tampo de mármore, fotografia de Tony Camargo (à esq.) e pendente Corrente, dos Pirilampos do Planeta – no piso, vaso marajoara e tapete vintage
André Nazareth
Poltrona Tronetto, de Luigi Origlia, com almofada de Nelson Leirner, em frente a coleção de pedras e gravura de Darcílio Lima
André Nazareth
No escritório, João Victor, vestindo conjunto The Paradise, sapatos Melissa e joias de sua autoria e de Iara Figueiredo, apoia-se em mesa da Tok&Stok – na parede, telas de Marco Figueiredo e escultura Taco, de Armarinhos Teixeira
André Nazareth
A sala de jantar é composta por mesa de Ugo di Pace, com escultura de Juana Barca, cadeiras de Salvatore Dinucci, com tecido do Empório Beraldin, tela de Ricardo Lion e escultura de bronze – no hall de entrada (ao fundo), aparador de Maximiliano Crovato e tela de Izaura Lima
André Nazareth
De volta ao living, a estante acomoda o bar e obras de arte do acervo do morador – a vista do corredor revela a escultura Arranha-Céu, de Romildo Silva Filho
André Nazareth
Voltando à sua morada nos últimos seis anos, tudo o que já existia de estilo ali foi respeitado. Com obras restritas em função de viver em um imóvel alugado, João viu surgir a possibilidade de exercer no novo espaço um tanto da cenografia e da expografia que realiza profissionalmente na galeria – e que passam pelo seu prazer e prática de fazer tudo com as próprias mãos: da embalagem à mudança, da raspagem à pintura, como modernamente se faz em qualquer lugar do mundo. O apartamento, assim, foi se tornando laboratório e morada ao mesmo tempo.
+ No Rio de Janeiro, casa de 1934 é restaurada aos pés do Pão de Açúcar
No quarto, tela de Cosme Martins
André Nazareth
No mesmo ambiente, cabeceira de Juliana Lima Vasconcellos, cubo de aço dos anos 1970 usado como mesa lateral, vaso de cerâmica de Juana Barca, na Gozto, abajur garimpado na feira de San Telmo, em Buenos Aires, cadeira garimpada na feira do Bixiga, em São Paulo, e escultura de Roberto Lerner, tudo coroado pelo lustre com globinhos garimpados na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro
André Nazareth
No living, cadeira Cuiabá, de Sergio Rodrigues, mesa de apoio do Martha Burle Escritório de Arte (à esq.), sofá com almofadas da Codex Home, poltrona M, de Jaime Lerner (ao
André Nazareth
A realidade dos pisos de tacos desenhados em diferentes grafismos a cada ambiente, do pé direito de 3,20 m e das colunas clássicas de gesso – tudo isso já existente – permitiu a utilização de tapetes de estilos diversos, a instalação de um lustre de época (de metal, com 1,20 m de altura e estilo art déco) e a manutenção de muitos elementos de variadas origens. Os ambientes separados, sem grandes integrações, admitiram diferentes cores em suas paredes, e as referências tão comuns na infância e adolescência do designer em Vassouras, cidade histórica do Rio de Janeiro, ganharam espaço – o que o deixou muito à vontade na façanha de transitar pelo passado e flertar com o futuro. Joias são atemporais, afinal – e João sabe cuidar bem delas.
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João Victor Lioi, o morador, ainda antes dos 30 anos e até então designer de joias (de estilo art déco, justamente), viu o seu mundo mudar o foco para o décor depois de galgar a posição de gerente, acrescida em seguida da diretoria criativa da galeria de design carioca Gozto. Lá, passou a assinar seus interiores, na casa histórica da década de 1840 que a abriga no Largo do Boticário, onde até hoje também é o responsável por toda a expografia das mostras de mobiliário, objetos autorais e artes visuais. Uma trajetória que, vista de fora, parece salto, mas que, de dentro, tem a lógica de quem sempre esteve atento à forma e ao tempo das coisas. “Do detalhe da joia à escala do espaço, minha trajetória não tem ruptura – é uma síntese entre precisão e intuição criativa”, diz.
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Perto da janela e do batente de jacarandá descascado, cadeira de Guilherme Gafi, da série Assentamentos, na galeria Gozto, e tela de Vinicius Vaz
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Em sua própria casa, João Victor, então novo residente de uma Copacabana envelhecida, enxergou nos espaços que somam os 100 m² do apartamento – de duas salas e três quartos – as possibilidades para exercer a criatividade e usar seu talento. Disso surgiram muitas peças, em pesquisas intensas, o que já fazia parte de seu trabalho e de sua vida. É claro que um bom curso de design de interiores ajudou a orientar a formação que o levou ao primeiro projeto de decoração de uma residência – o que aconteceu em uma casa antiga, de 1934, no bairro histórico de Santa Teresa. “Minha leitura dos interiores parte do que já existia: atualizar sem romper, intervir sem apagar. É no legado da arquitetura que o design encontra continuidade”, acredita João.
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No escritório, João Victor, vestindo conjunto The Paradise, sapatos Melissa e joias de sua autoria e de Iara Figueiredo, apoia-se em mesa da Tok&Stok – na parede, telas de Marco Figueiredo e escultura Taco, de Armarinhos Teixeira
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De volta ao living, a estante acomoda o bar e obras de arte do acervo do morador – a vista do corredor revela a escultura Arranha-Céu, de Romildo Silva Filho
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Voltando à sua morada nos últimos seis anos, tudo o que já existia de estilo ali foi respeitado. Com obras restritas em função de viver em um imóvel alugado, João viu surgir a possibilidade de exercer no novo espaço um tanto da cenografia e da expografia que realiza profissionalmente na galeria – e que passam pelo seu prazer e prática de fazer tudo com as próprias mãos: da embalagem à mudança, da raspagem à pintura, como modernamente se faz em qualquer lugar do mundo. O apartamento, assim, foi se tornando laboratório e morada ao mesmo tempo.
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André Nazareth
No living, cadeira Cuiabá, de Sergio Rodrigues, mesa de apoio do Martha Burle Escritório de Arte (à esq.), sofá com almofadas da Codex Home, poltrona M, de Jaime Lerner (ao
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A realidade dos pisos de tacos desenhados em diferentes grafismos a cada ambiente, do pé direito de 3,20 m e das colunas clássicas de gesso – tudo isso já existente – permitiu a utilização de tapetes de estilos diversos, a instalação de um lustre de época (de metal, com 1,20 m de altura e estilo art déco) e a manutenção de muitos elementos de variadas origens. Os ambientes separados, sem grandes integrações, admitiram diferentes cores em suas paredes, e as referências tão comuns na infância e adolescência do designer em Vassouras, cidade histórica do Rio de Janeiro, ganharam espaço – o que o deixou muito à vontade na façanha de transitar pelo passado e flertar com o futuro. Joias são atemporais, afinal – e João sabe cuidar bem delas.
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