Para a arquiteta Mariana Kripka, o papel do abajur na arquitetura contemporânea é quase simbólico. “Com a tecnologia de iluminação cada vez mais precisa, o abajur se coloca como um elemento humano dentro dos espaços. Enquanto a iluminação embutida resolve a função com eficiência, o abajur constrói atmosfera”, explica.
A luminária traz luz baixa e íntima, que convida ao descanso — um contraste direto com a lógica automatizada da casa inteligente. “O abajur exige presença. É preciso ir até ele, tocar, acionar. Esse pequeno gesto carrega intenção”, completa Mariana.
Essa dimensão sensorial é comum a muitos projetos, especialmente em ambientes de estar e quartos, onde a luz pontual cria pequenas “ilhas” de aconchego. “Ao invés de iluminar tudo igualmente, você tem zonas de interesse, de pausa. Existe um conforto emocional nessa escala mais baixa de iluminação”, diz a arquiteta.
O abajur Bolas, feito à mão pela designer Luiza Marçal, da marca Curiosa, destaca-se sobre a mesa de cabeceira do quarto, integrado à sala
Cristiano Bauce/Divulgação | Projeto do Studio Mariana Kripka
O arquiteto Robert Robl compartilha dessa visão, mas vai além: para ele, o abajur é também uma ferramenta narrativa. “Abajures podem contar histórias, serem peças de época, de família ou mesmo garimpadas. É super astral ter a luz indireta vinda de peças com design, e não necessariamente embutidas no teto”, afirma.
Em um de seus primeiros apartamentos, em São Paulo, ele chegou a eliminar quase toda a iluminação do teto da sala, apostando apenas em abajures e luminárias decorativas. O resultado foi um ambiente mais acolhedor, marcado por jogos de luz e sombra e uma atmosfera intimista.
Abajures com design escultural funcionam como verdadeiras peças de arte. É o caso do abajur da Cápsula Decor sobre a mesa lateral nesta varanda integrada
Marco Antonio/Divulgação | Projeto do arquiteto Robert Robl
Como escolher o abajur certo
Entre os critérios essenciais para a escolha do abajur estão proporção, material e temperatura de cor da lâmpada.
Próximo à janela, elementos afetivos, como o abajur trazido de São Paulo, somam-se à cadeira de madeira com desenho da Casarão Pedro Baiano
Oka Fotografia/Divulgação | Projeto da arquiteta Consuelo Jorge
“Tudo começa pela proporção. O abajur precisa conversar com o móvel e com o entorno”, explica Mariana. Em mesas laterais menores, por exemplo, o ideal é que a cúpula não ultrapasse a área do tampo. Já em aparadores ou buffets, é possível ousar mais no tamanho e na presença da peça.
O abajur garimpado, com base de pedra-sabão, agrega textura à paleta neutra do quarto
Ivan Araújo/Divulgação | Projeto do escritório Victoria Carvalho Arquitetura e Design
O material da base e, principalmente, da cúpula, também interfere diretamente na qualidade da luz. “A cúpula é quase como um filtro emocional”, define Mariana. Tecidos como linho suavizam e difundem a iluminação, criando um efeito mais acolhedor; enquanto o vidro pode intensificar ou neutralizar a luz, dependendo do acabamento. Já o metal direciona o facho e cria contrastes mais dramáticos.
Complementares, os abajures assinados por Claudia Carmona foram dispostos dos dois lados da cama, sobre as mesas de cabeceiras
André Mortatti/Divulgação | Projeto do escritório Vanessa Féres Arquitetos Associados
Robl destaca sua preferência por cúpulas de tecido com trama aparente, que remetem à estética das décadas de 1950 e 60, além de apostar em versões estampadas, como o ikat, para trazer personalidade ao ambiente. “Não vejo regras rígidas para o acabamento. Cerâmica, madeira, vidro, latão… Tudo depende do estilo da decoração”, diz.
Já neste quarto, o par de abajures idênticos são da Olho Móveis Autorait
Rafael Renzo/Divulgação | Projeto do escritório Voa Arquitetura
Mais do que a quantidade de pontos de luz, o segredo está na composição em camadas. “Cada iluminação deve ter uma função clara: geral, funcional ou decorativa. O abajur entra como uma luz mais íntima, de apoio”, explica Mariana. Essa hierarquia evita excessos e cria ambientes visualmente mais interessantes.
Bases dos abajures em cerâmica ou madeira ajudam a aquecer visualmente o ambiente. Neste projeto, os abajures são da Boobam e da Pair
Fran Parente/Divulgação | Projeto do escritório Pascali Semerdijan Arquitetos
O abajur como protagonista
Para os arquitetos, o abajur só se torna protagonista quando ultrapassa a sua própria função. “Quando ele começa a comunicar mais do que iluminar, passa a funcionar quase como uma peça escultórica”, afirma a Mariana.
Discretos, os abajures da Reka Iluminação compõem as mesas de cabeceira simétricas da cabeceira
André Scarpa/Divulgação | Produção: Tiago Capri/Divulgação | Projeto da arquiteta Ana Sawaia
Em espaços mais neutros ou minimalistas, essa estratégia aparece com força: uma única peça mais ousada, com design marcante, é capaz de conduzir o olhar.
Para aparadores e buffets, vale apostar em modelos de abajures maiores e marcantes que ganham destaque no ambiente
Felipe Araújo/Divulgação | Projeto do arquiteto Thiago Tavares do escritório Tadu Arquitetura
“Se tudo chama atenção, nada se destaca”, resume Mariana. Para Robl, o raciocínio é semelhante: em ambientes mais limpos, o abajur pode se tornar o foco, seja pelo desenho, pela proporção ou pelo efeito de luz que cria.
Em mesas laterais compactas, prefira abajures proporcionais: a cúpula não deve ultrapassar o tampo. O abajur escultórico é do Cris Bertolucci Estúdio
Joao Paulo Oliveira/Divulgação | Projeto do escritório Flávia Campos Arquitetura+Design
Para além de transformar o espaço, a escolha do abajur também compõe a sensação que o ambiente transmite. “O conforto não está só no que a gente vê, mas no que a gente sente”, diz Mariana. E, nesse sentido, poucos elementos são tão eficazes — e silenciosamente potentes — quanto um abajur bem escolhido.
Abajur no quarto
Um bom abajur ao lado da cama organiza o espaço sem esforço: ilumina o essencial e deixa o resto em penumbra, criando uma sensação imediata de calma
André Nazareth/Divulgação | Projeto do arquiteto Jean de Just
O abajur pode imprimir personalidade e transformar a forma como habitamos os espaços. Neste projeto, o abajur vintage é da Pé Palito Vintage
Estúdio NY18/Divulgação | Projeto do escritório Dubal Arquitetura
Em quartos, os abajures incentivam a leitura e a desaceleração. Neste projeto, abajur Atman da Bertolucci
Fabio Jr. Severo/Divulgação | Projeto do arquiteto Gustavo Cardoso
O abajur laranja da Flos, na Dimilux, funciona como ponto de cor no quarto predominantemente neutro
Estúdio NY18/Divulgação | Projeto do escritório 222 Arquitetura
No quarto, o abajur vermelho da Reka chama atenção em contraste com a roupa de cama verde
Julia Novoa/Divulgação | Projeto do escritório Rumo Arquitetura
Abajures vintage ou garimpados adicionam história e personalidade ao espaço. Neste projeto, o abajur pertencia à avó da moradora Ju Ferraz e foi repaginado por sua mãe
André Klotz/Divulgação | Projeto da arquiteta Kika Mattos
Mesmo apagado, o abajur dourado da Força Carioca funciona como um ponto de luz na base neutra do quarto
Lília Mendel/Divulgação | Projeto do escritório Cité Arquitetura
Mais do que iluminar, o abajur no quarto constrói atmosfera: ele desenha sombras suaves, valoriza texturas e transforma a percepção de conforto no ambiente. Abajur da Stella iluminação
JP Image/Divulgação | Produção: Mayra Navarro/Divulgação | Projeto do Atelier Paulo Tripoloni
Com formato lúdico, o abajur Mangue da ceramista Gabriela Batista atrai o olhar no quarto
Luiza Schreier / Divulgação | Projeto do arquiteto Leandro Neves do Studio Leandro Neves
Próximo à janela, o abajur de fibra natural da Mart é da LCL Design
Fabio Jr. Severo/Divulgação | Projeto da arquiteta Letícia Medeiros
Com cúpula de tecido e luz quente, o abajur no quarto suaviza contrastes e cria uma iluminação delicada. Abajur da Omniligh
Gabriela Daltro/Divulgação | Projeto do escritório GAM Arquitetos
Abajur na sala e hall
Sobre o piano, a luz indireta vinda do abajur ajuda a compor a atmosfera relaxante
Lília Mendel/Divulgação | Projeto do escritório A+G Arquitetura
Em contraste com o buffet de madeira e palhinha, o abajur dourado da Bonaluce compõe com os quadros coloridos
Favaro Jr./Divulgação | Projeto da arquiteta Veridiana Peres
O abajur Bengala, da linha Dominici, na La Lampe, tem um design marcante para o corredor
Andre Sheffer/Divulgação | Projeto da arquiteta Paula Sizinando
No projeto, o abajur com base de madeira pertencia ao acervo dos clientes e compõe perfeitamente com a marcenaria
Luiza Schreier/Divulgação | Projeto do escritório A+G Arquitetura
Na sala, o abajur com base em cerâmica é da loja Linho e possui uma cor muito semelhante à poltrona, ao quadro e ao tapete
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Falchi/Divulgação | Projeto do escritório Escala Arquitetura
Em ambientes minimalistas, um único abajur bem escolhido pode transformar completamente a leitura do espaço. Nesse projeto, a escolha foi o abajur da Casa Ocre
Juliano Colodeti/MCA Estúdio/Divulgação | Produção: Andrea Britto Velho e Pualani Di Giorgio | Projeto do Fato Estúdio
Escultórico, o abajur de resina da LCL Design foi posicionado sobre a mesa lateral
Fabio Jr. Severo/Divulgação | Projeto da arquiteta Letícia Medeiros
Sobre a cômoda vintage, trazida de São Petersburgo, foi posicionado o abajur de mesa da Eichholtz
Olga Shangina/Divulgação | Projeto da designer russa Yulia Barashevskaya



